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IBM lucra US$ 2,17 bilhões, mas corta projeção após queda de 42% nos mainframes

Receita avançou apenas 1% no segundo trimestre, para US$ 17,16 bilhões; software cresceu com Red Hat e produtos de dados, enquanto infraestrutura sofreu com a retração do IBM Z.

por João Souza
24/07/2026 às 21h32
em Empresas,Destaque,Notícias
Ibm - Gazeta Mercantil

A IBM encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 2,17 bilhões, queda de 1,3% em relação aos US$ 2,19 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. A receita cresceu 1,1%, para US$ 17,16 bilhões, sustentada pela divisão de software, mas pressionada pela retração de 7% em infraestrutura e pela queda de 42% nas vendas ligadas aos mainframes IBM Z.

O desempenho levou a companhia a reduzir sua projeção de crescimento para o ano. A IBM passou a prever expansão de 4% a 5% da receita em moeda constante em 2026, abaixo da estimativa anterior de crescimento superior a 5%.

A empresa reconheceu que enfrentou perda de força nas receitas durante as últimas semanas do trimestre. A expectativa para o fluxo de caixa livre, contudo, foi mantida: a administração continua projetando um aumento de aproximadamente US$ 1 bilhão em comparação com 2025.

O lucro diluído por ação calculado segundo as normas contábeis norte-americanas ficou em US$ 2,27, ante US$ 2,31 no segundo trimestre do ano passado. Na base operacional ajustada, que exclui determinados efeitos relacionados a aquisições e aposentadorias, o lucro alcançou US$ 2,93 por ação, avanço de 5%.

O balanço mostra uma IBM dividida entre o crescimento dos negócios ligados a software, inteligência artificial e nuvem híbrida e a desaceleração de atividades mais tradicionais, especialmente os computadores de grande porte.

IBM em números no segundo trimestre de 2026

  • Receita total: US$ 17,16 bilhões
  • Crescimento anual da receita: 1,1%
  • Lucro líquido: US$ 2,17 bilhões
  • Variação anual do lucro: -1,3%
  • Lucro básico por ação: US$ 2,30
  • Lucro diluído por ação: US$ 2,27
  • Lucro diluído ajustado por ação: US$ 2,93
  • Receita de software: US$ 7,76 bilhões
  • Receita de consultoria: US$ 5,33 bilhões
  • Receita de infraestrutura: US$ 3,84 bilhões
  • Fluxo de caixa livre: US$ 2,5 bilhões
  • Caixa e aplicações financeiras: US$ 8,2 bilhões
  • Dívida total: US$ 62 bilhões

Software cresce 5% e sustenta receita da IBM

O segmento de software permaneceu como o principal motor de crescimento da IBM. A divisão registrou receita de US$ 7,76 bilhões, alta de 5% sobre o segundo trimestre de 2025.

O negócio respondeu por cerca de 45% da receita consolidada e reforçou a transformação da IBM em uma empresa mais dependente de contratos recorrentes, ferramentas empresariais e soluções de maior margem.

A linha de nuvem híbrida, que inclui a Red Hat, cresceu 11%. Essas tecnologias permitem que empresas executem aplicações e armazenem dados em uma combinação de servidores próprios, nuvens privadas e plataformas públicas.

A receita de produtos de dados avançou 19%, o maior crescimento entre as principais categorias de software divulgadas pela empresa. A área reúne soluções utilizadas para organizar, integrar, proteger e analisar informações empresariais.

Essa infraestrutura ganhou importância com a expansão da inteligência artificial. Antes de utilizar modelos em processos críticos, as companhias precisam estruturar bancos de dados, definir regras de acesso e garantir a qualidade das informações usadas pelas aplicações.

A receita de automação cresceu 4%. O portfólio inclui tecnologias destinadas à integração de sistemas, gestão de aplicações, monitoramento de infraestrutura e automatização de processos corporativos.

O processamento de transações, por outro lado, registrou queda de 8%. A área concentra softwares tradicionais utilizados em sistemas críticos, principalmente por instituições financeiras, governos, seguradoras e empresas de grande porte.

Red Hat e inteligência artificial ganham espaço

A IBM colocou inteligência artificial, automação e nuvem híbrida no centro de sua estratégia de crescimento.

O portfólio reúne Red Hat, watsonx, HashiCorp e Confluent, além de soluções desenvolvidas para gerenciamento de aplicações, segurança, dados e integração de sistemas.

A administração avalia que a adoção empresarial da inteligência artificial começa a avançar de projetos experimentais para implantações em maior escala. Essa mudança amplia a procura por sistemas capazes de conectar modelos de IA aos bancos de dados e às aplicações já utilizadas pelas empresas.

A IBM também está expandindo sua cobertura comercial para alcançar milhares de clientes adicionais. A estratégia envolve aumentar equipes técnicas e profissionais que atuam diretamente na implantação de soluções dentro das organizações.

A companhia pretende usar sua presença em grandes empresas e governos para vender diferentes partes do portfólio ao mesmo cliente. Uma organização que utiliza Red Hat, por exemplo, pode também contratar produtos de automação, segurança, dados e consultoria.

O desafio está na concorrência. Microsoft, Amazon, Google, Oracle e outros grupos tecnológicos disputam os mesmos investimentos corporativos em nuvem e inteligência artificial.

A IBM precisa demonstrar que sua combinação de software aberto, serviços e infraestrutura oferece vantagens suficientes para ampliar receitas em um mercado marcado por investimentos elevados e rápidas mudanças tecnológicas.

IBM Z cai 42% e derruba infraestrutura

A principal fraqueza do balanço apareceu na divisão de infraestrutura, cuja receita caiu 7%, para US$ 3,84 bilhões.

O resultado foi puxado pelo IBM Z, linha de mainframes utilizada por bancos, administradoras de cartões, seguradoras, governos e grandes empresas para processar volumes elevados de transações.

A receita do IBM Z recuou 42% na comparação anual. O comportamento reflete o ciclo característico desse mercado: as vendas avançam fortemente após o lançamento de uma nova geração e perdem intensidade à medida que os principais clientes concluem suas atualizações.

No primeiro trimestre de 2026, a receita dos mainframes havia crescido 51%. A reversão registrada entre abril e junho evidencia a volatilidade do segmento depois do forte impulso inicial.

A própria IBM já esperava uma desaceleração. Em julho, antes da divulgação definitiva do balanço, a companhia afirmou que o programa mais recente de mainframes havia apresentado o início mais forte de sua história, mas que a infraestrutura deveria passar a registrar queda anual.

O recuo do IBM Z foi parcialmente compensado pelo crescimento de 37% da infraestrutura distribuída, que inclui servidores Power e sistemas de armazenamento.

A IBM informou que a carteira acumulada de pedidos de Power e Storage se aproximou de US$ 500 milhões. O volume indica demanda futura, embora não represente receita já reconhecida no balanço.

A operação de suporte de infraestrutura teve queda de 1%.

Consultoria fica praticamente estagnada

A divisão de consultoria registrou receita de US$ 5,33 bilhões, praticamente estável em relação ao segundo trimestre de 2025. Em moeda constante, houve crescimento de 1%.

As áreas de estratégia e tecnologia e de operações inteligentes também ficaram estáveis em termos nominais.

O desempenho indica cautela entre os clientes na contratação de grandes projetos de transformação digital. Empresas podem adiar investimentos, dividir contratos em etapas menores ou exigir ganhos de produtividade antes de ampliar despesas.

A IBM pretende usar inteligência artificial dentro da própria consultoria para reduzir tarefas repetitivas relacionadas a desenvolvimento, documentação, testes e acompanhamento de sistemas.

Essa automação pode melhorar a rentabilidade mesmo em períodos de crescimento limitado da receita. O uso de ferramentas internas permite que os consultores concentrem mais tempo em atividades de maior valor, como desenho de processos e integração de plataformas.

Existe, porém, um risco de transição. A inteligência artificial pode reduzir a quantidade de horas necessárias para determinados projetos antes que novos serviços consigam compensar integralmente essa diminuição.

Margem bruta recua para 57,7%

O lucro bruto da IBM caiu para US$ 9,91 bilhões, ante US$ 9,98 bilhões no mesmo trimestre do ano anterior.

A margem bruta recuou de 58,8% para 57,7%, uma redução de 1,1 ponto percentual. Na base operacional ajustada, a margem caiu de 60,1% para 59,4%.

A divisão de software continuou apresentando a maior rentabilidade, com margem bruta de 82,6%. O percentual, no entanto, ficou abaixo dos 83,9% observados um ano antes.

Na consultoria, a margem subiu de 27,5% para 28,9%, refletindo os esforços de produtividade e controle de custos.

A infraestrutura apresentou movimento contrário. A margem caiu de 61,5% para 58,4%, pressionada pela composição das vendas e pela retração dos mainframes.

O lucro antes dos impostos pelo padrão contábil recuou 5%, para US$ 2,48 bilhões. A margem antes dos tributos caiu de 15,3% para 14,4%.

Na base operacional ajustada, o resultado antes dos impostos cresceu 3%, para US$ 3,3 bilhões, e a margem avançou de 18,8% para 19,2%.

A diferença entre as duas medidas decorre principalmente da exclusão de amortizações relacionadas a aquisições e ajustes ligados a planos de aposentadoria.

IBM usa inteligência artificial para reduzir custos

A companhia informou que está ampliando o uso de inteligência artificial e automação dentro de sua própria estrutura.

As iniciativas abrangem desenvolvimento de software, vendas, marketing e cadeia de suprimentos. O objetivo é elevar a produtividade, reduzir o tempo gasto em tarefas operacionais e melhorar as margens.

A administração passou a prever uma expansão maior da margem antes dos impostos em 2026, apoiada por esses ganhos de eficiência.

A IBM tenta equilibrar duas prioridades: cortar custos em atividades internas e continuar investindo em produtos capazes de gerar crescimento no longo prazo.

A companhia também afirmou que pretende investir mais de US$ 10 bilhões em computação quântica nos próximos cinco anos. A meta é entregar o primeiro computador quântico tolerante a falhas em grande escala até 2029.

Os projetos exigirão recursos elevados antes de produzir receitas significativas. A capacidade de gerar caixa em software e serviços será importante para financiar esses investimentos sem ampliar excessivamente o endividamento.

Fluxo de caixa livre cai para US$ 2,5 bilhões

A IBM gerou US$ 2,6 bilhões em caixa das atividades operacionais no trimestre, aumento de US$ 900 milhões em relação ao mesmo período de 2025.

O fluxo de caixa livre, contudo, caiu US$ 300 milhões, para US$ 2,5 bilhões.

No acumulado dos primeiros seis meses do ano, o caixa operacional chegou a US$ 7,8 bilhões, alta de US$ 1,7 bilhão. O fluxo de caixa livre permaneceu estável em US$ 4,8 bilhões.

A empresa distribuiu US$ 1,6 bilhão em dividendos aos acionistas durante o segundo trimestre.

O conselho aprovou o pagamento de US$ 1,69 por ação em 10 de setembro, para investidores registrados em 10 de agosto. A IBM mantém pagamentos trimestrais consecutivos desde 1916.

A companhia encerrou junho com US$ 8,2 bilhões em caixa, recursos restritos e títulos negociáveis. O montante representa uma redução de US$ 6,3 bilhões desde dezembro de 2025.

A queda está relacionada principalmente aos US$ 10,5 bilhões destinados a aquisições durante o primeiro semestre.

Dívida sobe para US$ 62 bilhões

A dívida total da IBM alcançou US$ 62 bilhões no fim de junho, aumento de US$ 700 milhões desde o encerramento de 2025.

Do total, US$ 13 bilhões estavam ligados à IBM Financing, operação que oferece financiamento a clientes e parceiros na aquisição de produtos e serviços tecnológicos.

A empresa possuía US$ 5,78 bilhões em dívida de curto prazo e US$ 56,21 bilhões em obrigações de longo prazo.

A realização de aquisições pode elevar temporariamente o endividamento e reduzir o caixa. A criação de valor dependerá da capacidade de integrar os negócios comprados e gerar receitas superiores ao custo do capital utilizado nas transações.

O balanço também mostra aumento do ágio registrado no ativo, que passou de US$ 67,72 bilhões para US$ 74,60 bilhões. Esse valor representa a parcela paga nas aquisições acima do patrimônio contábil das empresas adquiridas.

Caso os negócios incorporados não entreguem os resultados esperados, a IBM poderá ser obrigada a reconhecer perdas contábeis relacionadas a esse ágio.

Corte de projeção aumenta pressão sobre o segundo semestre

A revisão das expectativas anuais tornou-se o principal ponto de atenção do balanço.

No primeiro trimestre, a IBM previa crescimento da receita superior a 5% em moeda constante. Depois de enfrentar uma desaceleração no fim de junho, a empresa reduziu a estimativa para uma faixa de 4% a 5%.

A nova projeção considera que o efeito cambial deverá ser neutro sobre o crescimento anual, com base nas taxas vigentes no momento da divulgação.

A companhia manteve a expectativa de elevar o fluxo de caixa livre em aproximadamente US$ 1 bilhão frente a 2025. Para atingir esse objetivo, precisará combinar disciplina de custos, crescimento do software e recuperação de áreas que perderam força no segundo trimestre.

A Red Hat, os produtos de dados e a infraestrutura distribuída apresentam os melhores ritmos de expansão. IBM Z, processamento de transações e parte da consultoria limitam o avanço consolidado.

O resultado reforça a transformação da companhia. A IBM depende cada vez mais de software e contratos recorrentes, mas ainda carrega negócios tradicionais sujeitos a ciclos de investimento e grandes oscilações trimestrais.

O segundo semestre mostrará se os ganhos em inteligência artificial, nuvem híbrida e automação serão suficientes para compensar a retração dos mainframes e devolver velocidade ao crescimento das receitas.

Tags: balanço da IBMcomputação em nuvemEmpresasIBMIBM ZInteligência ArtificialmainframesRed Hatresultados IBMsoftwareWall Street

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