Vereador rasga foto de Toffoli na Câmara e provoca nova polêmica sobre o STF
O vereador Lucas Pavanato (PL-SP) gerou repercussão nacional ao rasgar uma foto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, durante sessão na tribuna da Câmara Municipal de São Paulo. O ato foi registrado em vídeo e publicado nas redes sociais do parlamentar, mas rapidamente arquivado. A justificativa oficial da equipe de Pavanato para a retirada do conteúdo foi “baixo engajamento” da postagem, que, mesmo breve, provocou intenso debate político e jurídico no país.
O episódio ocorreu em meio a novas revelações envolvendo o ministro Toffoli e sua atuação na relatoria de processos relacionados ao escândalo do Banco Master, caso que vem sendo investigado pela Polícia Federal (PF). Para o vereador, o posicionamento de Toffoli é “uma vergonha para todos os brasileiros” e os fatos ligados à investigação “chegam a dar náuseas”.
Investigação da Polícia Federal coloca Toffoli sob suspeição
Na segunda-feira, 9, a Polícia Federal solicitou a suspeição do ministro Dias Toffoli após a identificação de menções ao nome do magistrado nos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A descoberta trouxe novas tensões ao STF, com a entrega de um relatório detalhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, que determinou que Toffoli se manifestasse sobre os fatos.
“O brasileiro nutre desprezo pelo senhor Dias Toffoli. Tudo isso é exposto e o que acontece? Aquele juiz que deveria ser suspeito exige as provas para si”, afirmou Pavanato durante a 100ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de São Paulo.
Além das citações nos dispositivos do banqueiro, foram identificadas conversas diretas entre Vorcaro e Toffoli, segundo apuração de veículos nacionais. Pavanato reforçou que “um ministro que tem relacionamentos suspeitos, que a própria Polícia Federal afirma que deveria ser suspeito no caso, ele simplesmente ignora os fatos e continua atuando”.
Polêmicas sobre patrimônio e negócios de Toffoli
A situação de Toffoli se complica ainda mais com revelações sobre sua participação societária na empresa Maridt, que tinha negócios com fundos ligados a Vorcaro. O ministro confirmou que é sócio e que recebeu dividendos de empreendimentos, mas negou qualquer relação de amizade com o banqueiro e afirmou que “jamais recebeu qualquer valor” além do que consta formalmente.
A Maridt, dirigida pelos irmãos de Toffoli, mantinha participação em resorts da rede Tayayá, vendidos posteriormente a fundos de investimento que incluíam o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. As revelações reforçam críticas sobre supostos conflitos de interesse envolvendo o ministro e sua atuação na Corte, especialmente em casos ligados a interesses financeiros de terceiros.
Para Pavanato, “já passou da hora de caçarmos Dias Toffoli; o impeachment é o mínimo esperado para restabelecermos o respeito ao STF”.
Pressão política e reunião extraordinária no STF
Em resposta às novas denúncias, o presidente do STF, Edson Fachin, interrompeu a sessão plenária desta quinta-feira para reunir todos os ministros da Corte. O objetivo foi avaliar o relatório da Polícia Federal e garantir a entrega da defesa de Toffoli antes de qualquer deliberação.
Fontes consultadas confirmam que uma cópia do relatório, que menciona o ministro no caso Master, será distribuída a todos os magistrados, juntamente com a defesa formal apresentada por Toffoli.
Questionamentos sobre advogada ligada a familiares de ministros
Outro ponto de tensão envolve a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, que atua em escritório que representa o Banco Master em questões jurídicas junto ao Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional.
O vereador Pavanato criticou duramente a situação: “E nós, na confiança, não podemos dizer nada. Mas eu quero saber, é da Viviane Moraes. Onde estão os pagamentos dela? Porque uma criança de 10 anos consegue perceber que é imoral a mulher de um ministro receber dinheiro enquanto ele atua em favor deste banco.”
O contrato assinado pelo escritório em janeiro do ano passado previa pagamentos de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos, totalizando até R$ 129 milhões até 2027, caso cumprido integralmente. O ministro Moraes alegou que o escritório de sua mulher “jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central”.
Lucas Pavanato: trajetória e posicionamento político
Bolsonarista declarado, Lucas Pavanato foi o vereador mais votado do País nas eleições de 2024, com 161.386 votos. O parlamentar vem se destacando por atos simbólicos e críticas diretas a membros do STF, defendendo posicionamentos considerados radicais por opositores.
Ao publicar e depois arquivar o vídeo rasgando a foto de Toffoli, Pavanato combinou sua estratégia de comunicação digital com ações simbólicas na Câmara, ainda que tenha alegado engajamento baixo como justificativa.
Repercussões e debates sobre ética no STF
O episódio reacende discussões sobre ética, transparência e conflitos de interesse no Supremo Tribunal Federal. Especialistas em direito constitucional lembram que a suspeição de ministros deve ser avaliada com base em critérios objetivos, incluindo vínculos financeiros e pessoais com partes envolvidas em processos.
Além do caso Master, a sociedade acompanha com atenção a relação de ministros e familiares com empresas e fundos de investimento, questionando a independência das decisões judiciais.
Pressão popular e expectativas para próximos desdobramentos
A repercussão do ato de Pavanato, somada às novas descobertas da Polícia Federal, projeta um cenário de pressão crescente sobre Toffoli. O debate público sobre a atuação do STF, especialmente em casos que envolvem interesses financeiros e familiares, deve continuar intenso.
Nos próximos dias, a expectativa é que a Corte avalie a documentação apresentada pela PF, incluindo mensagens e registros de transações, e que o ministro Toffoli apresente sua defesa formal.
Enquanto isso, o vereador paulista reforça sua posição crítica: “Quem enriquece com dinheiro público e negociatas não tem vocação para estar na nossa Suprema Corte”. A manifestação evidencia a polarização política e a preocupação de setores da sociedade com a integridade e a transparência do STF.
STF sob pressão histórica
O contexto atual coloca o Supremo Tribunal Federal em um momento delicado de sua história recente, marcado por questionamentos sobre conflitos de interesse, atuação de ministros e transparência. A sociedade e os meios de comunicação acompanham de perto cada passo da Corte, que enfrenta desafios de credibilidade e legitimidade.
A pressão pública e midiática, intensificada pelo ato de Pavanato, demonstra que os cidadãos exigem respostas concretas e medidas que assegurem imparcialidade, ética e responsabilidade de magistrados em posições estratégicas.
O desdobramento do caso Banco Master, aliado às denúncias envolvendo familiares de ministros, promete manter o debate sobre a ética no STF em evidência, testando a capacidade da Corte de lidar com críticas internas e externas enquanto preserva sua função institucional.









