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Câmara aprova projeto que muda cálculo da pensão alimentícia no Brasil

Proposta prevê que abandono afetivo e sobrecarga na criação dos filhos influenciem decisões da Justiça sobre pensão alimentícia.

por Júlia Campos - Repórter de Política
12/05/2026 às 13h24 - Atualizado em 14/05/2026 às 16h57
em Política, Destaque, Notícias
Proposta Prevê Que Abandono Afetivo E Sobrecarga Na Criação Dos Filhos Influenciem Decisões Da Justiça Sobre Pensão Alimentícia.-Gazeta Mercantil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que amplia os critérios considerados pela Justiça na definição do valor da pensão alimentícia no Brasil. A proposta prevê que magistrados passem a analisar não apenas a capacidade financeira de quem paga e as necessidades da criança, mas também fatores relacionados à responsabilidade emocional e à divisão prática dos cuidados familiares.

O avanço do texto no Congresso reacendeu o debate sobre a atualização das regras da pensão alimentícia em meio ao aumento de disputas judiciais envolvendo guarda, divisão de responsabilidades parentais e abandono afetivo. O projeto ainda precisa ser analisado pelo Senado Federal antes de eventual sanção presidencial.

A proposta ganhou repercussão após comentários públicos da advogada Juçara Gonçalez Mendes da Mota, que explicou nas redes sociais os impactos jurídicos da mudança. Segundo especialistas em Direito de Família, o texto busca incorporar à legislação uma interpretação mais ampla sobre o custo da criação de filhos, incluindo aspectos emocionais e a sobrecarga cotidiana suportada pelo responsável pela guarda.

Na prática, o projeto pode alterar a forma como juízes avaliam ações de pensão alimentícia em todo o país, especialmente em casos nos quais apenas um dos pais concentra a maior parte dos cuidados com a criança após a separação.

Projeto mantém critério financeiro, mas amplia análise judicial

O texto aprovado na CCJ não elimina o princípio atualmente utilizado pela Justiça brasileira para cálculo da pensão alimentícia. O chamado critério da “necessidade versus possibilidade” continuará sendo a base das decisões judiciais.

Esse modelo estabelece que o valor da pensão deve equilibrar, de um lado, as necessidades da criança ou adolescente e, de outro, a capacidade financeira de quem realiza o pagamento. A proposta aprovada, porém, amplia os elementos que podem ser considerados na análise judicial.

Entre os fatores adicionais previstos estão situações de abandono afetivo comprovado, divisão desigual das responsabilidades familiares e sobrecarga do responsável que assume a criação diária do filho.

A proposta parte do entendimento de que os custos da parentalidade vão além das despesas diretas, como alimentação, educação, saúde e moradia. O projeto reconhece que a criação dos filhos também envolve dedicação permanente, disponibilidade de tempo, acompanhamento escolar, cuidados emocionais e suporte cotidiano.

Na avaliação de especialistas da área jurídica, a mudança acompanha uma tendência crescente no Judiciário brasileiro de reconhecer impactos não financeiros nas relações familiares.

Advogados que atuam em varas de família afirmam que parte das disputas envolvendo pensão alimentícia ocorre justamente porque um dos responsáveis acaba assumindo sozinho atividades ligadas à rotina dos filhos, mesmo quando há obrigação compartilhada prevista judicialmente.

Debate sobre abandono afetivo ganha força no Judiciário

Nos últimos anos, o conceito de abandono afetivo passou a ganhar espaço em decisões judiciais no Brasil. Embora o tema ainda gere divergências jurídicas, tribunais vêm reconhecendo, em alguns casos, danos decorrentes da ausência deliberada de participação de um dos pais na criação dos filhos.

A proposta aprovada pela CCJ não cria automaticamente punições financeiras por abandono afetivo, mas abre espaço para que esse fator seja considerado na definição da pensão alimentícia.

Segundo juristas, o texto tenta aproximar a legislação da realidade observada em milhares de processos familiares no país. Em muitos casos, a obrigação financeira é cumprida parcialmente, enquanto a responsabilidade prática da criação permanece concentrada em apenas um dos responsáveis.

A discussão ganhou relevância especialmente após o crescimento das ações judiciais relacionadas à guarda compartilhada e à divisão de responsabilidades parentais.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que processos de família continuam entre os mais recorrentes no sistema judiciário brasileiro. A judicialização de conflitos ligados à pensão alimentícia, visitas, guarda e convivência familiar aumentou nos últimos anos, pressionando tribunais estaduais.

Especialistas apontam que a ampliação dos critérios pode levar magistrados a analisar com mais profundidade a dinâmica familiar antes de fixar o valor da pensão.

Ao mesmo tempo, operadores do Direito alertam que a aplicação prática da medida poderá exigir critérios objetivos para evitar interpretações excessivamente subjetivas nos processos.

Mudança pode ampliar disputas judiciais sobre responsabilidade parental

A eventual aprovação definitiva do projeto também levanta debates sobre impactos operacionais no Judiciário.

Advogados especializados em Direito de Família avaliam que a inclusão de fatores emocionais e de sobrecarga parental poderá aumentar a produção de provas em ações de pensão alimentícia.

Documentos escolares, registros médicos, mensagens, testemunhos e relatórios psicológicos podem ganhar peso maior em disputas judiciais envolvendo responsabilidade afetiva e divisão de cuidados familiares.

Na avaliação de especialistas, o Judiciário poderá enfrentar discussões mais complexas sobre a efetiva participação de cada responsável na rotina da criança.

Há também preocupação sobre a possibilidade de aumento no tempo médio de tramitação dos processos, especialmente em grandes centros urbanos, onde as varas de família já operam sob elevada demanda.

Por outro lado, defensores da proposta afirmam que a mudança pode estimular acordos mais equilibrados entre os pais, reduzindo situações nas quais apenas um responsável concentra obrigações financeiras e emocionais.

A discussão também dialoga com mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas, incluindo transformações nos modelos familiares e maior reconhecimento jurídico da parentalidade compartilhada.

Senado deve analisar impactos jurídicos e sociais da proposta

Após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o projeto seguirá agora para análise do Senado Federal.

Os senadores poderão manter o texto aprovado pelos deputados, propor alterações ou ampliar os debates sobre critérios de aplicação da medida.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares ligados à pauta do Direito de Família avaliam que o tema possui potencial de mobilização social, sobretudo entre entidades que defendem direitos de crianças, mulheres e famílias monoparentais.

O debate também deve envolver representantes da advocacia, associações de magistrados e integrantes do Ministério Público, diante das possíveis consequências jurídicas da proposta.

Caso o Senado aprove o texto sem alterações relevantes, o projeto seguirá para sanção presidencial. Se houver mudanças, a matéria retorna para nova análise da Câmara dos Deputados.

A tramitação ocorre em um momento de aumento das discussões legislativas relacionadas à estrutura familiar, guarda compartilhada, violência doméstica e proteção da infância.

Nos últimos anos, o Congresso Nacional ampliou o número de projetos voltados à revisão de regras de convivência familiar, responsabilidades parentais e direitos da criança e do adolescente.

Discussão sobre pensão alimentícia amplia pressão por atualização das regras familiares

O avanço do projeto na Câmara evidencia uma tendência crescente de revisão das normas ligadas ao Direito de Família no Brasil.

A discussão sobre pensão alimentícia deixou de envolver apenas capacidade financeira e passou a incorporar temas ligados à participação ativa na criação dos filhos, equilíbrio na divisão de responsabilidades e reconhecimento do trabalho cotidiano exercido por quem assume a guarda.

Para especialistas, o debate reflete mudanças culturais e sociais observadas nas famílias brasileiras ao longo das últimas décadas.

A eventual mudança na legislação poderá influenciar futuras decisões judiciais e redefinir parâmetros utilizados por magistrados em disputas familiares.

Ao mesmo tempo, juristas destacam que a aplicação prática das novas regras dependerá da interpretação dos tribunais e da consolidação de jurisprudência sobre o tema.

Enquanto o texto avança no Congresso, tribunais e profissionais do Direito acompanham com atenção os desdobramentos da proposta, que pode alterar significativamente o entendimento jurídico sobre responsabilidade parental no país.

Tags: abandono afetivoCâmara dos DeputadosCCJdireito de famíliaguarda compartilhadaJuçara Gonçalez Mendes da MotaJustiçapensão alimentíciaPolíticaresponsabilidade parentalSenado Federal

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Segundo A Versão Divulgada Pela Fintech, A Azara Capital Teria Adquirido A Naskar E Outras Empresas Do Grupo, Como 7Trust E Next, Assumindo A Responsabilidade Por Tratativas Voltadas Ao Ressarcimento Dos Clientes. O Caso, Porém, Passou A Levantar Questionamentos Sobre A Própria Azara Capital. A Empresa Não Apresenta Em Seu Site Nomes De Presidente, Diretores, Sócios Ou Responsáveis Pela Gestão. A Página Informa Um Endereço Em Miami, Nos Estados Unidos, Mas A Localização Indicada Aparece Associada Ao Ocean Bank, Banco Comercial Independente Da Flórida. Em Buscas Por “Azara Capital” Em Plataformas De Geolocalização, Não Há Indicação Clara De Sede Própria Da Companhia. Além Disso, A Presença Digital Da Empresa É Recente. O Perfil Da Azara Capital No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E, Até A Manhã Desta Quinta-Feira, Contava Com Apenas Três Publicações. Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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