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Telefônica Brasil (VIVT3) Lucra R$ 1,9 Bilhão no 4T25 e Supera Mercado

Resultado da dona da Vivo no quarto trimestre reflete resiliência do pós-pago e expansão da fibra óptica; Ebitda ajustado avança 8,1% e atinge R$ 6,7 bilhões.

por João Souza
23/02/2026 às 08h29
em Negócios
Telefônica Brasil - Vivo Vivt3 - Gazeta Mercantil

Telefônica Brasil (VIVT3) supera projeções e lucra R$ 1,9 bi no 4T25

A Telefônica Brasil (VIVT3), operadora da marca Vivo, reportou lucro líquido de R$ 1,877 bilhão no quarto trimestre de 2025 (4T25), montante 6,5% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O balanço, divulgado nesta segunda-feira (23), superou o consenso do mercado compilado pela LSEG, que projetava lucro de R$ 1,73 bilhão. O desempenho foi impulsionado pela sólida performance operacional nos segmentos de fibra (FTTH) e telefonia móvel pós-paga, elevando o Ebitda ajustado para R$ 6,699 bilhões, uma alta de 8,1% em relação ao 4T24.


Desempenho operacional da Telefônica Brasil bate consenso do mercado

O encerramento do exercício de 2025 para a Telefônica Brasil consolidou uma trajetória de crescimento fundamentada na digitalização e na captura de clientes de alto valor. A receita líquida totalizou R$ 15,611 bilhões no trimestre, um avanço de 7,1% na comparação anual. Este crescimento não foi apenas nominal, mas qualitativo, com a empresa conseguindo expandir suas margens operacionais em um ambiente de inflação de serviços persistente.

Leia também: CDB 150% do CDI: novo investimento do Mercado Pago rende alto.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, que é a principal métrica de geração de caixa operacional, alcançou R$ 6,699 bilhões. O mercado esperava R$ 6,35 bilhões, o que coloca a entrega da Vivo significativamente acima das expectativas. A margem Ebitda ajustada atingiu 42,9%, um incremento de 0,4 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2024. Esse ganho de margem é atribuído à eficiência na integração de tecnologias digitais e ao controle rigoroso de custos de ocupação e manutenção.

Impacto imediato nos mercados: Vivo lidera ganhos no setor

A reação dos analistas ao balanço da Telefônica Brasil destaca a capacidade da companhia em navegar por um cenário macroeconômico de juros elevados mantendo a rentabilidade. O crescimento de 18,0% do EBIT (lucro operacional antes de juros e impostos) demonstra que a operação core da Vivo está gerando valor de forma mais eficiente do que o crescimento da receita bruta sugere.

Essa eficiência reflete-se na confiança institucional. Com a divulgação dos dados, investidores observam a Telefônica Brasil como um porto seguro no setor de utilidades tecnológicas. A dominância no segmento móvel, onde a Vivo mantém a liderança de market share, permite um poder de precificação (pricing power) que protege o lucro líquido contra oscilações nos custos de insumos e mão de obra.

Fibra óptica e pós-pago: Os pilares do crescimento da Vivo

O coração da estratégia da Telefônica Brasil no 4T25 foi a substituição acelerada das receitas legadas por serviços de alta tecnologia. O segmento de fibra óptica (FTTH) continuou sua trajetória de expansão, com a receita de dados e fibra apresentando crescimento de dois dígitos. A Vivo tem conseguido não apenas expandir sua rede (Homes Passed), mas converter essa infraestrutura em clientes ativos (Homes Connected) com um ARPU (receita média por usuário) superior ao da concorrência.

No segmento móvel, a dominância no pós-pago foi o diferencial. A receita desse setor foi impulsionada pela baixa taxa de desconexão (churn) e pela capacidade de repasse de preços em planos premium. Além disso, a divisão B2B, que engloba serviços de Nuvem, Cibersegurança e IoT (Internet das Coisas), já representa uma fatia relevante do faturamento total, transformando a operadora em uma provedora completa de soluções de TIC.

Despesa financeira e o impacto da migração regulatória

Um ponto que exigiu detalhamento técnico no balanço foi o resultado financeiro. No 4T25, a Telefônica Brasil registrou uma despesa financeira líquida de R$ 663,7 milhões, o que representa um aumento nominal de 93,8% frente ao ano anterior. Entretanto, a diretoria da companhia ressaltou que esse salto é puramente contábil e derivado de uma base de comparação distorcida no 4T24.

No quarto trimestre do ano anterior, a Vivo havia registrado um ganho extraordinário de R$ 406 milhões devido à reversão de provisões relacionadas à migração do regime de concessão para autorização de telefonia fixa. Sem esse efeito de “base alta” no passado, o custo da dívida da companhia permanece em patamares saudáveis, compatíveis com a Selic média do período e sua estrutura de capital conservadora. Em 31 de dezembro de 2025, a dívida líquida da operadora estava em R$ 13,109 bilhões.

Eficiência em Capex: A nova fronteira da rentabilidade

O dado que mais entusiasmou investidores focados em dividendos foi o comportamento dos investimentos. O Capex da Telefônica Brasil no 4T25 somou R$ 2,359 bilhões, o que representa uma redução de 4,0% em relação ao 4T24. Com isso, a intensidade de capital (Capex/Receita) caiu para 15,1%, uma melhora de 1,7 ponto percentual.

Essa redução reflete a maturidade da rede 5G nas principais capitais e a otimização dos investimentos em fibra. Para o mercado financeiro, um Capex em queda aliado a um Ebitda em alta é a fórmula ideal para o aumento do Fluxo de Caixa Livre (FCF). Isso sinaliza que a Vivo terá maior fôlego para manter ou elevar o payout (percentual do lucro distribuído aos acionistas), consolidando-se como uma das maiores pagadoras de proventos da B3.

Reação política e institucional ao marco das telecomunicações

Os resultados da Telefônica Brasil também ocorrem em um momento de transição institucional no setor de telecomunicações brasileiro. A migração definitiva do regime de concessão para autorização permite que a empresa direcione recursos que antes eram obrigatórios para tecnologias obsoletas (como o orelhão) para a expansão da banda larga de alta velocidade.

A Anatel e o Ministério das Comunicações têm acompanhado de perto essa transição. O balanço do 4T25 mostra que a Vivo cumpriu os compromissos de investimento atrelados a essa mudança de regime, o que garante segurança jurídica para a operação nos próximos anos. Esse cenário institucional favorável reduz o risco regulatório e atrai investidores estrangeiros que buscam previsibilidade em mercados emergentes.

Tese de investimento: VIVT3 como ativo de dividendos

Com a divulgação deste balanço, analistas de bancos de investimento como BTG Pactual, Itaú BBA e JPMorgan devem manter a recomendação de compra para as ações VIVT3. A tese baseia-se na geração de valor sustentável. Em um cenário onde a receita cresce 7% e o lucro operacional (EBIT) cresce 18%, fica evidente que a empresa está escalando o negócio sem aumentar os custos na mesma proporção.

A manutenção da dívida líquida em R$ 13,1 bilhões, considerada baixa para os padrões globais de telecomunicações, permite que a companhia continue sua agressiva política de remuneração aos acionistas através de Juros sobre Capital Próprio (JCP).


Quadro Comparativo: Telefônica Brasil 4T25

Métrica Financeira 4T25 (Realizado) 4T24 (Anterior) Variação (%)
Receita Líquida R$ 15,611 bi R$ 14,576 bi +7,1%
Ebitda Ajustado R$ 6,699 bi R$ 6,197 bi +8,1%
Lucro Líquido R$ 1,877 bi R$ 1,762 bi +6,5%
Margem Ebitda 42,9% 42,5% +0,4 p.p.
Investimentos (Capex) R$ 2,359 bi R$ 2,457 bi -4,0%

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