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Ato de Bolsonaro na Paulista Tem Menor Público Desde 2022 e Mira Congresso em 2026

por Gabriel Monteiro
30/06/2025 às 09h43
em Política
Ato De Bolsonaro Na Paulista Tem Menor Público Desde 2022 E Mira Congresso Em 2026 Gazeta Mercantil

Ato de Bolsonaro na Paulista em 2025 Tem Menor Público Desde o Fim de Seu Governo

Mobilização liderada pelo ex-presidente mostra enfraquecimento da base popular e mudança de estratégia rumo ao Congresso

O ato de Bolsonaro na Paulista, realizado em 29 de junho de 2025, reuniu o menor número de apoiadores desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o cargo em dezembro de 2022. A manifestação foi marcada por discursos políticos, pedidos de anistia para envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 e declarações contundentes sobre as eleições de 2026. Apesar da queda na adesão popular, Bolsonaro demonstrou foco em fortalecer sua influência institucional por meio do Congresso Nacional.

A concentração aconteceu na icônica Avenida Paulista, em São Paulo, mas o que chamou atenção foi a baixa adesão. Segundo levantamento de um grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), aproximadamente 12,4 mil pessoas compareceram ao evento — um número significativamente menor do que as mobilizações anteriores promovidas por apoiadores bolsonaristas desde o fim do mandato do ex-presidente.

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Baixa adesão expõe desafios da direita em mobilização popular

O ato de Bolsonaro na Paulista revelou um cenário político distinto daquele observado entre 2018 e 2022. Se antes o ex-presidente mobilizava multidões em manifestações massivas, o esvaziamento do evento de 29 de junho levanta questionamentos sobre o atual fôlego de sua base popular.

Embora ainda mantenha forte presença em setores específicos da sociedade, o bolsonarismo enfrenta desafios crescentes para manter a coesão de sua militância em um contexto marcado por investigações, condenações de aliados e o próprio risco de prisão enfrentado por Bolsonaro.

A baixa adesão também contrasta com o esforço de lideranças políticas ligadas ao ex-presidente para consolidar uma estratégia eleitoral para 2026, na tentativa de retomar o protagonismo político por vias institucionais, especialmente no Congresso Nacional.


Foco no Congresso: Bolsonaro busca força institucional

Durante o ato de Bolsonaro na Paulista, o ex-presidente adotou um discurso voltado à formação de maioria legislativa, mirando as eleições de 2026 como oportunidade de alterar o cenário político do país. A mensagem principal foi clara: mesmo inelegível até 2030, Bolsonaro deseja controlar o Congresso Nacional como forma de interferir diretamente na condução do governo e nos rumos do Judiciário.

Ao pedir 50% da Câmara dos Deputados e 50% do Senado em 2026, o ex-presidente deixou claro seu plano de consolidar uma força política capaz de alterar o equilíbrio entre os poderes, promovendo pautas conservadoras e resistindo à influência do Executivo e do Supremo Tribunal Federal (STF).


Possível influência sobre pedidos de impeachment

Com uma eventual maioria no Senado, a base bolsonarista pretende, segundo o próprio Bolsonaro e seus aliados, impulsionar pedidos de impeachment contra ministros do STF, sendo Alexandre de Moraes o principal alvo. Moraes é relator dos inquéritos que investigam os atos de 8 de janeiro de 2023, nos quais Bolsonaro figura como suspeito por tentativa de golpe de Estado.

A estratégia de confrontação com o Judiciário é antiga no discurso bolsonarista, mas ganha novo peso diante da iminência do julgamento que pode levar o ex-presidente à prisão ainda em 2025.


Tarcísio de Freitas e a projeção para 2026

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apareceu como o principal nome do bolsonarismo com viabilidade eleitoral para 2026. Ao lado de Bolsonaro, Tarcísio incentivou o público a entoar palavras de ordem como “Fora PT” e “Volta, Bolsonaro”, em um claro aceno à militância de direita e ao eleitorado conservador.

Cotado para liderar a chapa presidencial da direita, o governador paulista reforçou a necessidade de pacificação nacional e reiterou apoio aos simpatizantes condenados pelos atos antidemocráticos de 2023.


Presença discreta de outros governadores aliados

Diferentemente de Tarcísio, outros governadores de estados importantes compareceram ao ato de Bolsonaro na Paulista, mas optaram por não discursar. Estiveram presentes Romeu Zema (Minas Gerais), Cláudio Castro (Rio de Janeiro) e Jorginho Mello (Santa Catarina), todos alinhados ideologicamente ao ex-presidente.

A ausência de falas dessas lideranças pode ser interpretada como sinal de cautela diante do desgaste de Bolsonaro e da baixa adesão popular ao evento. Mesmo mantendo proximidade com o ex-presidente, os governadores demonstram prudência ao evitar vinculação explícita a pautas mais radicais do bolsonarismo neste momento.


Bolsonaro desafia a esquerda e ignora público reduzido

Apesar da expressiva redução no número de participantes, Bolsonaro reagiu com indiferença ao esvaziamento do ato. Em discurso inflamado, desafiou seus adversários políticos a promoverem manifestações de proporções semelhantes: “Faço um desafio à esquerda de colocar nas ruas um terço da quantidade de gente que nós colocamos”, afirmou.

A postura de confronto revela que, mesmo com restrições legais e ameaças judiciais, o ex-presidente segue apostando em discursos polarizadores para manter sua base mobilizada e presente nas redes sociais, onde ainda detém forte engajamento.


Inelegível e ameaçado de prisão: os próximos passos de Bolsonaro

Bolsonaro foi declarado inelegível até 2030, o que o impede de concorrer a cargos públicos nas próximas eleições. Além disso, ele responde no Supremo Tribunal Federal a acusações graves, incluindo a de tentativa de golpe de Estado, por seu suposto envolvimento na incitação dos ataques de 8 de janeiro.

O julgamento, que deve ser concluído ainda em 2025, poderá agravar sua situação jurídica e impactar diretamente sua capacidade de articulação política, inclusive na formação de alianças e no apoio a candidatos em 2026.

Mesmo diante desse cenário, Bolsonaro tenta se manter como figura central da direita brasileira, transferindo sua força eleitoral para aliados de confiança.


Desmobilização bolsonarista ou mudança de estratégia?

O esvaziamento do ato de Bolsonaro na Paulista pode sinalizar tanto uma desmobilização natural de sua base popular quanto uma mudança de estratégia do grupo político. Ao priorizar o controle do Congresso e focar nas eleições legislativas, Bolsonaro e seus aliados parecem entender que a reconstrução do poder passa, agora, pelo jogo institucional.

A aposta em lideranças como Tarcísio de Freitas também mostra um movimento de transição no comando do bolsonarismo, com foco na longevidade do projeto político e menos dependência da figura central do ex-presidente.


Conclusão: o bolsonarismo em transformação

O ato de Bolsonaro na Paulista representou muito mais do que uma simples manifestação política. Ele simbolizou o início de uma nova fase do bolsonarismo — menos mobilizador nas ruas, mas ainda influente nas urnas e nos bastidores do poder.

Com o ex-presidente fora das disputas eleitorais, o grupo busca consolidar novas lideranças, ampliar sua força legislativa e manter a pressão sobre as instituições democráticas. O desafio agora será manter essa base coesa, evitar a fragmentação e adaptar-se a um cenário político em rápida transformação.

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