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COP30: ONU expõe falhas graves e pressiona o Brasil em plena conferência

Pressão internacional aumenta enquanto evento segue em andamento na capital paraense

por Gabriel Monteiro
13/11/2025 às 20h25
em Política
Cop30: Onu Expõe Falhas Graves E Pressiona O Brasil Em Plena Conferência - Gazeta Mercantil - Política

COP30: ONU envia carta ao governo brasileiro criticando segurança e estrutura da conferência em Belém

A realização da COP30 em Belém, já em pleno funcionamento desde o início do mês, voltou ao centro das atenções internacionais após o governo brasileiro receber uma carta da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC) com críticas diretas à segurança, à infraestrutura e ao planejamento operacional da conferência. O documento, encaminhado à Casa Civil e ao comitê organizador brasileiro, destacou episódios recentes que ocorreram dentro do espaço oficial e apontou fragilidades que exigem intervenção imediata enquanto as negociações seguem ativas na capital paraense.

A manifestação da ONU ocorre no momento em que chefes de Estado, ministros, cientistas, ativistas, delegações indígenas e representantes de mais de 190 países participam dos debates climáticos mais relevantes do ano. Com Belém recebendo dezenas de milhares de pessoas diariamente, a conferência já registrou episódios que levantaram questionamentos sobre a capacidade de resposta à altura do porte do evento.

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A carta assinada pelo secretário-executivo Simon Stiell reforça preocupação com incidentes ocorridos dentro de áreas restritas do pavilhão e faz recomendações diretas ao governo brasileiro, apontando falhas consideradas incompatíveis com um encontro climático desse nível. A Casa Civil respondeu às críticas e afirma que ajustes já estão em curso para garantir o pleno funcionamento da COP30.

ONU relata falhas durante invasão de manifestantes

O estopim para a carta enviada ao governo brasileiro foi o episódio registrado na noite de terça-feira (11/11), quando um grupo de manifestantes rompeu o sistema de triagem inicial e avançou sobre uma das entradas destinadas a participantes credenciados. Embora o grupo tenha sido contido antes de adentrar a área principal da conferência, o tumulto causou danos estruturais e deixou um agente de segurança ferido.

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A ONU descreveu o ocorrido como um exemplo claro de vulnerabilidade operacional. O documento menciona:

  • falhas no sistema de raio-X e detectores de metal;

  • portas sem reforço adequado;

  • ausência de barreiras físicas em pontos críticos;

  • equipes insuficientes para conter avanços rápidos;

  • resposta tardia de autoridades estaduais e federais.

Segundo a UNFCCC, o episódio caracterizou violação do protocolo de segurança adotado para conferências climáticas e demonstra a necessidade de revisão imediata dos procedimentos.

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A carta afirma ainda que o risco de repetição não pode ser descartado, já que o número de manifestações externas e internas aumentou nos primeiros dias da COP30.

Infraestrutura da COP30 também motivou críticas

Além da segurança, a ONU apontou problemas estruturais observados por delegações e equipes técnicas ao longo da conferência. A organização registrou reclamações sobre:

  • temperaturas elevadas nos pavilhões;

  • climatização insuficiente;

  • falhas em equipamentos de ar-condicionado;

  • espaços improvisados que não suportam grandes fluxos simultâneos;

  • dificuldades logísticas em corredores e áreas de convivência;

  • relatos de goteiras em instalações temporárias.

A UNFCCC destacou que a sensação térmica em algumas áreas chegou a ultrapassar limites aceitáveis para eventos internacionais, comprometendo o bem-estar de delegados e equipes de apoio, além de colocar em risco equipamentos de mídia, sistemas de transmissão e estruturas de informática.

O documento afirma que as condições atuais exigem “intervenção imediata” para garantir o andamento adequado das atividades, já que a COP30 continua recebendo milhares de pessoas diariamente.

Governo brasileiro rebate críticas e anuncia reforços

Diante da repercussão, a Casa Civil divulgou nota afirmando que parte das questões já estava mapeada e que ações corretivas estavam em andamento antes mesmo do envio da carta. Segundo o governo, a segurança interna do evento segue coordenada pelo Departamento das Nações Unidas para Segurança e Proteção (UNDSS), que trabalha com apoio das forças de segurança federais e estaduais.

O governo afirmou que, no dia seguinte ao incidente, representantes federais, estaduais e do UNDSS realizaram uma reavaliação completa do plano de segurança da COP30, resultando em:

  • aumento do efetivo policial;

  • reforço dos perímetros das áreas Laranja, Vermelha e Azul;

  • instalação de gradis e barreiras metálicas em pontos vulneráveis;

  • ampliação do espaço intermediário entre zonas internas;

  • implementação de novos equipamentos de climatização;

  • revisão das calhas e sistemas de drenagem após casos de goteira.

A Casa Civil ressaltou que não foram registrados alagamentos generalizados na conferência, mas apenas infiltrações pontuais já corrigidas pela equipe técnica.

COP30 em andamento: impacto internacional e preocupação diplomática

A carta da ONU durante o andamento da COP30 tem espalhado preocupação entre delegações internacionais, que veem o evento como oportunidade histórica para consolidar acordos climáticos em território amazônico. O simbolismo de realizar a conferência em Belém é grande, mas a logística de sediar um evento desse porte em uma cidade que ainda enfrenta desafios estruturais também impõe riscos operacionais.

Países participantes compartilham preocupação com a segurança de autoridades e com o conforto de equipes técnicas. A COP30 recebe diariamente:

  • chefes de Estado;

  • ministros de Meio Ambiente e Relações Exteriores;

  • negociadores climáticos;

  • lideranças indígenas;

  • especialistas em energia e clima;

  • organizações da sociedade civil;

  • representantes de cidades e estados brasileiros.

A atmosfera diplomática exige estabilidade, previsibilidade e fluxos organizados. Incidentes como o registrado nos primeiros dias podem gerar desconforto e repercussão internacional desfavorável.

Belém enfrenta desafios logísticos previstos desde 2024

A capital paraense já vinha sendo alvo de discussões sobre sua capacidade logística para sediar a COP30. Embora a cidade tenha passado por obras de mobilidade, revitalização urbana, ampliação da rede hoteleira e investimentos na região portuária, técnicos alertavam desde o ano passado que sistemas de climatização e drenagem seriam pontos sensíveis durante a conferência.

As altas temperaturas amazônicas e a umidade extrema colocam pressão sobre estruturas temporárias, especialmente aquelas montadas para abrigar debates, coletivas de imprensa e reuniões bilaterais. O problema se intensifica quando o fluxo de participantes excede o previsto.

A carta da ONU confirma que esses riscos se materializaram logo nos primeiros dias da conferência.

Segurança reforçada passa a ser prioridade imediata

Com a conferência em andamento, a prioridade agora é garantir que novos incidentes não ocorram. A organização trabalha com múltiplos níveis de segurança divididos em:

  • perímetro externo, sob responsabilidade estadual;

  • perímetro intermediário, com forças federais;

  • perímetro interno, sob supervisão do UNDSS.

Após o episódio registrado, o reforço passa a incluir:

  • aumento de detectores de metal;

  • instalação de portas blindadas;

  • fortalecimento dos bloqueios internos;

  • controle reforçado de crachás;

  • revisão de acessos exclusivos para delegações.

Para especialistas, essas medidas são fundamentais, mas devem ser aplicadas com agilidade, já que a COP30 ocorre simultaneamente às adequações emergenciais.

Climatização vira ponto crítico da conferência

As reclamações sobre calor intenso vêm de diversas delegações. O clima amazônico, combinado ao movimento constante nos pavilhões, tornou o sistema de ar-condicionado insuficiente em alguns horários.

A organização já começou a instalar novas unidades e reforçar equipamentos existentes. No entanto, técnicos alertam que a climatização de grandes estruturas temporárias depende de ajustes finos e constante monitoramento.

Se não houver estabilização do sistema, o conforto térmico poderá se tornar tema recorrente até o encerramento da COP30.

Conferência continua apesar das críticas

Apesar da carta e dos episódios registrados, a programação oficial da COP30 segue normalmente, com painéis, reuniões bilaterais, negociações multilaterais e eventos paralelos. Delegações seguem participando ativamente de debates sobre:

  • redução de emissões;

  • financiamento climático;

  • transição energética;

  • proteção de florestas;

  • políticas de adaptação;

  • metas do Acordo de Paris.

A expectativa é que as negociações permaneçam firmes ao longo do evento, apesar dos desafios logísticos.

A carta enviada pela ONU ao governo brasileiro durante a COP30, já em pleno andamento em Belém, expõe fragilidades importantes na segurança e na infraestrutura do evento. O incidente envolvendo manifestantes, os problemas de climatização e a necessidade de reforço imediato do planejamento despertaram atenção internacional. O governo respondeu rapidamente, anunciou correções e afirmou que está comprometido com a realização de uma conferência segura e estruturada.

Com o evento ainda em curso, cada ajuste passa a ser acompanhado de perto por delegações e pela ONU, que esperam que o Brasil mantenha a integridade operacional de um dos maiores encontros climáticos do planeta.

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