O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, pelo terceiro pregão consecutivo, pressionado pelo recuo de Petrobras (PETR4), bancos e ações ligadas ao consumo, em uma sessão de forte volatilidade provocada por dados econômicos no Brasil e nos Estados Unidos, oscilações do petróleo e novas informações sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã. O principal índice da B3 caiu 0,39%, aos 175.063,41 pontos, com perda de 680,96 pontos em relação à abertura e volume financeiro de R$ 20,90 bilhões.
Com o resultado, o Ibovespa acumula queda de 0,65% na semana e baixa de 6,54% em maio, no pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023. Apesar da correção recente, o índice ainda avança 8,65% em 2026.
A sessão foi marcada por movimentos contraditórios. Enquanto Wall Street fechou em alta, impulsionada por expectativa de avanço nas negociações entre EUA e Irã e por dados de inflação norte-americana mais favoráveis, a Bolsa brasileira não conseguiu sustentar ganhos. No mercado doméstico, investidores também avaliaram dados de emprego, contas públicas, preços ao produtor e declarações do Banco Central.
Petrobras pesa no índice após ajuste na gasolina
Entre as ações de maior peso no Ibovespa, Petrobras (PETR4) recuou 0,72% e voltou a figurar entre os papéis mais negociados do dia. A estatal anunciou aumento de R$ 0,48 por litro no preço da gasolina vendida às distribuidoras a partir de sexta-feira, mas o impacto final será reduzido por desconto de R$ 0,44 por litro ligado à subvenção econômica do governo federal.
Com isso, o preço médio da gasolina A da Petrobras passará de R$ 2,57 para R$ 2,61 por litro, alta líquida de R$ 0,04 por litro para as distribuidoras. A leitura de mercado foi de que o reajuste tem caráter operacional, voltado à implementação do mecanismo de subsídio, sem alterar de forma relevante o preço efetivamente recebido pela companhia.
O comportamento do petróleo também contribuiu para a cautela. O Brent com vencimento em julho fechou em queda de 0,62%, a US$ 93,71, enquanto o WTI avançou 0,25%, a US$ 88,90. A volatilidade da commodity refletiu o noticiário sobre o Oriente Médio, incluindo relatos de possível acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para estender o cessar-fogo.
Vale sobe, mas bancos limitam recuperação
Na ponta positiva entre as blue chips, Vale (VALE3) subiu 0,61%, em movimento contrário ao índice. A mineradora caminha para encerrar maio com desempenho positivo, sustentada por uma recuperação parcial das commodities metálicas e por ajustes de posição após forte volatilidade no mercado global.
O avanço de Vale (VALE3), porém, não foi suficiente para compensar a pressão dos bancos. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 2,18%, na mínima do dia, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 0,79%, Santander (SANB11) recuou 0,91% e Bradesco (BBDC4) fechou em baixa de 0,56%.
O desempenho negativo do setor financeiro refletiu a abertura de juros futuros e a percepção de que a política monetária seguirá restritiva por mais tempo. Os contratos de DI encerraram o dia com altas em toda a curva, em meio à combinação de inflação ainda resistente, ruídos geopolíticos e cautela fiscal.
Dólar cai a R$ 5,03 com alívio externo
No câmbio, o dólar comercial fechou em queda de 0,57%, cotado a R$ 5,032 na venda e R$ 5,031 na compra. A moeda norte-americana acompanhou o enfraquecimento global do dólar, com o índice DXY recuando 0,21%, aos 99,00 pontos.
A mínima do dólar no Brasil foi de R$ 5,023, enquanto a máxima chegou a R$ 5,075. A queda ocorreu em um dia de melhora parcial no apetite por risco no exterior, depois de notícias sobre um possível memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã para prorrogar o cessar-fogo por 60 dias.
Apesar do alívio no câmbio, analistas seguem atentos à tese de dólar fraco, que foi um dos principais motores de fluxo para ativos latino-americanos em 2026. A percepção de que esse movimento pode estar perdendo força aumenta a cautela sobre novas entradas de capital estrangeiro na Bolsa brasileira.
Dados dos EUA reforçam leitura de desinflação gradual
Nos Estados Unidos, os investidores acompanharam uma bateria de indicadores relevantes. A segunda prévia do PIB do primeiro trimestre mostrou crescimento anualizado de 1,6%, abaixo da leitura anterior de 2,0%. O dado reforçou a percepção de desaceleração da atividade econômica norte-americana.
Ao mesmo tempo, o índice de preços de consumo pessoal, o PCE, indicador preferido do Federal Reserve para medir inflação, trouxe alívio parcial. O núcleo do PCE subiu 0,2% em abril, abaixo da expectativa de 0,3%, enquanto a taxa anual ficou em 3,3%, em linha com o esperado.
A combinação de atividade mais fraca e inflação marginalmente mais comportada favoreceu os índices em Nova York. O Dow Jones subiu 0,05%, o S&P 500 avançou 0,58% e o Nasdaq ganhou 0,91%, renovando recordes em meio ao otimismo com tecnologia e expectativa de redução das tensões no Oriente Médio.
Ainda assim, dirigentes do Fed mantiveram tom cauteloso. John Williams, presidente do Fed de Nova York, afirmou que a política monetária está no lugar adequado, enquanto Alberto Musalem, do Fed de St. Louis, indicou que uma alta de juros pode ser necessária caso a inflação não volte a ceder nos próximos trimestres.
Mercado doméstico avalia emprego, contas públicas e inflação ao produtor
No Brasil, a agenda também foi carregada. A taxa de desemprego ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril, abaixo da mediana das projeções de mercado, que apontava 5,9%. Apesar do nível historicamente baixo, economistas destacaram sinais de perda de fôlego na margem.
O Caged mostrou criação líquida de 85.888 vagas formais em abril, resultado abaixo da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que projetavam 230 mil postos. A leitura reforçou a avaliação de desaceleração gradual do mercado de trabalho, embora sem deterioração abrupta.
O governo central registrou superávit primário de R$ 25,198 bilhões em abril, acima do esperado pelo mercado. O resultado ficou acima do superávit de R$ 18,195 bilhões registrado no mesmo mês de 2025 e ajudou a limitar parte da pressão fiscal na sessão.
No campo inflacionário, o Índice de Preços ao Produtor subiu 2,63% em abril, com alta em 21 das 24 atividades industriais pesquisadas. O acumulado no ano chegou a 5,12%, o terceiro maior para abril desde o início da série histórica, em 2014.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Entre as maiores altas do Ibovespa, o destaque foi Copasa (CSMG3), que avançou 4,32%, a R$ 52,94. Usiminas (USIM5) subiu 4,11%, a R$ 10,65, enquanto CSN (CSNA3) ganhou 3,82%, a R$ 6,80. RaiaDrogasil (RADL3) avançou 2,43%, a R$ 18,95, e Cury (CURY3) subiu 2,22%, a R$ 32,18.
Na ponta negativa, Azzas 2154 (AZZA3) liderou as perdas, com queda de 3,87%, a R$ 19,85. Magazine Luiza (MGLU3) caiu 3,79%, a R$ 6,35, em mais uma sessão de pressão sobre o varejo. Assaí (ASAI3) recuou 2,92%, CPFL Energia (CPFE3) perdeu 2,60% e Banco do Brasil (BBAS3) caiu 2,18%.
O índice de small caps encerrou praticamente estável, com alta de 0,02%, aos 2.292,33 pontos. O IFIX, principal índice de fundos imobiliários da B3, avançou 0,20%, aos 3.861,52 pontos. O índice de BDRs subiu 0,45%, aos 26.832,98 pontos.
Fim de maio mantém Bolsa sob pressão
A reta final de maio mantém o Ibovespa sob pressão. O índice chega ao último pregão do mês com queda acumulada de 6,54%, refletindo realização de lucros após forte valorização no ano, alta dos juros futuros, incerteza externa e cautela com ativos domésticos.
A próxima sessão terá novos dados relevantes. No Brasil, o mercado acompanhará o PIB do primeiro trimestre de 2026, indicador que deve ajudar a calibrar expectativas para atividade econômica, arrecadação, inflação e trajetória da política monetária. No exterior, investidores monitoram inflação na Alemanha, PIB da França e novos desdobramentos das negociações no Oriente Médio.
A sustentação do Ibovespa acima dos 175 mil pontos ainda preserva parte dos ganhos acumulados no ano, mas a terceira queda consecutiva reforça a dificuldade da Bolsa brasileira em transformar o patamar elevado do índice em nova rodada consistente de valorização. Para os investidores, o fechamento desta quinta-feira mostrou um mercado sensível a juros, petróleo, câmbio e fluxo externo, em um ambiente de baixa tolerância a riscos.









