Ensino a Distância é Regulamentado no Brasil: Cursos de Saúde, Educação e Direito Não Podem Ser 100% Online
Governo Lula estabelece novas regras para o EAD com foco na qualidade e exigência de presença em áreas críticas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, nesta segunda-feira (19), um novo decreto que regulamenta o ensino a distância (EAD) no Brasil. Com a nova medida, cursos nas áreas de Saúde, Educação e Direito passam a ter regras mais rígidas, ficando proibida a oferta de formação 100% on-line para esses segmentos. A regulamentação chega em um momento crucial para o setor, que enfrenta uma explosão de matrículas e preocupações crescentes com a qualidade dos cursos ofertados.
A nova norma, que foi assinada durante uma cerimônia no Palácio do Planalto com a presença do ministro da Educação, Camilo Santana, estabelece diretrizes para cursos a distância e semipresenciais, uma categoria agora formalmente reconhecida pelo governo federal. O decreto também estabelece critérios para avaliações presenciais e estrutura física dos polos de EAD.
Explosão de matrículas e baixa qualidade no ensino a distância
Nos últimos anos, o ensino a distância tem experimentado um crescimento sem precedentes no Brasil. Dados do Censo da Educação Superior mostram que, desde 2018, o número de ingressantes em cursos EAD ultrapassou os cursos presenciais. Em 2023, mais de 60% das novas matrículas no ensino superior foram em cursos a distância. No entanto, essa expansão veio acompanhada de alertas sobre a qualidade da formação oferecida, principalmente em cursos que exigem prática e interação presencial.
Especialistas e entidades educacionais vinham alertando para a proliferação de cursos com pouca ou nenhuma estrutura adequada. A nova regulamentação surge como resposta a essas preocupações, com o objetivo de preservar a qualidade do ensino e proteger os estudantes.
O que muda com o novo decreto?
Com o decreto, cursos como Medicina, Enfermagem, Direito e licenciaturas — voltadas à formação de professores — não poderão ser ministrados integralmente pela internet. Esses cursos precisarão seguir diretrizes específicas que envolvem aulas presenciais obrigatórias, estágios supervisionados e avaliações presenciais em polos autorizados.
O Ministério da Educação (MEC) também definiu que os cursos semipresenciais deverão oferecer uma carga mínima de atividades presenciais e que a parte a distância precisa garantir interação síncrona e assíncrona entre alunos e professores.
Além disso, as instituições que oferecem cursos EAD deverão cumprir novos critérios estruturais. Os polos de apoio presencial devem estar equipados com laboratórios, bibliotecas, computadores e tutores capacitados para atender os estudantes.
Foco na qualidade: avaliações presenciais e fiscalização
Outro ponto importante da nova regulamentação é a exigência de avaliações presenciais regulares. Segundo o MEC, esse mecanismo é fundamental para garantir a seriedade e a veracidade da formação dos estudantes. A intenção é coibir fraudes e manter o controle de qualidade sobre o conteúdo que está sendo ministrado.
A fiscalização também será intensificada. Instituições que não atenderem às exigências do decreto poderão ter os cursos suspensos ou descredenciados do sistema federal de ensino. O MEC afirmou que uma força-tarefa será criada para acompanhar a adequação das instituições às novas regras.
Semipresencial: novo modelo ganha força
Com a criação oficial da categoria “semipresencial”, o governo visa equilibrar flexibilidade e qualidade. Essa modalidade permitirá que estudantes tenham acesso remoto a parte do conteúdo, sem abrir mão das experiências práticas fundamentais para a formação profissional.
Para áreas como Enfermagem, Educação e Direito, que exigem não apenas domínio teórico, mas habilidades práticas e formação ética, o novo modelo promete preservar a qualidade e a integridade do processo formativo. A definição clara de carga horária, uso de laboratórios, aulas práticas e estágios supervisionados garantirá que os estudantes saiam realmente preparados para o mercado.
Impactos para instituições de ensino e estudantes
A decisão do governo impacta diretamente instituições privadas que investiram fortemente na expansão de cursos EAD. Muitas delas, inclusive, já haviam protocolado pedidos de abertura de novos cursos totalmente on-line, os quais ficaram suspensos desde o ano passado enquanto o MEC trabalhava na nova regulamentação.
Para os estudantes, a mudança representa uma possível redução nas opções de cursos mais acessíveis e flexíveis, mas, ao mesmo tempo, traz maior segurança sobre a validade e a qualidade do diploma conquistado.
O decreto também deve afetar o mercado de trabalho. Profissionais formados em cursos a distância terão sua formação avaliada com mais rigor, o que pode melhorar a percepção de empregadores sobre a competência desses trabalhadores.
O papel do MEC e os próximos passos
O Ministério da Educação será o principal responsável pela implementação e fiscalização das novas diretrizes. Caberá ao MEC elaborar, junto ao Conselho Nacional de Educação, portarias complementares que detalhem aspectos técnicos da norma, como a carga mínima de presença exigida para cada área e os padrões de infraestrutura dos polos EAD.
Segundo o ministro Camilo Santana, o objetivo é garantir que a tecnologia seja uma aliada no processo educacional, mas sem abrir mão da excelência no ensino. “Acreditamos que o ensino a distância pode proporcionar ao estudante uma experiência rica, desde que haja um compromisso com a aprendizagem”, disse o ministro.
Novo marco legal dá segurança jurídica e educacional
A regulamentação do ensino a distância também confere maior segurança jurídica às instituições de ensino, estudantes e empresas contratantes de mão de obra formada por EAD. Ao padronizar regras, o decreto evita interpretações distintas e promove a estabilidade do setor.
Cursos sem regulamentação clara estavam vulneráveis a ações judiciais e descredenciamentos arbitrários, o que prejudicava estudantes que, muitas vezes, investiam tempo e recursos em diplomas que não eram reconhecidos. Agora, com diretrizes transparentes e critérios objetivos, há mais previsibilidade e confiança.
Conclusão: EAD com qualidade, inclusão e responsabilidade
A regulamentação do ensino a distância é uma resposta necessária a um setor que cresceu desordenadamente e passou a enfrentar desafios significativos de qualidade. Ao proibir cursos 100% online em áreas críticas como Saúde, Educação e Direito, o governo dá um passo importante para garantir uma formação mais sólida e confiável.
O novo decreto representa um marco no uso responsável da tecnologia na educação, promovendo a inclusão e a democratização do acesso ao ensino superior, sem abrir mão da excelência acadêmica.
Agora, cabe às instituições de ensino se adequarem, aos estudantes cobrarem qualidade e ao Estado garantir que o EAD continue sendo uma porta de entrada viável, acessível e, acima de tudo, de qualidade para milhões de brasileiros.






