Wall Street abriu em alta nesta quinta-feira (14), com S&P 500 e Nasdaq em novos recordes, à medida que investidores acompanham as negociações entre Estados Unidos e China e a força das ações de tecnologia. O Dow Jones também voltou a superar os 50 mil pontos, impulsionado pela alta da Cisco (CSCO), enquanto Nvidia (NVDA), Boeing (BA) e dados de varejo dos EUA reforçaram o apetite por risco.
Logo após a abertura, o Dow Jones subia 0,63%, aos 50.004,34 pontos. O S&P 500 avançava 0,34%, aos 7.469,81 pontos, no maior nível nominal histórico. O Nasdaq ganhava 0,30%, aos 26.481,46 pontos, também no maior patamar nominal da história.
A alta ocorre em meio à viagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China, onde se reúne com o presidente chinês, Xi Jinping. O encontro recolocou a pauta comercial no centro dos mercados globais e reduziu, momentaneamente, o peso das negociações entre Estados Unidos e Irã no radar dos investidores.
O avanço de Wall Street também reflete a expectativa de que Pequim amplie compras de produtos e serviços americanos, incluindo aeronaves da Boeing (BA), além de possível flexibilização no comércio de semicondutores avançados. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse esperar uma grande encomenda chinesa de aviões da Boeing durante a visita de Trump a Pequim.
S&P 500 e Nasdaq renovam máximas em Nova York
A abertura positiva consolidou mais uma sessão de força para as bolsas americanas. O S&P 500 e o Nasdaq ultrapassaram novas máximas nominais, sustentados principalmente por ações de tecnologia, semicondutores e companhias ligadas à inteligência artificial.
O movimento ocorre depois de uma sequência de ganhos em Wall Street, com investidores voltando a assumir risco mesmo diante de juros elevados e incertezas geopolíticas. Na véspera, S&P 500 e Nasdaq já haviam fechado em recordes, impulsionados por ações ligadas à inteligência artificial e pela recuperação de fabricantes de chips.
O Dow Jones também ganhou força e retomou o nível de 50 mil pontos. O índice foi beneficiado pelo salto das ações da Cisco (CSCO), que avançavam cerca de 15% após balanço corporativo e anúncio de corte de aproximadamente 4 mil empregos.
A reação positiva à Cisco (CSCO) reforça a leitura de que investidores seguem premiando empresas com disciplina de custos, geração de caixa e capacidade de preservar margens. O movimento também ajudou a ampliar a alta para além das megacaps de tecnologia.
EUA e China dominam o radar dos investidores
As negociações entre Estados Unidos e China foram o principal vetor externo para o mercado nesta quinta-feira. A visita de Trump a Pequim é acompanhada de perto porque pode abrir espaço para acordos comerciais, encomendas industriais e ajustes em restrições tecnológicas.
Segundo Bessent, Washington busca ampliar exportações americanas para a China, incluindo aeronaves, energia, produtos agrícolas e investimentos chineses em setores considerados não sensíveis nos Estados Unidos. A discussão também inclui a criação de estruturas bilaterais para tratar de comércio e investimentos entre os dois países.
A Boeing (BA) apareceu entre os destaques da sessão. A expectativa de uma grande encomenda chinesa impulsionou as ações da fabricante, já que contratos de aeronaves costumam ter impacto relevante sobre a carteira de pedidos e sobre a percepção de demanda global do setor.
Posteriormente, Trump afirmou que a China concordou em comprar 200 aeronaves da Boeing, em um anúncio que reforça a tentativa de reequilibrar a relação comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Apesar do tom positivo, o encontro também ocorre em meio a temas sensíveis. Taiwan, exportação de chips, tarifas, segurança tecnológica e influência geopolítica seguem como pontos de tensão entre Washington e Pequim.
Nvidia volta ao centro do rali de tecnologia
A Nvidia (NVDA) continuou no centro das atenções em Wall Street. Na véspera, as ações da companhia avançaram mais de 2%, levando a empresa a atingir valor de mercado de US$ 5,5 trilhões.
O presidente-executivo da Nvidia (NVDA), Jensen Huang, integra a comitiva de Trump na China, movimento visto pelo mercado como sinal de que semicondutores e inteligência artificial estão entre os temas estratégicos da negociação bilateral.
Segundo informações de mercado atribuídas à Reuters, os Estados Unidos autorizaram cerca de dez empresas chinesas a comprar o chip H200 da Nvidia (NVDA), embora nenhuma entrega tenha sido realizada até o momento. A presença de Huang na viagem reforçou a expectativa de avanço nas tratativas sobre a venda desses semicondutores.
A eventual liberação de chips H200 para empresas chinesas é relevante porque o tema está no centro da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Washington tenta preservar sua liderança em inteligência artificial, enquanto Pequim busca reduzir restrições ao acesso a componentes avançados.
Para os investidores, qualquer sinal de flexibilização controlada pode beneficiar fabricantes de chips, fornecedores de infraestrutura de data centers e empresas ligadas à cadeia global de inteligência artificial.
Varejo dos EUA cresce 0,5% em abril
Além da pauta geopolítica, Wall Street também reagiu a dados econômicos dos Estados Unidos. As vendas no varejo subiram 0,5% em abril, depois de avanço revisado para baixo de 1,6% em março, segundo o Departamento do Comércio.
O resultado veio em linha com a expectativa de economistas consultados pela Reuters. O dado reforça a leitura de que o consumo americano segue resiliente, embora em ritmo mais moderado do que no mês anterior.
As vendas no varejo são acompanhadas de perto porque o consumo representa a maior parte da economia dos Estados Unidos. Um desempenho positivo tende a sustentar projeções de crescimento, mas também pode manter cautela em relação à inflação.
A leitura de abril mostrou que parte da alta foi influenciada por preços mais elevados, especialmente em itens ligados a energia. Isso mantém a atenção do mercado sobre o impacto dos combustíveis e de outros custos no comportamento do consumidor americano.
Pedidos de auxílio-desemprego sobem, mas mercado de trabalho segue estável
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos aumentaram em 12 mil, para 211 mil, na semana encerrada em 9 de maio, segundo o Departamento do Trabalho. O número ficou acima da projeção de 205 mil pedidos, mas ainda indica um mercado de trabalho relativamente estável.
A leitura foi recebida sem alterar de forma significativa a percepção dos investidores sobre a economia americana. O dado mostra alguma moderação, mas não sugere deterioração forte do emprego.
Para Wall Street, essa combinação segue favorável no curto prazo. A economia americana mostra sinais de desaceleração gradual, mas não de ruptura. Ao mesmo tempo, o consumo permanece positivo, o que sustenta expectativas para lucros corporativos.
O ponto de atenção continua sendo o Federal Reserve. Se consumo, emprego e preços permanecerem firmes, o banco central americano pode manter juros altos por mais tempo, limitando parte do potencial de alta das bolsas.
Juros do Fed seguem no radar, mas não travam rali
As expectativas para a política monetária dos Estados Unidos continuam no centro das decisões de investidores. A ferramenta FedWatch, do CME Group, passou a indicar que as apostas para aumento de juros pelo Federal Reserve foram deslocadas de março para abril de 2027, segundo dados citados pelo mercado.
A leitura predominante é que o Fed deve manter uma postura cautelosa enquanto avalia inflação, consumo, mercado de trabalho e impactos geopolíticos sobre energia e cadeias globais.
Mesmo com juros elevados, as ações americanas seguem sustentadas por lucros corporativos, avanço da inteligência artificial e expectativa de melhora nas relações comerciais entre Estados Unidos e China.
Esse ambiente favorece empresas com crescimento elevado, margens fortes e liderança em setores estratégicos. Por isso, tecnologia, semicondutores e infraestrutura de inteligência artificial seguem liderando o movimento de alta.
Wall Street mantém rali com tecnologia e comércio global
A sessão desta quinta-feira reforça a combinação que tem sustentado Wall Street em 2026: força das ações de tecnologia, otimismo com inteligência artificial, consumo ainda resistente e expectativa de avanços comerciais entre Estados Unidos e China.
O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping trouxe de volta a possibilidade de acordos bilaterais capazes de beneficiar empresas americanas, como Boeing (BA) e Nvidia (NVDA). Ao mesmo tempo, dados de varejo e emprego mostraram que a economia dos Estados Unidos continua em expansão, ainda que com sinais de moderação.
Com S&P 500 e Nasdaq em novas máximas, investidores passam a observar se as negociações em Pequim produzirão resultados concretos ou se o rali recente será seguido por realização de lucros.
Por ora, Wall Street segue em trajetória positiva, sustentada pela leitura de que tecnologia, comércio global e consumo americano ainda oferecem suporte aos principais índices de Nova York.









