Ações da Minerva (BEEF3) em foco: BTG reduz preço-alvo, mas vê potencial com exportações e margens em alta
As ações da Minerva (BEEF3) voltaram ao radar dos investidores após o BTG Pactual revisar para baixo o preço-alvo dos papéis, citando riscos no cenário macroeconômico e fundamentos financeiros desafiadores. Ainda assim, o banco reconhece que o curto prazo pode ser promissor, especialmente por conta do avanço nas exportações de carne bovina e da monetização de estoques em mercados estratégicos como EUA e China.
Neste artigo, você vai entender por que o BTG reduziu seu preço-alvo, qual a real situação da Minerva no cenário de juros altos, o impacto das exportações para os EUA e China e o que isso significa para quem investe nas ações da Minerva.
Avaliação de múltiplos: margem de segurança limitada
Segundo análise recente, as ações da Minerva estão sendo negociadas a 5,1 vezes o valor da empresa sobre o EBITDA (EV/EBITDA) — um patamar que se aproxima da média histórica de 10 anos, de 5,3x. Esse múltiplo revela uma margem de segurança restrita para investidores que buscam valor, especialmente em um ambiente de taxa Selic elevada e alta seletividade nos investimentos.
O cenário de juros altos no Brasil penaliza ativos com baixo rendimento e elevado endividamento, como é o caso da Minerva. Nesse contexto, torna-se mais difícil justificar a manutenção do ativo no portfólio com uma visão de 12 meses.
BTG Pactual rebaixa preço-alvo, mas vê cenário construtivo no curto prazo
O BTG Pactual reduziu o preço-alvo das ações da Minerva de R$ 10 para R$ 8, mantendo a recomendação neutra. A decisão tem como base o valuation pressionado e as limitações do atual cenário econômico. No entanto, a visão para o curto prazo é positiva, sustentada por fatores operacionais relevantes.
Entre os destaques, estão a valorização da carne bovina no mercado internacional, o bom desempenho das exportações e a monetização de estoques antecipadamente enviados para os Estados Unidos.
Exportações em ritmo acelerado favorecem a Minerva
A empresa aproveitou a cota de importação isenta de impostos nos EUA para antecipar embarques e estocar carne bovina, o que deve resultar em uma monetização mais lucrativa no segundo trimestre de 2025. O movimento foi estratégico, permitindo à Minerva posicionar seus produtos em um momento de alta dos preços internacionais.
Além disso, as exportações para a China seguem fortes, reforçando a presença da companhia nos principais mercados consumidores globais. Com o preço da carne bovina em alta, o impacto direto no resultado operacional da Minerva tende a ser relevante.
Sinergias com a Marfrig impulsionam operações
Outro ponto importante destacado é a aceleração das operações nas plantas adquiridas da Marfrig (MRFG3). A aquisição de unidades de abate e desossa de bovinos e ovinos está sendo rapidamente integrada às operações da Minerva, o que deve refletir positivamente nas margens de lucro.
A expectativa é que a margem EBITDA da empresa salte de 8,8% em 2025 para 9,2% em 2026, impulsionada pelas sinergias obtidas com a Marfrig e pelo ganho de eficiência nas novas unidades.
Desempenho das ações da Minerva em 2025
Apesar da recente redução no preço-alvo, as ações da Minerva acumulam alta de 16,26% em 2025, demonstrando a confiança de parte do mercado nas operações da companhia. No momento da avaliação, os papéis eram negociados a R$ 4,80, com leve queda intradiária de 0,21%.
Esse desempenho evidencia que, mesmo diante de incertezas macroeconômicas, os investidores enxergam valor nos fundamentos de curto prazo da Minerva, especialmente por seu foco exportador e pela recuperação operacional após as aquisições.
Juros altos e o impacto no valuation
Com a taxa Selic em patamar elevado, o custo do capital no Brasil encarece, o que impacta diretamente empresas com alto grau de endividamento. Investidores passam a exigir mais retorno para justificar o risco, o que pressiona as ações com fundamentos financeiros mais frágeis.
No caso da Minerva, a combinação de margens apertadas com dívidas elevadas acende um sinal de alerta. A empresa precisa entregar resultados robustos e crescentes para sustentar o preço das ações nos níveis atuais ou alcançar as projeções mais otimistas.
Perspectiva para os próximos trimestres
Mesmo com a recomendação neutra do BTG Pactual, os resultados esperados para o segundo trimestre podem surpreender positivamente, sustentados por:
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Monetização de estoques enviados aos EUA a preços elevados;
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Forte demanda internacional por carne bovina;
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Integração operacional com as unidades da Marfrig;
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Recuperação parcial de margens.
Caso esses pontos se concretizem, as ações da Minerva podem recuperar parte do fôlego perdido nos últimos ciclos de resultado, especialmente diante do interesse crescente de investidores estrangeiros em empresas exportadoras brasileiras.
Minerva e a visão de longo prazo
Para investidores com perfil mais conservador, o cenário atual das ações da Minerva ainda exige cautela. O elevado endividamento e o ambiente macro desafiador mantêm o risco elevado. No entanto, para investidores dispostos a assumir volatilidade e focar no potencial de médio e longo prazo, a empresa apresenta fundamentos sólidos em construção, especialmente com sua forte atuação no comércio exterior.
A chave para uma decisão acertada será o acompanhamento de indicadores operacionais e a observação do comportamento das margens nos próximos balanços.
Hora de observar de perto as ações da Minerva
Apesar do corte no preço-alvo das ações da Minerva (BEEF3), o cenário para 2025 e 2026 ainda guarda boas possibilidades de valorização, especialmente se a empresa mantiver o ritmo de exportações e capturar sinergias operacionais com eficiência.
Para quem já possui os papéis em carteira, o momento pode ser de aguardar a consolidação de resultados antes de tomar novas decisões. Já para quem observa de fora, pode valer a pena acompanhar os desdobramentos dos próximos trimestres e reavaliar a entrada após a divulgação dos próximos balanços.






