O lucro diluído por ação alcançou US$ 4,53, avanço de 11% sobre os US$ 4,08 registrados entre abril e junho de 2025. O crescimento foi superior ao do lucro líquido porque o número médio de ações em circulação caiu 3%, refletindo as recompras realizadas pela companhia.
A receita total líquida de despesas financeiras chegou a US$ 19,637 bilhões, expansão de 10% na comparação anual. No segundo trimestre de 2025, a American Express havia registrado US$ 17,856 bilhões.
O resultado não deve ser confundido com a receita líquida de juros, que foi de US$ 4,649 bilhões no trimestre, alta de 11%. A maior parte da receita da empresa continua vindo das taxas cobradas dos estabelecimentos sobre as transações processadas em sua rede.
Gastos nos cartões crescem no maior ritmo em três anos
O volume total gasto nos cartões da American Express atingiu US$ 455,8 bilhões no segundo trimestre.
O indicador, conhecido como billed business, cresceu 9% em termos ajustados pela variação cambial. Segundo a companhia, foi o ritmo mais elevado observado em três anos.
O avanço ocorreu tanto nas compras de bens e serviços quanto nas despesas relacionadas a viagens e entretenimento. Os gastos com bens e serviços aumentaram 9%, enquanto viagens e entretenimento cresceram 10%.
No primeiro semestre, o volume transacionado chegou a US$ 883,8 bilhões, alta cambialmente ajustada de 9% sobre os seis primeiros meses de 2025.
O crescimento reforçou a resiliência dos clientes de renda mais elevada, segmento no qual a American Express concentra sua estratégia. A empresa também atende pequenas e médias companhias, grandes corporações e consumidores internacionais.
Diferentemente de redes que dependem principalmente de cartões emitidos por bancos parceiros, a American Express reúne atividades de emissão, concessão de crédito, processamento e relacionamento com estabelecimentos.
Essa estrutura permite capturar receitas em diferentes partes da transação, mas também expõe a companhia diretamente ao risco de inadimplência dos clientes.
Consumidor americano amplia gastos em 11%
O volume movimentado pelo segmento de consumidores dos Estados Unidos alcançou US$ 196,4 bilhões, crescimento de 11% em relação ao segundo trimestre do ano passado.
As despesas com viagens e entretenimento aumentaram 13%, enquanto as compras de bens e serviços avançaram 11%.
O crescimento foi mais intenso entre os clientes mais jovens. Os gastos realizados pela geração Z subiram 40%, embora esse grupo ainda represente apenas 7% do volume do segmento.
Entre os millennials, responsáveis por 31% do total, os gastos cresceram 14%. A geração X, que concentra 36% do volume, apresentou alta de 10%.
Os consumidores classificados como baby boomers ou pertencentes a gerações anteriores responderam por 27% do volume e ampliaram os gastos em 5%.
Os números mostram que os clientes mais velhos ainda representam parcela relevante da atividade, mas o crescimento incremental está cada vez mais concentrado nas gerações mais jovens.
A American Express considera esse público estratégico porque clientes adquiridos mais cedo podem permanecer por períodos mais longos no ecossistema e migrar gradualmente para produtos de maior valor.
Cartão Platinum lidera crescimento nos Estados Unidos
O portfólio Platinum tornou-se a linha de crescimento mais rápido no negócio de consumo americano da companhia.
O produto foi reformulado em 2025, com aumento da anuidade para US$ 895 e ampliação de benefícios relacionados a viagens, restaurantes, entretenimento, hotéis, mobilidade e compras.
A American Express afirma que o conjunto de benefícios pode superar US$ 3,5 mil por ano, embora o valor efetivamente aproveitado dependa do perfil e da utilização de cada cliente.
A estratégia busca transformar o cartão em uma plataforma de relacionamento baseada em acesso a experiências, e não apenas em recompensas financeiras.
Entre os benefícios estão entrada em salas VIP de aeroportos, créditos em restaurantes e hotéis, serviços de viagem, ofertas de entretenimento e condições especiais em parceiros.
A expansão do Platinum ajuda a elevar as receitas com anuidades, mas também aumenta os custos quando os clientes utilizam os benefícios oferecidos.
Essa dinâmica apareceu claramente no balanço do segundo trimestre.
Receita com anuidades cresce 15%
A receita líquida com anuidades de cartões alcançou US$ 2,862 bilhões, crescimento de 15% em relação aos US$ 2,480 bilhões do mesmo trimestre de 2025.
A taxa média anual por cartão subiu 12%, de US$ 117 para US$ 131.
A companhia encerrou junho com 155,1 milhões de cartões em circulação, alta de 4%. Desse total, 87,6 milhões eram emitidos diretamente pela American Express, crescimento de 3%.
O número de cartões básicos próprios, que exclui unidades adicionais vinculadas à mesma conta, chegou a 67,5 milhões.
A receita obtida por meio das taxas cobradas dos estabelecimentos somou US$ 10,163 bilhões, avanço de 9%.
Essa linha, denominada discount revenue, continua sendo a maior fonte de faturamento da empresa. O valor está ligado ao volume processado e às taxas cobradas dos comerciantes que aceitam os cartões.
As receitas de serviços e outras atividades alcançaram US$ 1,963 bilhão, crescimento de 7%.
Saldos de cartões avançam 8%
Os saldos totais dos cartões chegaram a US$ 218,054 bilhões no fim de junho, alta de 8% em 12 meses.
A carteira de consumidores somou US$ 144,974 bilhões, também com crescimento de 8%. Os saldos de pequenas empresas avançaram para US$ 56,172 bilhões, enquanto os corporativos atingiram US$ 16,908 bilhões.
Outros empréstimos totalizaram US$ 11,428 bilhões, alta de 13%.
Considerando os cartões e os demais financiamentos, a carteira alcançou US$ 229,481 bilhões, crescimento anual de 8%.
O aumento dos saldos gerou maior receita de juros. A receita financeira bruta sobre cartões e outros empréstimos avançou 8%, para US$ 6,119 bilhões.
Depois das despesas de captação, a receita líquida de juros ficou em US$ 4,649 bilhões, alta de 11%.
O rendimento líquido médio da carteira subiu de 7,9% para 8,1%, beneficiado pela composição dos saldos, pelas taxas cobradas e pelo custo de financiamento.
Provisões caem, mas perdas efetivas aumentam
As provisões consolidadas para perdas de crédito recuaram 23%, de US$ 1,405 bilhão para US$ 1,084 bilhão.
A redução refletiu uma liberação de reservas no segundo trimestre de 2026, em contraste com a constituição adicional de provisões registrada no mesmo período do ano passado.
A companhia liberou US$ 191 milhões das reservas, enquanto no segundo trimestre de 2025 havia acrescentado US$ 222 milhões.
As perdas efetivamente baixadas, porém, aumentaram.
As baixas líquidas de principal, juros e taxas relacionadas aos cartões cresceram 8%, de US$ 1,122 bilhão para US$ 1,207 bilhão.
A taxa anualizada de perdas líquidas, incluindo principal, juros e tarifas, permaneceu em 2,2% dos saldos médios.
Quando considerado apenas o principal, critério utilizado para facilitar a comparação com outras instituições financeiras, a taxa ficou estável em 2%.
A inadimplência superior a 30 dias entre consumidores e pequenas empresas recuou de 1,3% para 1,2% dos saldos.
A reserva total para perdas terminou junho em US$ 5,866 bilhões, equivalente a 2,7% da carteira de cartões. Um ano antes, o índice estava em 3%.
Custos crescem acima da receita
As despesas consolidadas da American Express aumentaram 12%, para US$ 14,482 bilhões.
O crescimento foi superior à expansão de 10% da receita e refletiu principalmente os gastos associados às recompensas, aos benefícios dos cartões e à aquisição de novos clientes.
As despesas com recompensas avançaram 9%, para US$ 5,051 bilhões.
Os custos de desenvolvimento de negócios, que incluem pagamentos e incentivos a parceiros, aumentaram 10%, alcançando US$ 1,755 bilhão.
A maior alta ocorreu nos serviços oferecidos aos titulares. Essa linha cresceu 50%, de US$ 1,301 bilhão para US$ 1,949 bilhão.
A companhia atribuiu o avanço à maior utilização dos benefícios e à reformulação dos cartões Platinum nos Estados Unidos.
Os investimentos em marketing aumentaram 6%, para US$ 1,650 bilhão. Despesas com salários e benefícios avançaram 9%, para US$ 2,344 bilhões.
Mesmo com os custos maiores, o lucro antes dos impostos subiu 15%, para US$ 4,071 bilhões.
O avanço não se converteu integralmente em lucro líquido porque a taxa efetiva de impostos aumentou de 18,7% para 23,6%. O trimestre do ano anterior havia sido beneficiado por efeitos tributários específicos.
Negócios internacionais crescem 13%
O segmento internacional apresentou uma das maiores taxas de expansão da companhia.
Os gastos realizados com cartões emitidos fora dos Estados Unidos chegaram a US$ 117,2 bilhões, alta reportada de 13% e crescimento cambialmente ajustado de 12%.
O consumo internacional avançou 12%, assim como os gastos de pequenas, médias e grandes empresas atendidas fora do mercado americano.
As compras de bens e serviços cresceram 14%, enquanto viagens e entretenimento avançaram 9%.
A receita do segmento internacional alcançou US$ 3,619 bilhões, alta de 12%. O lucro antes dos impostos foi de US$ 477 milhões, crescimento de 3%.
A diferença entre a expansão da receita e a do lucro decorreu do aumento dos investimentos em benefícios, recompensas, marketing e infraestrutura para sustentar o crescimento.
O número de cartões próprios internacionais subiu 6%, para 23,9 milhões.
Empresas movimentam US$ 141,8 bilhões
O segmento de serviços comerciais, voltado a pequenas empresas e grandes corporações, registrou gastos de US$ 141,8 bilhões, alta de 5%.
Pequenas e médias empresas dos Estados Unidos responderam por 81% desse volume. Os gastos desse público cresceram 5%.
Grandes companhias americanas e corporações globais também apresentaram expansão de 5%.
A receita do segmento comercial atingiu US$ 4,503 bilhões, avanço de 7%, enquanto o lucro antes dos impostos aumentou 7%, para US$ 970 milhões.
A American Express também começou a testar uma nova plataforma de gestão de despesas com um grupo inicial de empresas de médio porte.
A iniciativa amplia a disputa por clientes corporativos que buscam integrar cartões, controle de despesas, pagamentos e prestação de contas em um único sistema.
TheFork amplia estratégia no mercado de restaurantes
A American Express anunciou durante o trimestre a proposta de compra da TheFork por US$ 700 milhões em dinheiro.
A plataforma pertence ao Tripadvisor (TRIP) e conecta consumidores a mais de 50 mil restaurantes em 11 países europeus.
A transação deverá ser concluída até o fim de 2026, condicionada à consulta aos trabalhadores e às aprovações regulatórias.
A TheFork registrou receita de US$ 232 milhões nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026 e Ebitda ajustado de US$ 28 milhões.
Com a aquisição, a American Express espera ampliar para aproximadamente 75 mil estabelecimentos sua rede global de restaurantes com sistemas de reserva.
A operação complementa as compras da Resy, concluída em 2019, e da Tock, adquirida em 2024.
A estratégia busca usar gastronomia como ferramenta de aquisição, engajamento e retenção dos clientes premium, além de gerar receitas com tecnologia e serviços oferecidos aos restaurantes.
Receita sobe, mas meta de lucro é mantida
A American Express elevou a projeção de crescimento da receita em 2026 para 10%.
A orientação anterior previa expansão entre 9% e 10%.
A empresa, entretanto, manteve a estimativa de lucro por ação entre US$ 17,30 e US$ 17,90.
A administração informou que pretende reinvestir o desempenho acima do esperado do primeiro semestre em iniciativas de crescimento, incluindo benefícios, produtos, marketing, tecnologia, parcerias e aquisição de clientes.
A manutenção da meta de lucro indica que parte da receita adicional deverá ser absorvida por despesas maiores durante a segunda metade do ano.
No primeiro semestre, o lucro líquido somou US$ 6,082 bilhões, alta de 11%. O lucro diluído por ação atingiu US$ 8,81, crescimento de 14%.
A receita acumulada chegou a US$ 38,544 bilhões, avanço de 11%.
Crescimento dependerá do consumo e da qualidade do crédito
O balanço mostra uma American Express beneficiada pela resiliência dos consumidores de renda mais alta e pelo crescimento dos produtos premium.
Gastos, anuidades, saldos de crédito e receita financeira avançaram simultaneamente, enquanto a inadimplência superior a 30 dias apresentou melhora.
A companhia também aumentou os dividendos trimestrais em 16%, para US$ 0,95 por ação, e manteve as recompras como instrumento de retorno aos acionistas.
O principal desafio será preservar a qualidade do crédito enquanto amplia os saldos e atrai clientes mais jovens.
A queda das provisões não deve ser interpretada isoladamente como redução de todas as perdas, já que as baixas efetivas de créditos aumentaram no trimestre.
Ao mesmo tempo, o custo dos benefícios está crescendo rapidamente. A expansão de 50% nas despesas de serviços aos titulares mostra o investimento necessário para sustentar a proposta de valor do Platinum e de outros cartões premium.
Nos próximos resultados, os investidores acompanharão se o crescimento de gastos permanecerá próximo de dois dígitos, se as perdas de crédito continuarão controladas e se o aumento das despesas produzirá receitas recorrentes suficientes para elevar os lucros em 2027.










