Tesouro Direto hoje: taxas caem em todos os vencimentos após pesquisa eleitoral e dados fiscais
O Tesouro Direto registra queda nas taxas nesta quarta-feira (25), em movimento que atinge praticamente todos os vencimentos e modalidades. A redução dos prêmios ocorre após a divulgação de pesquisa eleitoral para 2026, resultado fiscal abaixo do esperado e dados de crédito mostrando desaceleração da atividade.
A abertura da curva indica que o mercado passou a exigir retorno menor para carregar títulos públicos federais, tanto prefixados quanto indexados ao IPCA. O ajuste no Tesouro Direto é mais intenso nos vértices intermediários e longos, onde o risco fiscal e político costuma pesar com maior força.
Prefixados recuam e indicam menor prêmio de risco
Entre os títulos prefixados do Tesouro Direto, as taxas apresentaram queda relevante na comparação com o fechamento anterior.
O Tesouro Prefixado 2029 passou de 12,61% para 12,57% ao ano. O Tesouro Prefixado 2032 recuou de 13,28% para 13,21%. Já o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 caiu de 13,54% para 13,46%, registrando o movimento mais expressivo do dia nessa categoria.
Quando as taxas do Tesouro Direto recuam, o preço unitário dos títulos sobe. Isso significa que investidores que já estavam posicionados podem observar valorização na marcação a mercado, enquanto novos aportes passam a contar com rendimento nominal ligeiramente menor.
O comportamento dos prefixados sugere revisão de expectativas para inflação e juros futuros, ainda que o ambiente político permaneça competitivo.
Tesouro Selic mantém estabilidade
O Tesouro Selic 2031 permaneceu estável em Selic + 0,1008%. Dentro do universo do Tesouro Direto, essa modalidade tende a apresentar menor volatilidade, por acompanhar diretamente a taxa básica de juros.
Em momentos de incerteza fiscal ou eleitoral, o Tesouro Selic costuma ser a principal porta de entrada para investidores conservadores e para a reserva de emergência. A estabilidade observada hoje reforça que o ajuste mais intenso ocorreu nos títulos de prazo mais longo.
IPCA+ acompanha queda nos juros reais
Nos papéis atrelados à inflação, o Tesouro Direto também registrou recuo nas taxas reais.
O Tesouro IPCA+ 2032 caiu de IPCA + 7,52% para IPCA + 7,45%. O IPCA+ com Juros Semestrais 2037 passou de 7,34% para 7,28%.
Na parte intermediária da curva real, o Tesouro IPCA+ 2040 recuou de IPCA + 7,07% para 7,01%. O IPCA+ com Juros Semestrais 2045 ficou em 7,02%. Já o IPCA+ 2050 caiu para 6,81%, enquanto o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 passou de 7,03% para 6,98%.
A redução dos juros reais no Tesouro Direto indica menor prêmio exigido pelo mercado para compensar riscos inflacionários e fiscais de longo prazo.
Renda+ e Educa+ seguem movimento
Os títulos Renda+ e Educa+ também acompanharam o ajuste do Tesouro Direto.
Na família Renda+, as taxas ficaram entre IPCA + 6,82% e IPCA + 7,08%, dependendo do vencimento. Já no Educa+, os retornos variaram de IPCA + 6,85% a IPCA + 7,58%.
Essas modalidades são voltadas ao planejamento de longo prazo e vêm ganhando espaço entre investidores que buscam previsibilidade de fluxo futuro corrigido pela inflação. O comportamento alinhado reforça que o movimento no Tesouro Direto foi disseminado ao longo da curva.
Pesquisa eleitoral adiciona volatilidade
A redução nas taxas do Tesouro Direto ocorre após a divulgação de pesquisa Atlas/Bloomberg sobre a corrida presidencial de 2026.
O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando cenários de primeiro turno. Em simulações de segundo turno, Lula aparece numericamente atrás de Flávio Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas, dentro da margem de erro.
O ambiente eleitoral influencia diretamente a precificação do Tesouro Direto, sobretudo nos títulos mais longos, que incorporam expectativas sobre condução da política fiscal e monetária no próximo mandato presidencial.
Fiscal frustra levemente expectativas
No campo fiscal, o Tesouro Nacional informou que o governo central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro. O número ficou abaixo da expectativa de R$ 88,8 bilhões projetada por economistas e representou queda real de 2,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Embora o resultado tenha vindo ligeiramente abaixo do esperado, o mercado interpretou os dados sem estresse adicional, permitindo ajuste técnico na curva do Tesouro Direto.
A leitura predominante é que o cenário fiscal segue desafiador, mas sem deterioração abrupta que justificasse abertura adicional de prêmios nesta sessão.
Crédito desacelera e reforça leitura de atividade moderada
Dados divulgados pelo Banco Central mostraram que as concessões de crédito caíram 18,9% em janeiro na comparação com dezembro. O estoque total recuou 0,2%, para R$ 7,116 trilhões.
A desaceleração do crédito reforça a percepção de moderação na atividade econômica. Para o Tesouro Direto, esse cenário pode contribuir para aliviar pressões inflacionárias futuras, reduzindo a necessidade de juros mais elevados por período prolongado.
A combinação de atividade mais fraca, inflação monitorada e cenário político ainda indefinido ajuda a explicar o fechamento da curva observado hoje.
O que observar nos próximos dias
O desempenho do Tesouro Direto continuará sensível a três vetores principais: evolução das pesquisas eleitorais, trajetória fiscal e revisões nas expectativas para a Selic e o IPCA.
Qualquer sinal de deterioração das contas públicas tende a pressionar novamente as taxas, especialmente nos vencimentos mais longos. Por outro lado, confirmação de cenário de inflação em desaceleração pode sustentar movimento adicional de queda.
Para o investidor, o momento exige avaliação estratégica. O Tesouro Direto segue como principal porta de entrada da renda fixa pública, mas a escolha entre prefixados, IPCA+ e Selic depende do horizonte de aplicação e da tolerância à volatilidade.
A sessão desta quarta-feira evidencia que o Tesouro Direto permanece altamente conectado ao noticiário macroeconômico e político, com respostas rápidas a qualquer mudança nas expectativas.







