terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Mercados Dólar

Desdolarização: entenda o futuro do dólar no mercado global

O que pode mudar no domínio do dólar na economia mundial

por Gabriel Monteiro
15/07/2025 às 10h05
em Dólar
Desdolarização: Entenda O Futuro Do Dólar No Mercado Global - Gazeta Mercantil - Economia

A desdolarização tem ganhado espaço no debate econômico internacional e despertado preocupações entre investidores e instituições financeiras ao redor do mundo. Embora o dólar ainda seja a moeda dominante em transações globais, movimentos recentes de países como China, Rússia e outros integrantes dos Brics indicam uma tentativa crescente de reduzir a dependência da moeda norte-americana. Mas será que esse cenário pode realmente mudar no curto ou médio prazo?

Nesta análise, vamos entender por que o dólar ainda ocupa posição central no sistema financeiro internacional, o que motiva a busca pela desdolarização, como isso afeta os custos e riscos cambiais e, principalmente, quais estratégias o investidor pode adotar para proteger e diversificar sua carteira diante desse fenômeno.

Leia também: Juros futuros sobem e mercado amplia prêmio de risco com indicação de Guilherme Mello ao BC.


O domínio do dólar no sistema financeiro global

A liderança do dólar no mercado internacional está alicerçada em fatores estruturais da economia dos Estados Unidos: confiança institucional, solidez fiscal, tamanho da economia e profundidade do mercado financeiro. Atualmente, cerca de 90% das transações internacionais envolvem o dólar, e aproximadamente 60% das reservas cambiais dos países estão denominadas na moeda norte-americana.

Esse protagonismo está ainda associado ao uso generalizado do dólar no sistema SWIFT – infraestrutura de pagamentos globais –, além da preferência pela moeda em momentos de aversão ao risco. Títulos do Tesouro dos EUA, por exemplo, são considerados porto seguro por investidores do mundo inteiro, mesmo em períodos de instabilidade.

Leia também: Café Verde: O Mercado Global Registra Aumento de 8,8% em Exportações em Agosto.


A narrativa da desdolarização: tendência ou especulação?

A discussão sobre a desdolarização não é recente. Desde a criação do euro, no início dos anos 2000, já se especulava sobre uma possível perda de hegemonia do dólar. Contudo, o que se observou ao longo dos anos foi justamente o fortalecimento da moeda norte-americana em relação a outras divisas.

Atualmente, a desdolarização ainda parece mais uma tendência discursiva do que um movimento consolidado. Países com aspirações geopolíticas mais assertivas, como China e Rússia, vêm liderando acordos comerciais que não utilizam o dólar, especialmente em setores como energia e commodities. Entretanto, esses acordos representam uma fração pequena diante do volume total de transações internacionais.

Leia também: Axia Energia deixa a Bolsa de Nova York nesta quinta; ADRs migram para mercado de balcão.


Transações sem dólar já estão em curso?

Sim, algumas transações bilaterais e acordos comerciais já ocorrem fora do sistema dolarizado. Países como China, Rússia, Irã e membros do Brics ampliado estão priorizando o uso de suas moedas locais, como o yuan, o rublo e o renminbi, para transações em setores estratégicos.

Após sanções impostas à Rússia e sua exclusão do sistema SWIFT, houve um avanço expressivo na busca por alternativas. A China, por exemplo, incentivou o uso de seu próprio sistema de pagamento e expandiu acordos para transações em renminbi. Brasil e Argentina também já firmaram parcerias com a China nesse sentido, sinalizando um interesse crescente pela diversificação cambial.


Impactos da desdolarização nos riscos e custos cambiais

A crescente utilização de outras moedas em transações internacionais pode elevar o risco cambial, principalmente em países cujas moedas não são amplamente aceitas no exterior. Moedas como real, peso argentino ou lira turca, por exemplo, enfrentam altos custos de conversibilidade e pouca liquidez global.

Essa fragmentação monetária potencial aumenta a complexidade das operações internacionais e pode gerar mais volatilidade para os investidores. Além disso, sem um padrão universal como o dólar, o custo das transações e o risco de crédito tendem a subir, especialmente para economias emergentes.


Como o investidor pode se proteger da desdolarização

Frente ao cenário de desdolarização, mesmo que ainda incipiente, o investidor deve adotar estratégias de diversificação cambial e exposição internacional. A construção de uma carteira resiliente passa pela análise do perfil de risco, objetivos de longo prazo e capacidade de absorver volatilidades.

Entre os ativos recomendados para mitigar riscos estão:

  • Fundos cambiais: indicados para quem deseja exposição ao dólar sem investir diretamente no exterior.

  • ETFs internacionais: opções locais que replicam índices globais.

  • Treasuries norte-americanos: títulos do Tesouro dos EUA continuam sendo ativos de alta segurança.

  • Ações globais: oferecem proteção cambial e acesso à economia mundial.

Outra recomendação importante é a alocação em outras moedas fortes, como euro, iene e libra esterlina. ETFs como o WRLD11, que replica o índice MSCI Global, são alternativas para acessar uma carteira de ações global diversificada.


O posicionamento das gestoras brasileiras

Apesar do avanço das discussões sobre desdolarização, as gestoras de investimentos brasileiras ainda não apresentam mudanças significativas em suas estratégias. A maioria segue considerando o dólar como a principal referência para proteção internacional.

Contudo, já se observa uma movimentação gradual em direção a ativos emergentes, como Índia e China, além de uma crescente alocação em ouro, commodities, energia, criptoativos e ativos alternativos. A busca é por opções que ofereçam resistência em cenários de instabilidade monetária e inflação global.


Ouro, criptomoedas e stablecoins: os ativos alternativos

Esses ativos vêm ganhando espaço no portfólio dos investidores como alternativas ao dólar em momentos de crise ou transformação monetária global.

  • Ouro: tradicionalmente visto como proteção contra inflação e instabilidades geopolíticas. Não depende de governos ou sistemas financeiros e mantém valor ao longo do tempo.

  • Criptoativos: como o Bitcoin, surgem como reserva de valor digital e instrumento de descentralização monetária. Porém, apresentam alta volatilidade e dependem de fatores tecnológicos e regulatórios.

  • Stablecoins: funcionam como ponte entre o universo das criptomoedas e o sistema financeiro tradicional. Atreladas ao valor de moedas fiduciárias, como o dólar, oferecem estabilidade de preço, embora com desafios regulatórios e de governança.

Esses ativos não substituem o dólar, mas se colocam como alternativas em determinados cenários, especialmente entre investidores com maior apetite ao risco.


Existe risco real de fragmentação monetária global?

Embora o debate sobre a desdolarização esteja cada vez mais presente, os especialistas indicam que não há, no curto prazo, risco de uma fragmentação monetária desordenada. O dólar continua sendo a principal moeda de referência e sua substituição requereria décadas de reformulação estrutural global.

A curto e médio prazo, o que se projeta é uma diversificação gradual, com o uso combinado de diferentes moedas em operações bilaterais. No longo prazo, tecnologias como moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDCs) podem transformar o cenário global, mas ainda com o dólar em posição central.


O dólar ainda reina, mas a desdolarização avança

O mundo assiste a uma transição cautelosa, em que a dominância do dólar é questionada por novos atores geopolíticos. Apesar disso, a desdolarização é um processo lento, complexo e condicionado a fatores estruturais profundos. Os EUA ainda lideram em estabilidade, confiança e infraestrutura financeira.

Para o investidor, o mais prudente é adotar uma postura estratégica: diversificação cambial, exposição internacional e atenção às transformações geopolíticas e tecnológicas que possam alterar o cenário nos próximos anos. A desdolarização pode não ser iminente, mas já é um movimento que exige preparo, análise e posicionamento inteligente.

LEIA MAIS

Dinheiro Esquecido - Gazeta Mercantil
Economia

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (13) que ainda há R$ 5,79 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras

Leia MaisDetails
Dolar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (13) em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,0227 no mercado à vista, recuperando parte das perdas acumuladas na semana anterior,...

Leia MaisDetails
Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

No mês de setembro, a indústria brasileira de motocicletas cresceu 10,4% em relação ao ano anterior, com 186.758 unidades produzidas

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Economia

Governo anuncia Pix de até R$ 5 mil para MEIs e propõe perdão de dívidas

A menos de duas semanas para o segundo turno das eleições, o governo federal anunciou nesta terça-feira (13) o “Prospera MEI”, um pacote de medidas

Leia MaisDetails
Boletim Focus: Mercado Corta Projeção Da Inflação De 2026 Para 5,30% - Gazeta Mercantil
Economia

Boletim Focus: inflação de 2026 sobe para 5,22% e Selic projetada cai a 13,25%

Índice apresentou alta de 0,21 ponto percentual, indo par 5,22%; Selic e câmbio registraram queda nos resultados desta semana com estimativa de encerrar o ano em 13,25% e...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

20:01:27
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails
Dinheiro Esquecido - Gazeta Mercantil
Economia

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

Leia MaisDetails
Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP