Eleitor dividido: Tarcísio e Michelle disputam papel de herdeiro eleitoral de Bolsonaro em 2026
O cenário político que envolve o campo bolsonarista para 2026 ganha contornos de disputa e indefinição. A figura do herdeiro eleitoral de Bolsonaro — ou quem assumirá seu legado caso o ex-presidente continue inelegível — divide eleitores e abre caminho para novos nomes ganharem protagonismo. O levantamento mais recente do instituto Paraná Pesquisas mostra que os dois principais candidatos dessa sucessão são o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro (PL).
A pesquisa foi aplicada em 2.020 eleitores de 162 municípios, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Segundo os dados, Tarcísio recebeu 23,3% das intenções de voto como herdeiro de Bolsonaro, enquanto Michelle alcançou 21,3%. Na sequência, aparece o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) com 12,6%, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 6,0%. Outros nomes menos citados incluem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) com 5,3% e o de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) com 3,9%. Importante destacar ainda que 22,4% dos entrevistados não apontaram nenhum nome da lista apresentada.
Dois fatores estruturais explicam o quadro de indefinição. Primeiro, a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro permanece incerta: condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de estado e com decisões da Justiça Eleitoral que o impedem de disputar eleições, o cenário de sua inelegibilidade abre caminho para uma renovação de liderança no bolsonarismo. Segundo, o ambiente eleitoral de 2026 será influenciado tanto pela retomada política de nomes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto pelas dinâmicas internas dos partidos de direita.
O empate entre Tarcísio e Michelle e o peso simbólico da sucessão
O resultado mostra uma disputa tecnicamente equilibrada entre Tarcísio e Michelle, com vantagem muito pequena para o governador paulista. Ambos têm perfis distintos e representam trajetórias diferentes dentro do bolsonarismo. Tarcísio carrega o papel de gestor público e governador de um dos maiores estados do país, enquanto Michelle simboliza continuidade familiar e identificação com a base evangélica e conservadora que apoiou Bolsonaro.
Essa divisão evidencia que o bolsonarismo ainda não achou um substituto claro. A figura do herdeiro eleitoral de Bolsonaro torna-se mais simbólica do que já foi — é tanto um cargo de representação quanto de mobilização. Nesse contexto, as estratégias para 2026 passam por consolidar apoios regionais, alianças partidárias e ampliar a visibilidade nacional.
Rejeição alta: o desafio que pesa sobre a sucessão de Bolsonaro
Além da disputa pela preferência, o estudo aborda o tema da rejeição aos candidatos considerados na pesquisa. O cenário revela obstáculos expressivos para a direita: o presidente Lula segue com cerca de 47,5% dos eleitores afirmando que não votariam “de jeito nenhum” no petista, o que indica uma base de oposição ativa à esquerda. Paralelamente, a rejeição dentro do bolsonarismo também se revela complexa: o senador Flávio Bolsonaro tem 53,9% de rejeição, enquanto Tarcísio apresenta o menor índice entre os nomes citados — 39,3%.
Esses números mostram que assumir o título de herdeiro eleitoral de Bolsonaro exige não apenas captar votos, mas também administrar rejeições. Quem assumir esse papel precisa consolidar a base, reduzir a aversão ao nome e ampliar alcance para além do núcleo histórico do ex-presidente.
Cenário para 2026: o que muda para o herdeiro eleitoral de Bolsonaro?
O pleito de 2026 está longe de estar definido. No entanto, algumas tendências se desenham:
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Sem Bolsonaro: Caso Bolsonaro não dispute, o herdeiro eleitoral de seu campo político ganha protagonismo para disputar contra Lula ou outros representantes de esquerda e centro-direita.
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Perfil de sucessor: O herdeiro eleitoral de Bolsonaro deverá equilibrar a manutenção dos valores da base com uma agenda adaptada ao Brasil pós-Bolsonaro, combinando conservadorismo social com propostas de gestão.
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Alianças e estrutura: Para assegurar 2026, o herdeiro precisará de rede partidária, apoio regional e recursos de campanha. Tarcísio, governando um estado estratégico, pode ter vantagem estrutural; já Michelle dispõe de capital simbólico e mobilização popular.
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Desafio de imagem: O herdeiro eleitoral de Bolsonaro precisará gerir rejeição elevada e ampliar fora da regionalidade para ter competitividade nacional.
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Contexto eleitoral: Se Lula mantiver vantagem e a direita se fragmentar, o herdeiro eleitoral de Bolsonaro pode ter papel secundário. Se a disputa se polarizar, a sucessão ganhará urgência e visibilidade.
Implicações estratégicas para partidos e apoiadores
Para o campo bolsonarista, o herdeiro eleitoral de Bolsonaro representa um ativo político. A escolha ou fortalecimento de um nome pode definir o rumo do PL, do Republicanos e de outras legendas alinhadas para os próximos dois anos. É também um aviso à esquerda: 2026 não é apenas disputa contra Lula, mas também disputa por sucessão interna e renovação no espectro conservador.
Esse movimento de sucessão pode alterar alianças e estratégias: setores que apoiavam Bolsonaro podem migrar para o herdeiro eleitoral de Bolsonaro como foco de mobilização. O legado político, portanto, vira instrumento de campanha — e o herdeiro se torna a peça central dessa narrativa.
A busca pelo herdeiro eleitoral de Bolsonaro evidencia que o bolsonarismo está em uma encruzilhada. Com Tarcísio e Michelle praticamente empatados, e outros nomes surgindo mais discretamente, o campo precisa definir rumo antes que a corrida presidencial de 2026 ganhe velocidade. O vencedor dessa disputa interna será crucial tanto para mobilizar a base quanto para liderar a resistência ou a reconstrução de um projeto de direita no Brasil.
Se a passagem de bastão for bem feita, o herdeiro eleitoral de Bolsonaro poderá manter vivo o legado do ex-presidente. Se não, o bolsonarismo corre o risco de simplesmente abrir espaço para um novo ciclo político.






