O BTG Pactual fez ajustes em sua carteira recomendada de fundos listados para maio, retirando o Kinea Crédito Agro (KNCA11) da seleção e aumentando a exposição ao Kinea Infra (KDIF11). A mudança reflete uma estratégia de realização parcial de ganhos em Fiagros e maior alocação em ativos de infraestrutura com exposição à inflação.
Segundo relatório do banco, o KNCA11 segue com visão positiva para futuras alocações, mas a decisão de retirá-lo da carteira ocorreu após desempenho superior ao principal indicador de referência. O fundo fazia parte do portfólio desde março de 2025 e acumulou valorização de 21,4% no período, acima dos 16,8% registrados pelo IMA-B 5+, índice da Anbima que acompanha títulos públicos indexados ao IPCA de prazo mais longo.
Com os recursos liberados, o BTG ampliou em 2 pontos percentuais a posição no KDIF11, elevando a participação do fundo para 4,5% da carteira. A avaliação do banco é que o produto combina carrego atrativo, exposição à inflação e capacidade de contribuir para diversificação e estabilidade da renda mensal.
A carteira recomendada reúne fundos imobiliários, fundos de infraestrutura e Fiagros. O objetivo é oferecer uma seleção de ativos listados com foco em geração de renda mensal, distribuição de rendimentos e diversificação entre diferentes indexadores, segmentos e estratégias.
KNCA11 sai após valorização acumulada
A retirada do Kinea Crédito Agro (KNCA11) foi motivada pela realização de parte dos ganhos acumulados. O fundo havia entrado na carteira recomendada em março de 2025 e, desde então, apresentou retorno superior ao benchmark utilizado pelo banco.
A valorização de 21,4% superou o ganho de 16,8% do IMA-B 5+ no mesmo período. Esse desempenho abriu espaço para uma mudança tática na carteira, sem que o BTG tenha abandonado a visão positiva sobre o fundo.
O KNCA11 é um Fiagro, classe de fundo voltada ao financiamento de cadeias agroindustriais. Esses veículos ganharam relevância nos últimos anos por oferecerem exposição ao agronegócio, crédito privado e rendimentos isentos de imposto de renda para pessoas físicas, dentro das regras aplicáveis.
A saída do fundo da seleção não significa necessariamente uma piora estrutural da tese. No caso de carteiras recomendadas, ajustes podem ocorrer por rebalanceamento, gestão de risco, realização de lucro ou busca por melhor relação entre retorno esperado e risco.
Para investidores, a movimentação mostra que mesmo ativos com boa performance podem ser retirados quando a valorização reduz o potencial de ganho relativo ou quando o cenário favorece outro tipo de exposição.
KDIF11 ganha espaço com foco em inflação
O principal beneficiado pela mudança foi o Kinea Infra (KDIF11), fundo de infraestrutura que teve sua participação ampliada na carteira. A alocação passou a 4,5% do portfólio recomendado.
A escolha reforça a preferência do BTG por ativos com exposição à inflação. Fundos de infraestrutura costumam investir em debêntures incentivadas e outros instrumentos ligados a projetos de energia, transporte, saneamento, logística e setores essenciais.
Esse tipo de fundo pode ser atrativo em ambientes de inflação ainda relevante, especialmente quando os papéis da carteira têm remuneração indexada ao IPCA. A estratégia busca proteger parte do poder de compra dos rendimentos e oferecer previsibilidade de fluxo.
O BTG avalia que o KDIF11 combina carrego atrativo com uma estratégia adequada ao cenário macroeconômico atual. O carrego representa o retorno esperado pelo investidor ao manter o ativo, considerando os rendimentos recorrentes distribuídos pelo fundo.
A ampliação do KDIF11 também aumenta a diversificação da carteira entre classes. Em vez de concentrar o portfólio apenas em FIIs tradicionais, o banco mantém exposição a FI-Infra e Fiagros, ampliando as fontes de renda e os fatores de risco.
Carteira tem 16 fundos listados
Com os ajustes para maio, a carteira recomendada do BTG passou a contar com 16 ativos distribuídos entre fundos imobiliários, fundos de infraestrutura e Fiagro.
A maior parte da seleção continua concentrada em FIIs, especialmente fundos de papel, que investem em certificados de recebíveis imobiliários e outros ativos de crédito imobiliário. Esses fundos costumam apresentar rendimento recorrente elevado, mas dependem da qualidade da carteira, dos indexadores e do risco de crédito.
A carteira também inclui fundos de tijolo, como TRXF11 e TEPP11, que têm exposição a imóveis físicos. Esses veículos dependem de fatores como qualidade dos ativos, vacância, contratos de locação, localização e capacidade de reajuste dos aluguéis.
Nos fundos de infraestrutura, a carteira reúne BDIF11, BODB11, CPTI11, CDII11 e KDIF11. A presença dessa classe reforça a busca por exposição a ativos ligados ao IPCA e ao CDI, com potencial de distribuição de rendimentos.
Já o RURA11 permanece como representante dos Fiagros na carteira, com alocação de 2%. O fundo tem estratégia pós-fixada e dividend yield anualizado de 15,3%, segundo os dados da seleção.
KNCR11 tem maior peso no portfólio
O maior peso individual da carteira é do Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11), com alocação de 15,5%. O fundo tem estratégia pós-fixada, preço sobre valor patrimonial de 1,04 vez e dividend yield anualizado de 12,4%.
A presença relevante do KNCR11 indica preferência por fundos com exposição ao CDI, que tendem a se beneficiar de juros elevados. Em um cenário de Selic ainda em patamar alto, fundos pós-fixados podem manter distribuição de rendimentos competitiva.
Na sequência, aparecem o RBRY11, com 9% da carteira, e o CDII11, com 8,5%. O primeiro é um FII de estratégia pós-fixada, enquanto o segundo é um fundo de infraestrutura também ligado ao pós-fixado.
A carteira mantém ainda posições relevantes em MCCI11 e TRXF11, ambos com 7% de participação. O MCCI11 tem estratégia de inflação, enquanto o TRXF11 representa a exposição a fundos de tijolo.
Essa combinação mostra uma carteira voltada para renda, mas com diferentes fontes de retorno. Há exposição ao CDI, ao IPCA, a imóveis físicos, crédito imobiliário, infraestrutura e agronegócio.
Fundos de papel seguem dominantes
Os fundos imobiliários de papel seguem com peso importante na carteira do BTG. Entre eles estão KNHY11, RBRY11, KNCR11, KNIP11, MCCI11, KNHF11, MCRE11 e CPTS11.
Esses fundos investem principalmente em ativos de crédito imobiliário, como CRIs. A remuneração costuma ser indexada ao CDI, ao IPCA ou a outros indicadores, dependendo da composição da carteira.
O apelo para o investidor está na renda mensal. Em um ambiente de juros elevados, fundos de papel podem distribuir rendimentos superiores aos de fundos de tijolo, embora também carreguem risco de crédito, marcação a mercado e concentração em devedores.
O KNIP11, por exemplo, tem estratégia ligada à inflação, P/VPA de 1,01 vez e dividend yield anualizado de 14%. Já o CPTS11 apresenta P/VPA de 0,88 vez e dividend yield anualizado de 13,9%, com estratégia de carrego.
O desconto em relação ao valor patrimonial pode indicar oportunidade, mas também deve ser analisado com cautela. Fundos negociados abaixo do valor patrimonial podem refletir percepção de risco, qualidade dos ativos, liquidez ou expectativa de revisão de rendimentos.
FI-Infra reforça diversificação da carteira
Os fundos de infraestrutura ganharam presença relevante na carteira recomendada. A seleção inclui BDIF11, BODB11, CPTI11, CDII11 e KDIF11.
O BDIF11 tem alocação de 10,5%, estratégia de inflação, P/VPA de 0,90 vez e dividend yield anualizado de 13,6%. O BODB11 representa 7% da carteira, também com estratégia de inflação, P/VPA de 0,94 vez e rendimento anualizado de 15%.
O CPTI11 aparece com 6%, P/VPA de 0,96 vez e dividend yield anualizado de 15,5%. Já o CDII11 tem 8,5% de participação, estratégia pós-fixada, P/VPA de 1,03 vez e rendimento anualizado de 14,5%.
Com a elevação do KDIF11, a carteira amplia a participação em ativos de infraestrutura indexados à inflação. O fundo tem P/VPA de 0,90 vez e dividend yield anualizado de 13,7%.
A diversificação em FI-Infra pode reduzir dependência exclusiva do mercado imobiliário. Esses fundos têm exposição a setores como energia, rodovias, saneamento e logística, embora também carreguem riscos de crédito, regulação e execução de projetos.
Desempenho ficou abaixo do benchmark em abril
Em abril, a carteira recomendada de fundos listados do BTG subiu 0,70%, enquanto o IMA-B 5+ avançou 1,26%. No acumulado de 2026, a carteira acumula alta de 4,61%, abaixo dos 5,56% registrados pelo indicador de referência.
A comparação com o IMA-B 5+ é relevante porque muitos fundos da seleção têm exposição a ativos indexados à inflação. O índice da Anbima acompanha títulos públicos de longo prazo atrelados ao IPCA e costuma refletir expectativas para juros reais e inflação.
Quando o IMA-B 5+ sobe mais que a carteira, pode indicar que os títulos públicos indexados ao IPCA tiveram desempenho superior ao conjunto de fundos selecionados no período. Ainda assim, fundos listados oferecem características distintas, como distribuição mensal de rendimentos, exposição a crédito privado e possibilidade de descontos em Bolsa.
O desempenho relativo abaixo do benchmark ajuda a explicar os ajustes do mês. O BTG buscou aumentar a exposição a ativos que considera mais alinhados ao cenário macroeconômico, especialmente aqueles com proteção inflacionária e carrego elevado.
Para investidores, a leitura deve considerar horizonte de prazo, renda mensal, volatilidade e risco de crédito. Carteiras recomendadas não eliminam a necessidade de análise individual dos fundos.
Lista de fundos recomendados pelo BTG para maio
A carteira do BTG para maio ficou distribuída entre FIIs, FI-Infra e Fiagro, com diferentes estratégias de indexação e geração de renda.
| Tipo | Fundo | Alocação | Estratégia | P/VPA | DY anualizado |
|---|---|---|---|---|---|
| FII | KNHY11 | 5,0% | Inflação | 1,02x | 13,7% |
| FII | RBRY11 | 9,0% | Pós-fixado | 0,93x | 13,7% |
| FII | KNCR11 | 15,5% | Pós-fixado | 1,04x | 12,4% |
| FII | KNIP11 | 3,5% | Inflação | 1,01x | 14,0% |
| FII | MCCI11 | 7,0% | Inflação | 1,02x | 12,3% |
| FII | TRXF11 | 7,0% | Tijolo | 0,92x | 12,2% |
| FII | KNHF11 | 3,5% | Carrego | 0,99x | 12,2% |
| FII | MCRE11 | 4,0% | Carrego | 0,95x | 13,6% |
| FII | CPTS11 | 4,5% | Carrego | 0,88x | 13,9% |
| FII | TEPP11 | 2,5% | Tijolo | 0,93x | 17,8% |
| FI-Infra | BDIF11 | 10,5% | Inflação | 0,90x | 13,6% |
| FI-Infra | BODB11 | 7,0% | Inflação | 0,94x | 15,0% |
| FI-Infra | CPTI11 | 6,0% | Inflação | 0,96x | 15,5% |
| FI-Infra | CDII11 | 8,5% | Pós-fixado | 1,03x | 14,5% |
| FI-Infra | KDIF11 | 4,5% | Inflação | 0,90x | 13,7% |
| Fiagro | RURA11 | 2,0% | Pós-fixado | 0,89x | 15,3% |
A tabela mostra predominância de fundos com dividend yield anualizado acima de 12%, o que reforça o foco em renda. O maior rendimento projetado da seleção é o do TEPP11, com 17,8%, seguido por CPTI11, com 15,5%, e RURA11, com 15,3%.
Dividend yield elevado, porém, não deve ser analisado isoladamente. O investidor precisa avaliar se o rendimento é recorrente, se há eventos não recorrentes, qualidade dos ativos, vacância, inadimplência, risco de crédito e sustentabilidade da distribuição.
Carteira busca renda em cenário de juros altos
A composição da carteira mostra uma estratégia voltada à geração de renda em um ambiente ainda marcado por juros elevados e inflação monitorada. Fundos pós-fixados oferecem exposição ao CDI, enquanto fundos indexados ao IPCA buscam proteção contra inflação e renda real.
Essa combinação pode ser útil em um cenário de incerteza sobre a velocidade de queda da Selic. Se os juros permanecerem altos por mais tempo, fundos pós-fixados tendem a manter rendimentos competitivos. Se a inflação ganhar peso na curva, fundos indexados ao IPCA podem preservar atratividade.
A presença de fundos de tijolo, como TRXF11 e TEPP11, acrescenta exposição a imóveis físicos. Esses ativos podem se beneficiar de contratos de locação, reajustes e eventual valorização patrimonial, mas também são sensíveis a vacância, renegociações e qualidade dos inquilinos.
O portfólio também equilibra liquidez, diversificação e diferentes gestores. Ainda assim, a concentração em fundos de crédito e infraestrutura exige atenção ao risco de crédito privado, sobretudo em um ambiente de maior seletividade no mercado.
Para investidores pessoa física, a isenção de imposto de renda sobre rendimentos de FIIs, FI-Infra e Fiagros, quando cumpridas as regras aplicáveis, continua sendo um atrativo importante. Mas a isenção não elimina riscos de mercado, liquidez ou perda de capital.
Ajuste reforça preferência por inflação e carrego
A troca do KNCA11 pelo aumento no KDIF11 resume a principal mensagem da carteira de maio: o BTG optou por realizar ganhos em um Fiagro que superou o benchmark e aumentar a exposição a um fundo de infraestrutura com carrego considerado atrativo e maior sensibilidade à inflação.
Essa movimentação indica preferência por proteção inflacionária e renda recorrente em um momento de incerteza sobre juros, atividade econômica e comportamento da curva de longo prazo. Também mostra maior diversificação entre fundos imobiliários, infraestrutura e agro.
A carteira segue com foco em renda mensal, mas a composição revela uma busca por equilíbrio entre pós-fixado, inflação, fundos de tijolo e crédito. Para o investidor, a recomendação do banco funciona como referência de alocação, mas a decisão deve considerar perfil de risco, horizonte de investimento e necessidade de liquidez.









