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Ultrafarma é acusada de sonegar 60% das vendas após prisão de Sidney Oliveira

por Redação
18/08/2025 - Atualizado em 13/01/2026
em Negócios, Destaque, News
Ultrafarma É Acusada De Sonegar 60% Das Vendas Após Prisão De Sidney Oliveira - Gazeta Mercantil

Ultrafarma: ex-dono de rede de farmácia acusa empresa de sonegar 60% das vendas

A rede de farmácias Ultrafarma está no centro de uma das maiores polêmicas tributárias e de corrupção dos últimos anos no Brasil. O caso ganhou grande repercussão após a delação premiada de Manoel Conde Neto, ex-dono da rede Farma Conde, que afirmou que a empresa teria sonegado até 60% das vendas realizadas, um percentual seis vezes maior do que o praticado por sua própria rede.

A acusação foi revelada em depoimento exibido pelo programa Fantástico no domingo (17), poucos dias depois da prisão do empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, em uma operação que desvendou um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).

As denúncias aumentam a pressão sobre a rede, que já se vê envolvida em múltiplas frentes de investigação por suspeitas de fraude fiscal e corrupção ativa.

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Ultrafarma e as acusações de sonegação

Segundo Manoel Conde Neto, a Ultrafarma teria construído parte de sua competitividade no mercado através de práticas irregulares, com uma política agressiva de preços abaixo do praticado por concorrentes.

Ele afirmou que, enquanto sua própria rede teria sonegado cerca de 10% das vendas, a Ultrafarma chegava a sonegar 60%, algo que, segundo ele, era “evidente” e não fiscalizado adequadamente pelas autoridades até então.

Essa revelação ocorre em meio a um momento delicado para a empresa, com seu fundador preso e investigações em curso sobre a amplitude do esquema.


A prisão de Sidney Oliveira

O empresário Sidney Oliveira, figura pública e bastante conhecido pela presença em propagandas de TV e rádio, foi preso no dia 12 de agosto durante a Operação Ícaro.

Segundo informações da investigação, ele é acusado de participar de um esquema de corrupção que envolvia auditores fiscais, empresários e executivos de diferentes segmentos do varejo. Ainda em junho, Oliveira já havia confirmado em depoimento sua participação e firmou acordo para pagar R$ 32 milhões em troca de evitar um processo judicial pelo Estado.

A prisão marca uma das maiores quedas de imagem da rede Ultrafarma, que por anos foi associada a preços baixos e campanhas de marketing massivas.


Outras empresas citadas na Operação Ícaro

A Operação Ícaro não envolve apenas a Ultrafarma. Outras empresas também foram citadas, incluindo:

  • Fast Shop, especializada em eletrodomésticos e eletrônicos, cujo diretor estatutário Mário Otávio Gomes também foi preso.

  • Kalunga, tradicional rede de papelarias e material de escritório.

  • Rede 28, varejista de combustíveis.

  • All Mix, distribuidora do setor.

  • Oxxo, rede de lojas de conveniência vinculada ao Grupo Nós (joint venture entre Raízen e Femsa Comércio).

Essa rede de conexões evidencia a dimensão do esquema, que pode ultrapassar bilhões de reais em prejuízos ao fisco paulista.


Histórico de delações e investigações

As acusações contra a Ultrafarma ganharam força após a delação de Manoel Conde Neto, que passou a colaborar com autoridades depois de sua própria rede ter sido alvo de investigação em 2017.

Na época, a Farma Conde foi obrigada a devolver R$ 300 milhões aos cofres públicos devido a um esquema de corrupção já comprovado. Desde então, Manoel Conde se tornou delator, revelando irregularidades de concorrentes no setor de farmácias.

Essa postura, embora vista por alguns como tentativa de reduzir sua própria pena e responsabilidade, acabou trazendo à tona denúncias inéditas contra a Ultrafarma.


Ultrafarma e sua imagem pública

Durante anos, a Ultrafarma construiu uma imagem de empresa popular, acessível e de grande alcance nacional. As propagandas estreladas por Sidney Oliveira se tornaram parte do imaginário popular, com forte apelo junto às classes médias e baixas, justamente pelo discurso de preços mais baixos em medicamentos.

Entretanto, as acusações levantam um contraponto: até que ponto esses preços eram sustentáveis sem práticas irregulares? A delação sugere que parte da competitividade da rede pode estar associada à sonegação fiscal em larga escala, algo que pode manchar definitivamente sua reputação no mercado.


Repercussões econômicas e fiscais

As acusações contra a Ultrafarma e a prisão de Sidney Oliveira podem gerar consequências sérias:

  • Mercado de farmácias: concorrentes podem ganhar espaço caso a rede perca força ou confiança dos consumidores.

  • Setor tributário: a Sefaz-SP intensifica investigações para identificar se há outros grupos envolvidos em esquemas similares.

  • Investidores: empresas do setor de saúde e varejo podem sofrer impacto em credibilidade caso novas ligações com o esquema sejam reveladas.

Além disso, o episódio reacende o debate sobre a eficácia da fiscalização no Brasil, já que práticas de grande magnitude teriam ocorrido por anos sem repressão efetiva.


Defesa da Ultrafarma

Apesar da gravidade das acusações, a Ultrafarma afirma colaborar com as autoridades e mantém a posição de que conseguirá comprovar sua inocência. Segundo nota divulgada anteriormente, a empresa diz que “demonstrará inocência” durante o processo e que confia na Justiça para esclarecer os fatos.

A estratégia da defesa deve focar em desacreditar a delação de Manoel Conde Neto, uma vez que ele próprio foi condenado por corrupção e busca reduzir suas penas com colaborações premiadas.


Impactos na imagem de Sidney Oliveira

A figura de Sidney Oliveira é fortemente associada à marca Ultrafarma. Sua prisão não representa apenas um impacto jurídico, mas também um duro golpe à imagem empresarial construída ao longo de décadas.

De símbolo de empreendedorismo popular, Oliveira agora enfrenta a pecha de empresário envolvido em sonegação fiscal e corrupção, o que pode afastar clientes, parceiros e fornecedores.


Investigações continuam

As investigações seguem em andamento e podem se desdobrar em novas operações e denúncias contra outras empresas e executivos do setor. A delação de Manoel Conde Neto é apenas uma parte do quebra-cabeça que autoridades tentam montar para compreender a real dimensão da fraude tributária.

Caso seja confirmada a acusação de sonegação de 60% das vendas, a Ultrafarma poderá enfrentar multas bilionárias, além da perda de credibilidade irreversível no mercado.

O caso da Ultrafarma mostra como esquemas de corrupção e sonegação fiscal continuam a assombrar setores estratégicos do varejo brasileiro. De empresa símbolo de preços baixos e popularidade, a rede agora luta para preservar sua imagem diante de acusações devastadoras.

As próximas semanas serão cruciais para definir o futuro da companhia e de seu fundador. Seja qual for o desfecho, o episódio já se consolidou como um marco na discussão sobre ética empresarial, fiscalização tributária e corrupção no Brasil.

Tags: farmácias Ultrafarmafraude fiscal UltrafarmaOperação Ícaro UltrafarmaSidney Oliveira presoUltrafarmaUltrafarma corrupçãoUltrafarma delaçãoUltrafarma investigaçãoUltrafarma sonegaçãoUltrafarma vendas

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