A J&T Global Express Limited (1519.HK), provedora global de serviços logísticos listada na Bolsa de Valores de Hong Kong, divulgou seu Relatório Ambiental, Social e de Governança de 2025 com avanços em logística inteligente, eficiência energética, transporte de baixo carbono, capacitação de colaboradores, direitos trabalhistas, ética empresarial e responsabilidade social. O documento mostra a tentativa da companhia de integrar metas de sustentabilidade à expansão de sua rede global de entregas.
Ao longo de 2025, a J&T Express ampliou o uso de inteligência artificial e big data em etapas como coleta, triagem, transporte e entrega de encomendas. A companhia afirma que essas tecnologias foram usadas para otimizar rotas, elevar eficiência operacional e reforçar a capacidade de última milha, etapa considerada uma das mais críticas e custosas da logística.
No transporte, a empresa encerrou 2025 com 14 parques logísticos próprios no mundo, somando 1,05 milhão de metros quadrados. Também informou investimentos em equipamentos de maior eficiência energética, incluindo mais de 150 mil roletes motorizados síncronos de ímã permanente e mais de 400 esteiras de baixo consumo.
Na última milha, a J&T Express ultrapassou 1.000 veículos autônomos em operação até o fim de 2025. A frota é apoiada por algoritmos inteligentes voltados a aumentar a eficiência das entregas, reduzir deslocamentos improdutivos e melhorar a produtividade em áreas urbanas.
Logística inteligente ganha peso na operação global
O relatório de ESG indica que a J&T Express vem usando tecnologia como eixo central de eficiência operacional. A aplicação de inteligência artificial e big data em toda a cadeia logística busca reduzir custos, melhorar previsibilidade e aumentar capacidade de processamento.
Em empresas de entregas expressas, ganhos de eficiência dependem de decisões tomadas em tempo real. A definição de rotas, a distribuição de pacotes, o uso de centros logísticos e a alocação de entregadores influenciam diretamente prazos, custos e emissões.
A expansão de veículos autônomos na última milha reforça essa estratégia. A companhia informou ter superado a marca de 1.000 unidades em operação até o fim de 2025, um volume que sinaliza avanço na automação de etapas de entrega.
O crescimento dessa frente também exige atenção regulatória e trabalhista. À medida que algoritmos passam a organizar jornadas, rotas e produtividade, empresas de logística são pressionadas a adotar maior transparência sobre critérios de gestão, remuneração e avaliação de desempenho.
Frota limpa avança em China, Filipinas e Singapura
Na agenda ambiental, a J&T Express informou ter ampliado o uso de veículos limpos e elétricos em diferentes mercados. Na China, a empresa investiu em 1.697 tratores movidos a GNL, equivalentes a 30% de sua frota própria no país.
Segundo o relatório, essa mudança contribuiu para reduzir em 6% a intensidade de emissões em relação a 2024. O dado é relevante para o setor logístico, em que transporte terrestre responde por parcela significativa das emissões operacionais.
Nas Filipinas, a companhia alcançou 100% de uso de biodiesel B5. Em Singapura, caminhões elétricos já representam 6% da frota.
A adoção de combustíveis menos intensivos em carbono e veículos elétricos mostra que a J&T tenta adaptar sua operação a diferentes realidades regulatórias e de infraestrutura. Mercados com maior disponibilidade de recarga elétrica, combustíveis alternativos ou incentivos públicos tendem a acelerar essa transição.
Embalagens reutilizáveis acumulam 3,33 bilhões de usos
Outro ponto destacado no relatório foi a ampliação de embalagens sustentáveis. A J&T Express informou que o volume acumulado de sacos reutilizáveis chegou a cerca de 38,27 milhões, com uso total aproximado de 3,33 bilhões de vezes.
A redução de embalagens descartáveis é uma das principais frentes ambientais no setor de entregas, especialmente com o avanço do comércio eletrônico. O aumento do volume de pacotes pressiona o consumo de plástico, papelão, fitas e materiais de proteção.
O modelo de embalagens reutilizáveis busca reduzir desperdício e custo unitário ao longo do ciclo logístico. A efetividade da medida, no entanto, depende da taxa de retorno, da durabilidade dos materiais e da capacidade de padronização entre centros de distribuição, entregadores e clientes.
Para companhias globais de logística, esse tipo de iniciativa também tem impacto reputacional. Clientes corporativos passaram a exigir indicadores ambientais mais claros em suas cadeias de suprimentos, especialmente em transporte, armazenamento e embalagem.
Acordo na China mira transparência algorítmica
No eixo social e trabalhista, a J&T Express destacou a implementação, em Xangai, do “Acordo sobre Algoritmos de Plataforma e Regras Trabalhistas da J&T Express (Rede Completa) 2025”. Segundo a companhia, trata-se do primeiro acordo nacional de negociação algorítmica no setor de entregas expressas.
A iniciativa abrange mais de 290 mil trabalhadores e tem foco em proteção salarial, desenvolvimento de carreira e transparência algorítmica. O tema ganhou relevância global com a expansão de plataformas digitais que usam algoritmos para distribuir tarefas, medir produtividade e definir incentivos.
A negociação algorítmica busca estabelecer parâmetros mais claros sobre como sistemas automatizados afetam a rotina de trabalhadores. Em logística, esses sistemas podem determinar rotas, metas, pontuação, prioridade de pedidos e remuneração variável.
Ao incluir o tema em seu relatório ESG, a J&T Express sinaliza preocupação com a governança de novos modelos de trabalho. O desafio será demonstrar, na prática, que a automação da gestão operacional não reduz direitos, previsibilidade de renda ou segurança dos trabalhadores.
Treinamentos crescem e alcançam 1,4 milhão de participantes
A J&T Express também informou avanço na capacitação de colaboradores. Em 2025, o número de cursos disponíveis na plataforma global da companhia cresceu 60%, enquanto as horas de treinamento aumentaram 2,8 vezes.
Na área de segurança, foram realizadas mais de 27 mil sessões de treinamento, com mais de 1,4 milhão de participantes. O volume mostra a escala da operação e a necessidade de padronização em processos críticos.
Em logística, treinamentos de segurança têm impacto direto sobre acidentes, qualidade do serviço, conformidade regulatória e continuidade operacional. Motoristas, operadores de centros de distribuição e entregadores estão expostos a riscos distintos, que exigem protocolos específicos.
O desenvolvimento de talentos também está ligado à retenção de mão de obra. Em mercados com alta rotatividade, empresas de entrega precisam investir em capacitação, carreira e condições de trabalho para reduzir perdas operacionais e preservar qualidade.
Empresa amplia ações sociais em áreas rurais e desastres
No eixo de responsabilidade social, a J&T Express destacou iniciativas em revitalização rural, educação e assistência pós-desastres.
Em Chongqing, na China, a empresa utilizou drones pela primeira vez para coleta e transporte de laranjas em regiões montanhosas. Segundo a companhia, cada unidade tem capacidade de até 10 mil quilos por dia, reduzindo custos para produtores locais.
Na Tailândia, a empresa firmou parceria com o Departamento de Extensão Agrícola para oferecer serviços logísticos voltados a frutas frescas. A iniciativa busca facilitar a circulação de produtos agrícolas e melhorar o acesso de produtores a mercados consumidores.
A companhia também relatou ações emergenciais em diferentes países. Após um incêndio em Tai Po, Hong Kong, a J&T doou HK$ 10 milhões e distribuiu 300 kits de itens essenciais. Após enchentes na Indonésia, fretou voos para transportar 13 toneladas de suprimentos às áreas afetadas.
Essas ações reforçam o papel da logística em momentos de crise. Empresas com capilaridade regional e capacidade de transporte podem atuar de forma relevante na entrega de suprimentos, especialmente em áreas afetadas por desastres naturais.
Compliance global inclui anticorrupção e cadeia de suprimentos
Na governança, a J&T Express afirmou ter aprimorado seu sistema global de compliance, coordenado pela sede e executado localmente. O foco inclui combate à corrupção, concorrência justa e conformidade na cadeia de suprimentos.
Durante o período, a companhia realizou treinamentos sobre prevenção à lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e anticorrupção para diretores e alta liderança, alcançando 100% de cobertura. Também capacitou mais de 89 mil participantes em temas de integridade.
A governança global é um ponto sensível para empresas que operam em múltiplos países. Diferenças regulatórias, relações com fornecedores, práticas locais de contratação e exposição a riscos políticos exigem controles internos robustos.
A J&T Express afirma ter ampliado requisitos de compliance para toda a cadeia. Essa medida é relevante porque riscos de corrupção, trabalho irregular, falhas ambientais e práticas anticoncorrenciais podem ocorrer não apenas dentro da companhia, mas também em fornecedores, parceiros e operadores terceirizados.
ESG vira ferramenta de competitividade logística
O CFO da J&T Express, Dylan Tey, afirmou que o ESG deixou de ser apenas um conceito dentro da rede logística global da companhia e passou a se traduzir em capacidades operacionais concretas. Segundo ele, a empresa avançou em transporte de baixo carbono e na governança de novos modelos de trabalho.
A fala reflete uma tendência no setor: sustentabilidade deixou de ser apenas reputação corporativa e passou a integrar eficiência, redução de custos, acesso a clientes e mitigação de riscos.
Empresas de comércio eletrônico, varejo e indústria passaram a exigir de operadores logísticos indicadores ambientais e sociais mais consistentes. Em contratos globais, métricas de emissões, segurança, compliance e uso de tecnologia podem influenciar a escolha de fornecedores.
Para a J&T Express, a expansão global aumenta a pressão por transparência. Operações em diferentes mercados exigem consistência entre discurso ESG, práticas locais e indicadores verificáveis.
J&T Express tenta alinhar expansão global a exigências ESG
O Relatório ESG de 2025 mostra uma J&T Express em processo de adaptação a novas exigências operacionais, ambientais e trabalhistas. A companhia combina expansão tecnológica, automação, frota de menor emissão, embalagens reutilizáveis e governança de algoritmos para sustentar sua rede global.
O desafio será converter esses avanços em resultados mensuráveis e recorrentes. No setor logístico, a escala da operação pode ampliar ganhos de eficiência, mas também aumenta complexidade ambiental, regulatória e social.
A companhia apresentou indicadores relevantes, como 1,05 milhão de metros quadrados em parques logísticos próprios, mais de 1.000 veículos autônomos em operação, 38,27 milhões de sacos reutilizáveis e 3,33 bilhões de usos acumulados. Também reforçou compromissos em compliance, anticorrupção e treinamento.
Com a pressão crescente por cadeias de suprimentos mais sustentáveis, o relatório posiciona a J&T Express (1519.HK) no debate sobre como empresas globais de entrega podem combinar crescimento, tecnologia e responsabilidade socioambiental. A avaliação do mercado dependerá da capacidade da companhia de manter transparência, reduzir emissões e demonstrar impacto concreto em sua operação global.








