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Telefônica Brasil (VIVT3) cai após balanço frustrar mercado no 1T26

Dona da Vivo teve lucro e Ebitda abaixo das projeções, enquanto analistas apontam pressão de despesas e resiliência operacional.

por João Souza
11/05/2026 às 13h16
em Empresas
Cade Aprova Compra De 50% Da Fibrasil Pela Telefônica Brasil

Telefônica Brasil (VIVT3) / Foto: reprodução

As ações da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, lideraram as perdas do Ibovespa nesta segunda-feira (11), depois que o balanço do primeiro trimestre de 2026 foi recebido com cautela por investidores e analistas. A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,26 bilhão no período, avanço de 19,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025, mas abaixo das expectativas do mercado. Na mínima do dia, os papéis chegaram a cair 7,48%, a R$ 35,49, pressionados por lucro por ação menor que o esperado, aumento de despesas operacionais e impacto de custos financeiros ligados à FiBrasil e a passivos de leasing.

Apesar da reação negativa na Bolsa, o resultado da Telefônica Brasil (VIVT3) não foi considerado fraco de forma generalizada. Analistas apontaram desempenho operacional ainda resiliente nos segmentos móvel, fibra e B2B, além de geração de caixa considerada sólida. O problema central foi a combinação entre números abaixo do consenso, pressão em despesas e deterioração em algumas linhas que afetaram a leitura de curto prazo sobre rentabilidade.

Leia também: Ações da Hypera HYPE3 sobem após lucro no 1T26, mas margens e caixa geram cautela no mercado.

A companhia registrou Ebitda de R$ 6,21 bilhões no primeiro trimestre, alta de 8,9% na comparação anual. Ainda assim, o número também ficou abaixo da média das projeções compiladas pela LSEG, que indicava Ebitda de R$ 6,44 bilhões e lucro líquido de R$ 1,52 bilhão para o período.

Por volta das 12h08, as ações da Telefônica Brasil (VIVT3) recuavam 5,29%, negociadas a R$ 36,33. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,93%, aos 182.389,27 pontos. A queda mais intensa dos papéis da companhia mostrou que o mercado penalizou especificamente o balanço, mesmo em um pregão também negativo para a Bolsa brasileira.

Leia também: Condenação de Bolsonaro: impactos políticos e econômicos no Brasil e no Ibovespa.

Lucro abaixo do consenso derruba ações da Vivo

O principal ponto de pressão no balanço da Telefônica Brasil (VIVT3) foi o lucro líquido abaixo das expectativas. Embora o resultado tenha crescido em relação ao primeiro trimestre de 2025, o avanço não foi suficiente para atender às projeções de analistas.

Em empresas maduras e defensivas, como operadoras de telecomunicações, o mercado costuma acompanhar com atenção a previsibilidade dos resultados. Quando uma companhia desse perfil entrega lucro abaixo do consenso, mesmo com crescimento anual, a leitura dos investidores tende a ser negativa porque a tese de investimento é baseada em estabilidade, geração de caixa e remuneração recorrente aos acionistas.

No caso da Telefônica Brasil (VIVT3), o lucro líquido de R$ 1,26 bilhão ficou distante da expectativa média de R$ 1,52 bilhão. Essa diferença ajudou a explicar a pressão imediata sobre os papéis.

A reação também foi influenciada pelo lucro por ação, conhecido pela sigla EPS. Segundo a XP Investimentos, essa foi a principal decepção do trimestre, afetada por despesas financeiras mais elevadas associadas à FiBrasil e a passivos de leasing.

A leitura do mercado indica que a operação segue sólida, mas que a rentabilidade final ficou abaixo do que investidores esperavam para uma companhia vista como defensiva dentro do Ibovespa.

XP vê resultado misto, mas mantém recomendação de compra

A XP Investimentos classificou o balanço da Telefônica Brasil (VIVT3) como misto. Na avaliação da corretora, as tendências operacionais seguem positivas nos segmentos móvel, fibra e B2B, mas o lucro veio abaixo das estimativas.

A receita total da companhia somou R$ 15,5 bilhões no trimestre, impulsionada principalmente por vendas mais fortes de aparelhos. As receitas de serviços ficaram em linha com o esperado pela XP, indicando que o desempenho comercial da Vivo permanece relativamente estável.

O Ebitda, de R$ 6,2 bilhões, ficou abaixo do projetado pela corretora. Por outro lado, o Ebitda ajustado por determinadas linhas, chamado de Ebitda ex-outros, veio em linha com a expectativa, reforçando a leitura de que a operação principal continua saudável.

Para os analistas Bernardo Guttmann e Luis Chagas, a Vivo permanece como uma tese defensiva e de qualidade no setor de telecomunicações. A avaliação se apoia na execução resiliente, na convergência de serviços, no crescimento de ofertas digitais e na forte remuneração aos acionistas.

Apesar da queda das ações após o balanço, a XP manteve recomendação de compra para Telefônica Brasil (VIVT3), com preço-alvo de R$ 43. O valor implica potencial de valorização de cerca de 12% em relação ao fechamento anterior.

Despesas financeiras pesam no lucro por ação

A pressão sobre o lucro por ação da Telefônica Brasil (VIVT3) esteve ligada principalmente a despesas financeiras maiores. Segundo a leitura da XP, os impactos vieram de obrigações relacionadas à FiBrasil e a passivos de leasing.

Esses itens são relevantes porque afetam o resultado final mesmo quando a operação comercial apresenta evolução. Em companhias de infraestrutura e telecomunicações, contratos de leasing, investimentos em rede e estruturas societárias podem gerar efeitos financeiros que aparecem abaixo do Ebitda.

Para o investidor, a diferença entre Ebitda e lucro líquido é central. O Ebitda mostra a geração operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Já o lucro líquido incorpora despesas financeiras, depreciação, impostos e outros efeitos contábeis.

No trimestre, a Telefônica Brasil (VIVT3) entregou avanço operacional, mas parte desse ganho foi absorvida por despesas abaixo da linha operacional. Esse movimento ajuda a explicar por que o mercado reagiu negativamente mesmo diante de crescimento anual do lucro.

A preocupação dos investidores não está apenas no número pontual, mas na possibilidade de esses custos continuarem pressionando a rentabilidade nos próximos trimestres. Caso isso ocorra, a capacidade de expansão do lucro pode ficar limitada, mesmo com receita em crescimento.

Citi aponta resultado neutro e chama atenção para opex

O Citi avaliou o resultado da Telefônica Brasil (VIVT3) como neutro. Para o banco, o Ebitda ficou em linha com suas estimativas, enquanto o fluxo de caixa livre recorrente para o acionista, o FCFE, de R$ 2,1 bilhões, foi considerado sólido.

A análise do Citi foi menos negativa do que a reação inicial da Bolsa. O banco destacou que a receita ficou, em grande parte, em linha com o esperado, apoiada pelo crescimento de 6,6% na receita móvel de serviços na comparação anual.

Esse avanço foi favorecido por impacto menos negativo do segmento pré-pago, que recuou 1% na mesma base de comparação. A companhia segue buscando estratégias de monetização em diferentes frentes, especialmente em serviços móveis, planos pós-pagos, fibra e soluções para empresas.

Ainda assim, o Citi chamou atenção para o aumento das despesas operacionais. O opex da Telefônica Brasil (VIVT3) ficou 3% acima das projeções do banco, refletindo maiores despesas com inadimplência e menor contribuição das vendas de cobre, afetadas por interrupção temporária em março.

O banco manteve recomendação neutra para Telefônica Brasil (VIVT3), com preço-alvo de R$ 40. Esse valor representa potencial de valorização de 4,3% em relação ao último fechamento usado como base pela instituição.

Inadimplência e custos de aparelhos pressionam margem

Entre os fatores que pesaram no balanço, a inadimplência ganhou destaque. Segundo o Banco Safra, houve salto de 13% na comparação anual na provisão para inadimplência, relacionado a um cliente corporativo específico do segmento B2B.

Esse ponto afetou a percepção sobre a qualidade do resultado. Ainda que o impacto tenha sido atribuído a um caso específico, o aumento de provisões tende a chamar atenção em um ambiente de juros elevados e crédito mais seletivo.

O Safra também apontou avanço do custo de produtos vendidos, acompanhando o crescimento das vendas de aparelhos celulares. Embora a venda de aparelhos ajude a elevar a receita total, ela costuma ter margem inferior à de serviços recorrentes, o que pode pressionar indicadores de rentabilidade.

Essa dinâmica explica parte da leitura mista dos analistas. A receita cresceu, mas nem todo crescimento de receita tem o mesmo valor para o investidor. Quando a expansão vem de itens com margem menor ou acompanhada de custos mais altos, o efeito sobre lucro e Ebitda pode ser limitado.

No caso da Telefônica Brasil (VIVT3), a força comercial em aparelhos ajudou a receita, mas não compensou integralmente a pressão em despesas e custos operacionais.

Pós-pago e fibra seguem como pontos fortes da operação

Apesar da queda das ações, analistas destacaram que segmentos importantes da Telefônica Brasil (VIVT3) continuam apresentando desempenho positivo. O Banco Safra avaliou que o pós-pago e a Vivo Fibra Residencial seguem contribuindo para o resultado da companhia.

O pós-pago é estratégico para operadoras de telecomunicações porque tende a gerar receita mais previsível, menor volatilidade e maior capacidade de monetização por cliente. A migração de usuários para planos mais completos também pode ampliar a oferta de serviços adicionais.

A fibra residencial, por sua vez, segue relevante em um mercado no qual conectividade de alta velocidade se tornou serviço essencial para famílias e empresas. A expansão da base de fibra permite à Vivo competir em banda larga fixa e pacotes convergentes.

A convergência entre móvel, fibra, serviços digitais e soluções corporativas é um dos pilares da tese de investimento na Telefônica Brasil (VIVT3). Quanto maior a capacidade de vender múltiplos serviços ao mesmo cliente, maior tende a ser a retenção e o valor médio por usuário.

Essa tendência ajuda a sustentar a visão mais construtiva de parte dos analistas, mesmo após um trimestre considerado abaixo do esperado em lucro.

Venda de ativos de cobre ajuda parcialmente o resultado

Outro ponto observado no balanço foi a contribuição das vendas de ativos ligados à concessão, especialmente cobre. Segundo o Safra, as receitas provenientes dessas vendas somaram R$ 86 milhões no primeiro trimestre de 2026, integralmente oriundas de cobre.

A linha de outras receitas e despesas operacionais melhorou para despesa de R$ 19 milhões no período, ante R$ 116 milhões no mesmo intervalo do ano anterior. Essa melhora ajudou a compensar parcialmente o crescimento dos custos operacionais.

A venda de ativos de cobre faz parte de um processo mais amplo de transição tecnológica no setor de telecomunicações. Operadoras vêm reduzindo a dependência de redes legadas e ampliando investimentos em fibra, 5G, digitalização e infraestrutura mais eficiente.

Embora essas vendas possam gerar ganhos pontuais, o mercado tende a olhar com mais atenção para a evolução operacional recorrente. A sustentabilidade do resultado depende menos de vendas de ativos e mais da capacidade de ampliar receitas de serviços, controlar custos e preservar margens.

Para a Telefônica Brasil (VIVT3), a monetização de ativos antigos pode ajudar no curto prazo, mas a tese de longo prazo continua ligada à liderança em móvel, expansão da fibra e geração de caixa.

Setor de telecomunicações combina defesa e pressão competitiva

A queda das ações da Telefônica Brasil (VIVT3) também precisa ser lida dentro das características do setor de telecomunicações. Operadoras costumam ser vistas como companhias defensivas, porque prestam serviços essenciais, têm receita recorrente e base ampla de clientes.

Ao mesmo tempo, o setor exige investimentos constantes em rede, tecnologia e atendimento. A competição por clientes, a necessidade de ampliar cobertura e a pressão por qualidade de serviço limitam a capacidade de expansão de margem.

No Brasil, a Vivo mantém posição relevante no mercado móvel e em serviços de banda larga. Essa escala é uma vantagem competitiva, mas não elimina pressões de custo, inadimplência, regulação e necessidade de capital.

Para investidores, a Telefônica Brasil (VIVT3) costuma ser acompanhada não apenas pelo crescimento de receita, mas também pela capacidade de converter operação em caixa e dividendos. Qualquer sinal de pressão no lucro final pode gerar reação negativa, como ocorreu após o balanço do 1T26.

A avaliação dos analistas mostra essa dualidade. A operação segue forte em linhas relevantes, mas o resultado financeiro e as despesas impediram uma leitura mais positiva do trimestre.

Safra mantém compra e vê potencial de valorização

O Banco Safra manteve recomendação de compra para Telefônica Brasil (VIVT3), com preço-alvo de R$ 42. O valor implica potencial de valorização de 9% em relação ao fechamento anterior usado pelo banco.

A manutenção da recomendação indica que o Safra vê a queda como reação ligada a fatores específicos do trimestre, e não como deterioração estrutural da tese de investimento. O banco destacou a contribuição positiva do pós-pago e da Vivo Fibra Residencial, além da melhora em outras receitas e despesas operacionais.

Ainda assim, o banco reconheceu que o Ebitda veio abaixo do esperado em razão de despesas operacionais recorrentes superiores às projeções. Entre os pontos negativos estão custo de produtos vendidos mais alto e maior provisão para inadimplência.

A leitura reforça que a Telefônica Brasil (VIVT3) ainda é vista por parte do mercado como uma empresa de qualidade, mas que precisa entregar maior consistência entre crescimento operacional, controle de custos e lucro líquido.

O próximo desafio da companhia será mostrar que a pressão observada no primeiro trimestre não representa uma tendência prolongada. Para isso, investidores devem acompanhar evolução do opex, inadimplência, margem Ebitda, crescimento em serviços e geração de caixa.

Balanço aumenta cobrança por eficiência operacional

O balanço do primeiro trimestre de 2026 colocou a Telefônica Brasil (VIVT3) sob maior cobrança do mercado. A reação negativa das ações mostrou que crescimento anual de lucro e Ebitda não basta quando os números vêm abaixo das projeções e acompanhados de pressão em despesas.

A companhia mantém ativos importantes: liderança de marca, base relevante de clientes, presença nacional, avanço em fibra, força no pós-pago e geração de caixa. Esses fatores sustentam recomendações positivas de parte dos analistas e preservam a Vivo como uma das teses defensivas do setor.

O curto prazo, porém, ficou condicionado à capacidade de controlar custos, reduzir impactos de inadimplência e manter a expansão de serviços de maior valor agregado. O investidor também deve acompanhar os efeitos de despesas financeiras ligadas a leasing e estruturas como a FiBrasil.

A queda das ações nesta segunda-feira reflete menos uma ruptura da tese de longo prazo e mais uma revisão dura sobre a qualidade do resultado trimestral. Em uma empresa acompanhada pela previsibilidade, qualquer desvio em relação ao consenso tende a pesar. Para a Telefônica Brasil (VIVT3), o balanço do 1T26 reforçou que a defesa operacional continua relevante, mas o mercado quer mais eficiência na conversão dessa força em lucro e retorno ao acionista.

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