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Ações que pagam dividendos acima da Selic: veja quanto rendem

por João Souza
18/03/2026 às 22h23
em Negócios
Renda Passiva Recorde: Veja As 16 Ações Que Superam A Selic E Quanto Você Pode Ganhar - Gazeta Mercantil

Ações que pagam dividendos acima da Selic: veja quanto rendem R$ 10 mil, R$ 50 mil e R$ 100 mil

Com a Selic atualmente em 14,75% ao ano, o desafio de superar a taxa básica de juros continua a ser uma tarefa complexa para investidores brasileiros. Entre as classes de ativos, as ações não são exceção: juros elevados elevam o custo da dívida das empresas, pressionam os lucros e podem limitar a distribuição de dividendos.

No entanto, um grupo seleto de papéis listados na bolsa brasileira consegue apresentar dividend yield — o retorno pago aos acionistas na forma de dividendos — em patamar equivalente ou superior à Selic. Levantamento realizado pela Elos Ayta Consultoria, considerando ações do Ibovespa, Small Caps e IDIV, identificou 16 ações que pagam dividendos iguais ou acima de 14,75% nos últimos 12 meses até 17 de março de 2026.

Leia também: Braskem (BRKM5) dobra lucro no 1T26, mas Ebitda fraco e dívida elevada pesam nas ações.

Entre os destaques do ranking estão JSL (JSLG3), com dividend yield realizado de 33,24%, Vulcabras (VULC3), com 32,49%, e Grendene (GRND3), com 29,26%. Outras empresas que figuram na lista incluem Lavvi, Direcional, Unipar, Log Commercial Properties, Cury, Bradespar, Movida, Bemobi, Cyrela, PetzCobasi, Marcopolo, Rede D’Or e Cemig.


Dividend yield: realizado x projetado

É importante diferenciar entre dividend yield realizado e projetado. O dividend yield realizado considera os proventos pagos nos últimos 12 meses, enquanto o dividend yield projetado estima o retorno futuro com base na política de distribuição de dividendos e no lucro atual da empresa.

No levantamento da Elos Ayta Consultoria, algumas ações que lideram o ranking pelo dividend yield realizado mostram projeções futuras mais moderadas. Das 16 ações, apenas nove mantêm projeção de dividendos iguais ou superiores à Selic para os próximos 12 meses: JSL, Vulcabras, Grendene, Lavvi, Direcional, Unipar, Log Commercial Properties, PetzCobasi e Marcopolo.

Essa distinção é crucial para investidores que buscam renda consistente e não apenas ganhos pontuais. Avaliar o histórico de distribuição de dividendos ajuda a entender a sustentabilidade do retorno ao acionista.


Simulação de rendimentos: R$ 10 mil, R$ 50 mil e R$ 100 mil

Para oferecer uma perspectiva prática, o analista Fábio Sobreira, sócio da gestora Rocha Opções de Investimentos, realizou simulações considerando a mediana do dividend yield em três anos. Essa abordagem reduz distorções provocadas por distribuições não recorrentes e fornece uma visão mais estável do retorno esperado.

Entre as ações com maior mediana de dividend yield, destacam-se:

  • Vulcabras (VULC3): 25,66% → R$ 213,83/mês para R$ 10 mil investidos; R$ 1.069,17/mês para R$ 50 mil; R$ 2.138,33/mês para R$ 100 mil.

  • Grendene (GRND3): 19,45% → R$ 162,08/mês para R$ 10 mil; R$ 810,42/mês para R$ 50 mil; R$ 1.620,83/mês para R$ 100 mil.

  • Cemig (CMIG3): 14,75% → R$ 122,92/mês para R$ 10 mil; R$ 614,58/mês para R$ 50 mil; R$ 1.229,17/mês para R$ 100 mil.

Investimentos em outras empresas do levantamento, como Marcopolo, Direcional e Bradespar, também apresentam retornos significativos, embora ligeiramente menores.


Sustentabilidade dos dividendos

O exercício de comparar dividend yield realizado e mediano evidencia a importância de considerar a sustentabilidade do dividendo ao escolher ações que pagam dividendos.

Exemplos claros incluem:

  • JSL (JSLG3): dividend yield realizado de 33,24%, mas mediana de apenas 4,57% em três anos;

  • Rede D’Or (RDOR3): recua de 14,84% realizado para 2,57% mediano;

  • Movida (MOVI3): cai de 17,92% realizado para 1,69% mediano.

Essas discrepâncias evidenciam que altos dividend yields recentes nem sempre se traduzem em retorno consistente ao longo do tempo, reforçando a necessidade de análise histórica.


Empresas com maior atratividade segundo analistas

Além do rendimento, investidores devem avaliar a capacidade das empresas de sustentar dividendos frente a cenários econômicos desafiadores.

  • Unipar (UNIP6): ganha atenção devido à sua exposição ao setor petroquímico, beneficiado por contexto geopolítico favorável e alta demanda por resinas, conferindo maior competitividade frente a produtores internacionais.

  • Bradespar (BRAP4): estrutura de holding que investe majoritariamente em ações da Vale. O desempenho da mineradora, impulsionado pelo preço do minério acima de US$ 105/t, sustenta a distribuição de dividendos da holding.

  • Direcional (DIRR3): construtora que combina expansão, rentabilidade elevada e forte ROE, garantindo distribuição robusta de proventos aos acionistas.

  • Cemig (CMIG3): elétrica mineira com operação diversificada em transmissão, distribuição e geração, permitindo distribuição recorrente de dividendos, além de possibilidade de ganhos com avanços em privatização e eficiência operacional.

  • Bemobi (BMOB3): perfil de capital enxuto e previsibilidade de receita tornam a empresa capaz de distribuir boa parte do caixa gerado aos acionistas, com baixo risco de diluição.

Analistas recomendam cautela com empresas de varejo, como Vulcabras e Grendene, que apresentaram altos dividend yields recentemente, mas cujo retorno futuro pode não ser sustentável.


Comparação com a Selic

A Selic a 14,75% serve como parâmetro crítico para investidores que buscam renda passiva. Investir em ações que pagam dividendos superiores à Selic é desafiador, mas possível com análise criteriosa.

Ao focar em ações com mediana de dividend yield elevada e consistência histórica, o investidor consegue construir uma carteira mais resiliente, capaz de gerar rendimento superior à taxa básica de juros ao longo do tempo.


Estratégia de investimento para dividendos

Especialistas recomendam aos investidores que buscam dividendos acima da Selic:

  1. Analisar histórico de dividendos: priorizar empresas com distribuição consistente nos últimos anos;

  2. Avaliar a sustentabilidade do negócio: empresas com operações sólidas e geração de caixa previsível tendem a manter dividendos estáveis;

  3. Diversificar setores: utilidades, mineração e petroquímica aparecem como setores com distribuição recorrente de dividendos;

  4. Considerar o cenário macroeconômico: juros elevados e inflação impactam custos e lucro das empresas, alterando a capacidade de pagamento de dividendos.

Investir com base em análise fundamentada reduz riscos e aumenta as chances de retorno real acima da Selic.


Setores com maior potencial de dividendos

O levantamento evidencia que alguns setores se destacam por distribuir dividendos mais elevados e consistentes:

  • Utilidades públicas: Cemig, devido à estabilidade da geração e distribuição de caixa;

  • Mineração e holdings: Bradespar, vinculada diretamente à Vale, aproveitando a valorização do minério;

  • Construção civil e habitação: Direcional, que combina expansão de mercado e rentabilidade elevada;

  • Varejo e consumo: Vulcabras e Grendene, que apresentaram yields altos recentemente, mas exigem análise cautelosa de sustentabilidade.

A escolha do setor influencia diretamente a consistência e a previsibilidade do rendimento em dividendos.


Simulações práticas: consolidando a renda

Para demonstrar o impacto financeiro, considere aplicações de diferentes valores nas ações com maior mediana de dividend yield:

  • R$ 10 mil investidos podem gerar entre R$ 122,92/mês (Cemig) e R$ 213,83/mês (Vulcabras);

  • R$ 50 mil investidos proporcionam rendimento mensal de R$ 614,58 a R$ 1.069,17;

  • R$ 100 mil investidos elevam o retorno para R$ 1.229,17 a R$ 2.138,33 por mês.

Esses números mostram como a disciplina em investir em ações que pagam dividendos consistentes pode gerar renda passiva relevante, mesmo em um cenário de juros elevados.


Orientação de analistas para investidores

Para escolher as melhores ações que pagam dividendos, analistas destacam a importância de combinar rentabilidade atual e sustentabilidade futura. Segundo Jayme Simão, da Hub do Investidor, empresas como Direcional e Bradespar oferecem equilíbrio entre expansão e retorno ao acionista, enquanto Hugo Queiroz, da L4 Capital, reforça a atratividade de Cemig e Bemobi pela previsibilidade da receita e geração de caixa.

Essa avaliação criteriosa ajuda a evitar decisões baseadas apenas em dividend yield pontual, priorizando a construção de uma carteira robusta e resiliente.

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