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Devedores poderão ter contas bloqueadas em até 2 horas com nova fase do Sisbajud

Projeto-piloto do CNJ acelera ordens judiciais, amplia rastreamento de ativos e permite bloqueio permanente de valores por até um ano

por Álvaro Lima
22/05/2026 às 00h15
em Economia
Projeto-Piloto Do Cnj Acelera Ordens Judiciais, Amplia Rastreamento De Ativos E Permite Bloqueio Permanente De Valores Por Até Um Ano - Gazeta Mercantil

Devedores com cobranças em andamento na Justiça poderão ter contas bancárias, aplicações financeiras e valores futuros bloqueados em até duas horas após uma ordem judicial, com a implementação de um projeto-piloto do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para modernizar o Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud). A mudança reduz drasticamente o prazo de cumprimento das decisões, que antes podia levar de um a dois dias úteis, e aumenta a capacidade do Judiciário de localizar recursos para pagamento de dívidas reconhecidas em processos judiciais.

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O novo modelo prevê o envio de ordens de bloqueio em duas janelas diárias, às 13h e às 20h, permitindo que instituições financeiras executem a retenção dos valores no mesmo dia da decisão. A ferramenta também aprimora a comunicação entre tribunais e bancos, com troca direta de informações pela plataforma digital.

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A fase de testes terá duração de 18 meses e começa com cinco instituições financeiras que firmaram acordo com o CNJ: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú Unibanco (ITUB4), Nubank (ROXO34) e XP Investimentos. A expectativa é que o modelo seja ampliado gradualmente para todo o sistema financeiro nacional.

Bloqueio judicial poderá ocorrer no mesmo dia

A principal mudança do novo Sisbajud está na velocidade de execução das ordens judiciais. Até agora, após a decisão da Justiça, bancos e instituições financeiras levavam normalmente entre um e dois dias úteis para cumprir o bloqueio.

Com a atualização, a restrição poderá ser feita em até duas horas, dentro das janelas de processamento previstas. Isso significa que uma decisão proferida em processo de cobrança, execução ou cumprimento de sentença poderá atingir contas bancárias e aplicações financeiras de forma muito mais rápida.

O objetivo do CNJ é tornar a recuperação de créditos mais eficiente e reduzir a possibilidade de movimentação de recursos após a emissão da ordem judicial. Na prática, o sistema diminui o intervalo entre a decisão do juiz e o bloqueio efetivo dos valores.

Para o devedor, a mudança exige atenção maior ao acompanhamento de processos judiciais. Como o bloqueio pode ser determinado sem aviso prévio, é possível que a pessoa descubra a restrição apenas ao tentar fazer um pagamento, transferência, saque ou uso do cartão.

Bloqueio permanente poderá durar até um ano

Outra alteração relevante é a criação do chamado bloqueio permanente, que poderá ficar ativo por até um ano. Antes, a ordem judicial atingia principalmente o saldo existente na conta no momento da busca.

Com o novo modelo, se não houver dinheiro suficiente no primeiro momento, valores depositados posteriormente também poderão ser retidos automaticamente até o limite da dívida. Isso pode incluir transferências, depósitos futuros e entradas em contas vinculadas ao CPF ou CNPJ do devedor.

A mudança amplia o alcance das execuções judiciais. A ausência de saldo no momento inicial da ordem deixará de impedir a recuperação do crédito, desde que o bloqueio permaneça ativo dentro do prazo definido.

O mecanismo, porém, não elimina as proteções previstas em lei. Determinadas verbas continuam impenhoráveis ou protegidas em regra, especialmente quando ligadas à subsistência do devedor e de sua família.

Salários e aposentadorias seguem protegidos

Apesar da ampliação do Sisbajud, a legislação brasileira mantém proteção sobre valores considerados essenciais. Em regra, salários, aposentadorias, pensões, benefícios previdenciários e parte dos recursos em poupança não podem ser bloqueados para pagamento de dívidas comuns.

Entre os valores protegidos estão:

Valores protegidos por lei
Salários
Aposentadorias
Pensões
Benefícios pagos pelo INSS
Quantias de até 40 salários mínimos mantidas em poupança

Essa proteção, no entanto, pode ter exceções. Casos envolvendo pensão alimentícia, contratos de empréstimo consignado e outras hipóteses autorizadas judicialmente podem permitir bloqueios sobre valores que, em regra, seriam preservados.

Por isso, a origem do dinheiro bloqueado será decisiva em eventual contestação. Se o sistema atingir salário, aposentadoria ou benefício, o devedor precisará comprovar a natureza dos valores para pedir a liberação.

Devedor pode ser surpreendido pela restrição

Em ações de cobrança, o bloqueio judicial costuma ocorrer sem aviso prévio. A medida é prevista no Código de Processo Civil e tem como objetivo impedir que o devedor retire ou transfira recursos antes do cumprimento da ordem.

Com a redução do prazo para até duas horas, esse efeito será ampliado. O titular da conta pode perceber o bloqueio apenas quando tentar movimentar o dinheiro.

Depois da efetivação da medida, o devedor deve ser intimado e poderá apresentar contestação. O prazo informado é de até cinco dias para solicitar o desbloqueio dos valores, especialmente quando a quantia retida for protegida por lei ou comprometer a subsistência.

Para isso, será necessário apresentar documentos que comprovem a origem dos recursos e demonstrem eventual excesso ou irregularidade no bloqueio.

Cinco instituições participam do projeto-piloto

A primeira fase do novo modelo envolve Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú Unibanco (ITUB4), Nubank (ROXO34) e XP Investimentos. Essas instituições passarão a operar dentro do novo fluxo de comunicação e processamento das ordens judiciais.

A escolha inclui bancos públicos, banco privado, banco digital e plataforma de investimentos, o que amplia a abrangência inicial do teste. A ferramenta poderá alcançar contas correntes, depósitos e aplicações financeiras mantidas nessas instituições.

A expansão para outras empresas do sistema financeiro dependerá da avaliação do projeto-piloto. Se o modelo for considerado eficiente, a tendência é que o CNJ amplie a integração para mais bancos, corretoras, fintechs e instituições de pagamento.

Com isso, a capacidade de rastreamento de ativos pelo Judiciário deve aumentar. Para credores, a mudança pode reduzir a demora na localização de valores. Para devedores, aumenta a necessidade de acompanhar ações judiciais vinculadas ao CPF ou CNPJ.

O que muda no Sisbajud

O novo Sisbajud muda principalmente a velocidade, a duração e o alcance das ordens de bloqueio. A ferramenta passa a operar com maior integração entre tribunais e instituições financeiras.

Veja os principais pontos:

Mudança Como funcionará
Prazo para bloqueio Até duas horas após o envio da ordem
Janelas de processamento 13h e 20h
Bloqueio permanente Poderá ficar ativo por até um ano
Valores futuros Depósitos posteriores poderão ser retidos
Instituições na fase inicial Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Nubank e XP
Fase de testes Projeto-piloto por 18 meses

A mudança torna as execuções judiciais mais rápidas e reduz o espaço para movimentações de emergência após a ordem de bloqueio.

Como agir em caso de conta bloqueada

Ao perceber um bloqueio judicial, o primeiro passo é identificar qual processo originou a ordem. Essa informação pode ser obtida com o banco, com um advogado ou por consulta aos sistemas processuais.

Depois disso, é necessário verificar o valor retido e reunir documentos que comprovem a origem dos recursos. Extratos bancários, holerites, comprovantes de aposentadoria, benefícios do INSS, recibos de aluguel, despesas médicas e contas básicas podem ajudar a demonstrar que a quantia bloqueada é protegida por lei ou necessária à subsistência.

Entre as providências recomendadas estão:

Medida Finalidade
Buscar orientação jurídica Avaliar a legalidade do bloqueio
Identificar o processo Saber qual cobrança gerou a ordem
Conferir o valor retido Verificar se houve excesso
Separar documentos Comprovar a origem dos recursos
Pedir desbloqueio Liberar valores protegidos por lei

O devedor também deve evitar transferir valores para terceiros após tomar conhecimento de uma cobrança judicial. Dependendo do caso, essa prática pode ser interpretada como tentativa de fraude à execução.

Mudança aumenta pressão sobre inadimplentes

A modernização do Sisbajud aumenta a pressão sobre pessoas físicas e empresas com dívidas judicializadas. Com bloqueios mais rápidos e possibilidade de retenção de valores futuros, a Justiça passa a ter uma ferramenta mais eficiente para alcançar ativos financeiros.

A medida tende a beneficiar credores que enfrentavam demora para localizar recursos disponíveis. Também reduz o efeito de tentativas frustradas de bloqueio quando a conta não tinha saldo no momento da busca.

Para empresas, o impacto pode ser relevante em fluxo de caixa. Uma ordem judicial poderá atingir valores em bancos e instituições de investimento com maior velocidade, afetando pagamentos, operações e liquidez.

Para consumidores, a mudança reforça a importância de acompanhar processos judiciais, renegociar dívidas antes da fase de execução e manter comprovantes de renda e origem dos valores em ordem.

Proteção legal deve ser ponto central de disputa

A rapidez do novo sistema pode aumentar disputas sobre bloqueios indevidos. Como a ordem será cumprida em prazo menor, caberá ao devedor agir rapidamente para demonstrar que os valores retidos não poderiam ser penhorados.

Salários, aposentadorias, pensões e benefícios previdenciários devem continuar protegidos em regra. O problema é que, na prática, sistemas automatizados podem atingir contas onde esses valores estão misturados a outros recursos.

Nesses casos, a documentação será essencial. O devedor terá de provar ao juiz que o dinheiro bloqueado tem natureza alimentar ou está dentro das hipóteses legais de proteção.

O mesmo vale para poupança de até 40 salários mínimos. Se o bloqueio atingir esse tipo de reserva, a liberação dependerá da demonstração da origem e da natureza dos recursos.

Nova fase do Sisbajud acelera cobranças na Justiça

A implementação do projeto-piloto do CNJ marca uma nova etapa no uso do Sisbajud para recuperação de créditos judiciais. O bloqueio em até duas horas, o processamento em duas janelas diárias e a possibilidade de retenção por até um ano fortalecem a atuação do Judiciário em ações de cobrança.

A mudança também aumenta a responsabilidade de devedores e advogados no acompanhamento de processos. Quem possui dívida judicializada precisará monitorar movimentações, avaliar acordos e agir rapidamente caso valores protegidos sejam bloqueados.

Para o sistema financeiro, a integração inicial com Caixa, Banco do Brasil, Itaú Unibanco (ITUB4), Nubank (ROXO34) e XP Investimentos será o primeiro teste de um modelo que pode alcançar todo o mercado. Para o Judiciário, o desafio será acelerar a recuperação de créditos sem enfraquecer garantias legais previstas para preservar a subsistência dos devedores.

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