A Naskar Gestão de Ativos Ltda., conhecida no mercado como Naskar Fintech, passou a ser investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal após clientes relatarem falta de acesso ao aplicativo da empresa, atraso no pagamento de rendimentos e ausência de comunicação dos sócios. A companhia, que atuava no Distrito Federal e em São Paulo, teria cerca de 3 mil clientes e mais de R$ 900 milhões captados de investidores em diferentes regiões do país.
O caso ganhou repercussão depois que clientes afirmaram não conseguir consultar valores aplicados, solicitar resgates ou obter explicações sobre a interrupção das atividades. O pagamento mensal de rendimentos previsto para segunda-feira (4) não teria sido realizado. A partir daí, investidores passaram a procurar a empresa e seus representantes, mas dizem não ter recebido resposta.
O aplicativo usado para acompanhamento do patrimônio também deixou de funcionar, segundo relatos. A ferramenta era o principal canal pelo qual os clientes acompanhavam saldos, rendimentos e movimentações.
A empresa tem como sócios Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu, ex-jogador de vôlei e apresentador de televisão. Clientes afirmam que os três não atendem ligações, não respondem mensagens e não fizeram manifestações públicas desde o início da crise.
Até o momento, não há conclusão pública sobre eventual crime, irregularidade financeira ou responsabilidade dos envolvidos. A investigação está em andamento, e os sócios têm direito à defesa.
Empresa teria cerca de 3 mil clientes e R$ 900 milhões captados
A dimensão financeira do caso é um dos pontos que ampliam sua gravidade. A Naskar teria aproximadamente 3 mil clientes e mais de R$ 900 milhões captados de investidores de todo o país. Entre os relatos apresentados por clientes, há aplicações milionárias feitas por moradores do Distrito Federal.
Um empresário teria R$ 3,9 milhões investidos. Um bancário teria R$ 2,3 milhões aplicados. Um aposentado teria aportado R$ 1 milhão. Os casos indicam que parte dos investidores concentrava valores relevantes na operação e dependia dos rendimentos mensais prometidos pela companhia.
A empresa se apresentava como gestora de ativos e teria operado por cerca de 13 anos sem problemas aparentes, segundo relatos de clientes. Esse histórico contribuiu para a construção de confiança entre investidores, intermediários e pessoas que passaram a indicar a operação a terceiros.
A ruptura dessa confiança ocorreu de forma repentina. Clientes afirmam que deixaram de receber os pagamentos previstos, perderam acesso ao aplicativo e não conseguiram obter informações sobre a situação da empresa ou dos valores aplicados.
Retorno prometido era de 2% ao mês
A Naskar atuava captando recursos de clientes com promessa de retorno mensal de 2%, percentual muito acima de aplicações financeiras tradicionais de menor risco. Na prática, um investidor que aplicasse R$ 1 milhão receberia R$ 20 mil por mês, enquanto a empresa ficaria responsável por administrar o patrimônio.
Esse tipo de rentabilidade costuma atrair pessoas em busca de renda recorrente, especialmente investidores que desejam complementar aposentadoria, gerar fluxo mensal ou obter retorno superior ao oferecido por bancos e produtos conservadores.
No mercado financeiro, porém, retornos fixos elevados exigem análise rigorosa. Quanto maior a promessa de ganho, maior tende a ser o risco associado à operação. Por isso, investidores devem avaliar de onde vem a rentabilidade, quais ativos sustentam o pagamento, quem faz a custódia dos recursos, quais garantias existem e se a empresa possui autorização compatível com a atividade exercida.
A promessa de 2% ao mês passou a ser um dos principais pontos de atenção da investigação. A Polícia Civil do DF deverá apurar a estrutura da operação, os contratos firmados com clientes, a forma de captação, a destinação dos recursos e a eventual existência de irregularidades.
Aplicativo fora do ar ampliou tensão entre investidores
O aplicativo da empresa era o principal canal usado pelos clientes para acompanhar saldos, rendimentos e movimentações. Segundo investidores, a plataforma deixou de funcionar nesta semana, impedindo o acesso às informações sobre o próprio patrimônio.
A perda de acesso ao sistema agravou a insegurança porque os clientes ficaram sem visibilidade sobre os valores investidos. Muitos afirmam que não conseguem saber se o dinheiro permanece disponível, se os rendimentos foram lançados ou se há possibilidade de resgate.
O problema levou investidores a registrarem reclamações em plataformas públicas de atendimento ao consumidor. As queixas mencionam bloqueio no aplicativo, ausência de pagamento de rendimentos e falta de resposta da empresa.
Uma cliente afirmou estar sem acesso ao app, sem receber rendimentos e sem qualquer informação. Outro investidor relatou que a plataforma teria sido bloqueada, impedindo o resgate dos valores aplicados.
Até a publicação desta matéria, as reclamações recentes não haviam recebido resposta pública da empresa. A falta de manifestação formal aumentou a pressão sobre os sócios e ampliou a possibilidade de judicialização.
Clientes relatam desespero com valores milionários aplicados
Os relatos de clientes mostram que o caso tem impacto direto sobre famílias, empresários e investidores que teriam concentrado grande parte do patrimônio na empresa. Para quem dependia dos rendimentos mensais, o atraso nos pagamentos comprometeu renda, planejamento financeiro e despesas correntes.
Um dos casos mais emblemáticos é o do empresário Wesley Albuquerque, de 40 anos, morador de Brasília. Além de ter recursos próprios aplicados, ele também fazia captação de clientes para a companhia por meio de contrato de prestação de serviços.
Segundo Wesley, 135 clientes foram captados por ele para a empresa. Somados, os valores aplicados por essas pessoas chegariam a R$ 47 milhões. O empresário afirmou que conheceu a operação há cerca de seis anos, quando a companhia teria entrado em contato com sua empresa, voltada ao setor de consórcios.
Com o tempo, segundo o relato, a confiança aumentou. Wesley afirmou que deixou todo o próprio dinheiro na empresa e recomendou a aplicação à própria mãe. Ela teria vendido uma casa e investido os recursos com a expectativa de usar os rendimentos como aposentadoria.
Após a interrupção dos pagamentos, o empresário relatou forte abalo emocional e disse estar sendo cobrado por clientes que confiaram na indicação. A situação mostra como a crise ultrapassou a relação direta entre empresa e investidor, atingindo também intermediários e redes de captação.
Intermediários passam a ser cobrados
A atuação de intermediários é outro ponto relevante no caso. Pessoas que apresentavam a empresa a novos investidores passaram a ser pressionadas após a interrupção dos pagamentos e a falta de acesso ao aplicativo.
Em operações financeiras baseadas em indicação, o investidor muitas vezes associa a confiança na empresa à confiança no intermediário. Quando ocorre uma crise, esses representantes podem ser cobrados por explicações, mesmo que não sejam responsáveis diretos pela gestão dos recursos.
A depender dos contratos, da forma de apresentação da operação e das promessas feitas aos clientes, intermediários poderão ser chamados a prestar esclarecimentos em eventuais investigações ou ações judiciais.
Esse ponto é sensível porque envolve a distinção entre indicação comercial, consultoria financeira, distribuição de produtos e gestão de patrimônio. Cada uma dessas atividades pode exigir regras específicas, responsabilidades próprias e, em alguns casos, autorização regulatória.
A investigação deverá apurar como a captação era realizada, quem participava da prospecção de clientes, quais documentos eram apresentados aos investidores e quais garantias eram oferecidas.
Sócios não respondem, segundo investidores
Clientes afirmam que Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, o Maurício Jahu, não respondem aos contatos desde o início da crise. A ausência de manifestação dos sócios é um dos fatores que mais alimentam a insegurança entre investidores.
Em situações envolvendo recursos de terceiros, a comunicação é essencial. Mesmo quando há dificuldade operacional, problema de liquidez ou falha sistêmica, empresas financeiras costumam divulgar comunicados, informar prazos, abrir canais de atendimento e explicar medidas de regularização.
Neste caso, clientes relatam silêncio dos responsáveis e ausência de posicionamento oficial. Essa falta de resposta fortaleceu a percepção de risco e levou investidores a buscar plataformas públicas de reclamação, registros junto às autoridades e orientação jurídica.
Até a publicação desta matéria, não havia manifestação pública dos sócios sobre a interrupção do aplicativo, o atraso nos rendimentos ou a situação dos valores aplicados pelos clientes. A empresa ainda poderá apresentar sua versão, explicar a origem da crise e informar se haverá plano de regularização dos pagamentos e resgates.
Polícia Civil do DF investiga atuação da fintech
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o caso para esclarecer a atuação da empresa, a captação de recursos e a situação dos valores investidos. A apuração deve analisar documentos societários, contratos, movimentações financeiras, mensagens com clientes, registros de transferências e eventuais responsabilidades dos envolvidos.
Também podem ser ouvidos investidores, intermediários, funcionários, sócios e pessoas que participaram da apresentação da fintech a novos clientes.
A investigação deverá apurar se houve problema operacional, crise de liquidez, descumprimento contratual, irregularidade administrativa ou eventual prática criminosa. Até que haja conclusão das autoridades, não é possível afirmar que houve golpe ou crime.
A cautela é necessária porque o caso ainda está em fase de apuração. Reclamações de clientes, ausência de resposta da empresa e interrupção de pagamentos são fatos relevantes, mas a definição jurídica dependerá da análise das provas e da manifestação dos envolvidos.
Para os investidores, a recomendação prática é reunir contratos, comprovantes de transferência, extratos, prints do aplicativo, mensagens, propostas comerciais, recibos e qualquer comunicação mantida com representantes da empresa. Esses documentos podem ser importantes em boletins de ocorrência, ações judiciais e procedimentos administrativos.
Caso acende alerta sobre promessas de retorno elevado
A crise envolvendo a Naskar Fintech reacende o alerta sobre aplicações que prometem rentabilidade mensal elevada e recorrente. Retorno de 2% ao mês pode parecer atrativo, mas precisa ser confrontado com o risco assumido e com a capacidade real de geração de caixa da operação.
No mercado financeiro, não há retorno elevado sem risco proporcional. Produtos conservadores tendem a oferecer ganhos mais baixos. Operações que prometem ganhos muito superiores precisam explicar claramente como o dinheiro será investido, quais riscos existem, que garantias protegem o investidor e qual órgão supervisiona a atividade.
A análise deve incluir a regularidade da empresa, a existência de autorização para captar ou gerir recursos, o histórico dos sócios, a estrutura de governança, a transparência das demonstrações financeiras e os procedimentos de resgate.
Outro ponto essencial é a diversificação. Concentrar todo o patrimônio em uma única empresa aumenta a exposição a perdas, bloqueios e dificuldades de liquidez. Mesmo que uma operação apresente histórico positivo, o investidor deve evitar depender integralmente de uma fonte de rendimento.
Há relatos de clientes que aplicaram valores milionários e de pessoas que dependiam dos pagamentos mensais para complementar renda. A interrupção dos rendimentos, portanto, tem impacto imediato sobre o planejamento financeiro de famílias e empresas.
Crise pode gerar ações judiciais e pedidos de bloqueio
A ausência de resposta da empresa pode abrir caminho para uma série de medidas judiciais. Clientes que se consideram prejudicados podem buscar ações para cobrar valores, pedir prestação de contas, solicitar bloqueio de bens ou tentar preservar patrimônio enquanto a investigação avança.
A depender dos elementos encontrados pela Polícia Civil do DF, o caso também pode envolver outras autoridades e órgãos de controle. Se houver indícios de captação irregular, fraude, lavagem de dinheiro ou estrutura semelhante a pirâmide financeira, a apuração pode ganhar novos desdobramentos.
Até o momento, porém, essas hipóteses precisam ser comprovadas. A investigação ainda deve estabelecer como a empresa operava, qual era a origem dos rendimentos, onde os recursos foram aplicados e por que os pagamentos foram interrompidos.
Intermediários que atuaram na captação também podem ser chamados a apresentar documentos e explicar sua participação. A responsabilidade de cada pessoa dependerá do papel desempenhado, dos contratos assinados e das informações repassadas aos clientes.
Para investidores, a prioridade é obter clareza sobre três pontos: onde estão os recursos, por que o aplicativo saiu do ar e se haverá plano de regularização dos pagamentos e resgates.
Falta de transparência pressiona mercado de fintechs
O caso também pode ter impacto reputacional sobre empresas de investimento que atuam fora do sistema bancário tradicional. O setor financeiro digital cresceu nos últimos anos com a promessa de tecnologia, eficiência, menor burocracia e novas alternativas de rentabilidade.
Essa expansão, no entanto, aumenta a necessidade de transparência, governança e supervisão. Empresas que lidam com recursos de terceiros precisam manter controles internos, canais de atendimento, prestação de contas e comunicação clara em momentos de instabilidade.
A confiança é um ativo central no mercado financeiro. Quando clientes perdem acesso ao aplicativo, deixam de receber pagamentos e não conseguem falar com os responsáveis, a percepção de risco se eleva rapidamente.
O volume estimado de recursos captados e o número de clientes ampliam a relevância da investigação. A apuração deverá indicar se a crise decorreu de problema operacional, falha de gestão, dificuldade financeira ou eventual irregularidade.
Enquanto não houver esclarecimento, investidores seguem em compasso de espera. A pressão sobre a empresa tende a continuar, especialmente diante das reclamações públicas e da cobrança por respostas dos sócios.
Investigação deve definir próximos desdobramentos
A evolução do caso dependerá das respostas da empresa, do avanço da investigação da Polícia Civil do DF e das medidas adotadas pelos investidores. A apuração deverá reunir documentos, ouvir envolvidos e rastrear a situação dos recursos captados.
Com cerca de 3 mil clientes e estimativa de mais de R$ 900 milhões em investimentos, o episódio pode se tornar uma das maiores crises recentes envolvendo uma empresa de gestão de ativos no país.
A principal demanda dos clientes é por informação. Investidores querem saber por que os rendimentos deixaram de ser pagos, por que o aplicativo ficou inacessível, onde estão os valores aplicados e se haverá possibilidade de resgate.
A Naskar Fintech ainda pode apresentar explicações e indicar um plano de regularização. Até lá, o caso permanece sob investigação e mantém em alerta investidores, intermediários e autoridades.









