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Taxa sobre ouro no Brasil avança no Congresso e pode mudar regras do mercado com nova rastreabilidade

por Álvaro Lima
22/04/2026 às 16h10
em Economia
Taxa Sobre Ouro No Brasil Avança No Congresso E Pode Mudar Regras Do Mercado Com Nova Rastreabilidade-Gazeta Mercantil

Taxa sobre ouro no Brasil avança no Congresso e pode transformar mercado com novas regras de rastreabilidade

O avanço do projeto que institui uma taxa sobre ouro no Brasil e amplia os mecanismos de rastreabilidade do metal precioso coloca o setor mineral no centro de um dos debates mais sensíveis da agenda econômica e regulatória de 2026. Em tramitação na Câmara dos Deputados, a proposta do governo federal atende a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e pretende redefinir as bases legais que sustentam a comercialização do ouro no país.

A iniciativa surge em um momento de crescente pressão institucional por maior controle sobre atividades de mineração, especialmente diante de preocupações com extração ilegal, impactos ambientais e fragilidade na fiscalização da cadeia produtiva. A nova taxa sobre ouro no Brasil aparece como instrumento-chave nesse processo, ao mesmo tempo em que levanta questionamentos relevantes sobre custos operacionais, competitividade e segurança jurídica.

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Projeto cria taxa e estabelece novo modelo de rastreabilidade

O texto em análise estabelece a criação da Taxa de Registro das Transações e de Marcação Física do Ouro (Touro), um mecanismo que se insere diretamente na proposta de controle mais rigoroso sobre a origem, transporte e comercialização do metal. A taxa sobre ouro no Brasil, conforme delineada no projeto, incidirá em dois momentos principais: na emissão da Guia de Transporte e Custódia de Ouro e na marcação física do metal.

O valor estipulado inicialmente é de R$ 2 por guia emitida e R$ 5 por grama de ouro, com atualização anual baseada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Na prática, isso representa um aumento relevante de custos ao longo da cadeia produtiva, especialmente para operadores que atuam em larga escala.

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A criação da taxa sobre ouro no Brasil também está diretamente vinculada à implementação de um sistema nacional de rastreabilidade, cujo objetivo é garantir maior transparência e segurança nas transações envolvendo o metal precioso. O governo argumenta que a medida é essencial para combater práticas ilegais e proteger comunidades afetadas pela mineração irregular.

Pressão do STF acelera mudança regulatória

A discussão sobre a taxa sobre ouro no Brasil ganhou força após decisão do STF que suspendeu a chamada presunção de boa-fé nas transações com ouro. Até então, compradores podiam presumir que o metal adquirido tinha origem legal, o que, na prática, facilitava a circulação de ouro extraído ilegalmente.

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Com a decisão, o Poder Executivo foi instado a propor um novo marco regulatório. O projeto em tramitação surge como resposta direta a essa exigência, estabelecendo mecanismos mais rígidos de controle e responsabilização.

A nova taxa sobre ouro no Brasil, nesse contexto, não é apenas um instrumento arrecadatório, mas parte de uma estratégia mais ampla de governança e fiscalização do setor mineral.

Setor produtivo reage e aponta riscos

Apesar dos objetivos declarados pelo governo, a proposta enfrenta resistência significativa de entidades representativas da mineração e do mercado de metais preciosos. O Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) estima que a taxa sobre ouro no Brasil pode elevar os custos em cerca de R$ 5 mil por quilo de ouro na primeira transação.

Executivos do setor questionam a metodologia adotada para definição do valor da taxa e alertam para possíveis distorções competitivas. Há preocupação de que a medida possa incentivar a informalidade, justamente o oposto do que se pretende combater.

Outro ponto crítico é a designação da Casa da Moeda do Brasil como operadora exclusiva do sistema de rastreabilidade. Representantes do setor argumentam que a instituição não possui expertise suficiente para lidar com as especificidades da mineração, especialmente em pequena escala.

Nesse cenário, a taxa sobre ouro no Brasil passa a ser vista por parte do mercado como um fator de risco regulatório, com potencial de impactar investimentos e decisões estratégicas.

Cadeia do ouro pode passar por transformação estrutural

A implementação da taxa sobre ouro no Brasil tende a provocar mudanças profundas na dinâmica do setor. A exigência de rastreabilidade completa desde a origem até a comercialização final pode elevar o nível de governança, mas também impor novos desafios operacionais.

Empresas que atuam de forma regular poderão se beneficiar de um ambiente mais transparente, com maior previsibilidade e menor concorrência desleal. Por outro lado, operadores menos estruturados podem enfrentar dificuldades para se adaptar às novas exigências.

A proposta também redefine o papel das instituições financeiras na cadeia do ouro. O texto prevê que, até a primeira venda, o metal seja considerado ativo financeiro ou instrumento cambial, restringindo sua comercialização a entidades autorizadas pelo Banco Central.

Essa mudança reforça o caráter institucional do mercado, mas levanta dúvidas sobre a capacidade das atuais estruturas absorverem a demanda.

Divergências políticas travam avanço do projeto

Apesar da urgência regulatória, a votação da proposta que institui a taxa sobre ouro no Brasil tem sido adiada por falta de consenso político. Parlamentares apontam a necessidade de ajustes no texto para garantir equilíbrio entre controle e viabilidade econômica.

Entre os pontos mais controversos estão a definição das alíquotas, a governança do sistema de rastreabilidade e a participação de diferentes órgãos reguladores. A Agência Nacional de Mineração (ANM), por exemplo, manifestou preocupação com possíveis sobreposições de competências.

A Frente Parlamentar da Mineração Sustentável também defende mudanças para evitar que a nova legislação gere efeitos contrários ao desejado, como aumento da informalidade ou redução da competitividade internacional.

Nesse contexto, a taxa sobre ouro no Brasil se torna elemento central de negociação política, com impacto direto sobre o ritmo de tramitação do projeto.

Impactos econômicos e reflexos no mercado financeiro

A introdução da taxa sobre ouro no Brasil ocorre em um momento de volatilidade nos mercados globais e de valorização do metal como ativo de proteção. Qualquer alteração regulatória tende a influenciar preços, margens e estratégias de investimento.

Analistas destacam que o aumento de custos pode ser parcialmente repassado ao consumidor final, dependendo das condições de mercado. No entanto, a elasticidade da demanda e a concorrência internacional serão fatores determinantes.

Além disso, a maior transparência proporcionada pela rastreabilidade pode atrair investidores institucionais, interessados em ativos com menor risco reputacional. Nesse sentido, a taxa sobre ouro no Brasil pode, paradoxalmente, fortalecer o mercado no médio prazo.

Relator defende proposta e minimiza impacto da taxa

O relator do projeto sustenta que a taxa sobre ouro no Brasil representa uma fração marginal do valor do metal, estimada em cerca de 0,65% do preço por grama. Segundo ele, o objetivo principal é financiar a estrutura de controle e garantir maior conformidade ao setor.

O parlamentar também argumenta que o texto enfrenta de forma direta a extração ilegal e fortalece os mecanismos de fiscalização. A possibilidade de ajuste das alíquotas pelo Poder Executivo é apresentada como instrumento de flexibilidade regulatória.

Ainda assim, o debate permanece aberto, com diferentes atores buscando influenciar o formato final da legislação.

Ouro no centro de uma nova agenda regulatória no Brasil

A discussão sobre a taxa sobre ouro no Brasil evidencia a crescente complexidade da regulação de recursos naturais em um cenário de demandas ambientais, sociais e econômicas cada vez mais interligadas.

O desfecho da proposta terá implicações que vão além do setor mineral, afetando políticas públicas, arrecadação fiscal e posicionamento do Brasil no mercado global de commodities.

À medida que o Congresso avança na análise do projeto, o mercado acompanha com atenção os desdobramentos que podem redefinir o futuro da mineração no país.

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