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Setor de serviços recua 1,2% em março e surpreende negativamente o mercado, diz IBGE

Queda foi disseminada pelas cinco atividades pesquisadas, com maior impacto vindo de transportes; resultado reforça sinais de perda de fôlego da economia no curto prazo

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
15/05/2026 às 10h48
em Economia, Destaque, Notícias
Setor De Serviços Recua 1,2% Em Março E Surpreende Negativamente O Mercado, Diz Ibge - Gazeta Mercantil

O setor de serviços recuou 1,2% em março de 2026 ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (15). O resultado veio bem abaixo das expectativas do mercado, que projetavam leve queda de 0,1% na comparação mensal, e reforçou a leitura de perda de fôlego em uma das áreas mais relevantes da economia brasileira. Na comparação com março de 2025, o volume de serviços cresceu 3,0%, também abaixo da projeção de alta de 4,5%.

A queda mensal foi disseminada por todas as cinco atividades investigadas pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). O principal impacto negativo veio de transportes, que recuou 1,7% em março, pressionado sobretudo pelo transporte rodoviário de cargas e pelo transporte aéreo de passageiros, segundo o IBGE.

Com o desempenho de março, o setor de serviços ficou 1,7% abaixo do ponto mais alto da série histórica, alcançado em outubro de 2025. Ainda assim, o segmento permanece 18,2% acima do nível de fevereiro de 2020, período anterior à pandemia.

A leitura do IBGE mostra perda de ritmo recente. Segundo Luiz Carlos de Almeida Junior, analista da pesquisa, nos últimos cinco meses houve um mês de estabilidade e quatro meses de variação negativa, movimento que levou o setor a acumular queda de 1,7% desde outubro de 2025.

Resultado fraco contraria projeções do mercado

O recuo de 1,2% em março foi mais intenso do que o esperado por analistas. A mediana das projeções indicava queda de apenas 0,1% na comparação com fevereiro, o que tornaria o resultado praticamente estável.

A surpresa negativa aumenta a atenção sobre o desempenho da atividade econômica no primeiro trimestre. O setor de serviços tem peso elevado no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e costuma funcionar como termômetro do consumo, da renda, do crédito, da logística e da demanda empresarial.

Na comparação anual, o avanço de 3,0% manteve o setor no campo positivo pelo 24º mês consecutivo. O dado, porém, também ficou abaixo da expectativa de crescimento de 4,5%, sinalizando desaceleração em relação ao ritmo projetado pelo mercado.

No acumulado de janeiro a março, o volume de serviços cresceu 2,3% frente ao mesmo período de 2025. Em 12 meses, a alta foi de 2,8%, mantendo o mesmo ritmo observado em fevereiro e marcando a taxa menos intensa desde outubro de 2024.

A combinação de queda mensal forte e avanço anual menor do que o previsto tende a reforçar cautela entre economistas sobre a intensidade da atividade no início de 2026.

Transportes lideram queda entre as atividades pesquisadas

Entre as cinco atividades pesquisadas pelo IBGE, transportes foi o principal vetor negativo em março. O segmento caiu 1,7% na comparação com fevereiro e eliminou o ganho acumulado nos dois primeiros meses do ano, de 0,8%.

A queda foi influenciada principalmente pelo transporte rodoviário de cargas e pelo transporte aéreo de passageiros. O primeiro está diretamente ligado ao fluxo de mercadorias, à produção industrial, ao varejo e ao agronegócio. O segundo reflete o comportamento da renda, do turismo, das viagens corporativas e dos custos do setor aéreo.

A retração em transportes tem leitura relevante para a economia porque o segmento costuma antecipar mudanças no ritmo de atividade. Quando há menos circulação de cargas, pode haver sinal de menor demanda por bens. Quando o transporte aéreo perde força, a leitura pode envolver consumo das famílias, viagens a negócios e custos operacionais das companhias.

A pressão em transportes também afeta a cadeia de serviços auxiliares, armazenagem e logística. Por isso, o recuo do segmento tende a ter impacto mais amplo do que a variação isolada sugere.

Além de transportes, todas as demais atividades tiveram queda em março, o que mostra um movimento generalizado de enfraquecimento na margem.

Todas as cinco atividades registram retração em março

O resultado de março foi disseminado. Além da queda de 1,7% em transportes, o IBGE apontou recuo de 1,1% em serviços profissionais, administrativos e complementares; baixa de 0,9% em informação e comunicação; queda de 2,0% em outros serviços; e retração de 1,5% em serviços prestados às famílias.

A retração em serviços profissionais, administrativos e complementares chama atenção por envolver atividades ligadas ao funcionamento de empresas, como consultorias, serviços técnicos, apoio administrativo, locação e terceirização. Esse grupo costuma refletir decisões corporativas de investimento, contratação e gestão de custos.

O recuo de informação e comunicação também tem peso relevante, já que o segmento vinha sustentado por demanda por tecnologia, telecomunicações, dados, sistemas e serviços digitais. A queda de 0,9% devolveu parte da alta acumulada nos três meses anteriores, segundo o IBGE.

Nos serviços prestados às famílias, a baixa de 1,5% eliminou integralmente a expansão registrada no mês anterior. Esse grupo inclui atividades mais sensíveis à renda disponível, como alojamento, alimentação, lazer e serviços pessoais.

A queda de 2,0% em outros serviços completou o quadro negativo, reforçando que o enfraquecimento não ficou concentrado em uma única atividade.

Serviços ainda crescem no ano, mas ritmo perde força

Apesar da queda em março, o setor de serviços ainda acumula crescimento no ano. De janeiro a março, o volume avançou 2,3% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O desempenho mostra que a atividade permanece acima do nível de um ano antes, mas com ritmo menos forte na margem.

A comparação anual positiva, no entanto, não elimina a preocupação com a sequência recente. O setor acumula quatro quedas e uma estabilidade nos últimos cinco meses, segundo o IBGE. Esse padrão sugere perda de tração depois de atingir o pico da série histórica em outubro de 2025.

O dado também precisa ser lido dentro do contexto de juros elevados, crédito mais seletivo e maior cautela de empresas e consumidores. Serviços dependem diretamente da renda, do emprego, do crédito, da confiança e das decisões de consumo.

Quando o setor perde força, há impacto potencial sobre arrecadação, emprego formal, demanda por crédito, investimentos empresariais e expectativas para o PIB.

A desaceleração não significa, isoladamente, reversão do ciclo de crescimento. Mas o resultado de março aumenta a necessidade de acompanhar os próximos dados para avaliar se a queda foi pontual ou se indica uma tendência mais persistente.

São Paulo teve o maior impacto negativo entre os estados

No recorte regional, 13 das 27 unidades da federação registraram retração no volume de serviços em março ante fevereiro, na série ajustada sazonalmente. O impacto negativo mais relevante veio de São Paulo, com queda de 2,1%.

O desempenho paulista tem peso elevado no resultado nacional, já que o estado concentra parcela importante da atividade econômica do país, especialmente em serviços corporativos, tecnologia, transportes, comércio, finanças e atividades profissionais.

Além de São Paulo, o IBGE destacou quedas em Mato Grosso, de 5,2%; Pernambuco, de 3,9%; e Mato Grosso do Sul, de 6,0%. Embora alguns estados tenham variações percentuais mais fortes, o impacto sobre o indicador nacional depende do peso de cada economia regional.

A retração regional reforça que a queda do setor de serviços não ficou restrita a um único polo econômico. Ainda assim, o comportamento de São Paulo tende a ser observado com mais atenção porque costuma influenciar a leitura agregada da atividade.

O recorte por estados também ajuda a identificar diferenças entre cadeias produtivas. Regiões com peso maior de transporte de cargas, agronegócio, serviços corporativos ou turismo podem reagir de forma distinta a choques de demanda e custos.

Dado reforça cautela sobre PIB e juros

O resultado do setor de serviços tende a entrar no radar de economistas, investidores e do Banco Central porque ajuda a calibrar expectativas para o PIB e para a condução da política monetária.

Serviços representam parcela relevante da economia brasileira e costumam ter relação estreita com inflação, mercado de trabalho e consumo. Quando o setor segue aquecido, pode sustentar pressão sobre preços de serviços e dificultar a convergência da inflação. Quando perde fôlego, pode reduzir parte dessa pressão, mas também sinalizar desaceleração da atividade.

A queda de 1,2% em março pode reforçar a leitura de atividade mais fraca no curto prazo, especialmente por ter vindo acompanhada de retração em todas as atividades pesquisadas. O dado também pode influenciar revisões de projeções para o crescimento do primeiro trimestre.

Para o mercado financeiro, a surpresa negativa pode afetar a leitura sobre juros futuros, câmbio e Bolsa. Uma atividade mais fraca pode reduzir pressões inflacionárias, mas também pesar sobre setores ligados ao consumo, logística, turismo, tecnologia e serviços corporativos.

A avaliação dependerá da combinação com outros indicadores, como vendas no varejo, produção industrial, inflação de serviços, emprego e crédito.

Queda disseminada aumenta peso dos próximos indicadores

O recuo do setor de serviços em março aumentou a importância dos próximos dados de atividade. A leitura mais sensível será saber se abril mostrará recomposição parcial ou se a perda de ritmo continuará.

O setor ainda opera em patamar elevado em relação ao período pré-pandemia, mas a distância de 1,7% em relação ao topo da série histórica indica acomodação recente. O fato de todas as atividades terem recuado no mês reforça o sinal de cautela.

Para empresas, o dado sugere um ambiente menos favorável para expansão de demanda no curto prazo. Companhias de transporte, logística, alimentação, turismo, tecnologia, serviços administrativos e atividades profissionais podem enfrentar maior seletividade de clientes e pressão por eficiência.

Para o governo e o Banco Central, a Pesquisa Mensal de Serviços ajuda a compor o quadro de atividade econômica em um momento em que a política monetária segue no centro das decisões empresariais e financeiras.

O resultado de março não encerra a leitura sobre o desempenho do primeiro trimestre, mas reforça que o setor de serviços entrou em 2026 com menor impulso do que o observado no segundo semestre de 2025. A sequência dos próximos meses indicará se o movimento representa apenas acomodação após recordes recentes ou uma desaceleração mais ampla da economia.

Tags: atividade econômicaBanco CentralEconomiaeconomia brasileiraIBGEinflaçãojurospesquisa mensal de serviçosPIBPMsserviçossetor de serviçosTransportes

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A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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