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China adia compras por altos prêmios da soja brasileira e pode usar reservas estatais

por Redação
16/10/2025 às 11h56 - Atualizado em 14/05/2026 às 21h42
em Economia, Destaque, Notícias
China Adia Compras Por Altos Prêmios Da Soja Brasileira E Pode Usar Reservas Estatais - Gazeta Mercantil

China adia compras de soja devido aos altos prêmios da soja brasileira

A desaceleração nas compras de soja brasileira pela China vem gerando forte repercussão nos mercados globais de commodities agrícolas. O movimento, motivado pelos altos prêmios cobrados sobre os embarques do Brasil, sinaliza uma mudança temporária nas estratégias de suprimento do maior importador mundial da oleaginosa. A decisão pode levar Pequim a recorrer às suas reservas estatais e reabrir negociações com fornecedores alternativos, em meio a um cenário de tensões comerciais persistentes com os Estados Unidos e margens de esmagamento negativas no setor chinês.


O impasse nas compras chinesas de soja

A China, responsável por mais de 60% das importações globais de soja, ainda não garantiu a totalidade de seu abastecimento para os meses de dezembro e janeiro, período considerado estratégico para o setor de ração animal e processamento de óleo vegetal. Segundo estimativas de traders internacionais, o país asiático precisa adquirir entre 8 e 9 milhões de toneladas de soja para cobrir as demandas de curto prazo.

Com os altos prêmios da soja brasileira e a manutenção das tensões entre Washington e Pequim, a aquisição de novas cargas se tornou economicamente inviável para muitas empresas chinesas. O cenário empurra o governo de Xi Jinping a estudar o uso das reservas estatais, como medida emergencial para equilibrar o mercado interno até a chegada da próxima safra da América do Sul.


Os prêmios da soja brasileira atingem patamares históricos

Os prêmios da soja brasileira — o valor adicional pago sobre a cotação da Bolsa de Chicago (CBOT) — permanecem elevados, entre US$ 2,8 e US$ 2,9 por bushel em relação ao contrato de novembro. Essa diferença é significativamente superior à praticada nos Estados Unidos, onde o prêmio gira em torno de US$ 1,7 por bushel.

Esse descolamento de preços reflete, de um lado, a forte demanda por soja de alta qualidade e, de outro, as dificuldades logísticas enfrentadas pelo Brasil, com gargalos no escoamento e custos de frete mais altos. Apesar da robustez da produção, os custos adicionais vêm encarecendo os embarques e afastando compradores que buscam alternativas mais competitivas.


Margens negativas e desinteresse das esmagadoras chinesas

Outro fator que contribui para o atraso nas compras é o cenário de margens de esmagamento negativas na China. Desde meados de 2025, o preço elevado da soja brasileira e a baixa no preço do farelo e do óleo de soja no mercado doméstico têm reduzido o lucro das indústrias processadoras.

As esmagadoras chinesas, responsáveis por transformar o grão em farelo e óleo vegetal, têm demonstrado pouca disposição para garantir cargas para o fim do ano. O excesso de oferta momentânea e o custo elevado das importações tornam o risco financeiro alto, levando as empresas a adiar novas negociações até que os preços internacionais se ajustem.


Expectativas com a nova safra brasileira de 2026

A esperança dos importadores chineses está na próxima colheita sul-americana. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) projeta uma safra recorde de 177,64 milhões de toneladas de soja no Brasil para o ciclo 2025/2026, cerca de 6 milhões de toneladas a mais que na temporada anterior.

A expectativa é que os embarques da nova safra brasileira comecem no final de janeiro de 2026, o que poderia aliviar os preços e tornar os prêmios mais atrativos para os compradores da Ásia. O volume expressivo também reforça o papel do Brasil como maior exportador mundial de soja, posição conquistada após anos de investimento em tecnologia agrícola e expansão da área plantada.


Tensões comerciais entre China e Estados Unidos seguem impactando o mercado

Mesmo com os preços elevados da soja brasileira, a China continua evitando compras dos Estados Unidos. O impasse comercial entre as duas maiores economias do mundo permanece como um dos principais entraves para o fluxo regular de grãos.

Desde 2018, quando se intensificaram as tarifas e medidas retaliatórias entre Washington e Pequim, o comércio agrícola passou a ser usado como instrumento de pressão política. Em 2024, apenas 20% das importações chinesas de soja vieram dos EUA, uma queda expressiva em relação aos 41% de 2016.

Contudo, traders e analistas apontam que, caso um novo acordo comercial seja firmado, Pequim pode recorrer temporariamente aos grãos norte-americanos para atender à demanda imediata dos processadores de oleaginosas.


Possível reaproximação diplomática entre EUA e China

Circulam informações de que a soja será tema central de uma reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping, prevista para ocorrer na Coreia do Sul. A possibilidade de uma trégua comercial reacendeu expectativas no mercado, uma vez que um acordo poderia reduzir os custos das importações chinesas e redistribuir o fluxo global de exportações.

Para o setor agrícola norte-americano, um eventual avanço seria estratégico, já que os produtores de soja dos EUA enfrentam dificuldades desde a perda do mercado chinês, um de seus principais destinos. Em contrapartida, o Brasil veria um recuo temporário em sua competitividade, caso os preços americanos se tornassem mais acessíveis.


O papel estratégico das reservas chinesas de soja

Enquanto o cenário internacional segue incerto, Pequim deve utilizar reservas estatais de soja para garantir o abastecimento interno. O governo chinês mantém estoques estratégicos justamente para situações de volatilidade de preços ou interrupções no comércio exterior.

Essas reservas funcionam como um mecanismo de segurança alimentar e de estabilização de preços, evitando escassez de farelo de soja, essencial para a alimentação animal, especialmente na suinocultura e avicultura — setores de grande importância para a economia chinesa.


Brasil: força crescente no mercado global de soja

A soja brasileira consolidou-se como um dos pilares do agronegócio nacional e como um dos produtos mais competitivos do comércio global. O país é líder mundial em exportações e referência em tecnologia agrícola, com destaque para o Cerrado, que transformou-se em uma das maiores regiões produtoras do planeta.

A combinação de produtividade recorde, expansão logística e sustentabilidade tem colocado o Brasil em posição estratégica, inclusive nas negociações internacionais. Mesmo com o atraso temporário das compras chinesas, especialistas destacam que a demanda global por soja continuará em alta, sustentando preços atrativos no médio prazo.


Perspectivas para o mercado internacional de soja

A decisão chinesa de adiar as compras de soja brasileira não indica uma mudança estrutural, mas sim uma estratégia momentânea de contenção de custos. Com o início da nova safra em 2026 e possíveis ajustes diplomáticos, o fluxo comercial tende a se normalizar.

A tendência é que os preços globais se estabilizem, refletindo a oferta recorde do Brasil e o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado asiático. Para o agronegócio brasileiro, o desafio continua sendo manter a competitividade logística e a consistência na qualidade do produto, fatores decisivos para preservar sua liderança mundial.

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