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Ações que pagam dividendos acima da Selic: veja quanto rendem

por João Souza - Repórter de Negócios
18/03/2026 às 22h23 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h13
em Negócios, Destaque, Notícias
Renda Passiva Recorde: Veja As 16 Ações Que Superam A Selic E Quanto Você Pode Ganhar - Gazeta Mercantil

Ações que pagam dividendos acima da Selic: veja quanto rendem R$ 10 mil, R$ 50 mil e R$ 100 mil

Com a Selic atualmente em 14,75% ao ano, o desafio de superar a taxa básica de juros continua a ser uma tarefa complexa para investidores brasileiros. Entre as classes de ativos, as ações não são exceção: juros elevados elevam o custo da dívida das empresas, pressionam os lucros e podem limitar a distribuição de dividendos.

No entanto, um grupo seleto de papéis listados na bolsa brasileira consegue apresentar dividend yield — o retorno pago aos acionistas na forma de dividendos — em patamar equivalente ou superior à Selic. Levantamento realizado pela Elos Ayta Consultoria, considerando ações do Ibovespa, Small Caps e IDIV, identificou 16 ações que pagam dividendos iguais ou acima de 14,75% nos últimos 12 meses até 17 de março de 2026.

Entre os destaques do ranking estão JSL (JSLG3), com dividend yield realizado de 33,24%, Vulcabras (VULC3), com 32,49%, e Grendene (GRND3), com 29,26%. Outras empresas que figuram na lista incluem Lavvi, Direcional, Unipar, Log Commercial Properties, Cury, Bradespar, Movida, Bemobi, Cyrela, PetzCobasi, Marcopolo, Rede D’Or e Cemig.


Dividend yield: realizado x projetado

É importante diferenciar entre dividend yield realizado e projetado. O dividend yield realizado considera os proventos pagos nos últimos 12 meses, enquanto o dividend yield projetado estima o retorno futuro com base na política de distribuição de dividendos e no lucro atual da empresa.

No levantamento da Elos Ayta Consultoria, algumas ações que lideram o ranking pelo dividend yield realizado mostram projeções futuras mais moderadas. Das 16 ações, apenas nove mantêm projeção de dividendos iguais ou superiores à Selic para os próximos 12 meses: JSL, Vulcabras, Grendene, Lavvi, Direcional, Unipar, Log Commercial Properties, PetzCobasi e Marcopolo.

Essa distinção é crucial para investidores que buscam renda consistente e não apenas ganhos pontuais. Avaliar o histórico de distribuição de dividendos ajuda a entender a sustentabilidade do retorno ao acionista.


Simulação de rendimentos: R$ 10 mil, R$ 50 mil e R$ 100 mil

Para oferecer uma perspectiva prática, o analista Fábio Sobreira, sócio da gestora Rocha Opções de Investimentos, realizou simulações considerando a mediana do dividend yield em três anos. Essa abordagem reduz distorções provocadas por distribuições não recorrentes e fornece uma visão mais estável do retorno esperado.

Entre as ações com maior mediana de dividend yield, destacam-se:

  • Vulcabras (VULC3): 25,66% → R$ 213,83/mês para R$ 10 mil investidos; R$ 1.069,17/mês para R$ 50 mil; R$ 2.138,33/mês para R$ 100 mil.

  • Grendene (GRND3): 19,45% → R$ 162,08/mês para R$ 10 mil; R$ 810,42/mês para R$ 50 mil; R$ 1.620,83/mês para R$ 100 mil.

  • Cemig (CMIG3): 14,75% → R$ 122,92/mês para R$ 10 mil; R$ 614,58/mês para R$ 50 mil; R$ 1.229,17/mês para R$ 100 mil.

Investimentos em outras empresas do levantamento, como Marcopolo, Direcional e Bradespar, também apresentam retornos significativos, embora ligeiramente menores.


Sustentabilidade dos dividendos

O exercício de comparar dividend yield realizado e mediano evidencia a importância de considerar a sustentabilidade do dividendo ao escolher ações que pagam dividendos.

Exemplos claros incluem:

  • JSL (JSLG3): dividend yield realizado de 33,24%, mas mediana de apenas 4,57% em três anos;

  • Rede D’Or (RDOR3): recua de 14,84% realizado para 2,57% mediano;

  • Movida (MOVI3): cai de 17,92% realizado para 1,69% mediano.

Essas discrepâncias evidenciam que altos dividend yields recentes nem sempre se traduzem em retorno consistente ao longo do tempo, reforçando a necessidade de análise histórica.


Empresas com maior atratividade segundo analistas

Além do rendimento, investidores devem avaliar a capacidade das empresas de sustentar dividendos frente a cenários econômicos desafiadores.

  • Unipar (UNIP6): ganha atenção devido à sua exposição ao setor petroquímico, beneficiado por contexto geopolítico favorável e alta demanda por resinas, conferindo maior competitividade frente a produtores internacionais.

  • Bradespar (BRAP4): estrutura de holding que investe majoritariamente em ações da Vale. O desempenho da mineradora, impulsionado pelo preço do minério acima de US$ 105/t, sustenta a distribuição de dividendos da holding.

  • Direcional (DIRR3): construtora que combina expansão, rentabilidade elevada e forte ROE, garantindo distribuição robusta de proventos aos acionistas.

  • Cemig (CMIG3): elétrica mineira com operação diversificada em transmissão, distribuição e geração, permitindo distribuição recorrente de dividendos, além de possibilidade de ganhos com avanços em privatização e eficiência operacional.

  • Bemobi (BMOB3): perfil de capital enxuto e previsibilidade de receita tornam a empresa capaz de distribuir boa parte do caixa gerado aos acionistas, com baixo risco de diluição.

Analistas recomendam cautela com empresas de varejo, como Vulcabras e Grendene, que apresentaram altos dividend yields recentemente, mas cujo retorno futuro pode não ser sustentável.


Comparação com a Selic

A Selic a 14,75% serve como parâmetro crítico para investidores que buscam renda passiva. Investir em ações que pagam dividendos superiores à Selic é desafiador, mas possível com análise criteriosa.

Ao focar em ações com mediana de dividend yield elevada e consistência histórica, o investidor consegue construir uma carteira mais resiliente, capaz de gerar rendimento superior à taxa básica de juros ao longo do tempo.


Estratégia de investimento para dividendos

Especialistas recomendam aos investidores que buscam dividendos acima da Selic:

  1. Analisar histórico de dividendos: priorizar empresas com distribuição consistente nos últimos anos;

  2. Avaliar a sustentabilidade do negócio: empresas com operações sólidas e geração de caixa previsível tendem a manter dividendos estáveis;

  3. Diversificar setores: utilidades, mineração e petroquímica aparecem como setores com distribuição recorrente de dividendos;

  4. Considerar o cenário macroeconômico: juros elevados e inflação impactam custos e lucro das empresas, alterando a capacidade de pagamento de dividendos.

Investir com base em análise fundamentada reduz riscos e aumenta as chances de retorno real acima da Selic.


Setores com maior potencial de dividendos

O levantamento evidencia que alguns setores se destacam por distribuir dividendos mais elevados e consistentes:

  • Utilidades públicas: Cemig, devido à estabilidade da geração e distribuição de caixa;

  • Mineração e holdings: Bradespar, vinculada diretamente à Vale, aproveitando a valorização do minério;

  • Construção civil e habitação: Direcional, que combina expansão de mercado e rentabilidade elevada;

  • Varejo e consumo: Vulcabras e Grendene, que apresentaram yields altos recentemente, mas exigem análise cautelosa de sustentabilidade.

A escolha do setor influencia diretamente a consistência e a previsibilidade do rendimento em dividendos.


Simulações práticas: consolidando a renda

Para demonstrar o impacto financeiro, considere aplicações de diferentes valores nas ações com maior mediana de dividend yield:

  • R$ 10 mil investidos podem gerar entre R$ 122,92/mês (Cemig) e R$ 213,83/mês (Vulcabras);

  • R$ 50 mil investidos proporcionam rendimento mensal de R$ 614,58 a R$ 1.069,17;

  • R$ 100 mil investidos elevam o retorno para R$ 1.229,17 a R$ 2.138,33 por mês.

Esses números mostram como a disciplina em investir em ações que pagam dividendos consistentes pode gerar renda passiva relevante, mesmo em um cenário de juros elevados.


Orientação de analistas para investidores

Para escolher as melhores ações que pagam dividendos, analistas destacam a importância de combinar rentabilidade atual e sustentabilidade futura. Segundo Jayme Simão, da Hub do Investidor, empresas como Direcional e Bradespar oferecem equilíbrio entre expansão e retorno ao acionista, enquanto Hugo Queiroz, da L4 Capital, reforça a atratividade de Cemig e Bemobi pela previsibilidade da receita e geração de caixa.

Essa avaliação criteriosa ajuda a evitar decisões baseadas apenas em dividend yield pontual, priorizando a construção de uma carteira robusta e resiliente.

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A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. 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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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