Petrobras (PETR4) terá lucro pressionado e dividendos em queda no 4º trimestre de 2025, alertam analistas
A Petrobras (PETR4) enfrenta um cenário desafiador no quarto trimestre de 2025, em que o lucro líquido deve sofrer pressão significativa e os dividendos podem ser menores do que o esperado pelo mercado. Especialistas destacam que a combinação de preços mais baixos do petróleo, aumento de capex no final do ano e saídas de caixa extraordinárias impacta diretamente o desempenho da estatal, mesmo com a produção mantendo níveis elevados.
Entre outubro e dezembro de 2025, o barril de petróleo Brent caiu aproximadamente 7%, apagando parcialmente os resultados sólidos operacionais da empresa. Segundo o relatório de Produção e Vendas divulgado no início de fevereiro, a Petrobras manteve uma produção média de 2,5 milhões de barris por dia, em linha com o recorde do terceiro trimestre de 2025, demonstrando resiliência operacional.
EBITDA e lucro líquido em perspectiva
O mercado financeiro projeta queda nos principais indicadores da Petrobras (PETR4) para o 4T25. A XP Investimentos estima um EBITDA de US$ 11,1 bilhões, representando retração de 7,1% frente ao trimestre anterior. O lucro líquido esperado é de US$ 2,4 bilhões, refletindo os impactos negativos do petróleo mais barato e do aumento do capital investido no final do ano.
Instituições como Itaú BBA e BTG Pactual apresentam projeções semelhantes: EBITDA de US$ 11,2 bilhões e US$ 11,25 bilhões, respectivamente. A convergência das estimativas reforça a percepção de que a Petrobras (PETR4) terá resultados mais moderados, apesar da estabilidade na produção.
Dividendos sob pressão
O cenário desfavorável do preço do petróleo também deve reduzir o volume de dividendos distribuídos. O BTG Pactual alerta que o mercado estava superestimando o pagamento de proventos. Antes do relatório de fevereiro, o consenso projetava US$ 1,7 bilhão em dividendos para o 4T25, mas o BTG revisou para US$ 1,2 bilhão, considerando o aumento do capex de fim de ano, estimado em US$ 5,5 bilhões, e saídas de caixa extraordinárias de cerca de US$ 1,7 bilhão.
O Itaú BBA projeta um valor ainda mais conservador, de US$ 1 bilhão, indicando queda significativa em comparação aos US$ 2,2 bilhões pagos no 3T25. Já a XP Investimentos prevê dividendos de US$ 1,6 bilhão, reforçando a expectativa de proventos inferiores aos níveis recorrentes da estatal.
Ações em alta apesar das perspectivas
Apesar das projeções de resultados mais modestos, as ações da Petrobras apresentam valorização em 2026. As ordinárias (PETR3) registram alta de 35,28% no ano, cotadas a R$ 44,06, enquanto as preferenciais (PETR4) sobem 31,41%, alcançando R$ 40,50 até o fechamento do pregão de quarta-feira (4).
O desempenho positivo está ligado à forte entrada de capital estrangeiro na B3 e à valorização do petróleo no mercado internacional. Entre janeiro e fevereiro, investidores internacionais aportaram R$ 41,7 bilhões na bolsa brasileira, priorizando ativos com alta liquidez e representatividade no Ibovespa, como a Petrobras, que compõe 10,82% do índice.
Volatilidade do petróleo e riscos geopolíticos
O Brent apresentou valorização de quase 20% em 2026, impulsionado pelo agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. A possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por aproximadamente 20% do transporte mundial de petróleo, mantém a commodity extremamente volátil.
Para o Goldman Sachs, essa situação eleva o prêmio de risco da commodity. A projeção do preço médio do Brent para o segundo trimestre subiu de US$ 66 para US$ 76 por barril, enquanto o WTI passou de US$ 62 para US$ 71. Caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por mais de cinco semanas, o Brent poderia alcançar US$ 100 por barril, com impacto direto nos lucros e dividendos da Petrobras (PETR4).
Impactos financeiros do capex e saídas extraordinárias
A aceleração do capex no fim do ano é um dos principais fatores que limitam o espaço para distribuição de dividendos. Além dos investimentos regulares em manutenção e expansão, a estatal teve saídas de caixa extraordinárias, incluindo pagamentos relacionados a contratos, impostos e ajustes financeiros.
Analistas destacam que essa combinação de capex elevado e saídas extraordinárias reforça a necessidade de disciplina financeira, mesmo diante de preços de petróleo favoráveis, para evitar comprometimento do balanço e garantir sustentabilidade de longo prazo.
Perspectiva de longo prazo para a Petrobras (PETR4)
Apesar do impacto no 4T25, a Petrobras mantém papel estratégico na economia brasileira. A estatal é responsável por uma parcela significativa da produção nacional de petróleo e gás, influenciando indicadores macroeconômicos e o mercado financeiro.
Especialistas apontam que a valorização do petróleo no exterior contribui positivamente, mas não garante automaticamente resultados melhores. O foco da Petrobras deve permanecer na manutenção do crescimento das reservas provadas, eficiência operacional e gestão do capital para garantir dividendos consistentes e atração de investidores no futuro.
Foco no resultado do 4T25
O balanço que será divulgado nesta quinta-feira será decisivo para o mercado. Caso os resultados estejam dentro do esperado, investidores podem manter foco na geração de caixa em 2026, mesmo com dividendos mais contidos. Surpresas negativas, por outro lado, podem abrir discussões sobre ajustes na política de proventos e disciplina de capital.
A Petrobras (PETR4) permanece sob acompanhamento intenso de analistas, investidores institucionais e estrangeiros, dada a sua relevância no índice Ibovespa e no mercado global de petróleo.
Papel da Petrobras na economia e mercado de capitais
A Petrobras continua sendo uma referência em energia, segurança energética e impacto macroeconômico. O desempenho da estatal afeta diretamente a confiança de investidores e a estabilidade financeira do país. A gestão eficiente do capital, controle de endividamento e manutenção de produção elevada serão determinantes para o posicionamento da Petrobras (PETR4) no mercado acionário em 2026.





