Tarifa de 35% sobre produtos canadenses: entenda a nova medida dos EUA e seus impactos no comércio bilateral
Os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 35% sobre produtos canadenses fora do acordo USMCA, sinalizando uma nova tensão nas relações comerciais entre os dois países vizinhos. A justificativa oficial do governo norte-americano é a alegada falta de cooperação do Canadá no combate ao tráfico de fentanil, uma crise que tem assolado os EUA há anos. A medida entra em vigor imediatamente, atingindo setores estratégicos da economia canadense, como o de laticínios, madeira e couro.
Neste artigo, você vai entender o que motivou a decisão, quais os impactos para a economia dos dois países e quais são as implicações para o futuro do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá).
Entenda a nova tarifa de 35% sobre produtos canadenses
A tarifa de 35% decretada pelo governo dos EUA é direcionada a produtos canadenses não cobertos pelo USMCA, acordo que rege a maior parte do comércio entre os três países da América do Norte. Segundo autoridades americanas, a medida é uma resposta à falta de colaboração do Canadá no combate ao tráfico de substâncias ilícitas, com destaque para o fentanil, uma droga sintética responsável por milhares de mortes nos EUA nos últimos anos.
Apesar da rigidez da nova tarifa, cerca de 90% das exportações canadenses para os EUA não serão impactadas, já que permanecem protegidas pelo acordo em vigor.
Por que os EUA estão impondo tarifas ao Canadá agora?
O anúncio ocorre após o fim do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump para que o governo canadense apresentasse uma nova proposta de cooperação bilateral em relação ao combate ao tráfico de drogas. Como não houve avanço, os EUA decidiram agir unilateralmente. O presidente norte-americano afirmou que o Canadá impõe tarifas injustas aos produtores agrícolas americanos, e citou taxas de até 200% sobre alguns produtos agrícolas como exemplo de práticas comerciais desleais.
A medida também é interpretada como parte da estratégia eleitoral de Trump, que busca reforçar sua imagem de defensor dos interesses econômicos americanos, especialmente em estados produtores que se sentem prejudicados pelas barreiras canadenses.
Impacto da tarifa de 35% sobre o comércio entre EUA e Canadá
Embora o impacto direto seja limitado, já que a maior parte do comércio entre os dois países continua isenta de tarifas, a decisão é vista como um sinal de alerta para investidores e parceiros comerciais. Os setores mais afetados incluem:
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Indústria de laticínios: o Canadá é conhecido por seu sistema de cotas e tarifas elevadas para proteger seus produtores internos.
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Setor madeireiro: há décadas em disputa com os EUA por questões de subsídios e preços.
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Couro e derivados: produtos usados na indústria automotiva e têxtil que poderão sofrer aumentos de custo para empresas americanas.
Esses setores agora terão que lidar com um cenário de incertezas e renegociações, especialmente se a medida se prolongar por muitos meses.
O papel do USMCA nesse cenário
O USMCA foi assinado em 2020 como substituto do NAFTA e trouxe novas regras para comércio, propriedade intelectual, digitalização e agricultura entre os EUA, Canadá e México. A nova tarifa de 35% não infringe diretamente o acordo, já que atinge apenas produtos que estão fora de sua cobertura. No entanto, a ação abre um precedente perigoso, levantando questionamentos sobre a estabilidade e previsibilidade do pacto trilateral.
O USMCA está previsto para revisão no próximo ano, o que poderá ser uma nova oportunidade para ajustar temas sensíveis como o comércio agrícola, controle de fronteiras e políticas antidrogas.
Crise do fentanil como pano de fundo da decisão
O fentanil, um opioide sintético até 100 vezes mais potente que a morfina, é um dos principais problemas de saúde pública dos EUA. Milhares de mortes são registradas todos os anos devido a overdoses envolvendo a substância, frequentemente misturada a outras drogas.
O governo americano acusa países como China e México de serem rotas primárias para o tráfico, mas agora passa a pressionar também o Canadá, alegando “falta de cooperação” no controle das fronteiras e no rastreamento de substâncias químicas.
A imposição da tarifa seria, portanto, uma forma de retaliação política, forçando o governo canadense a adotar medidas mais rígidas de fiscalização e cooperação com as agências americanas.
Declarações e repercussões políticas
Donald Trump deixou claro que não houve diálogo com o primeiro-ministro canadense Mark Carney antes da medida ser oficializada. Para o presidente americano, “o Canadá precisa pagar uma taxa justa”. Ele ainda criticou o que considera ser o tratamento injusto aos agricultores americanos por parte de Ottawa.
Por sua vez, o governo canadense ainda não apresentou uma resposta formal, mas fontes indicam que medidas de retaliação estão sendo avaliadas. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que a tarifa poderia ser suspensa caso o Canadá desistisse de suas próprias medidas retaliatórias em curso.
Isenções temporárias: quais produtos estão livres da tarifa?
Apesar da rigidez do anúncio, há uma exceção para mercadorias embarcadas até o dia 7 de agosto, desde que cheguem ao território americano antes de 5 de outubro de 2025. Isso dá um período de transição para empresas que já haviam firmado contratos ou exportações programadas.
Essa janela também serve como uma última oportunidade para que os dois governos cheguem a um entendimento antes que a tarifa cause efeitos mais profundos na cadeia de suprimentos.
Impactos para o consumidor americano
A tarifa de 35% sobre produtos canadenses deve provocar aumento de preços em alguns setores dos EUA, especialmente alimentos e materiais de construção. Embora o consumidor final possa não sentir o impacto de forma imediata, empresas que utilizam matéria-prima canadense já começam a calcular os custos adicionais e possíveis repasses.
Setores como a indústria automobilística, moveleira e alimentícia poderão ser afetados em médio prazo, com reflexos no preço ao consumidor e na competitividade das empresas americanas frente a produtos de países não tarifados.
O que esperar dos próximos capítulos?
Com a revisão do USMCA prevista para o próximo ano, é possível que esse episódio seja apenas o início de uma nova rodada de disputas comerciais entre os dois países. Trump já sinalizou interesse em renegociar termos do acordo, alegando que os EUA ainda saem prejudicados em várias áreas.
Se o Canadá não responder com medidas concretas no combate ao fentanil ou não retirar suas próprias barreiras tarifárias, o conflito pode se intensificar, afetando a estabilidade econômica de ambos os lados da fronteira.
Conclusão: tarifa de 35% reacende alerta no comércio entre EUA e Canadá
A imposição da tarifa de 35% sobre produtos canadenses representa mais do que um gesto pontual de proteção econômica. Trata-se de um movimento geopolítico com implicações diretas para o comércio internacional, para a revisão do USMCA e para o equilíbrio das relações diplomáticas entre os países da América do Norte.
O uso de tarifas como ferramenta de pressão por cooperação em temas de segurança e saúde pública, como o tráfico de fentanil, pode estabelecer um precedente perigoso para futuras negociações multilaterais. Em um momento de tensão global e instabilidade econômica, decisões como essa exigem cautela, diplomacia e estratégias coordenadas — sob pena de aprofundar ainda mais as divisões comerciais em um mundo cada vez mais interdependente.






