Tributação sobre Investimentos: O que Muda com as Novas Medidas do Governo Lula
Em meio a um cenário de reestruturação fiscal e ajustes nas contas públicas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou, em junho de 2025, uma série de medidas que modificam diretamente a tributação sobre investimentos no Brasil. As mudanças geram impacto significativo para investidores de renda fixa, aplicadores em produtos isentos e também para plataformas de apostas online.
O foco da nova política econômica é corrigir distorções, ampliar a arrecadação federal e redistribuir o peso tributário de forma mais equitativa entre os diferentes segmentos da sociedade. Entenda, a seguir, tudo o que muda com a nova tributação sobre investimentos, quem será afetado, e como isso interfere na rentabilidade e na escolha dos produtos financeiros.
📌 O que motivou as mudanças na tributação sobre investimentos?
A principal justificativa do governo federal para as novas regras está no combate à renúncia fiscal. Segundo o Ministério da Fazenda, os títulos e produtos financeiros atualmente isentos de impostos geravam um prejuízo de R$ 41 bilhões aos cofres públicos por ano. Para o governo, essa política de incentivos não está alinhada com a realidade econômica do país e com a necessidade de investimento em políticas sociais.
Além disso, o presidente Lula tem reforçado, em seus discursos, que seu governo deve priorizar os mais pobres, os trabalhadores e a classe média, deixando de lado políticas que beneficiem unicamente os mais ricos.
📈 Principais alterações na tributação sobre investimentos
Confira as principais mudanças promovidas pelo decreto presidencial publicado em junho de 2025:
1. Fim da alíquota fixa do risco sacado
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Antes: Existia uma alíquota fixa sobre o risco sacado.
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Agora: Passa a valer apenas a cobrança diária de 0,0082%, reduzindo a tributação em até 80%.
Essa alteração favorece empresas e investidores que utilizam operações de crédito com garantia, reduzindo o custo dessas operações.
2. Mudanças no IOF para aportes em VGBL
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Até 31/12/2025: IOF incide apenas sobre o valor que exceder R$ 300 mil.
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A partir de 01/01/2026: IOF passa a incidir sobre valores acima de R$ 600 mil.
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As contribuições patronais foram isentas de IOF.
Essa medida alivia a carga tributária para pequenos e médios investidores que utilizam o VGBL como plano de previdência.
3. Imposto de Renda sobre títulos antes isentos
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Passam a ter alíquota de 5%:
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LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
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LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
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CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários)
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CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio)
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Debêntures incentivadas
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Estes ativos eram tradicionalmente isentos de IR para atrair investimentos em setores estratégicos, mas agora passam a contribuir para a arrecadação federal.
4. Alíquota única de 17,5% sobre rendimentos de aplicações
Todos os demais produtos de renda fixa passam a ter uma alíquota única de 17,5% de Imposto de Renda sobre os rendimentos.
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O que não muda: A tradicional caderneta de poupança segue isenta de tributação.
Essa uniformização simplifica a tributação e tende a reduzir a complexidade para investidores e gestores de ativos.
5. Aumento da tributação sobre o faturamento das apostas (bets)
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Passa de 12% para 18% a tributação sobre o faturamento das casas de apostas online.
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Sem alterações na tributação dos prêmios recebidos pelos apostadores.
O mercado de apostas esportivas, que cresceu exponencialmente nos últimos anos, passa a ser mais regulamentado e gerar maior contribuição tributária.
👥 Quem será impactado pelas novas regras?
De acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apenas 0,8% da população brasileira será diretamente afetada pelas medidas. Trata-se de uma parcela de investidores com maior volume de recursos aplicados e que se beneficiavam de isenções fiscais seletivas.
Já os pequenos investidores, aplicadores de poupança, beneficiários de programas sociais e trabalhadores de renda média não serão impactados diretamente.
🎯 O que muda na prática para o investidor?
📉 Rentabilidade dos produtos isentos
Produtos como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas perderão um pouco da atratividade, já que deixarão de ser completamente isentos de imposto. Com a nova alíquota de 5%, o rendimento líquido desses papéis será reduzido, o que pode influenciar decisões de alocação.
📊 Simplificação da estrutura tributária
Com uma alíquota única de 17,5% para aplicações em geral, o investidor passa a lidar com um sistema mais simples e previsível. Isso facilita o planejamento tributário e reduz erros no cálculo de rentabilidade líquida.
💼 Incentivo à diversificação
A nova estrutura tributária incentiva o investidor a diversificar a carteira e considerar alternativas que ofereçam melhor relação risco-retorno, mesmo que sejam tributadas.
📉 Medidas são aumento de imposto?
Segundo o governo, não. A proposta, oficialmente, não eleva a carga tributária global, mas corrige distorções existentes em renúncias fiscais que privilegiavam uma pequena parcela de contribuintes. A ideia é redistribuir o esforço fiscal de forma mais justa, tornando o sistema mais progressivo.
📢 Discurso político e medidas econômicas: o que esperar?
Ao mesmo tempo em que anuncia cortes em isenções e aumento da arrecadação sobre produtos financeiros, o presidente Lula reforça, em discurso, que seu compromisso é com a maioria da população brasileira. Para ele, não faz sentido manter benefícios fiscais para os mais ricos enquanto os mais pobres seguem sendo impactados pela desigualdade.
A retórica é clara: o objetivo do governo é gerar recursos para sustentar programas sociais, investimentos públicos e estimular a economia real, especialmente em regiões carentes como o interior de Minas Gerais — onde o presidente anunciou as medidas.
🔎 O que fazer agora?
Investidores devem:
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Reavaliar suas carteiras à luz da nova tributação sobre investimentos;
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Considerar o impacto do IR nos rendimentos líquidos;
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Acompanhar o andamento do projeto de decreto legislativo que pode alterar ou revogar as medidas;
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Consultar especialistas ou planejadores financeiros para identificar as melhores oportunidades pós-reforma.
As medidas representam uma reconfiguração do ambiente de investimentos no Brasil, e é essencial estar bem informado para tomar decisões estratégicas.






