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CPI do Crime Organizado quebra sigilo de empresa de Toffoli e convoca Guedes e Campos Neto

por Carlos Menezes
26/02/2026 às 08h30
em Política
Cpi Do Crime Organizado Quebra Sigilo De Empresa De Toffoli E Convoca Guedes E Campos Neto - Gazeta Mercantil

CPI do Crime Organizado aprova quebra de sigilo de empresa de Toffoli e convoca Guedes e Campos Neto

A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (25), uma série de medidas que ampliam a investigação sobre vínculos entre integrantes do poder público, empresários e o sistema financeiro brasileiro. Entre as deliberações, destacam-se a convocação dos irmãos do ministro do STF, Dias Toffoli, a quebra de sigilo da Maridt Participações S.A., empresa da qual Toffoli é sócio, e a convocação de Paulo Guedes, ex-ministro da Economia, e Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central.

O colegiado também aprovou o convite à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e a convocação de outras empresas relacionadas ao Banco Master. Em contrapartida, o pedido de convocação de Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi rejeitado.

O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), ressaltou que tais medidas são fundamentais para esclarecer a infiltração do crime organizado nas esferas mais elevadas do poder público, além de fortalecer mecanismos de fiscalização e transparência.

O contexto da ligação de Toffoli ao Banco Master

A presença de Dias Toffoli na investigação decorre de consultas da Polícia Federal ao STF sobre uma possível suspeição do ministro em relação ao Banco Master. Mensagens encontradas no celular do dono do banco, Daniel Vorcaro, mencionavam Toffoli, levantando a necessidade de verificar vínculos societários e eventuais conflitos de interesse.

A Maridt Participações S.A., ligada aos irmãos de Toffoli, estava no centro de operações que envolveram o fundo de investimentos Arleen, componente de uma rede de fundos suspeitos de fraudes financeiras pelo Banco Master. Entre 2021 e 2025, a empresa dos irmãos Toffoli compartilhou o controle do Tayayá, no Paraná, com o Arleen, que é administrado pelo fundo Leal, de propriedade de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

O fundo Arleen adquiriu cotas de empresas anteriormente pertencentes aos irmãos e a um primo de Toffoli, reforçando a necessidade de investigação sobre movimentações financeiras, estrutura societária e possíveis irregularidades. Em nota anterior, Toffoli negou qualquer envolvimento na administração do Arleen ou relação pessoal com Vorcaro.

Convocação de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto

A CPI também deliberou pela convocação de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, buscando informações detalhadas sobre políticas econômicas e decisões regulatórias que possam ter relação com operações suspeitas. Especialistas destacam que a participação de figuras-chave da economia é essencial para compreender a interface entre decisões de governo, políticas financeiras e possíveis práticas ilícitas.

A comissão pretende analisar eventuais falhas regulatórias, políticas de fiscalização de bancos e fundos de investimento, além de esclarecer impactos de decisões passadas sobre a solidez do sistema financeiro.

Advogada Viviane Barci de Moraes e contratos com o Banco Master

O convite a Viviane Barci de Moraes decorre do contrato do Banco Master com seu escritório de advocacia, que recebia R$ 3,6 milhões mensais a partir de 2024. A contratação previa validade de 36 meses, podendo totalizar R$ 129 milhões caso o banco não fosse liquidado pelo Banco Central.

O escopo do contrato incluía a representação do Master perante órgãos reguladores, Receita Federal, Congresso Nacional e Judiciário, abrangendo consultoria estratégica e contenciosa. A CPI busca esclarecer a legalidade e a transparência do acordo, considerando possíveis conflitos de interesse e o papel de advogados de alto nível em instituições sob investigação.

Até o momento, nem o gabinete de Alexandre de Moraes, nem a defesa de Vorcaro, nem o escritório Barci de Moraes se pronunciaram publicamente sobre o tema.

Fundos de investimento e estruturas societárias sob investigação

O caso evidencia a complexidade das operações financeiras e societárias ligadas ao Banco Master. A CPI busca mapear relações entre fundos, empresas familiares e investidores, verificando padrões que possam indicar práticas ilícitas.

O Arleen, ligado ao Leal, e sua participação em empresas controladas por familiares de Toffoli reforçam a necessidade de detalhamento das movimentações financeiras. Especialistas alertam que tais estruturas, embora legais, podem ser usadas para mascarar operações fraudulentas ou criar conflitos de interesse, tornando essencial a atuação da comissão.

Implicações políticas e institucionais

A investigação impacta diretamente a política nacional. A convocação de ex-ministros e ex-presidentes do Banco Central aumenta a pressão sobre decisões passadas do governo federal e sobre a atuação de instituições públicas. A relação de Toffoli com o Banco Master levanta questionamentos sobre a supervisão do STF em casos envolvendo integrantes do sistema financeiro.

Especialistas em direito constitucional reforçam que a cooperação de todos os convocados é essencial para manter a credibilidade das instituições e a confiança da sociedade no sistema judicial e regulatório.

Reflexos no mercado financeiro

Além do impacto jurídico e político, a CPI afeta diretamente o mercado financeiro. Investidores monitoram a investigação para avaliar riscos reputacionais e potenciais impactos sobre o sistema bancário. A quebra de sigilo da Maridt Participações S.A. e a convocação de Guedes e Campos Neto podem gerar volatilidade nas ações de instituições vinculadas ao Banco Master e fundos correlacionados.

A atuação da CPI do Crime Organizado funciona como mecanismo preventivo, buscando reduzir incertezas e fortalecer a governança corporativa e a fiscalização pública.

Estratégias da CPI para investigação detalhada

O relator Alessandro Vieira enfatiza que a comissão utiliza métodos rigorosos para mapear relações societárias e transações financeiras. A análise de mensagens, contratos e estrutura de fundos permite identificar conexões entre poder público e setor financeiro, contribuindo para prevenir infiltração criminosa em esferas de alta complexidade institucional.

Próximos passos e expectativas

A CPI seguirá convocando novos envolvidos e solicitando documentos adicionais, aprofundando a investigação sobre operações suspeitas, práticas societárias e contratos jurídicos de alto nível. A presença de Guedes, Campos Neto e Viviane Barci de Moraes é considerada crucial para esclarecer lacunas e reforçar a integridade institucional.

O andamento da comissão reforça a importância de transparência e governança em operações financeiras complexas e em decisões políticas, visando impedir que práticas criminosas influenciem setores estratégicos da economia brasileira.

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