Missão Empresarial nos EUA Vai Debater Data Centers e Minerais de Terras Raras, Afirma CNI
A missão empresarial nos EUA, organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi confirmada para os dias 3 e 4 de setembro de 2025 em Washington. O encontro tem como objetivo fortalecer laços entre Brasil e Estados Unidos em áreas estratégicas, como a instalação de data centers, a cooperação em combustíveis sintéticos de aviação (SAF), além da exploração e comercialização de minerais de terras raras.
Segundo a CNI, a iniciativa surge em um momento crucial, marcado pela imposição de tarifas de 50% sobre parte relevante das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. A agenda busca abrir espaço para negociações, ampliar exceções tarifárias e apresentar propostas concretas de cooperação entre os dois países.
O Papel da CNI na Missão Empresarial nos EUA
A CNI desempenha um papel estratégico na articulação entre setor produtivo e governo, especialmente em momentos de tensão comercial. Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, a missão empresarial nos EUA é uma oportunidade de mostrar ao governo americano que o Brasil está aberto ao diálogo e pronto para avançar em parcerias estratégicas.
Entre os principais temas levados à mesa de negociações, destacam-se:
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Produção de SAF e etanol: alternativas de baixo carbono que podem atrair interesse do setor aéreo norte-americano.
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Instalação de data centers no Brasil: avanço tecnológico e estratégico para armazenamento de dados.
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Exploração de minerais de terras raras: insumos fundamentais para a indústria de alta tecnologia, energia limpa e defesa.
A Importância dos Data Centers para o Brasil
Um dos pontos centrais da missão empresarial nos EUA será o debate sobre a instalação de data centers no Brasil. O país vive uma transformação digital acelerada, e a demanda por armazenamento e processamento de dados cresce exponencialmente.
A instalação de novos centros de dados no território brasileiro traz vantagens como:
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Redução de custos logísticos e de infraestrutura digital;
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Maior segurança cibernética para empresas e órgãos públicos;
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Estímulo à economia digital com criação de empregos e novas startups;
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Atração de investimentos internacionais no setor de tecnologia.
Com os EUA liderando o mercado global de data centers, a aproximação via missões empresariais é considerada estratégica para atrair investimentos e consolidar o Brasil como hub digital na América Latina.
Minerais de Terras Raras: Oportunidade Estratégica
Outro tema de destaque na missão empresarial nos EUA será a cooperação na exploração e comercialização de minerais de terras raras. Esses minerais são fundamentais para a produção de baterias, semicondutores, turbinas eólicas, veículos elétricos e equipamentos militares de alta tecnologia.
O Brasil possui reservas expressivas, mas enfrenta desafios para transformar esse potencial em resultados comerciais. A parceria com os EUA pode acelerar o processo, reduzindo a dependência norte-americana da China, hoje principal fornecedora mundial desses minerais.
A aproximação com o setor produtivo americano pode gerar:
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Novos investimentos em mineração sustentável;
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Parcerias em pesquisa e desenvolvimento (P&D);
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Abertura de mercados para produtos brasileiros de maior valor agregado.
SAF e Etanol: Energia Sustentável em Debate
A transição energética também terá espaço na missão empresarial nos EUA. O Brasil é referência mundial em produção de etanol e vem avançando em combustíveis sustentáveis, como o SAF (Sustainable Aviation Fuel), voltado para reduzir a pegada de carbono da aviação.
Com os EUA buscando alternativas energéticas limpas, a cooperação bilateral pode gerar ganhos mútuos:
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Ampliação das exportações de etanol brasileiro;
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Parcerias tecnológicas para produção em escala de SAF;
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Acesso a fundos de investimento voltados para energia limpa.
Esse tema é particularmente estratégico porque envolve sustentabilidade, inovação e comércio internacional, três pilares que definem o futuro das relações entre Brasil e Estados Unidos.
Impactos do Tarifaço dos EUA
A realização da missão empresarial nos EUA ocorre em meio ao tarifaço anunciado pelo governo norte-americano em julho de 2025. A medida impôs tarifas de 50% sobre uma série de produtos exportados pelo Brasil, afetando setores como:
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Agronegócio;
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Siderurgia;
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Produtos químicos;
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Indústria de transformação.
A CNI enxerga a missão como um canal de negociação para mitigar os impactos econômicos e ampliar exceções na regra tarifária. Durante a agenda, a delegação brasileira deve participar de uma audiência pública no USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), que conduz a investigação da Seção 301, dispositivo que embasa as tarifas.
A Agenda em Washington
A missão empresarial nos EUA terá uma programação intensa. Entre os compromissos previstos, estão:
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Reuniões na Embaixada do Brasil em Washington;
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Diálogos com lideranças da US Chamber of Commerce;
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Encontros com escritórios de advocacia e lobby;
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Sessões de networking com empresários dos dois países;
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Plenária bilateral para debater estratégias conjuntas;
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Audiência pública no USTR.
Ainda não foram confirmadas quais autoridades do governo americano participarão oficialmente das discussões, mas espera-se a presença de representantes do setor de comércio e indústria.
O Papel de Geraldo Alckmin
O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, foi informado pessoalmente sobre a agenda da missão. A interlocução política será essencial para alinhar as propostas do setor industrial às estratégias do governo federal.
Além de discutir medidas que possam minimizar os efeitos do tarifaço, Alckmin também deve reforçar o papel do Brasil como parceiro estratégico dos EUA em temas como energia limpa, tecnologia e segurança econômica.
Participação de Associações e Federações
A missão empresarial nos EUA contará com representantes de associações setoriais, federações estaduais e grandes empresas brasileiras. Essa composição amplia a representatividade do grupo, permitindo que diferentes setores da economia tenham voz nas negociações.
Segundo a CNI, a ideia é incluir até mesmo setores de menor peso financeiro, mas com grande relevância industrial, garantindo que a missão reflita o conjunto da economia brasileira.
Contribuições para a Credibilidade Fiscal
Durante as tratativas com Alckmin, a CNI também defendeu ajustes na política fiscal brasileira. A entidade sugere que os R$ 9,5 bilhões atualmente fora do arcabouço fiscal sejam incorporados à regra, medida que reforçaria a credibilidade econômica do país.
Esse posicionamento foi incluído como parte da agenda estratégica da missão empresarial nos EUA, já que investidores estrangeiros acompanham de perto o compromisso fiscal do Brasil antes de ampliar aportes no país.
Perspectivas Futuras
A missão empresarial nos EUA representa mais do que uma agenda de negociações pontuais: é um movimento para reposicionar o Brasil no cenário internacional em áreas de alta relevância estratégica.
Ao unir setores como tecnologia, energia sustentável e mineração, o país demonstra capacidade de oferecer soluções inovadoras e de valor agregado. O sucesso da missão pode não apenas mitigar impactos do tarifaço, mas também abrir caminho para novas parcerias bilaterais e ampliar a presença brasileira no mercado norte-americano.
A missão empresarial nos EUA organizada pela CNI chega em um momento decisivo para a economia brasileira. Com tarifas elevadas, desafios fiscais e necessidade de ampliar investimentos, o país busca no diálogo com os Estados Unidos uma saída estratégica.
Ao debater data centers, minerais de terras raras e energia sustentável, o Brasil sinaliza sua disposição em atuar como parceiro global de peso. Resta acompanhar os desdobramentos de setembro e verificar até que ponto as propostas apresentadas poderão transformar tensões comerciais em oportunidades de crescimento conjunto.






