Vale (VALE3) mantém perspectiva positiva após Itaú BBA elevar preço-alvo para 2026
Mesmo após uma valorização superior a 22% nos últimos 12 meses, a Vale (VALE3) segue com perspectivas consideradas favoráveis por analistas do mercado financeiro. Em relatório divulgado nesta terça-feira (3), o Itaú BBA elevou o preço-alvo das ações da mineradora para o fim de 2026, reforçando a recomendação de compra e sinalizando confiança na capacidade da companhia de sustentar desempenho consistente nos próximos anos.
A revisão do banco ocorre em um contexto de melhora do ambiente macroeconômico global, valorização dos metais básicos e avanços operacionais da companhia, fatores que, segundo o relatório, colocam a Vale em posição estratégica tanto no mercado doméstico quanto internacional.
Itaú BBA eleva preço-alvo da Vale para US$ 19 por ADR
O Itaú BBA revisou o preço-alvo das ações da Vale (VALE3) negociadas na forma de ADRs nos Estados Unidos, elevando a estimativa de US$ 14 para US$ 19 ao final de 2026. A mudança reflete uma atualização das projeções financeiras da companhia, incorporando expectativas mais favoráveis para geração de caixa, desempenho operacional e cenário de preços das commodities metálicas.
Segundo os analistas, a mineradora apresenta fundamentos sólidos que sustentam a valorização adicional dos papéis, mesmo após o avanço expressivo registrado ao longo do último ano. O banco destaca que o movimento recente das ações não esgota o potencial de alta, especialmente diante do reposicionamento da empresa em segmentos estratégicos.
Demanda global por ativos reais impulsiona avaliação positiva
Um dos principais vetores que sustentam a visão otimista do Itaú BBA em relação à Vale (VALE3) é o aumento da demanda global por ativos reais. Em um ambiente marcado por desvalorização de moedas e maior busca por proteção de valor, empresas ligadas à produção de commodities tendem a se beneficiar do redirecionamento de fluxos de capital.
Nesse cenário, a Vale surge como uma das principais beneficiárias do interesse de investidores estrangeiros pelo mercado brasileiro. A companhia possui elevada exposição a metais considerados estratégicos e mantém posição relevante entre os ativos mais líquidos e representativos da bolsa local.
Peso relevante no Ibovespa amplia impacto da mineradora
A forte presença da Vale (VALE3) no mercado acionário brasileiro é outro fator ressaltado no relatório. A empresa responde por aproximadamente 11,7% do peso total do Ibovespa, o principal índice da B3. Essa representatividade amplia o impacto do desempenho da companhia sobre o mercado como um todo e reforça seu papel como ativo de referência para investidores institucionais.
O Itaú BBA avalia que o aumento do interesse por ações da Vale reflete não apenas o ambiente externo mais favorável, mas também avanços internos relacionados à eficiência operacional e à disciplina financeira adotada pela empresa nos últimos anos.
Metais básicos ganham protagonismo nas projeções
A revisão positiva das estimativas do Itaú BBA para a Vale (VALE3) tem como destaque a divisão de metais básicos, que inclui principalmente cobre e níquel. A recente valorização desses metais no mercado internacional levou o banco a revisar para cima suas projeções de resultados para essa área estratégica da companhia.
Com base nesse movimento, o banco elevou a estimativa de EBITDA consolidado da Vale para US$ 18,0 bilhões em 2026, representando um aumento de 7% em relação à projeção anterior. A expectativa é de que a demanda estrutural por metais associados à transição energética continue sustentando preços mais elevados no médio e longo prazo.
Ajustes na divisão de ferrosos não comprometem perspectiva geral
Embora o Itaú BBA tenha realizado revisões negativas pontuais na divisão de ferrosos da Vale (VALE3), em função de volumes de minério de ferro abaixo do inicialmente esperado, o impacto foi amplamente compensado pelo desempenho dos metais básicos.
A estimativa de EBITDA da divisão de ferrosos foi ajustada, mas a projeção para os metais básicos foi elevada para US$ 5,1 bilhões em 2026, um crescimento de 57% em relação à estimativa anterior. Segundo o banco, esse reposicionamento da estrutura de resultados reforça a diversificação do portfólio da companhia e reduz a dependência exclusiva do minério de ferro.
Revisão positiva de EBITDA se estende para 2027
Além de 2026, o Itaú BBA também revisou para cima suas estimativas de EBITDA da Vale (VALE3) para 2027. O banco considera que a combinação entre preços mais elevados dos metais básicos e melhorias operacionais sustentáveis cria um cenário favorável para a manutenção de margens robustas ao longo dos próximos anos.
Os analistas destacam que o efeito positivo da alta dos metais básicos supera as revisões negativas pontuais em outros segmentos, resultando em uma trajetória de resultados mais equilibrada e resiliente.
Trajetória de desalavancagem reforça solidez financeira
Outro ponto central do relatório do Itaú BBA diz respeito à estrutura de capital da Vale (VALE3). O banco estima que a dívida líquida expandida da companhia deve encerrar 2026 em aproximadamente US$ 15,7 bilhões, nível próximo ao centro da faixa-alvo definida pela própria empresa, que varia entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões.
Essa trajetória de desalavancagem é vista como um elemento-chave para a sustentação da estratégia financeira da mineradora, reduzindo riscos e ampliando a flexibilidade para decisões futuras relacionadas à alocação de capital.
Espaço para dividendos extraordinários no médio prazo
Mantido apenas o pagamento mínimo de dividendos, o Itaú BBA projeta que a dívida líquida da Vale (VALE3) possa cair para cerca de US$ 12,5 bilhões em 2028. Esse movimento abriria espaço para a eventual distribuição de dividendos extraordinários nos anos seguintes, caso as condições de mercado e a geração de caixa se mantenham favoráveis.
Segundo o banco, a aceleração do processo de desalavancagem a partir de 2026 tende a criar um ambiente mais propício para retornos adicionais aos acionistas, sem comprometer a solidez financeira da companhia.
Relação risco-retorno segue atrativa, segundo o banco
Mesmo após a valorização recente das ações, o Itaú BBA avalia que a Vale (VALE3) ainda apresenta uma relação risco-retorno considerada atrativa. A recomendação de compra foi mantida com base na combinação entre fundamentos operacionais sólidos, exposição a tendências macroeconômicas favoráveis e disciplina financeira.
O banco ressalta que a companhia se encontra bem posicionada para atravessar diferentes ciclos econômicos, beneficiando-se tanto da recuperação da demanda global quanto da busca por ativos reais em um cenário de maior volatilidade monetária.
Expectativas positivas sustentam visão de médio e longo prazo
A análise do Itaú BBA reforça uma visão construtiva para a Vale (VALE3) no médio e longo prazo. A diversificação do portfólio de produtos, o foco em metais estratégicos e a gestão financeira prudente são apontados como pilares que sustentam as perspectivas positivas para a companhia.
Com isso, a mineradora permanece como um dos principais ativos do mercado brasileiro, acompanhada de perto por investidores institucionais e relevante para o desempenho do mercado acionário nacional.









