O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lidera a disputa estadual com 41% das intenções de voto, 15 pontos percentuais à frente de Fernando Haddad (PT), que aparece com 26%, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (29). No cenário presidencial entre os eleitores paulistas, Flávio Bolsonaro (PL) registra 34% e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 30%, resultado que configura empate técnico no limite da margem de erro.
O levantamento apresenta duas dinâmicas eleitorais diferentes no maior colégio eleitoral do país. Na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio concentra uma parcela suficiente do eleitorado para se aproximar de uma vitória no primeiro turno. Na disputa nacional, a diferença entre os dois primeiros colocados não permite apontar um líder isolado.
A Quaest ouviu presencialmente 1.650 eleitores entre os dias 23 e 27 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob os protocolos BR-09998/2026, relativo à eleição presidencial, e SP-04846/2026, referente às disputas em São Paulo.
Os dados refletem as respostas obtidas no período das entrevistas e não constituem previsão do resultado das urnas. Mudanças na composição das candidaturas, no ambiente econômico e nas alianças partidárias poderão alterar o quadro até a votação.
Tarcísio concentra 41% e deixa adversários distantes
Além dos 41% registrados por Tarcísio e dos 26% de Haddad, Vera Lúcia (PSTU) aparece com 3% das intenções de voto para o governo paulista.
Carlos Machado (PCB) e Vivian Mendes têm 1% cada. Os entrevistados que afirmaram que votarão em branco, anularão ou não comparecerão somam 15%, enquanto 13% permanecem indecisos.
A distância entre os dois principais nomes mostra que, até este momento, a eleição estadual está concentrada em Tarcísio e Haddad. Os demais candidatos testados não formam um terceiro polo capaz de ameaçar a presença dos dois em um eventual segundo turno.
A vantagem do governador torna-se ainda mais relevante quando são considerados apenas os entrevistados que escolheram algum candidato.
Os nomes apresentados acumulam 72% das respostas. Dentro desse universo, Tarcísio representa aproximadamente 57% das intenções atribuídas a candidatos, enquanto Haddad reúne cerca de 36%.
Essa conversão é apenas uma aproximação do cenário em votos válidos. Pela legislação eleitoral, votos em branco e nulos não entram no cálculo que define se haverá segundo turno, mas os eleitores atualmente indecisos poderão optar por algum candidato até a eleição.
Para vencer no primeiro turno, um concorrente precisa receber mais da metade dos votos válidos. O resultado da pesquisa coloca Tarcísio acima dessa faixa na fotografia atual, mas não autoriza afirmar que a eleição já esteja decidida.
Segundo turno mantém vantagem de dois dígitos
Em uma simulação de segundo turno entre Tarcísio e Haddad, o governador aparece com 48%, ante 32% do petista.
Os entrevistados que indicam voto branco, nulo ou ausência somam 11%. Outros 9% não sabem em quem votar.
A diferença de 16 pontos é semelhante à observada no primeiro turno e indica que o governador preserva vantagem mesmo quando a disputa é reduzida a dois nomes.
O cenário repetiria o confronto de 2022, quando Tarcísio derrotou Haddad e se tornou governador de São Paulo. Quatro anos depois, o atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes entra na disputa com os benefícios e os riscos associados à tentativa de reeleição.
A exposição proporcionada pelo cargo amplia o conhecimento do eleitor sobre o candidato, mas transforma a avaliação da administração em um componente direto da escolha eleitoral.
Segundo a pesquisa, 55% dos entrevistados aprovam o governo Tarcísio. A desaprovação é de 29%.
O mesmo percentual de 55% afirma que o governador merece ser reeleito, enquanto 38% consideram que ele não deveria receber um segundo mandato.
A proximidade entre aprovação e apoio à reeleição sugere que a avaliação administrativa está sendo convertida em intenção de voto. Parte dos eleitores que aprovam uma gestão pode escolher outro candidato, mas os números indicam uma base inicial favorável ao governador.
Quase metade dos paulistas ainda pode mudar de candidato
Embora Tarcísio lidere com vantagem, a pesquisa mostra que a disputa permanece sujeita a mudanças.
Para 53% dos entrevistados, a decisão de voto já é definitiva. Outros 45% afirmam que ainda podem mudar de candidato, e 2% não souberam ou não responderam.
O percentual de eleitores que admite rever sua escolha é elevado o suficiente para impedir uma leitura de que o resultado esteja consolidado.
Campanhas eleitorais alteram o nível de conhecimento sobre candidatos, ampliam a exposição de propostas e aumentam o peso de debates, entrevistas e propaganda partidária.
Haddad aparece isolado na segunda posição, mas precisa reduzir a vantagem de Tarcísio e ampliar sua presença fora dos segmentos tradicionalmente ligados ao PT.
Uma das estratégias esperadas será a associação entre sua candidatura e a campanha de Lula. O desafio está em transferir ao plano estadual a parcela do eleitorado que apoia o presidente, mas que não necessariamente escolhe o candidato petista ao governo.
Tarcísio também deverá administrar a relação entre a eleição estadual e a disputa presidencial. Uma campanha nacionalizada pode fortalecer sua ligação com a direita, ao mesmo tempo que estimula a concentração da oposição em Haddad.
Flávio Bolsonaro tem 34% e Lula registra 30% em São Paulo
Na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente entre os eleitores paulistas, com 34% das intenções de voto. Lula registra 30%.
A margem de erro de dois pontos coloca Flávio em um intervalo estimado de 32% a 36% e Lula entre 28% e 32%. Como os intervalos se encontram no limite, o resultado é classificado como empate técnico.
A expressão significa que a diferença observada na amostra pode não se repetir com a mesma intensidade no conjunto do eleitorado. Não significa, contudo, que os dois tenham necessariamente o mesmo percentual.
Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) aparecem com 3% cada.
Augusto Cury (Avante) registra 2%. Cabo Daciolo (Mobiliza) e Samara Martins (UP) têm 1% cada. Outros nomes testados não pontuaram.
Os eleitores que indicaram voto branco, nulo ou ausência somam 13%. Os indecisos representam 10%.
Flávio e Lula concentram, juntos, 64% das intenções de voto, demonstrando que a disputa presidencial em São Paulo permanece organizada em torno da polarização entre o PT e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A dificuldade dos demais nomes está em romper essa estrutura. Candidatos com menor nível de conhecimento tendem a perder espaço quando o eleitor passa a considerar o voto útil entre aqueles percebidos como capazes de chegar ao segundo turno.
Resultado confirma força da direita no maior colégio eleitoral
O desempenho de Flávio Bolsonaro acompanha o histórico recente de São Paulo, estado no qual Jair Bolsonaro derrotou Lula na eleição presidencial de 2022.
A pesquisa não permite projetar automaticamente o mesmo resultado para outubro. Ela mostra, porém, que o eleitorado identificado com a direita e o bolsonarismo continua numeroso no estado.
Para Flávio, São Paulo é decisivo porque reúne o maior contingente de eleitores do país e concentra recursos econômicos, políticos e partidários importantes para uma campanha nacional.
Para Lula, reduzir a desvantagem ou manter o resultado dentro de uma margem estreita pode ser suficiente, desde que o presidente preserve desempenhos superiores em estados onde o PT possui maior força eleitoral.
Uma eleição presidencial não é definida isoladamente pelo resultado paulista. O desempenho no estado precisa ser combinado com Minas Gerais, Rio de Janeiro, a Região Sul, o Centro-Oeste, o Norte e, sobretudo, o Nordeste.
Levantamentos estaduais anteriores da Quaest já mostravam que a distribuição regional do voto é um dos elementos centrais da eleição de 2026. Lula mantém maior competitividade em estados nordestinos, enquanto Flávio apresenta desempenho mais forte em parte do Sul e do Sudeste.
Flávio abre cinco pontos em eventual segundo turno
Em um confronto direto entre Flávio Bolsonaro e Lula entre os eleitores de São Paulo, o senador registra 40%, contra 35% do presidente.
A diferença nominal é de cinco pontos percentuais. O cenário confirma vantagem numérica de Flávio, mas não deve ser lido de forma isolada, porque votos brancos, nulos e indecisos continuam compondo o levantamento.
A disputa de segundo turno mostra que parte dos eleitores dos demais candidatos não migra automaticamente para um dos dois líderes.
A capacidade de conquistar esses votos poderá depender das alianças firmadas após o primeiro turno, do posicionamento dos candidatos eliminados e da rejeição atribuída a cada concorrente.
No cenário nacional divulgado pela Quaest em julho, Lula mantinha vantagem sobre Flávio Bolsonaro, diferentemente do quadro encontrado em São Paulo. A comparação reforça a importância das diferenças regionais na formação do resultado brasileiro.
O contraste também explica por que a campanha paulista será disputada intensamente pelas duas chapas. Uma margem elevada em São Paulo pode compensar derrotas em outras regiões; uma diferença menor reduz esse efeito.
Lula enfrenta disputas apertadas com Caiado e Zema
A pesquisa também testa cenários de segundo turno entre Lula e outros candidatos do campo de oposição.
Contra Ronaldo Caiado, Lula aparece com 35%, enquanto o ex-governador de Goiás registra 33%. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro.
No confronto com Romeu Zema, o presidente tem 35%, ante 34% do ex-governador de Minas Gerais. O cenário também configura empate técnico.
Lula registra vantagem mais clara diante de Renan Santos: 36% a 30%.
Os resultados mostram que o eleitorado paulista apresenta resistência ao presidente mesmo quando o adversário não é Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, nenhum dos nomes alternativos abre vantagem significativa sobre Lula no estado.
Caiado e Zema dependem de maior conhecimento nacional e de espaço político dentro da oposição. A permanência de diferentes candidaturas pode fragmentar o eleitorado de direita no primeiro turno.
A pesquisa nacional de julho mostrou que parte relevante dos brasileiros ainda desconhece alguns desses nomes, fator que poderá mudar com o início da campanha e a propaganda eleitoral.
Marina Silva e Simone Tebet lideram disputa ao Senado
A corrida pelas duas vagas de São Paulo no Senado começa mais fragmentada do que as eleições para governador e presidente.
Marina Silva (Rede) aparece com 14% nos dois cenários testados. Simone Tebet (PSB) registra 11% em uma simulação e 12% em outra.
Pablo Marçal (União) tem 9% nos dois cenários, mas sua eventual participação depende de sua situação jurídica no momento do registro da candidatura.
Guilherme Derrite (PP) aparece com índices entre 7% e 8%, enquanto André do Prado (PL) registra 5%.
Como duas vagas estarão em disputa, cada eleitor poderá escolher dois candidatos. A dinâmica é diferente da eleição para presidente ou governador, nas quais o eleitor seleciona apenas um nome.
Os percentuais baixos dos líderes mostram que a corrida ainda está em fase aberta. Candidaturas ao Senado costumam ganhar maior definição após a formação das chapas e a vinculação dos nomes aos candidatos a governador e presidente.
A composição das alianças será decisiva. Partidos procuram equilibrar representação regional, capacidade de arrecadação, tempo de propaganda e compatibilidade entre os nomes da chapa majoritária.
Eleição paulista combina continuidade estadual e polarização nacional
A pesquisa Genial/Quaest apresenta Tarcísio em posição confortável para disputar a reeleição, mas mostra um cenário mais apertado na corrida presidencial.
O governador começa a campanha com vantagem sobre Haddad, aprovação majoritária e possibilidade de alcançar a faixa necessária para vencer no primeiro turno.
O petista conserva a segunda colocação e aparece sem concorrente próximo, mas precisa conquistar indecisos, reduzir sua rejeição e ampliar a transferência de votos do presidente para sua candidatura estadual.
Na eleição para o Planalto, Flávio Bolsonaro e Lula dividem o eleitorado paulista. A vantagem numérica do senador não é suficiente para eliminar a hipótese de empate estatístico, mas confirma a competitividade da direita no estado.
Os dois cenários se influenciam. Tarcísio é uma das principais lideranças do campo conservador e poderá funcionar como cabo eleitoral de Flávio. Haddad tende a vincular sua campanha à de Lula para nacionalizar a disputa estadual e mobilizar a base petista.
A pesquisa registra o ponto de partida dessa etapa: Tarcísio lidera com folga no estado, enquanto Flávio e Lula entram na disputa pelo voto paulista separados por uma diferença que permanece dentro da margem de erro.









