A Bayer registrou receita de 13,4 bilhões de euros no primeiro trimestre de 2026, avanço de 4% em bases ajustadas por câmbio e portfólio em relação ao mesmo período do ano anterior, sustentada principalmente pelo desempenho das divisões de Crop Science e Consumer Health. No resultado reportado, porém, a receita recuou 2%, impactada pelo câmbio.
O Ebitda antes de itens especiais somou 4,5 bilhões de euros entre janeiro e março, alta de 9% na comparação anual. O lucro básico por ação, conhecido como Core EPS, avançou 13%, para 2,71 euros.
Apesar da melhora operacional, o fluxo de caixa livre ficou negativo em 2,3 bilhões de euros, ante resultado negativo de 1,5 bilhão de euros um ano antes. A pressão veio principalmente de desembolsos relacionados a litígios, que somaram 2,1 bilhões de euros no trimestre.
Agro sustenta crescimento da Bayer
A divisão Crop Science, ligada ao agronegócio, foi o principal motor do resultado da Bayer no primeiro trimestre. A unidade registrou vendas de 7,6 bilhões de euros, crescimento de 7% em bases ajustadas por câmbio e portfólio.
O destaque ficou para a área de Seeds & Traits, que avançou 18%. Segundo a companhia, o segmento de sementes de soja teve expansão de 106%, impulsionado por um acordo de licenciamento estimado em cerca de 450 milhões de euros e pela recuperação de preços relacionada ao dicamba.
O desempenho ajudou a compensar a queda nos herbicidas à base de glifosato, cujas vendas recuaram 15% em meio ao adiamento de compras por clientes.
A margem Ebitda da divisão agrícola subiu de 33,7% para 39,9%, favorecida pela combinação de produtos de maior margem e pelas medidas de redução de custos adotadas pela empresa.
Para a Bayer, a força do negócio agrícola é relevante porque a divisão concentra parte expressiva da receita global e está diretamente exposta à demanda por sementes, defensivos agrícolas, produtividade no campo e ciclos de commodities.
Litígios seguem no centro das preocupações
Embora o resultado operacional tenha avançado, os litígios continuam pressionando a geração de caixa da Bayer. No primeiro trimestre, os desembolsos ligados a disputas judiciais somaram 2,1 bilhões de euros, contribuindo para o fluxo de caixa livre negativo de 2,3 bilhões de euros.
A companhia também reiterou que espera fluxo de caixa livre negativo entre 2,5 bilhões de euros e 1,5 bilhão de euros em 2026. A projeção considera pagamentos relacionados a litígios estimados em cerca de 5 bilhões de euros ao longo do ano.
Esse ponto é acompanhado de perto por investidores porque limita a capacidade da empresa de converter resultado operacional em caixa disponível. Mesmo com crescimento de Ebitda e melhora no lucro por ação, os desembolsos judiciais reduzem flexibilidade financeira e podem afetar ritmo de desalavancagem, investimentos e remuneração aos acionistas.
Farmacêutica sente pressão de produtos maduros
A divisão Pharmaceuticals reportou receita de 4,2 bilhões de euros no primeiro trimestre, queda de 0,5% em bases ajustadas.
A Bayer informou que o crescimento de medicamentos mais novos, como Nubeqa e Kerendia, ajudou a compensar parcialmente o recuo de produtos maduros. As vendas do Nubeqa avançaram 57%, enquanto o Kerendia cresceu 84%.
A pressão veio de medicamentos como Xarelto e Eylea. As vendas do Xarelto caíram 40%, para 364 milhões de euros. Já o Eylea recuou 21%, para 623 milhões de euros, afetado pela entrada de biossimilares no mercado.
A margem Ebitda antes de itens especiais da divisão farmacêutica caiu levemente, de 29,5% para 29,2%, refletindo pressões de preços e maiores investimentos em lançamentos e inovação.
A dinâmica da área farmacêutica mostra um ponto sensível para a Bayer: a necessidade de acelerar novos produtos para compensar a perda de força de medicamentos mais antigos, especialmente em mercados sujeitos à concorrência de genéricos, biossimilares e pressões regulatórias de preços.
Consumer Health cresce com dermatologia e nutrição
A divisão Consumer Health registrou receita de 1,5 bilhão de euros no primeiro trimestre, alta de 5% em bases ajustadas.
O crescimento foi puxado pelas categorias de Dermatology e Nutritionals, que avançaram 10% e 13%, respectivamente. Produtos como Bepanthen, KangWang e Elevit contribuíram para o desempenho, especialmente no mercado chinês.
A área de Digestive Health, por outro lado, recuou 4%, impactada pela consolidação de farmácias na China e por uma base de comparação forte no ano anterior.
A unidade de consumo tem papel importante na diversificação da Bayer, por reunir produtos de maior recorrência e menor dependência de ciclos de prescrição médica ou de commodities agrícolas. Ainda assim, o desempenho segue exposto à dinâmica de canais de venda, consumo na China e competição em categorias de saúde sem prescrição.
Guidance para 2026 é mantido
A Bayer manteve suas projeções para 2026 em moedas constantes. A companhia espera receita anual entre 45 bilhões de euros e 47 bilhões de euros.
A projeção para o Ebitda antes de itens especiais também foi reiterada, em faixa entre 9,6 bilhões de euros e 10,1 bilhões de euros.
A manutenção do guidance indica que a administração vê o primeiro trimestre como compatível com o plano anual, apesar da pressão cambial e dos desembolsos judiciais.
Para o mercado, a confirmação das metas reduz incertezas de curto prazo, mas não elimina preocupações sobre fluxo de caixa, litígios e desempenho da divisão farmacêutica.
Resultado reforça contraste entre operação e caixa
O balanço do primeiro trimestre da Bayer mostrou crescimento operacional, melhora de margem no agronegócio e avanço do lucro básico por ação. Ao mesmo tempo, evidenciou que a companhia ainda enfrenta pressão relevante de litígios, câmbio e perda de força em medicamentos maduros.
A divisão agrícola segue como principal pilar de crescimento, beneficiada por sementes, licenciamento e mix de maior margem. A área de consumo também avançou, enquanto a farmacêutica permaneceu pressionada pela queda de produtos consolidados.
O principal desafio da Bayer em 2026 será transformar a melhora operacional em geração de caixa mais robusta. Com pagamentos judiciais elevados previstos para o ano, investidores devem continuar monitorando a capacidade da empresa de preservar margens, sustentar o guidance e reduzir a pressão financeira provocada pelos litígios.








