Exportação de café verde do Brasil registra primeira alta anual desde março e sinaliza retomada estratégica
A exportação de café verde do Brasil voltou a apresentar crescimento na comparação anual em dezembro, interrompendo uma sequência de meses de retração observada desde março. O dado, divulgado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), marca um ponto de inflexão relevante para um dos setores mais estratégicos do agronegócio nacional, especialmente após um ano marcado por restrições logísticas, oferta limitada e pressões comerciais externas.
Maior exportador global de café, o Brasil enfrentou, ao longo de 2025, um cenário desafiador para a exportação de café verde do Brasil, combinando fatores climáticos, recomposição lenta de estoques e tarifas impostas pelos Estados Unidos. Ainda assim, o avanço registrado no último mês do ano indica uma reorganização gradual da cadeia produtiva e uma melhora nas condições de embarque.
Em dezembro, os embarques somaram 210,3 mil toneladas, o equivalente a cerca de 3,5 milhões de sacas de 60 quilos. O volume representa crescimento de 4,2% em relação ao mesmo mês de 2024, configurando a primeira alta anual após nove meses consecutivos de desempenho negativo na exportação de café verde do Brasil.
Oferta restrita e impactos no desempenho ao longo do ano
A trajetória da exportação de café verde do Brasil em 2025 foi fortemente influenciada pela baixa disponibilidade de grãos nos primeiros meses do ano. A colheita anterior não foi suficiente para recompor os estoques em ritmo adequado, o que limitou a capacidade de atendimento da demanda externa, sobretudo nos mercados tradicionais.
Além disso, produtores e cooperativas priorizaram o abastecimento interno e o cumprimento de contratos já firmados, reduzindo a margem para novas negociações no mercado internacional. Esse cenário resultou em volumes mensais mais contidos e em uma perda momentânea de competitividade em relação a outros exportadores.
Mesmo diante dessas restrições, o Brasil manteve sua posição de liderança global, sustentado pela qualidade do café e pela confiança histórica dos compradores internacionais na exportação de café verde do Brasil.
Tarifas dos EUA e reabertura do fluxo comercial
Outro fator determinante para o desempenho da exportação de café verde do Brasil foi a imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos ao produto brasileiro, medida anunciada durante o governo de Donald Trump. As tarifas afetaram diretamente um dos principais destinos do café nacional, provocando adiamentos de embarques e renegociações contratuais.
A suspensão dessas tarifas ao final de novembro alterou significativamente o cenário. Com a liberação do comércio e a chegada de novos estoques provenientes da colheita de 2025, exportadores brasileiros conseguiram retomar negociações e acelerar os embarques no último mês do ano.
Esse movimento explica, em grande parte, a recuperação observada em dezembro, ainda que os volumes tenham ficado ligeiramente abaixo dos registrados em novembro. A retomada reforça a capacidade de adaptação da exportação de café verde do Brasil a choques externos e mudanças regulatórias.
Comparação mensal revela ajuste fino no mercado
Apesar da alta anual, os dados da Secex indicam uma leve queda na comparação mensal, já que novembro registrou exportações de 212,2 mil toneladas. A diferença, no entanto, é considerada marginal e reflete ajustes pontuais no calendário logístico e nos contratos de entrega.
Especialistas do setor avaliam que a exportação de café verde do Brasil entrou em uma fase de normalização, com volumes mais estáveis e alinhados à disponibilidade real do produto. A tendência é que oscilações mensais ocorram, sem comprometer o quadro geral de recuperação.
Esse equilíbrio é visto como fundamental para evitar pressões excessivas sobre os preços internos e garantir previsibilidade ao produtor rural, elo central da cadeia cafeeira.
Importância estratégica do café verde para o Brasil
A exportação de café verde do Brasil não é apenas um indicador setorial, mas um termômetro relevante da economia nacional. O café figura entre os principais produtos da pauta exportadora do agronegócio, gerando bilhões de dólares em receitas e sustentando milhares de empregos diretos e indiretos.
Além do impacto econômico, o café brasileiro exerce influência geopolítica, dado seu papel no abastecimento de mercados consumidores na Europa, América do Norte e Ásia. Qualquer variação significativa na exportação de café verde do Brasil repercute nos preços internacionais e nas estratégias de compra de grandes torrefadoras.
A recuperação observada em dezembro, portanto, vai além do número absoluto e sinaliza maior estabilidade para 2026.
Desempenho alinhado ao avanço de outras commodities
O crescimento da exportação de café verde do Brasil ocorreu em um contexto mais amplo de fortalecimento das exportações brasileiras de commodities. Segundo a Secex, também apresentaram aumento anual os embarques de soja, açúcar, celulose, carnes, milho, minério de ferro e petróleo.
Esse movimento conjunto indica uma melhora na capacidade exportadora do país, impulsionada por maior previsibilidade logística, recomposição de estoques e normalização das relações comerciais com parceiros estratégicos.
No caso específico do café, o desempenho reforça a resiliência do setor frente a choques externos e a capacidade de retomada mesmo após períodos prolongados de retração na exportação de café verde do Brasil.
Expectativas para 2026 e fatores de atenção
Para 2026, analistas projetam um cenário mais favorável para a exportação de café verde do Brasil, desde que alguns fatores-chave se mantenham sob controle. Entre eles, destacam-se as condições climáticas, a estabilidade regulatória nos principais mercados consumidores e a manutenção de custos logísticos competitivos.
A tendência é que a oferta siga mais robusta, com estoques recompostos e maior previsibilidade da produção. Isso pode permitir ao Brasil recuperar volumes perdidos ao longo de 2025 e consolidar ainda mais sua liderança global na exportação de café verde do Brasil.
Por outro lado, o setor segue atento a possíveis mudanças na política comercial dos Estados Unidos e a eventuais tensões geopolíticas que possam afetar o comércio internacional de commodities agrícolas.
Impacto para produtores e cooperativas
A retomada da exportação de café verde do Brasil traz reflexos diretos para produtores e cooperativas, que passam a operar em um ambiente menos pressionado. Com maior fluidez nos embarques, há espaço para negociações mais equilibradas e planejamento de médio prazo.
Além disso, a recuperação fortalece a renda no campo e contribui para investimentos em tecnologia, sustentabilidade e melhoria da qualidade do produto, fatores essenciais para manter a competitividade brasileira no mercado global.
A primeira alta anual da exportação de café verde do Brasil desde março representa um marco simbólico e prático para o setor cafeeiro. O resultado de dezembro sinaliza que os obstáculos enfrentados ao longo de 2025 começam a ser superados, abrindo caminho para um novo ciclo de crescimento.
Embora desafios persistam, a combinação de maior oferta, suspensão de tarifas e retomada da demanda internacional cria bases mais sólidas para o desempenho das exportações em 2026. Para um país cuja história econômica está profundamente ligada ao café, o avanço recente reforça a importância estratégica da exportação de café verde do Brasil no cenário global.






