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Unesp terá R$ 27,4 milhões para ampliar atendimento à fauna silvestre em SP

Convênio com o governo paulista fortalece centros veterinários em Botucatu e Araçatuba e amplia triagem e reabilitação de animais silvestres

por Daniel Wicker
02/06/2026 às 13h33
em Brasil
Unesp Terá R$ 27,4 Milhões Para Ampliar Atendimento À Fauna Silvestre Em Sp - Gazeta Mercantil

A Unesp vai ampliar o atendimento e a reabilitação de animais silvestres no Estado de São Paulo com a reforma e adequação de estruturas nos câmpus de Botucatu e Araçatuba, em uma iniciativa realizada em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do governo paulista. O convênio prevê investimento de R$ 27,4 milhões ao longo de 60 meses para fortalecer centros vinculados aos cursos de medicina veterinária da universidade, que passarão a integrar oficialmente a rede estadual de Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres, os Cetras.

A medida deve ampliar a capacidade de acolhimento de animais vítimas de tráfico, maus-tratos, atropelamentos, acidentes ou entrega voluntária em municípios próximos aos dois câmpus. Além do impacto ambiental, a iniciativa também terá efeito direto na formação de estudantes de medicina veterinária, que continuarão desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão nos centros.

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Em Botucatu, as reformas estão sendo realizadas no Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens, o Cempas. Em Araçatuba, as obras ocorrem no Centro de Recuperação e Triagem de Animais Silvestres, o Ceretas. Por estarem vinculadas à universidade e por funcionarem também como espaços de formação profissional, as duas estruturas passarão a ser denominadas Cetras-escola.

A ampliação ocorre em um momento de maior pressão sobre a fauna silvestre no estado, especialmente em razão de atropelamentos em rodovias, avanço urbano sobre áreas naturais, tráfico de animais e ocorrência de resgates feitos por órgãos ambientais e fiscalizadores.

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Convênio prevê R$ 27,4 milhões para dois Cetras-escola

O acordo entre a Unesp e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística prevê investimento de R$ 27,4 milhões durante os próximos 60 meses, período inicial de vigência do convênio, que poderá ser prorrogado.

Os recursos serão usados para custear a ampliação, reforma e adequação das estruturas nos câmpus de Botucatu e Araçatuba. A proposta é preparar os dois centros para operar de forma integrada à rede estadual de Cetras, atualmente composta por 30 unidades dedicadas ao acolhimento, tratamento, triagem e reabilitação de animais silvestres.

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A entrada dos centros da Unesp nessa rede cria um modelo híbrido: ao mesmo tempo em que prestam serviço público ambiental, as unidades mantêm atividades acadêmicas, pesquisas científicas e formação de profissionais especializados.

A Semil abriga, entre outros órgãos, o Departamento de Estradas de Rodagem, o DER. A presença do órgão na estrutura da secretaria é considerada relevante para melhorar o tempo de resposta em casos de animais atropelados em rodovias paulistas sob gestão direta do estado.

Na avaliação da Gazeta Mercantil, a parceria reforça uma tendência de integração entre políticas ambientais, infraestrutura rodoviária e universidades públicas, especialmente em áreas que exigem resposta técnica rápida e profissionais qualificados.

Botucatu terá reforço no Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens

No câmpus de Botucatu, a ampliação envolve o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens. O Cempas é uma das estruturas mais reconhecidas da Unesp na área de animais de vida livre e reúne atividades de atendimento, reabilitação, ensino e pesquisa.

O centro foi idealizado no início dos anos 2000 pelo professor Carlos Roberto Teixeira e, desde então, consolidou-se como espaço de formação e produção de conhecimento sobre fauna silvestre.

Desde 2024, o Cempas mantém convênio com a Semil para receber e reabilitar espécies de vida livre. Com o novo acordo, a estrutura passa a ganhar papel ainda mais relevante dentro da política estadual de atendimento à fauna.

A unidade também abriga um programa de pós-graduação considerado único no Brasil voltado especificamente ao estudo de animais selvagens. A existência dessa formação especializada aumenta a capacidade da Unesp de produzir conhecimento técnico, formar profissionais e apoiar políticas públicas de conservação.

No fim de 2025, o Cempas foi contemplado em programa da Fapesp para o estabelecimento de Centros de Ciência para o Desenvolvimento especializado em animais selvagens. A combinação entre pesquisa aplicada, atendimento veterinário e integração com o poder público amplia o alcance da unidade.

Araçatuba amplia estrutura para recuperação e triagem de animais

Em Araçatuba, as obras estão concentradas no Centro de Recuperação e Triagem de Animais Silvestres. O Ceretas nasceu de uma demanda crescente por atendimento a animais selvagens resgatados ou apreendidos por órgãos fiscalizadores.

A origem da estrutura está ligada ao trabalho do professor Sérgio Diniz Garcia, que há cerca de 20 anos participou da criação de um serviço de atendimento a animais selvagens e de uma disciplina voltada aos estudantes de graduação em medicina veterinária.

Com o aumento da demanda, a iniciativa ganhou escala e deu origem ao Ceretas. Hoje, o centro realiza triagem, tratamento e identificação de espécies silvestres encaminhadas à universidade.

A transformação da unidade em Cetras-escola fortalece o atendimento regional e amplia a integração entre assistência veterinária, fiscalização ambiental e formação acadêmica.

Araçatuba está localizada em uma região estratégica do interior paulista, com forte presença de áreas rurais, rodovias e circulação de animais silvestres em ambientes fragmentados. Isso aumenta a importância de uma estrutura especializada para receber animais vítimas de acidentes, maus-tratos ou apreensões.

Rede estadual atende animais vítimas de tráfico e acidentes

Os Cetras são unidades responsáveis pelo acolhimento, tratamento, reabilitação e destinação de animais silvestres. A rede estadual paulista recebe animais provenientes de diferentes situações, incluindo tráfico, maus-tratos, atropelamentos, acidentes, entrega voluntária e apreensões feitas por autoridades ambientais.

A incorporação dos centros da Unesp a essa rede amplia a capacidade operacional do estado e adiciona uma dimensão acadêmica ao atendimento. A presença de professores, pesquisadores, residentes e estudantes permite que os casos também contribuam para formação profissional e geração de conhecimento científico.

A triagem é uma etapa essencial do processo. Cada animal recebido precisa ser identificado, avaliado clinicamente e encaminhado para tratamento, reabilitação ou destinação adequada. Em muitos casos, a soltura depende de condições ambientais, estado de saúde e avaliação técnica.

Animais vítimas de tráfico ou mantidos irregularmente em cativeiro podem apresentar estresse, lesões, desnutrição ou dificuldade de readaptação ao ambiente natural. Já os animais atropelados costumam demandar atendimento emergencial e procedimentos veterinários especializados.

O fortalecimento dos Cetras-escola também pode contribuir para a produção de dados sobre as principais causas de entrada de animais silvestres nos centros, ajudando a orientar políticas de prevenção, fiscalização e educação ambiental.

Formação de veterinários ganha dimensão prática

A ampliação dos centros em Botucatu e Araçatuba deve beneficiar diretamente os estudantes de medicina veterinária da Unesp. A universidade já possui tradição no estudo de animais de vida livre, com abordagens diferentes conforme o câmpus.

Ao integrar a rede estadual de Cetras, os centros vinculados aos cursos de veterinária ampliam as oportunidades de aprendizado prático em uma área cada vez mais relevante para a saúde animal, saúde pública, conservação ambiental e gestão de fauna.

A formação em animais silvestres exige conhecimentos específicos. O atendimento envolve espécies diferentes das tradicionalmente tratadas na clínica de pequenos e grandes animais, com necessidades próprias de manejo, contenção, alimentação, diagnóstico e reabilitação.

Além disso, os estudantes têm contato com temas como medicina da conservação, epidemiologia, zoonoses, impacto de rodovias sobre fauna, legislação ambiental, tráfico de animais e destinação de espécies apreendidas.

Essa vivência prática é central para formar profissionais capazes de atuar em hospitais veterinários, centros de reabilitação, órgãos públicos, instituições ambientais, zoológicos, projetos de conservação e pesquisa científica.

Jaboticabal mantém tradição em patologia e conservação

Embora não integre o atual convênio estabelecido com a Semil, o câmpus de Jaboticabal também tem atuação relevante na área de fauna silvestre dentro da Unesp.

A unidade possui desde 1994 o Serviço de Patologia de Animais Selvagens, o Sepas, sob liderança da professora Karin Werther. O serviço atua em uma área essencial para o diagnóstico de doenças, investigação de causas de morte e produção de conhecimento sobre a saúde de espécies silvestres.

Jaboticabal também abriga o Núcleo de Pesquisa e Conservação de Cervídeos, o Nupecce, liderado pelo professor José Maurício Barbanti Duarte. O projeto é referência em pesquisa e conservação de cervídeos, grupo que inclui espécies ameaçadas e de importância ecológica.

A presença dessas estruturas mostra que a Unesp já possui uma base consolidada de ensino, pesquisa e extensão em fauna silvestre. A ampliação dos centros de Botucatu e Araçatuba adiciona capacidade operacional à rede e reforça a atuação multicâmpus da universidade nessa área.

Atropelamentos em rodovias exigem resposta mais rápida

Um dos pontos relevantes do convênio é a possibilidade de melhorar o atendimento a animais atropelados em rodovias estaduais. A integração com a Semil e a presença do DER na estrutura da secretaria podem reduzir o tempo de resposta em ocorrências nas rodovias paulistas sob gestão direta.

Atropelamentos de fauna representam um problema ambiental e de segurança viária. Além de provocar a morte ou ferimentos em animais, esses acidentes podem gerar riscos para motoristas, especialmente quando envolvem espécies de médio e grande porte.

A existência de centros de atendimento mais estruturados em regiões estratégicas pode facilitar o encaminhamento de animais feridos, aumentar as chances de reabilitação e permitir a coleta de informações sobre pontos críticos de ocorrência.

Esses dados podem subsidiar medidas preventivas, como sinalização, passagens de fauna, cercamentos, monitoramento ambiental e ações educativas em trechos com maior incidência de acidentes.

A atuação conjunta entre universidade, órgãos ambientais e setor de infraestrutura tende a ser decisiva para reduzir impactos sobre a biodiversidade e melhorar a resposta pública em situações de emergência.

Centros unem política ambiental, ciência e serviço público

A criação dos Cetras-escola em Botucatu e Araçatuba reforça o papel das universidades públicas na execução de políticas ambientais. A Unesp passa a contribuir não apenas com conhecimento científico e formação de profissionais, mas também com atendimento direto à fauna silvestre.

Esse modelo aproxima pesquisa acadêmica e serviço público. Casos atendidos nos centros podem gerar estudos sobre saúde animal, doenças emergentes, efeitos da urbanização, impactos de rodovias e estratégias de reabilitação.

A atuação também fortalece a extensão universitária, já que os centros mantêm relação direta com órgãos fiscalizadores, comunidades locais, estudantes e profissionais da área ambiental.

Para o governo paulista, a parceria amplia a capacidade da rede estadual sem criar estruturas isoladas da produção científica. Para a Unesp, o convênio garante recursos, reformas e integração institucional em uma área estratégica para seus cursos de medicina veterinária.

A iniciativa também pode servir como referência para outras regiões do país, especialmente em estados que enfrentam pressão crescente sobre fauna silvestre e demandam soluções integradas entre poder público, universidades e órgãos ambientais.

Investimento amplia papel da Unesp na proteção da fauna paulista

O investimento de R$ 27,4 milhões nos centros de Botucatu e Araçatuba amplia a presença da Unesp na proteção da fauna silvestre paulista e fortalece a formação de profissionais especializados em animais de vida livre.

Com as reformas e adequações, o Cempas e o Ceretas passarão a operar oficialmente como Cetras-escola, integrando atendimento veterinário, reabilitação, ensino, pesquisa e extensão universitária.

A medida deve beneficiar municípios próximos aos dois câmpus, ampliar a capacidade de resposta a resgates e apreensões e melhorar o fluxo de atendimento a animais vítimas de tráfico, maus-tratos, acidentes e atropelamentos.

Ao mesmo tempo, a parceria com a Semil reforça a conexão entre política ambiental e conhecimento acadêmico. Em um estado com alta densidade urbana, malha rodoviária extensa e pressão sobre habitats naturais, a estruturação de centros especializados torna-se cada vez mais relevante.

A ampliação dos serviços em Botucatu e Araçatuba coloca a Unesp em posição estratégica na rede estadual de atendimento à fauna. A universidade passa a atuar de forma ainda mais direta na proteção de animais silvestres, na formação veterinária e na produção de conhecimento aplicado à conservação.

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