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Balão chinês fazia espionagem usando equipamento americano, diz investigação dos EUA | Mundo

por Gabriel Monteiro
29/06/2023 às 06h02
em Economia
Balão Chinês Fazia Espionagem Usando Equipamento Americano, Diz Investigação Dos Eua | Mundo - Gazeta Mercantil - Economia

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O balão espião chinês que passou sobre os Estados Unidos no início deste ano estava carregado com equipamentos fabricados nos Estados Unidos que ajudaram a coletar fotos, vídeos e outras informações, disseram autoridades dos Estados Unidos, citando descobertas preliminares de uma investigação.

Várias agências de defesa e inteligência, juntamente com a Polícia Federal dos EUA (FBI), analisaram os destroços recuperados depois que os militares norte-americanos detectaram e derrubaram o balão há quase cinco meses em um evento que acrescentou volatilidade nova e inesperada à já tensa relação entre Estados Unidos e China.

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Essa análise descobriu que o balão estava abarrotado de equipamentos americanos disponíveis comercialmente, alguns deles à venda on-line, e intercalados com sensores chineses mais especializados e outros equipamentos para coletar fotos, vídeos e outras informações para transmitir à China, disseram as autoridades.

Essas descobertas, disseram eles, apoiam a conclusão de que a nave foi projetada para espionagem, não para monitoramento do clima, como disse Pequim.

Os funcionários descreveram o balão chinês, com sua mistura de equipamento especializado e pronto para uso, como uma tentativa inventiva de vigilância de Pequim.

Embora o balão tenha coletado dados durante sua passagem de oito dias sobre o Alasca, o Canadá e uma faixa de estados contíguos dos Estados Unidos, a aeronave não parecia enviar essas informações de volta à China, disseram as autoridades.

As autoridades se recusaram a dizer se o balão não funcionou bem, embora o Pentágono tenha dito que os militares dos Estados Unidos empregaram contramedidas para impedir a coleta de informações pelo balão.

A detecção e derrubada do balão atrapalhou um esforço incipiente de reaproximação entre Washington e Pequim, levando a recriminações e aumentando a desconfiança e as tensões entre as duas potências.

Somente nas últimas semanas o governo do presidente Joe Biden e a liderança comunista iniciaram uma frágil retomada das conversas, com ambos sugerindo que querem deixar o balão no passado.

No início deste mês, Biden chamou o balão de “mais embaraçoso do que intencional” para a liderança chinesa. Desde que isso não aconteça novamente, “esse capítulo deve ser encerrado”, disse o secretário de Estado, Antony Blinken, à emissora NBC na semana passada, durante uma visita a Pequim remarcada depois de adiar uma viagem marcada para fevereiro.

Enquanto isso, as autoridades chinesas expressaram preocupação de que, se o relatório dos investigadores dos Estados Unidos sobre o balão se tornar público, Pequim será forçada a uma forte reação, potencialmente prejudicando o envolvimento de alto nível.

Espera-se que a secretária do Tesouro, Janet Yellen, viaje para Pequim no início do próximo mês, seguindo um curso definido por Blinken. Ambos os governos estão tentando arquitetar uma reunião entre Biden e o líder chinês, Xi Jinping, ainda este ano.

A Casa Branca e as agências envolvidas na investigação se recusaram a comentar.

Partes das forças armadas dos Estados Unidos, incluindo a Agência de Inteligência de Defesa (DIA), queriam exibir ao público partes dos destroços do balão, disseram as autoridades. O Departamento de Defesa fez algo semelhante em 2017 com armas iranianas que disse terem sido usadas no Iêmen e no Golfo Pérsico para mostrar o que o Pentágono descreveu como “atividade maligna de Teerã no Oriente Médio”.

Até agora, o governo decidiu não divulgar publicamente suas descobertas sobre o balão, disse uma das autoridades.

Membros do Congresso têm pressionado o governo pelo que sabe sobre as capacidades do balão e por que permitiu que a aeronave passasse por bases de mísseis balísticos intercontinentais e outras instalações militares potencialmente sensíveis. Alguns criticaram o governo por atrasar a divulgação de um relatório para evitar outro golpe nas relações Estados Unidos-China.

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Seu governo ainda não forneceu ao povo americano um relato completo de como esta plataforma de espionagem foi autorizada a atravessar o território soberano dos Estados Unidos, o que o balão carregava e o que coletou durante sua missão”, disse o senador republicano Roger Wicker, do Mississippi. Marco Rubio, da Flórida, escreveu a Biden este mês, com um pedido semelhante.

Depois que a Força Aérea derrubou o balão na costa da Carolina do Sul, em 4 de fevereiro, o FBI inicialmente liderou o exame dos destroços recuperados. A Agência de Inteligência de Defesa, entre outros, também se envolveu em perícia em equipamentos militares, disseram as autoridades.

A DIA se recusou a comentar, dizendo que “a investigação ainda está em andamento”. O FBI também se recusou a comentar. O Departamento de Estado e o Comando do Norte dos Estados Unidos, que é responsável pelas operações militares dos Estados Unidos na América do Norte e detectou e rastreou o balão, encaminhou perguntas ao gabinete do diretor de Inteligência Nacional, que se recusou a comentar.

Os resultados preliminares da investigação, no entanto, foram divulgados nas agências de inteligência e defesa a partir da segunda quinzena de março, disseram as autoridades. A intenção, deles era obter as informações mais recentes sobre as capacidades do balão assim que as avaliações fossem feitas, caso outro artefato semelhante aparecesse no espaço aéreo dos Estados Unidos.

Suspenso do balão, disseram as autoridades, estava um dispositivo semelhante a um satélite com sensores, painéis solares para energia e outros dispositivos para colher fotos, gravar vídeos e capturar dados de radar. Com uma hélice, a embarcação poderia manobrar e vagar por um local por longos períodos, dependendo do clima, disseram as autoridades. Biden descreveu o balão como carregando “dois vagões cheios de equipamento de espionagem”.

Uma nova varredura dos destroços deu aos Estados Unidos informações sobre como o balão funcionava, como era controlado e deveria transmitir dados e os sensores nele, disseram as autoridades. Os investigadores também rastrearam pedidos de compra de alguns dos equipamentos e o relacionamento dos compradores com o governo chinês, disseram as autoridades.

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O Pentágono disse que o balão fazia parte de um programa de vigilância global da China, com balões sendo detectados na Europa, Ásia e América Latina, bem como nos Estados Unidos. Uma autoridade chamou o programa de sofisticado para conduzir vigilância no espaço aéreo acima de 20 mil metros. O espaço aéreo logo acima dessa altura e abaixo de 110 mil metros – o limite do espaço sideral, onde os satélites operam – às vezes é descrito como “espaço próximo”, e as atividades nessa faixa não são regidas pela lei internacional.

O Ministério das Relações Exteriores da China acusou os Estados Unidos de exagerar sobre o balão. Uma porta-voz do ministério reiterou na semana passada a linha que Pequim adotou desde fevereiro de que o balão era uma embarcação civil que foi desviada do curso.

Embora as descobertas da investigação concluam que o balão era destinado à vigilância, funcionários do governo Biden concordam que a embarcação provavelmente viajou em um curso que os operadores originalmente não pretendiam.

“Eles aproveitaram o caminho em que se encontraram”, disse um dos funcionários.

Biden disse isso em comentários na semana passada, que chamaram a atenção principalmente por se referir a Xi, o líder da China, como um ditador.

A razão pela qual Xi Jinping ficou muito chateado quando derrubei aquele balão com dois vagões cheios de equipamento de espionagem é que ele não sabia que estava lá”, disse Biden em um evento de arrecadação de fundos na Califórnia. “Ele foi desviado do curso pelo Alasca e depois pelos Estados Unidos. E ele não sabia disso. Quando foi abatido, ele ficou muito envergonhado.”

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