A cadeia produtiva da soja e do biodiesel registrou crescimento de 11,72% em 2025, impulsionada pela safra recorde de grãos e pela expansão do processamento industrial no Brasil. Os dados foram divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), e reforçam o avanço do agronegócio como um dos principais motores da economia brasileira.
O desempenho ocorreu em meio à consolidação do Brasil como maior produtor e exportador global de soja, em um cenário de forte demanda internacional por alimentos, óleo vegetal e biocombustíveis. Segundo o levantamento, a cadeia da soja e do biodiesel passou a representar 21,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro em 2025, além de responder por 5,4% de toda a economia nacional.
A expansão foi sustentada principalmente pelo avanço da colheita e pelo aumento da atividade industrial ligada ao esmagamento da soja para produção de farelo, óleo e biodiesel. O resultado fortalece um segmento estratégico para o Brasil, especialmente diante da pressão global por transição energética e redução de emissões de carbono.
Conforme dados da Abiove, a produção brasileira de soja avançou mais de 17 milhões de toneladas em 2025 na comparação anual, alcançando 171,5 milhões de toneladas.
Processamento industrial acelera crescimento do biodiesel
O avanço da agroindústria foi um dos principais destaques do levantamento apresentado pelo Cepea. Segundo o estudo, o segmento industrial ligado à cadeia da soja registrou crescimento de 5,21% no ano passado, com forte influência da produção de biodiesel.
A fabricação do biocombustível cresceu 8,5%, refletindo tanto o aumento da oferta de matéria-prima quanto a maior demanda interna pelo combustível renovável.
As entidades apontam que a expansão da indústria ocorreu em paralelo à intensificação do processamento da soja pelas empresas do setor. O movimento ampliou receitas em diferentes elos da cadeia produtiva, incluindo insumos, logística e serviços associados ao agronegócio.
Segundo o Cepea e a Abiove, os chamados agrosserviços avançaram 9,4%, enquanto o segmento de insumos cresceu 2,7%.
“O resultado positivo foi impulsionado pela colheita de uma safra recorde no Brasil e pela intensificação do processamento do grão por parte da indústria”, afirmaram as instituições no relatório.
O desempenho reforça a importância do biodiesel dentro da estratégia brasileira de transição energética. O combustível renovável ganhou espaço nos últimos anos com o aumento gradual da mistura obrigatória ao diesel fóssil e com a ampliação da capacidade produtiva nacional.
Atualmente, o óleo de soja responde pela maior parte da matéria-prima utilizada na fabricação do biodiesel brasileiro.
Brasil amplia liderança global na produção de soja
A projeção para 2026 mantém a perspectiva positiva para o setor, ainda que em ritmo mais moderado. Com a colheita caminhando para a reta final, a Abiove estima que a produção brasileira de soja deverá superar 179 milhões de toneladas neste ano, avanço próximo de 8 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.
Caso a estimativa se confirme, o Brasil ampliará ainda mais sua liderança no mercado global da oleaginosa.
O crescimento contínuo da produção brasileira ocorre em meio ao aumento da demanda internacional por alimentos, proteínas animais e combustíveis renováveis. A soja ocupa posição estratégica nesse contexto por atender simultaneamente diferentes cadeias produtivas.
Além de abastecer a indústria de biodiesel, o grão é utilizado na produção de farelo para ração animal, óleo vegetal e diversos derivados industriais.
A pesquisadora do Cepea Nicole Rennó afirmou, durante teleconferência de imprensa, que o crescimento de 2026 ocorrerá sobre uma base já recorde, o que tende a reduzir o ritmo percentual de expansão.
“Em 2026 vamos crescer sobre um resultado recorde. É muito provável que vamos crescer a uma taxa um pouco mais amena, mas positiva”, afirmou.
Segundo ela, o desempenho do setor dependerá de variáveis como o ritmo de processamento industrial, demanda internacional e eventuais mudanças regulatórias envolvendo o biodiesel.
Mistura de biodiesel no diesel entra no centro das projeções
Um dos fatores que podem influenciar diretamente o desempenho da cadeia produtiva é a discussão sobre o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel convencional.
Atualmente, o Brasil opera com mistura de 15%, conhecida como B15. O governo e representantes do setor discutem a possibilidade de elevar esse percentual para 16% até o fim de 2026.
A eventual adoção do chamado B16 é vista pela indústria como um vetor relevante para sustentar novos investimentos em esmagamento de soja e ampliação da produção de biocombustíveis.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o óleo de soja respondeu por 73% da matéria-prima utilizada na produção de biodiesel em 2025.
O avanço da mistura obrigatória também possui impacto direto sobre o mercado agrícola, logística, indústria química e setor energético.
Analistas observam que o aumento do teor de biodiesel no diesel tende a estimular novos investimentos industriais, especialmente em regiões produtoras do Centro-Oeste e do Matopiba, consolidando o Brasil como um dos principais polos globais de biocombustíveis.
Ao mesmo tempo, o setor acompanha com atenção o comportamento dos preços internacionais da soja, os custos logísticos e o cenário macroeconômico global, fatores que influenciam margens e competitividade das exportações brasileiras.
Biocombustíveis ganham relevância na agenda econômica
O crescimento da cadeia da soja e do biodiesel ocorre em um momento de fortalecimento global das políticas de descarbonização e incentivo a energias renováveis.
Governos e empresas vêm ampliando metas de redução de emissões, elevando a demanda por combustíveis alternativos e por matérias-primas ligadas à economia verde.
Nesse cenário, o Brasil aparece em posição estratégica devido à sua capacidade agrícola, disponibilidade de terras e experiência consolidada na produção de biocombustíveis.
Além do biodiesel, o país mantém protagonismo mundial na produção de etanol de cana-de-açúcar e amplia investimentos em combustíveis sustentáveis para aviação e diesel verde.
Especialistas do setor avaliam que a expansão da cadeia da soja poderá acelerar investimentos em infraestrutura, armazenagem e logística nos próximos anos, principalmente em corredores de exportação voltados para a Ásia e a Europa.
A ampliação do processamento interno também é vista como estratégica para agregar valor à produção agrícola brasileira, reduzindo dependência exclusiva das exportações de grãos in natura.
O crescimento da agroindústria ligada à soja ainda fortalece segmentos correlatos, como fertilizantes, máquinas agrícolas, transporte rodoviário e armazenagem.
Pressão climática e infraestrutura seguem como desafios do setor
Apesar das projeções positivas, o setor segue monitorando riscos estruturais capazes de afetar o crescimento da cadeia da soja e do biodiesel nos próximos anos.
Entre os principais desafios aparecem questões climáticas, gargalos logísticos, volatilidade cambial e oscilações nos preços internacionais das commodities agrícolas.
A dependência do óleo de soja como principal matéria-prima do biodiesel também gera debates sobre diversificação energética e ampliação do uso de outras fontes renováveis.
Além disso, o setor acompanha os impactos das tensões geopolíticas globais sobre custos de frete, fertilizantes e energia.
Mesmo diante dessas incertezas, o agronegócio brasileiro mantém expectativa de continuidade do ciclo de expansão, sustentado pela demanda internacional e pela crescente relevância dos biocombustíveis na matriz energética mundial.
O avanço da produção de soja e biodiesel reforça ainda o papel estratégico do Brasil no comércio global de alimentos e energia renovável, em um momento em que segurança energética e transição climática se tornaram temas centrais das economias desenvolvidas e emergentes.
A combinação entre safra recorde, expansão industrial e aumento da demanda por combustíveis renováveis coloca o biodiesel no centro da estratégia econômica do agronegócio brasileiro para os próximos anos.










