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Após queda das ações, Axia Energia (AXIA3) ganha voto de confiança do Bradesco BBI

Banco mantém recomendação de compra, eleva preço-alvo para R$ 73 e vê potencial de valorização mesmo com revisão para baixo dos resultados de curto prazo.

por Camila Braga
26/05/2026 às 19h59
em Ibovespa
Axia Energia (Axia3) - Gazeta Mercantil

A recente desvalorização das ações da Axia Energia (AXIA3) abriu uma janela de oportunidade para investidores, na avaliação do Bradesco BBI. Em relatório divulgado nesta terça-feira (26), a instituição reiterou recomendação de compra para os papéis da companhia e elevou ligeiramente seu preço-alvo de R$ 72 para R$ 73 por ação, apesar de reduzir estimativas para o segundo trimestre e para o desempenho financeiro de 2026.

Para os analistas do banco, o mercado passou a precificar um cenário excessivamente conservador para a geradora de energia, criando uma assimetria favorável entre o preço atual das ações e o potencial de geração de valor da companhia nos próximos anos.

Leia também: Axia Energia (AXIA7) aprova operação de R$ 3,9 bilhões para resgate de ações PNC.

A avaliação reforça a visão de que a queda recente dos papéis não reflete integralmente os fundamentos da empresa, especialmente diante das perspectivas para o mercado de energia elétrica no médio e longo prazo.

Bradesco BBI vê mercado excessivamente pessimista com a companhia

Segundo o relatório disponibilizado pela Ágora Investimentos, a principal tese de valorização está relacionada à diferença entre os preços de energia considerados pelo mercado e aqueles projetados pelo banco.

Na visão dos analistas, os investidores atualmente embutem nos preços das ações um cenário de energia negociada em torno de R$ 190 por megawatt-hora (MWh) no longo prazo.

O Bradesco BBI, por outro lado, trabalha com uma estimativa de aproximadamente R$ 227/MWh, patamar significativamente superior e que, segundo o banco, ainda não está refletido na cotação dos papéis.

Essa divergência é vista como um dos principais fatores que sustentam a recomendação positiva para a ação.

Caso os preços da energia evoluam em linha com as projeções da instituição, a geração de caixa e os resultados futuros da companhia poderiam superar as expectativas atualmente incorporadas pelo mercado.

Energia mais cara a partir de 2027 sustenta tese de valorização

O banco também mantém uma visão construtiva para os preços da energia elétrica nos próximos anos.

De acordo com o relatório, o custo marginal de expansão do sistema continua elevado, fator que tende a sustentar preços mais altos no longo prazo.

As estimativas apontam custos superiores a R$ 280/MWh para novos projetos eólicos e acima de R$ 300/MWh para empreendimentos solares.

Além disso, a expectativa de crescimento estrutural da demanda por energia no Brasil reforça a perspectiva de um mercado mais apertado nos próximos anos.

Esse cenário beneficia especialmente empresas com grande capacidade de geração e portfólio diversificado, características consideradas estratégicas para a Axia Energia (AXIA3).

Na avaliação do Bradesco BBI, a combinação entre expansão da demanda e custos crescentes de novos projetos cria condições favoráveis para a valorização dos ativos de geração elétrica já em operação.

Dividendos continuam entre os atrativos da ação

Outro ponto destacado pelo banco é o potencial de remuneração aos acionistas.

A instituição manteve sua projeção de distribuição de R$ 12,5 bilhões em dividendos ao longo de 2026, montante que representa um dividend yield próximo de 8%, considerando os preços atuais das ações.

Embora a companhia ainda não tenha divulgado oficialmente qual percentual do lucro pretende distribuir no período, a expectativa é que a forte geração de caixa continue permitindo uma política robusta de retorno ao acionista.

Empresas do setor elétrico tradicionalmente atraem investidores em busca de renda recorrente, e o Bradesco BBI acredita que a Axia Energia (AXIA3) permanece bem posicionada nesse segmento.

Recompra bilionária reforça estratégia de alocação de capital

Além dos dividendos, a companhia anunciou recentemente um programa de recompra de ações de R$ 4 bilhões.

A iniciativa foi interpretada pelo banco como mais um sinal de confiança da administração no valor intrínseco da empresa.

Programas de recompra costumam ser utilizados quando a administração entende que as ações estão negociadas abaixo do valor considerado justo, além de representarem uma alternativa eficiente para remuneração dos acionistas.

Segundo os analistas, a medida reforça a estratégia de alocação de capital da companhia e pode contribuir para sustentar a cotação dos papéis ao longo dos próximos trimestres.

Banco reduz projeções para o segundo trimestre

Apesar da visão positiva para o longo prazo, o Bradesco BBI reconhece desafios para os resultados de curto prazo.

O banco revisou para baixo suas projeções para o segundo trimestre de 2026, refletindo principalmente a queda dos preços da energia observada nos últimos meses.

A estimativa para o preço de curto prazo da energia foi reduzida de aproximadamente R$ 280/MWh para R$ 160/MWh.

Além disso, os analistas revisaram expectativas relacionadas à geração hidrelétrica da companhia e realizaram ajustes em projeções ligadas ao portfólio de ativos participantes do leilão de reserva de capacidade (LRCAP).

Como consequência, a projeção de Ebitda para o segundo trimestre passou para R$ 6,3 bilhões.

O valor representa uma redução de 10% em relação à estimativa anterior do próprio banco e ficou cerca de 19% abaixo do consenso de mercado.

Segundo o relatório, o principal fator por trás da revisão foi a menor precificação da energia descontratada nas regiões Norte e Nordeste, impactando diretamente as expectativas de receita da companhia no período.

Lucro e Ebitda projetados para 2026 ficam abaixo do consenso

As revisões também afetaram as projeções para o ano completo de 2026.

O Bradesco BBI agora estima Ebitda ajustado de R$ 29,1 bilhões e lucro líquido de R$ 10,6 bilhões para a companhia.

Os números permanecem abaixo das projeções médias do mercado, refletindo uma postura mais conservadora dos analistas para os próximos trimestres.

Ainda assim, o banco considera que os fundamentos estruturais permanecem sólidos e capazes de sustentar uma trajetória de valorização das ações no horizonte de médio e longo prazo.

Para os analistas, a combinação entre dividendos elevados, recompra de ações, perspectiva favorável para os preços da energia e avaliação considerada descontada mantém a Axia Energia (AXIA3) entre as principais apostas do setor elétrico brasileiro.

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