O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa presidencial de 2026 e venceria todos os adversários testados em simulações de segundo turno, segundo pesquisa nacional da AtlasIntel divulgada em 29 de julho. No confronto mais competitivo, Lula registra 49,2% das intenções de voto, ante 42,9% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do PL à Presidência. A diferença é de 6,3 pontos percentuais, superior à margem de erro de um ponto informada pelo instituto.
Brancos, nulos e entrevistados que não souberam responder somam 7,9% na disputa direta entre os dois. Em relação à rodada publicada em 1º de julho, Lula passou de 48,8% para 49,2%, enquanto Flávio variou de 42,3% para 42,9%. As mudanças individuais, de 0,4 e 0,6 ponto, estão dentro da margem de erro e indicam estabilidade numérica no confronto.
No primeiro turno mais amplo, Lula aparece com 44,9%, e Flávio, com 35,8%. A distância entre os dois alcança 9,1 pontos. Renan Santos, do Missão, ocupa o terceiro lugar, com 7,8%, à frente de Ronaldo Caiado (PSD), com 3,1%, e Romeu Zema (Novo), com 2,8%.
O levantamento ouviu 5.021 pessoas entre 22 e 27 de julho por recrutamento digital aleatório. A margem de erro declarada é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-08602/2026.
Lula e Flávio concentram 80,7% no primeiro turno
A soma das intenções de voto de Lula e Flávio no cenário mais extenso chega a 80,7%. O resultado deixa as demais candidaturas em uma faixa distante dos dois primeiros colocados e mostra uma disputa nacional concentrada nos campos políticos liderados pelo PT e pela família Bolsonaro.
Depois de Renan, Caiado e Zema, Samara Martins, da Unidade Popular, aparece com 2,1%, seguida pelo escritor Augusto Cury, do Avante, com 1,6%. Cabo Daciolo, do Mobiliza, e Hertz Dias, do PSTU, registram 0,1% cada. Rui Costa Pimenta, do PCO, e Edmilson Costa, do PCB, aparecem com 0% no arredondamento divulgado pelo instituto.
Votos brancos e nulos representam 0,6%, e 1% dos entrevistados não soube responder. A baixa proporção de indecisos decorre, em parte, do formato estimulado da pergunta, no qual os participantes recebem uma lista de nomes para escolher. O resultado retrata as alternativas apresentadas pelo instituto e não equivale a uma previsão do resultado das urnas.
Renan mantém uma posição isolada entre os candidatos que tentam romper a polarização. Seus 7,8% representam mais que o dobro do resultado de Caiado e quase três vezes o percentual de Zema. A distância para Flávio, entretanto, é de 28 pontos, o que preserva o candidato do PL como principal nome da oposição no levantamento.
Cenário reduzido leva Lula a 47,4%
Quando a lista é reduzida a cinco candidatos, Lula avança para 47,4% das intenções de voto. Flávio sobe para 37%, mantendo uma diferença de 10,4 pontos. Renan permanece com os mesmos 7,8%, Caiado chega a 3,3%, e Zema marca 2,9%. Brancos e nulos somam 1,2%, enquanto 0,4% não soube responder.
A comparação entre as duas simulações mostra que Lula absorve 2,5 pontos com a retirada dos nomes menores, enquanto Flávio ganha 1,2 ponto. Os dados não permitem identificar individualmente a origem de cada migração, porque as perguntas apresentam conjuntos diferentes de candidaturas e não acompanham a decisão de cada entrevistado entre os cenários.
Consideradas apenas as intenções atribuídas a candidatos na simulação reduzida, com a exclusão de brancos, nulos e indecisos, Lula se aproxima da maioria necessária para uma vitória no primeiro turno. Esse cálculo, porém, não elimina os demais concorrentes nem permite antecipar o desfecho da eleição, já que a pesquisa mede intenção de voto em um momento específico da campanha.
Em uma configuração sem Lula, o ex-ministro Fernando Haddad mantém o PT na primeira posição, mas com vantagem menor. Haddad registra 40,3%, contra 36,9% de Flávio. Renan sobe para 8,5%, Caiado alcança 4,2%, e Zema fica com 3%. Brancos e nulos chegam a 4,6%, e 2,5% não escolhe um candidato.
Flávio é o adversário que mais se aproxima de Lula
Nas simulações de segundo turno, Flávio apresenta o melhor desempenho entre os adversários testados contra Lula. Os 42,9% obtidos pelo senador o colocam mais perto do presidente do que Zema, Caiado e Renan, além dos cenários hipotéticos com Michelle Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Contra Zema, Lula marca 48,6%, e o candidato do Novo, 39,6%, uma diferença de nove pontos. Brancos, nulos e indecisos somam 11,8%. No confronto com Caiado, o presidente tem 48,2%, diante de 38,9% do candidato do PSD. Nesse caso, a vantagem é de 9,3 pontos, e o grupo sem candidato alcança 12,9%.
A maior distância aparece na disputa com Renan Santos. Lula registra 47,6%, enquanto o candidato do Missão tem 30,2%. A diferença chega a 17,4 pontos, e 22,2% dos entrevistados votariam em branco, anulariam ou não souberam responder. O percentual elevado sem uma escolha indica maior dificuldade de Renan para converter sua votação de primeiro turno em uma alternativa consolidada na disputa direta.
O instituto também apresentou duas hipóteses envolvendo integrantes da família Bolsonaro. Lula teria 48,8% contra 42,5% de Michelle Bolsonaro. Em uma repetição hipotética do confronto presidencial de 2022, o petista alcançaria 49,2%, e Jair Bolsonaro, 43,9%. O ex-presidente permanece inelegível, de modo que essa simulação mede preferência política e não uma candidatura atualmente habilitada.
Rejeição limita os dois líderes da corrida presidencial
Flávio Bolsonaro possui a maior rejeição entre os nomes avaliados. Na pergunta que permitia aos entrevistados indicar mais de uma liderança em quem não votariam, 52,9% escolheram o senador. Lula aparece logo depois, com 49,4%, uma diferença de 3,5 pontos.
Jair Bolsonaro registra rejeição de 42,6%, e Michelle, de 39,2%. Renan Santos aparece com 38%, seguido por Zema, com 37,7%, e Caiado, com 33,3%. Como cada participante podia selecionar diversos nomes, os percentuais não devem ser somados e não podem ser comparados diretamente com a intenção de voto.
Os números revelam que os dois candidatos mais competitivos também enfrentam as maiores barreiras para ampliar suas bases. Flávio concentra uma parcela expressiva do eleitorado oposicionista, mas é rejeitado por mais da metade dos entrevistados. Lula lidera os cenários, embora também seja descartado por quase metade da amostra.
Essa combinação ajuda a explicar por que pequenas variações mensais não alteram de imediato a estrutura da disputa. Tanto o presidente quanto o senador possuem eleitorados consolidados, mas precisam conquistar uma faixa de votantes que demonstra resistência elevada a um ou aos dois campos políticos.
Avaliação negativa do governo chega a 49,3%
A liderança eleitoral de Lula convive com indicadores desfavoráveis para a administração federal. Segundo a AtlasIntel, 49,3% classificam o governo como ruim ou péssimo, ante 48,3% na rodada anterior. A avaliação ótima ou boa caiu de 39,7% para 37,9%, enquanto a parcela que considera a gestão regular passou de 12% para 12,7%.
A aprovação pessoal do desempenho do presidente, no entanto, teve movimento diferente. O percentual dos que aprovam Lula subiu de 45,9% para 47,6%, enquanto a desaprovação recuou de 52,3% para 51,2%. Outros 1,2% não souberam avaliar.
As perguntas medem dimensões distintas. A avaliação do governo oferece três classificações — positiva, regular ou negativa —, enquanto a aprovação do presidente exige uma escolha entre aprovar e desaprovar, além da opção de não responder. Por essa razão, os dois conjuntos de percentuais não são equivalentes e podem caminhar em direções diferentes.
Para Lula, o levantamento combina uma vantagem eleitoral consistente com sinais de desgaste administrativo. Para Flávio, mostra uma base de oposição numerosa, suficiente para isolá-lo na segunda posição, mas acompanhada da maior rejeição entre os nomes pesquisados. As duas forças chegam à fase oficial da campanha com apoio concentrado e espaço limitado para crescimento sem enfrentar resistência.
Pesquisa usa recrutamento digital e pós-estratificação
A AtlasIntel recruta participantes durante a navegação rotineira na internet, em dispositivos geolocalizados. Depois da coleta, o instituto aplica um processo de pós-estratificação baseado em sexo, idade, escolaridade, renda, região e comportamento eleitoral anterior, com o objetivo declarado de aproximar a amostra do perfil da população adulta brasileira.
O registro na Justiça Eleitoral não representa aprovação do resultado nem certificação da metodologia pelo TSE. O procedimento torna públicas informações como contratante, recursos empregados, período de coleta, questionário, plano amostral e responsável técnico, permitindo a fiscalização e a apresentação de eventuais impugnações.
A pesquisa oferece uma fotografia do eleitorado entre 22 e 27 de julho. O início da propaganda eleitoral, a exposição dos candidatos, as alianças regionais e os acontecimentos da campanha ainda podem modificar os percentuais. Na rodada atual, contudo, Lula permanece à frente no primeiro turno e supera Flávio Bolsonaro por 6,3 pontos no confronto direto que concentra a disputa presidencial.










