Vistos cancelados pelo governo Trump: quem são os brasileiros afetados até agora
O governo de Donald Trump intensificou sua política de sanções contra autoridades brasileiras, atingindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), membros do governo Lula, familiares e até profissionais da área da saúde. As medidas, que envolvem a revogação de vistos e bloqueio de bens nos Estados Unidos, foram justificadas como retaliação às decisões judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e ao posicionamento de magistrados brasileiros.
A nova rodada de sanções, anunciada em 22 de setembro de 2025, trouxe à tona uma lista ainda mais ampla de autoridades e aliados políticos que tiveram seus vistos suspensos, ampliando as tensões diplomáticas entre Brasil e EUA.
O que motivou os vistos cancelados pelo governo Trump
As medidas tiveram início em julho, quando o governo norte-americano incluiu ministros do STF na lista de sanções. O estopim foi a decisão que determinou o uso de tornozeleira eletrônica por Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Desde então, Washington vem aplicando a chamada Lei Magnitsky, um instrumento que permite punir estrangeiros acusados de violar direitos humanos ou estarem envolvidos em corrupção. Essa legislação tem sido usada para congelar bens, proibir transações financeiras e, principalmente, revogar vistos de entrada nos EUA.
STF na mira das sanções
O grupo mais atingido foi formado por ministros do Supremo Tribunal Federal. Segundo anúncio oficial do governo Trump, tiveram vistos cancelados:
-
Alexandre de Moraes
-
Luis Roberto Barroso (presidente do STF)
-
Edson Fachin (vice-presidente)
-
Dias Toffoli
-
Cristiano Zanin
-
Flávio Dino
-
Cármen Lúcia
A ordem também se estendeu a familiares, sem detalhamento dos nomes. No entanto, ministros como André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux não foram incluídos na lista de sanções.
Além da perda do visto, Alexandre de Moraes sofreu sanções mais severas: seus bens em solo americano foram bloqueados e ele passou a estar impedido de realizar qualquer transação financeira nos EUA, incluindo o uso de cartões de crédito emitidos por instituições americanas.
Mais recentemente, as medidas também atingiram sua esposa, Viviane Barci de Moraes, que teve o visto americano revogado em setembro de 2025.
Autoridades do governo Lula também afetadas
As sanções não se limitaram ao Judiciário. Em agosto, Washington anunciou a suspensão do visto de Paulo Gonet, procurador-geral da República. Além dele, funcionários do governo brasileiro ligados ao Programa Mais Médicos também foram punidos:
-
Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário do Ministério da Saúde
-
Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo brasileiro
Outro alvo foi o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cuja esposa e filha de 10 anos tiveram seus vistos cancelados.
Na rodada mais recente, em 22 de setembro, os EUA revogaram o visto do advogado-geral da União, Jorge Messias, além de outras cinco figuras próximas ao STF e ao TSE:
-
José Levi, ex-AGU e ex-secretário-geral de Alexandre de Moraes no TSE
-
Benedito Gonçalves, ex-ministro do TSE
-
Airton Vieira, juiz auxiliar de Moraes no STF
-
Marco Antonio Martin Vargas, ex-assessor eleitoral
-
Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, juiz auxiliar de Moraes
O caso do médico Ricardo Barbosa e as críticas a Trump
As sanções também atingiram cidadãos sem cargo político. O médico brasileiro Ricardo Jorge Vasconcelos Barbosa, morador de Recife, teve o visto negado após uma publicação polêmica em que elogiava o assassinato do ativista conservador norte-americano Charlie Kirk, morto em setembro. O episódio viralizou nas redes sociais e foi considerado ofensivo pelo governo Trump, que retaliou com a aplicação da Lei Magnitsky.
Impacto da Lei Magnitsky sobre brasileiros
A aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras é inédita e representa um marco nas relações diplomáticas. Com ela, qualquer cidadão incluído na lista de sanções não pode:
-
Entrar em território norte-americano;
-
Manter contas bancárias ou investimentos em bancos americanos;
-
Realizar transações comerciais com empresas dos EUA;
-
Usar cartões de crédito emitidos em território norte-americano.
A medida afeta diretamente não apenas a vida pessoal e financeira dos atingidos, mas também o ambiente político, já que amplia o desgaste entre os dois países.
Repercussões políticas no Brasil
As sanções têm gerado reações intensas em Brasília. Aliados de Jair Bolsonaro comemoram as medidas como apoio internacional à narrativa de perseguição contra o ex-presidente. Já integrantes do governo Lula e ministros do STF classificaram as ações como “agressão injusta” e atentado à soberania nacional.
A diplomacia brasileira, por sua vez, busca negociar com Washington para minimizar os impactos, mas até agora não houve recuo por parte do governo Trump.
O que esperar daqui para frente
Especialistas acreditam que os vistos cancelados pelo governo Trump podem se tornar um ponto permanente de atrito nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O futuro dependerá das negociações diplomáticas, do andamento do caso Bolsonaro e da pressão de setores econômicos que temem efeitos colaterais no comércio bilateral.
Enquanto isso, a lista de brasileiros afetados pelas medidas cresce e levanta questões sobre até onde Washington está disposto a ir na escalada contra autoridades brasileiras.







