Goldman Sachs eleva risco de recessão nos Estados Unidos para 2025 e pressiona cortes nos juros
Cenário econômico global se deteriora com guerra comercial, e grandes bancos projetam desaceleração mais acentuada nos EUA
O alerta acendeu de vez: o banco Goldman Sachs elevou sua projeção para uma recessão nos Estados Unidos de 35% para 45% em 2025. Esta é a segunda revisão em menos de uma semana, revelando um cenário cada vez mais volátil na economia norte-americana. A nova avaliação reflete os impactos crescentes da guerra comercial global, marcada por medidas tarifárias agressivas adotadas pelo governo dos EUA e a reação de potências como a China.
A decisão do banco é parte de uma tendência mais ampla: ao menos sete dos maiores bancos de investimento do mundo revisaram suas estimativas para o risco de uma recessão nos EUA, enquanto o J.P. Morgan já projeta uma probabilidade de 60% para uma contração econômica não apenas nos Estados Unidos, mas também em escala global.
A escalada da guerra comercial como catalisador da recessão
O estopim para essa onda de pessimismo foi o anúncio, pelo presidente Donald Trump, de tarifas mais elevadas do que o previsto sobre produtos importados, especialmente da China. A medida gerou uma liquidação generalizada nos mercados globais e aumentou a pressão inflacionária interna, ao mesmo tempo que provocou retaliações imediatas por parte de outros países.
Esse ambiente hostil ao livre comércio ameaça desorganizar cadeias produtivas globais, impactar investimentos e comprometer o crescimento das principais economias do mundo. Os efeitos disso já são visíveis nas projeções de crescimento.
Projeções revisadas para o PIB dos EUA
O Goldman Sachs cortou sua projeção de crescimento econômico dos EUA para 2025 de 1,5% para 1,3%. Embora acima da previsão do Wells Fargo Investment Institute (WFII), que agora espera um crescimento de apenas 1%, o dado indica um claro enfraquecimento da atividade econômica.
O J.P. Morgan, por sua vez, prevê uma contração de 0,3% no PIB americano, em termos trimestrais, refletindo um impacto ainda mais severo. A diferença entre as projeções evidencia a incerteza que domina o mercado financeiro e a dificuldade de se estimar com precisão os desdobramentos da atual conjuntura.
O papel do Federal Reserve no combate à recessão
Com os sinais de desaquecimento econômico ganhando força, a política monetária passa a ser o centro das atenções. O Goldman Sachs, que anteriormente esperava o início dos cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) em julho, agora antecipa o movimento para junho. A instituição estima três cortes consecutivos de 25 pontos-base ao longo das próximas reuniões.
Já o J.P. Morgan é mais agressivo em suas previsões: espera cortes em todas as cinco reuniões restantes do Fed em 2025, além de um novo corte em janeiro de 2026. O objetivo seria levar a taxa de juros para 3%, bem abaixo do patamar atual, que varia entre 4,25% e 4,50%.
Mercado antecipa flexibilização monetária mais intensa
A expectativa de cortes nos juros já foi incorporada pelo mercado. De acordo com dados da LSEG, os operadores esperam, em média, uma redução de 116 pontos-base nas taxas este ano. Isso implica cortes em pelo menos quatro das cinco reuniões restantes do Fed, o que seria um dos ciclos de flexibilização monetária mais intensos da história recente.
O WFII, que anteriormente previa apenas um corte, agora projeta três reduções na taxa básica de juros em 2025. Essa reavaliação acompanha o movimento dos demais grandes players do mercado financeiro, todos preocupados com o risco crescente de recessão nos Estados Unidos.
Inflação elevada e resposta da China preocupam mercados
Outro fator determinante para o aumento da probabilidade de uma recessão nos EUA é o impacto inflacionário das tarifas. Com o encarecimento de produtos importados, a inflação tende a se intensificar, corroendo o poder de compra das famílias e elevando os custos das empresas.
A resposta da China, que já anunciou medidas de retaliação, amplia a instabilidade e coloca pressão adicional sobre a economia americana. A disputa tarifária transforma-se rapidamente em um conflito comercial de grandes proporções, com efeitos sistêmicos para o comércio global.
Recessão nos Estados Unidos: o que esperar para os próximos meses
O aumento na probabilidade de uma recessão nos Estados Unidos para 2025 coloca em xeque o otimismo com a recuperação econômica pós-pandemia. Mesmo com um mercado de trabalho ainda relativamente forte, os sinais de desaceleração tornam-se mais evidentes a cada novo indicador divulgado.
Empresas já começam a revisar seus planos de investimento, e consumidores demonstram maior cautela em seus gastos. O cenário é de alerta máximo, e o papel do Federal Reserve será crucial para evitar uma queda ainda mais acentuada da atividade.
Impactos globais da possível recessão nos EUA
Como a maior economia do mundo, os Estados Unidos funcionam como uma âncora para o sistema financeiro global. Uma recessão nos EUA, portanto, teria consequências diretas sobre países emergentes, cadeias de suprimento e fluxos de capital.
Com os mercados já reagindo negativamente às notícias vindas de Washington, os investidores devem adotar uma postura mais defensiva nos próximos meses. Moedas de países emergentes, commodities e ativos de risco tendem a ser os mais afetados.
Setores mais vulneráveis em caso de recessão
Alguns setores da economia americana e global já são apontados como mais expostos aos riscos de uma recessão:
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Tecnologia: Alta dependência do comércio global e cortes em investimentos.
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Indústria automobilística: Forte impacto de tarifas e queda na demanda.
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Setor financeiro: Exposição à inadimplência e à volatilidade do mercado.
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Varejo: Redução no consumo das famílias em meio à inflação.
O que pode reverter o cenário?
Embora o risco de recessão esteja em alta, ainda há possibilidades de reversão do quadro. Uma eventual trégua na guerra comercial, acordos diplomáticos entre EUA e China, ou uma atuação preventiva mais firme do Fed podem conter os danos à economia.
Além disso, medidas fiscais anticíclicas por parte do governo americano poderiam amortecer os efeitos da retração, especialmente se forem direcionadas a setores estratégicos e ao consumo das famílias.
Recessão nos Estados Unidos é um risco real e monitorado de perto
O alerta do Goldman Sachs e de outros grandes bancos sinaliza que o risco de uma recessão nos Estados Unidos em 2025 é real e está sendo considerado seriamente pelos mercados globais. A combinação entre guerra comercial, inflação, revisão do crescimento e incerteza monetária forma um ambiente propício à contração econômica.
Empresas, investidores e governos precisam se preparar para um cenário de volatilidade prolongada, com foco em proteção de ativos, revisão de estratégias e acompanhamento constante da política econômica americana.






