A 3tentos (TTEN3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 230,9 milhões, alta de 110,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado pelo forte desempenho dos segmentos de grãos e insumos, além da expansão da receita e da melhora das margens ajustadas.
A receita operacional líquida somou R$ 4,2 bilhões entre janeiro e março, avanço de 20,2% na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Com o desempenho, a companhia alcançou o 29º trimestre consecutivo de crescimento da receita, reforçando a trajetória de expansão no agronegócio.
O Ebitda ajustado com hedge atingiu R$ 394,3 milhões, crescimento de 98,5% em 12 meses. Já o lucro bruto ajustado com hedge chegou a R$ 906,6 milhões, alta de 66,3%, com margem ajustada de 21,6%.
Lucro ajustado avança apesar de queda no resultado contábil
No resultado consolidado, o lucro bruto da 3tentos (TTEN3) somou R$ 651,1 milhões no primeiro trimestre, crescimento de 27,3% em relação ao mesmo período de 2025.
A margem bruta passou de 14,6% para 15,5%, indicando melhora na rentabilidade operacional. Na visão ajustada com hedge, a margem avançou para 21,6%, refletindo ganhos na gestão comercial, no mix de negócios e na proteção de preços.
Apesar da forte melhora nos números ajustados, o resultado contábil apresentou queda. O Ebitda contábil recuou 15,8%, para R$ 138,7 milhões, enquanto o lucro líquido reportado caiu 55,7%, para R$ 85,2 milhões.
A diferença entre os indicadores ajustados e reportados mostra a importância dos efeitos de hedge e ajustes contábeis na leitura do balanço da companhia. Para investidores, o ponto central do trimestre foi a melhora operacional recorrente, especialmente nos segmentos de maior crescimento.
Grãos lideram avanço no trimestre
O segmento de grãos foi um dos principais motores do resultado da 3tentos (TTEN3) no primeiro trimestre de 2026.
A receita operacional líquida da divisão atingiu R$ 1,46 bilhão, alta de 40% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O lucro bruto ajustado do segmento mais do que dobrou, chegando a R$ 260,2 milhões, avanço de 109,1%.
A soja teve o desempenho mais forte. O volume comercializado cresceu 80%, enquanto a receita líquida avançou 91%, para R$ 929,5 milhões.
O milho também contribuiu para o crescimento. A receita da cultura subiu 65%, para R$ 278,1 milhões.
O avanço em grãos reforça a capacidade da companhia de capturar oportunidades em originação, comercialização e processamento agrícola. O desempenho também mostra maior eficiência na integração entre produtores, lojas, logística e indústria.
Insumos crescem quase 32%
O segmento de insumos também apresentou forte expansão no primeiro trimestre.
A receita líquida da divisão somou R$ 826,6 milhões, crescimento de 31,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro bruto ajustado alcançou R$ 188,2 milhões, alta de 65,9%, com margem de 22,8%.
Entre os destaques, os fertilizantes registraram aumento de 64% no volume vendido. Em receita, o crescimento foi de 54%.
As sementes também tiveram desempenho relevante. A receita líquida mais que dobrou e chegou a R$ 64,3 milhões.
O avanço em insumos é estratégico para a 3tentos (TTEN3), porque amplia o relacionamento com produtores rurais, fortalece a recorrência de vendas e reforça a verticalização do modelo de negócios.
Indústria cresce menos e sente pressão na margem
Na indústria, a receita operacional líquida totalizou R$ 1,91 bilhão, avanço de 4,9% na comparação anual.
O lucro bruto ajustado do segmento, porém, caiu 9,5%, para R$ 359,8 milhões, indicando pressão de margem na unidade industrial.
Apesar disso, houve crescimento de volumes em linhas relevantes. O volume de biodiesel avançou 12%, enquanto farelo e outros produtos cresceram 24%.
O processamento de soja também aumentou no trimestre, atingindo 637 mil toneladas no primeiro trimestre de 2026.
A indústria segue como peça importante da estratégia de verticalização da companhia, ao permitir maior captura de valor da cadeia agrícola. O desempenho mais moderado no trimestre, no entanto, mostra que margens industriais continuam sensíveis a preços de commodities, custos de matéria-prima, demanda e condições de mercado.
3tentos amplia lojas e entra no etanol
A 3tentos (TTEN3) encerrou março com 75 lojas em operação. Durante o primeiro trimestre, a companhia abriu duas novas unidades: uma em Santa do Araguaia (PA) e outra em Rio Verde (GO).
A expansão geográfica reforça a estratégia da empresa de ampliar presença em regiões agrícolas relevantes, diversificando sua base de clientes e reduzindo dependência de mercados específicos.
A companhia também avançou em iniciativas estratégicas no período. Entre os destaques estão a contratação de um novo diretor comercial, a realização do primeiro CropShow no Rio Grande do Sul e a entrada no setor de etanol.
A 3tentos assinou contrato com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar a produção de etanol na unidade de Porto Alegre do Norte (MT).
A entrada no etanol amplia a atuação da companhia em biocombustíveis e pode criar novas frentes de receita, especialmente em um setor ligado à transição energética, ao agronegócio e à demanda por combustíveis renováveis.
Alavancagem permanece controlada
A alavancagem da 3tentos (TTEN3) encerrou o trimestre em 1,37 vez, considerando dívida líquida de R$ 1,7 bilhão.
O indicador mostra uma estrutura de capital ainda controlada, mesmo em meio à expansão operacional, abertura de lojas e novos investimentos.
A TentosCap, braço financeiro da companhia, terminou o período com carteira de crédito de R$ 10,8 milhões, crescimento de 95% na comparação anual.
A expansão da carteira de crédito pode fortalecer o relacionamento com produtores e apoiar vendas de insumos, mas também exige gestão criteriosa de risco, inadimplência e garantias.
Diversificação sustenta crescimento da 3tentos
O balanço do primeiro trimestre de 2026 reforça a estratégia da 3tentos (TTEN3) de crescimento baseado em diversificação geográfica, verticalização e ampliação de segmentos.
A companhia apresentou avanço expressivo em grãos e insumos, manteve crescimento de receita pelo 29º trimestre consecutivo e mais que dobrou o lucro líquido ajustado.
Ao mesmo tempo, o resultado mostra pontos de atenção. A queda do lucro líquido reportado e do Ebitda contábil indica que a leitura do balanço depende da análise dos efeitos ajustados e da dinâmica de hedge. Na indústria, a queda do lucro bruto ajustado também sinaliza pressão em margens.
Para investidores, o trimestre teve leitura positiva pela força operacional, expansão em regiões estratégicas, crescimento nos segmentos comerciais e alavancagem controlada. A continuidade desse desempenho dependerá da execução da entrada no etanol, da manutenção da rentabilidade em grãos e insumos e da capacidade de preservar margens industriais em um ambiente ainda volátil para commodities agrícolas.






