Dólar sobe, Bolsa cai: impactos dos ataques dos EUA e Israel ao Irã e alta de petróleo e ouro
O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana em alerta, com dólar sobe e Bolsa cai após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. O movimento reflete a crescente incerteza geopolítica no Oriente Médio, região crucial para a produção global de petróleo, e a busca por ativos considerados seguros, como moedas de refúgio, ouro e títulos de governos estáveis.
Abertura volátil no câmbio
Na primeira hora de negociação, o dólar comercial iniciou a sessão cotado a R$ 5,159, representando alta de 0,46% em relação ao fechamento da última sexta-feira. Ao longo do dia, a divisa norte-americana continuou valorizada, atingindo R$ 5,187 (+1,03%) e chegando a R$ 5,214 (+1,55%) na máxima do dia. Esse movimento inverte o ciclo recente de desvalorização, já que o dólar recuou 0,1% na última sexta e registrou baixa de 1,54% em fevereiro. No acumulado de 2026, a moeda norte-americana acumula queda de 6,4%, e em 12 meses, desvalorização de 7,2%.
Segundo especialistas, a valorização do dólar está diretamente relacionada ao aumento da aversão ao risco em mercados globais. “Tradicionalmente, em momentos de incerteza geopolítica, os investidores migram para ativos considerados seguros, como dólar, franco suíço, iene e metais preciosos, além de títulos de renda fixa de governos confiáveis, como os Treasuries nos Estados Unidos”, explica William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Petróleo dispara com risco de escalada no Oriente Médio
O conflito no Irã impactou imediatamente os preços do petróleo. Os contratos futuros do barril Brent negociados em Londres para abril subiram 6,3%, atingindo US$ 77,48, e chegaram a picos de US$ 82,37 (+13%). Já o WTI para entrega em abril avançou 5,7%, para US$ 70,81, alcançando máximas de US$ 75,33 (+12%).
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, ressalta que a volatilidade reflete o temor dos investidores quanto ao impacto potencial sobre energia e inflação. “O salto imediato do petróleo e a volatilidade nas bolsas globais indicam que o mercado está precificando o risco geopolítico, não apenas fundamentos econômicos”, afirma.
Ouro atinge níveis recordes
A busca por segurança também elevou os preços do ouro. O contrato para abril de 100 onças troy (31,1 gramas) apresentou alta de 1,3%, cotado a US$ 5.315, consolidando a percepção de que metais preciosos funcionam como refúgio em períodos de instabilidade.
Bolsa brasileira reage negativamente
O Ibovespa, principal índice de ações da B3, iniciou o dia com queda, acompanhando o movimento negativo das bolsas internacionais. Por volta das 14h, o índice recuava 0,16%, para 188.417 pontos, após atingir mínima de 186.637 (-1,14%). Matheus Spiess, economista da Empiricus, observa que a aversão ao risco se reflete na abertura do mercado brasileiro: “O nível de cautela está bastante evidente globalmente, incluindo o Brasil.”
O movimento negativo reflete não apenas a escalada do conflito, mas também a elevada participação de investidores estrangeiros na Bolsa brasileira. Até 25 de fevereiro, o saldo líquido de estrangeiros acumulado foi de R$ 41,73 bilhões, representando 61% do volume negociado. Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta, alerta que qualquer agravamento do conflito pode impactar o fluxo de capital, pressionando o Ibovespa.
Setores e empresas beneficiados
Apesar do cenário adverso, algumas ações conseguiram se valorizar. O setor de petróleo se destacou, com papéis da Petrobras, PRIO, Reconcavo e Brava em alta. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras subiram mais de 4%, enquanto PRIO, focada exclusivamente em petróleo, aproveitou o momento para ganhos expressivos, sem sofrer risco de controle de preços como ocorre na gasolina da Petrobras.
Fernando Siqueira, chefe de pesquisa da Eleven Financial, explica que “dólar, ouro e petróleo devem apresentar melhor desempenho no curtíssimo prazo, funcionando como proteção para os investidores diante da escalada geopolítica”.
Reação internacional e fechamento de mercados
O impacto do conflito também se estendeu aos mercados asiáticos. O índice Nikkei, do Japão, caiu 1,35%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 2,14%. O Kospi, na Coreia do Sul, e o Taiex, em Taiwan, cederam 1% e 0,9%, respectivamente.
Na China, a situação foi heterogênea: o Xangai Composto avançou 0,47%, impulsionado por ações de empresas petrolíferas como Sinopec e PetroChina, que reagiram positivamente à alta do petróleo, enquanto o Shenzhen Composto caiu 0,68%.
Nos Emirados Árabes Unidos, os mercados foram fechados temporariamente, incluindo a Abu Dabi Securities Exchange (ADX) e a Dubai Financial Markets (DFM), em resposta aos ataques e à retaliação iraniana.
Perspectivas para a economia brasileira
O cenário geopolítico pressiona o câmbio, a Bolsa e commodities, exigindo atenção especial de analistas e investidores. O aumento do dólar e dos preços do petróleo impacta diretamente na inflação e nos custos de importação, além de gerar incerteza quanto à política monetária.
Com o risco de escalada do conflito no Oriente Médio, o Brasil deve enfrentar volatilidade prolongada no mercado financeiro, reforçando a necessidade de estratégias de proteção e diversificação de carteira.
Monitoramento constante é essencial
Para os investidores, a recomendação é acompanhar de perto os desdobramentos do conflito e suas implicações sobre câmbio, Bolsa, ouro e petróleo. Especialistas alertam que decisões precipitada podem resultar em perdas, enquanto movimentos estratégicos podem permitir aproveitar oportunidades em setores beneficiados pela alta do petróleo.
O mercado brasileiro, embora isolado diretamente do conflito, reflete o efeito indireto por meio do aumento da percepção de risco, reforçando a relevância do monitoramento contínuo e do ajuste de portfólio diante de instabilidade global.







