quinta-feira, 17 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Setor de serviços recua 1,2% em março e surpreende negativamente o mercado, diz IBGE

Queda foi disseminada pelas cinco atividades pesquisadas, com maior impacto vindo de transportes; resultado reforça sinais de perda de fôlego da economia no curto prazo

por Álvaro Lima
15/05/2026 às 10h48
em Economia
Setor De Serviços Recua 1,2% Em Março E Surpreende Negativamente O Mercado, Diz Ibge - Gazeta Mercantil

O setor de serviços recuou 1,2% em março de 2026 ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (15). O resultado veio bem abaixo das expectativas do mercado, que projetavam leve queda de 0,1% na comparação mensal, e reforçou a leitura de perda de fôlego em uma das áreas mais relevantes da economia brasileira. Na comparação com março de 2025, o volume de serviços cresceu 3,0%, também abaixo da projeção de alta de 4,5%.

A queda mensal foi disseminada por todas as cinco atividades investigadas pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). O principal impacto negativo veio de transportes, que recuou 1,7% em março, pressionado sobretudo pelo transporte rodoviário de cargas e pelo transporte aéreo de passageiros, segundo o IBGE.

Com o desempenho de março, o setor de serviços ficou 1,7% abaixo do ponto mais alto da série histórica, alcançado em outubro de 2025. Ainda assim, o segmento permanece 18,2% acima do nível de fevereiro de 2020, período anterior à pandemia.

A leitura do IBGE mostra perda de ritmo recente. Segundo Luiz Carlos de Almeida Junior, analista da pesquisa, nos últimos cinco meses houve um mês de estabilidade e quatro meses de variação negativa, movimento que levou o setor a acumular queda de 1,7% desde outubro de 2025.

Resultado fraco contraria projeções do mercado

O recuo de 1,2% em março foi mais intenso do que o esperado por analistas. A mediana das projeções indicava queda de apenas 0,1% na comparação com fevereiro, o que tornaria o resultado praticamente estável.

A surpresa negativa aumenta a atenção sobre o desempenho da atividade econômica no primeiro trimestre. O setor de serviços tem peso elevado no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e costuma funcionar como termômetro do consumo, da renda, do crédito, da logística e da demanda empresarial.

Na comparação anual, o avanço de 3,0% manteve o setor no campo positivo pelo 24º mês consecutivo. O dado, porém, também ficou abaixo da expectativa de crescimento de 4,5%, sinalizando desaceleração em relação ao ritmo projetado pelo mercado.

No acumulado de janeiro a março, o volume de serviços cresceu 2,3% frente ao mesmo período de 2025. Em 12 meses, a alta foi de 2,8%, mantendo o mesmo ritmo observado em fevereiro e marcando a taxa menos intensa desde outubro de 2024.

A combinação de queda mensal forte e avanço anual menor do que o previsto tende a reforçar cautela entre economistas sobre a intensidade da atividade no início de 2026.

Transportes lideram queda entre as atividades pesquisadas

Entre as cinco atividades pesquisadas pelo IBGE, transportes foi o principal vetor negativo em março. O segmento caiu 1,7% na comparação com fevereiro e eliminou o ganho acumulado nos dois primeiros meses do ano, de 0,8%.

A queda foi influenciada principalmente pelo transporte rodoviário de cargas e pelo transporte aéreo de passageiros. O primeiro está diretamente ligado ao fluxo de mercadorias, à produção industrial, ao varejo e ao agronegócio. O segundo reflete o comportamento da renda, do turismo, das viagens corporativas e dos custos do setor aéreo.

A retração em transportes tem leitura relevante para a economia porque o segmento costuma antecipar mudanças no ritmo de atividade. Quando há menos circulação de cargas, pode haver sinal de menor demanda por bens. Quando o transporte aéreo perde força, a leitura pode envolver consumo das famílias, viagens a negócios e custos operacionais das companhias.

A pressão em transportes também afeta a cadeia de serviços auxiliares, armazenagem e logística. Por isso, o recuo do segmento tende a ter impacto mais amplo do que a variação isolada sugere.

Além de transportes, todas as demais atividades tiveram queda em março, o que mostra um movimento generalizado de enfraquecimento na margem.

Todas as cinco atividades registram retração em março

O resultado de março foi disseminado. Além da queda de 1,7% em transportes, o IBGE apontou recuo de 1,1% em serviços profissionais, administrativos e complementares; baixa de 0,9% em informação e comunicação; queda de 2,0% em outros serviços; e retração de 1,5% em serviços prestados às famílias.

A retração em serviços profissionais, administrativos e complementares chama atenção por envolver atividades ligadas ao funcionamento de empresas, como consultorias, serviços técnicos, apoio administrativo, locação e terceirização. Esse grupo costuma refletir decisões corporativas de investimento, contratação e gestão de custos.

O recuo de informação e comunicação também tem peso relevante, já que o segmento vinha sustentado por demanda por tecnologia, telecomunicações, dados, sistemas e serviços digitais. A queda de 0,9% devolveu parte da alta acumulada nos três meses anteriores, segundo o IBGE.

Nos serviços prestados às famílias, a baixa de 1,5% eliminou integralmente a expansão registrada no mês anterior. Esse grupo inclui atividades mais sensíveis à renda disponível, como alojamento, alimentação, lazer e serviços pessoais.

A queda de 2,0% em outros serviços completou o quadro negativo, reforçando que o enfraquecimento não ficou concentrado em uma única atividade.

Serviços ainda crescem no ano, mas ritmo perde força

Apesar da queda em março, o setor de serviços ainda acumula crescimento no ano. De janeiro a março, o volume avançou 2,3% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O desempenho mostra que a atividade permanece acima do nível de um ano antes, mas com ritmo menos forte na margem.

A comparação anual positiva, no entanto, não elimina a preocupação com a sequência recente. O setor acumula quatro quedas e uma estabilidade nos últimos cinco meses, segundo o IBGE. Esse padrão sugere perda de tração depois de atingir o pico da série histórica em outubro de 2025.

O dado também precisa ser lido dentro do contexto de juros elevados, crédito mais seletivo e maior cautela de empresas e consumidores. Serviços dependem diretamente da renda, do emprego, do crédito, da confiança e das decisões de consumo.

Quando o setor perde força, há impacto potencial sobre arrecadação, emprego formal, demanda por crédito, investimentos empresariais e expectativas para o PIB.

A desaceleração não significa, isoladamente, reversão do ciclo de crescimento. Mas o resultado de março aumenta a necessidade de acompanhar os próximos dados para avaliar se a queda foi pontual ou se indica uma tendência mais persistente.

São Paulo teve o maior impacto negativo entre os estados

No recorte regional, 13 das 27 unidades da federação registraram retração no volume de serviços em março ante fevereiro, na série ajustada sazonalmente. O impacto negativo mais relevante veio de São Paulo, com queda de 2,1%.

O desempenho paulista tem peso elevado no resultado nacional, já que o estado concentra parcela importante da atividade econômica do país, especialmente em serviços corporativos, tecnologia, transportes, comércio, finanças e atividades profissionais.

Além de São Paulo, o IBGE destacou quedas em Mato Grosso, de 5,2%; Pernambuco, de 3,9%; e Mato Grosso do Sul, de 6,0%. Embora alguns estados tenham variações percentuais mais fortes, o impacto sobre o indicador nacional depende do peso de cada economia regional.

A retração regional reforça que a queda do setor de serviços não ficou restrita a um único polo econômico. Ainda assim, o comportamento de São Paulo tende a ser observado com mais atenção porque costuma influenciar a leitura agregada da atividade.

O recorte por estados também ajuda a identificar diferenças entre cadeias produtivas. Regiões com peso maior de transporte de cargas, agronegócio, serviços corporativos ou turismo podem reagir de forma distinta a choques de demanda e custos.

Dado reforça cautela sobre PIB e juros

O resultado do setor de serviços tende a entrar no radar de economistas, investidores e do Banco Central porque ajuda a calibrar expectativas para o PIB e para a condução da política monetária.

Serviços representam parcela relevante da economia brasileira e costumam ter relação estreita com inflação, mercado de trabalho e consumo. Quando o setor segue aquecido, pode sustentar pressão sobre preços de serviços e dificultar a convergência da inflação. Quando perde fôlego, pode reduzir parte dessa pressão, mas também sinalizar desaceleração da atividade.

A queda de 1,2% em março pode reforçar a leitura de atividade mais fraca no curto prazo, especialmente por ter vindo acompanhada de retração em todas as atividades pesquisadas. O dado também pode influenciar revisões de projeções para o crescimento do primeiro trimestre.

Para o mercado financeiro, a surpresa negativa pode afetar a leitura sobre juros futuros, câmbio e Bolsa. Uma atividade mais fraca pode reduzir pressões inflacionárias, mas também pesar sobre setores ligados ao consumo, logística, turismo, tecnologia e serviços corporativos.

A avaliação dependerá da combinação com outros indicadores, como vendas no varejo, produção industrial, inflação de serviços, emprego e crédito.

Queda disseminada aumenta peso dos próximos indicadores

O recuo do setor de serviços em março aumentou a importância dos próximos dados de atividade. A leitura mais sensível será saber se abril mostrará recomposição parcial ou se a perda de ritmo continuará.

O setor ainda opera em patamar elevado em relação ao período pré-pandemia, mas a distância de 1,7% em relação ao topo da série histórica indica acomodação recente. O fato de todas as atividades terem recuado no mês reforça o sinal de cautela.

Para empresas, o dado sugere um ambiente menos favorável para expansão de demanda no curto prazo. Companhias de transporte, logística, alimentação, turismo, tecnologia, serviços administrativos e atividades profissionais podem enfrentar maior seletividade de clientes e pressão por eficiência.

Para o governo e o Banco Central, a Pesquisa Mensal de Serviços ajuda a compor o quadro de atividade econômica em um momento em que a política monetária segue no centro das decisões empresariais e financeiras.

O resultado de março não encerra a leitura sobre o desempenho do primeiro trimestre, mas reforça que o setor de serviços entrou em 2026 com menor impulso do que o observado no segundo semestre de 2025. A sequência dos próximos meses indicará se o movimento representa apenas acomodação após recordes recentes ou uma desaceleração mais ampla da economia.

LEIA MAIS

Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu nesta quarta-feira, 16 de setembro, a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, prolongando pelo quinto encontro consecutivo...

Leia MaisDetails
Empresas Ampliam Venda De Dívidas Vencidas Enquanto Crédito Segue Caro-Gazeta Mercantil
Economia

Empresas ampliam venda de dívidas vencidas enquanto crédito segue caro

Empresas brasileiras estão recorrendo com mais frequência à venda de carteiras de crédito inadimplente para transformar recebíveis de difícil recuperação em liquidez imediata. O mercado movimentou R$ 17...

Leia MaisDetails
Banco Mundial Nomeia Nobel Michael Kremer Como Novo Economista-Chefe-Gazeta Mercantil
Economia

Banco Mundial nomeia Nobel Michael Kremer como novo economista-chefe

O Banco Mundial nomeou nesta quarta-feira, 16 de setembro, o economista americano Michael Kremer, vencedor do Prêmio de Economia de 2019, para os cargos de economista-chefe do Grupo...

Leia MaisDetails
Super Quarta: Fed Pode Subir Juros Enquanto Copom Deve Cortar Selic Para 13,75%
Economia

Super Quarta: Fed pode subir juros enquanto Copom deve cortar Selic para 13,75%

Brasil e Estados Unidos chegam à Super Quarta desta quarta-feira, 16 de setembro, em momentos opostos de seus ciclos monetários. O Federal Reserve deve elevar os juros americanos...

Leia MaisDetails
Minha Casa Minha Vida - Gazeta Mercantil
Economia

Minha Casa, Minha Vida recebe R$ 500 milhões extras e subsídios chegam a R$ 13 bilhões

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aumentou em R$ 500 milhões o orçamento destinado aos subsídios habitacionais do Minha Casa, Minha Vida...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

07:24:47
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Flávio Bolsonaro Usou Recentemente Apartamento Que Pertenceu A Cunhado De Vorcaro
Política

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP