A Dasa (DASA3) reverteu o prejuízo registrado um ano antes e teve lucro líquido ajustado de R$ 9 milhões no primeiro trimestre de 2026, segundo balanço divulgado nesta terça-feira, 12 de maio. No mesmo período de 2025, a companhia havia reportado prejuízo líquido de R$ 111 milhões na mesma base comparável. Os números consideram o chamado “escopo atual”, que exclui efeitos de operações descontinuadas, ativos vendidos e negócios aportados na Rede Américas.
A receita bruta consolidada da Dasa (DASA3) cresceu 14% na comparação anual, para R$ 2,4 bilhões. A margem bruta avançou de 30,9% para 33,5%, indicando melhora da rentabilidade operacional. As despesas totais subiram 6,3%, para R$ 293 milhões, em ritmo inferior ao crescimento da receita.
O Ebitda consolidado somou R$ 573 milhões, alta de 28% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A margem Ebitda passou de 23,1% para 25,8%, reforçando a melhora de eficiência após um período de reorganização da companhia.
Diagnósticos puxam crescimento da receita
O principal motor do resultado foi a divisão de diagnósticos nacional. A receita do segmento cresceu 15% no primeiro trimestre, para quase R$ 2,2 bilhões.
Segundo a Dasa (DASA3), o desempenho foi impulsionado pelo aumento no volume de exames e pela expansão dos segmentos premium, corporativo e atendimento domiciliar. Esses canais têm peso estratégico porque ajudam a diversificar a origem da receita e a capturar clientes de maior valor agregado.
A área de diagnósticos voltou ao centro da estratégia da companhia após uma fase de simplificação organizacional. A Dasa (DASA3) afirmou que, nos últimos 12 meses, conduziu uma transformação relevante, com maior foco no core de diagnósticos e disciplina na alocação de capital.
Hospitais e Oncologia Nordeste tiveram crescimento de 2% na receita. O avanço mais moderado mostra que a maior tração do trimestre veio de diagnósticos, segmento no qual a companhia busca maior previsibilidade e rentabilidade.
Margens melhoram após reorganização
A margem bruta de 33,5% indica melhora operacional na comparação com o primeiro trimestre de 2025. O avanço de 2,6 pontos percentuais sugere melhor controle de custos, mix de serviços mais favorável e ganho de eficiência na operação.
A margem Ebitda também avançou, passando de 23,1% para 25,8%. Esse crescimento é relevante porque mostra que a Dasa (DASA3) conseguiu ampliar resultado operacional em ritmo superior ao da receita.
A companhia afirmou que iniciou 2026 como uma empresa “mais leve, eficiente e com maior previsibilidade operacional e financeira”. A declaração reflete a estratégia de simplificação de estrutura, venda ou descontinuação de ativos e concentração em áreas consideradas prioritárias.
O resultado, porém, incluiu efeito não recorrente de aproximadamente R$ 28 milhões relacionado à conclusão do laudo de alocação do preço de aquisição da Rede Américas. Esse efeito gerou reconhecimento adicional de depreciação no trimestre.
Caixa volta ao positivo no trimestre
A Dasa (DASA3) também apresentou melhora na geração de caixa. A geração operacional foi positiva em R$ 21 milhões no primeiro trimestre, revertendo consumo de R$ 43 milhões no mesmo período de 2025.
O fluxo de caixa livre ficou positivo em R$ 5 milhões. Segundo a companhia, o desempenho ocorreu mesmo em um trimestre sazonalmente mais intensivo em capital de giro, refletindo maior eficiência operacional e melhora no ciclo de conversão de caixa.
O ciclo de conversão de caixa caiu para 60 dias na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, considerando o escopo atual. Esse indicador mostra o tempo necessário para a empresa transformar operações em caixa e é relevante para companhias com grande volume de serviços, convênios e recebíveis.
A melhora do caixa é um ponto importante para investidores porque a Dasa (DASA3) vinha sendo acompanhada de perto pelo mercado em razão de sua estrutura de dívida, necessidade de desalavancagem e reorganização operacional.
Dívida líquida cai para R$ 5,6 bilhões
A dívida líquida financeira da Dasa (DASA3), após aquisições a pagar e antecipações de recebíveis, encerrou março em R$ 5,6 bilhões. Um ano antes, o valor era de R$ 10,55 bilhões.
A redução reflete o processo de reorganização de ativos e reforça a tentativa da companhia de diminuir a pressão financeira sobre o balanço. A alavancagem caiu de 4,17 vezes no fim do primeiro trimestre de 2025 para 2,99 vezes em março de 2026.
A queda da alavancagem é um dos pontos centrais do balanço. Em empresas de saúde com operação intensiva em capital, dívida elevada pode pressionar resultado financeiro, limitar investimentos e reduzir flexibilidade estratégica.
Com alavancagem menor, a Dasa (DASA3) ganha mais espaço para focar em eficiência, crescimento seletivo e rentabilidade. Ainda assim, o patamar de dívida segue relevante e deve continuar no radar do mercado nos próximos trimestres.
Resultado marca nova fase da Dasa (DASA3)
O lucro de R$ 9 milhões no primeiro trimestre não representa, isoladamente, uma recuperação definitiva, mas marca uma mudança importante em relação ao prejuízo registrado um ano antes.
A companhia mostrou avanço de receita, melhora de margens, geração de caixa positiva e redução expressiva da dívida líquida. Esses indicadores reforçam a tese de que a reorganização começa a aparecer nos números.
O desafio da Dasa (DASA3) será manter essa trajetória ao longo de 2026. A empresa precisa sustentar crescimento em diagnósticos, preservar margens, continuar reduzindo alavancagem e provar que a simplificação do portfólio resultará em lucro recorrente mais robusto.
Para investidores, o balanço traz sinais positivos, principalmente na desalavancagem e na melhora operacional. A continuidade da recuperação dependerá da disciplina de capital, da evolução do fluxo de caixa e da capacidade da companhia de transformar sua escala em rentabilidade consistente.









