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Ibovespa hoje cai com pressão de Petrobras (PETR4), dólar a R$ 5,03 e exterior positivo

Bolsa brasileira recua aos 175 mil pontos, na contramão de Wall Street, enquanto petróleo, guerra entre EUA e Irã e relatório fiscal ficam no radar

por Camila Braga - Repórter de Economia
22/05/2026 às 11h46
em Ibovespa, Destaque, Mercados, Notícias
Ibovespa Hoje - Gazeta Mercantil

O Ibovespa hoje opera em queda nesta sexta-feira (22 de maio de 2026), pressionado principalmente pelas ações da Petrobras (PETR3; PETR4), enquanto investidores monitoram o avanço das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, a alta do petróleo e a agenda fiscal doméstica. Por volta das 11h18, o principal índice da B3 recuava 1,30%, aos 175.348 pontos, renovando mínimas no pregão. No câmbio, o dólar comercial subia e chegou a R$ 5,022, enquanto os juros futuros operavam sem direção única.

A queda da Bolsa brasileira ocorre na contramão do exterior. Em Nova York, os principais índices abriram em alta, com avanço de 0,75% no Dow Jones, 0,55% no S&P 500 e 0,54% no Nasdaq. O apetite por risco no mercado internacional era sustentado por sinais de avanço nas conversas diplomáticas entre Washington e Teerã, embora ainda persistam impasses sobre o estoque de urânio iraniano e o controle do Estreito de Ormuz.

No Brasil, o dia é marcado por pressão em ações de peso do Ibovespa. Petrobras (PETR3; PETR4) abriu em queda, com os papéis preferenciais recuando 1,51% no início da sessão. Vale (VALE3) também chegou a ampliar perdas, com baixa de 0,87%, a R$ 81,91, antes de oscilar ao longo da manhã. Grandes bancos tiveram desempenho misto, com Itaú Unibanco (ITUB4) em queda de 0,50%, Banco do Brasil (BBAS3) em leve alta de 0,10% e Santander (SANB11) em baixa de 0,58%.

Ibovespa renova mínimas com pressão de blue chips

O Ibovespa começou o dia em queda e acelerou as perdas ao longo da manhã. O índice abriu preliminarmente em baixa de 0,21%, aos 177.278 pontos, mas perdeu força rapidamente e passou a renovar mínimas sucessivas.

Às 10h08, o índice recuava 0,68%, aos 176.437 pontos. Pouco depois, às 10h34, caía 0,96%, aos 175.947 pontos. Às 11h18, a baixa chegou a 1,30%, com o índice aos 175.348 pontos.

O movimento mostra uma deterioração local mais intensa do que a observada nas Bolsas internacionais. A pressão veio de ações com grande peso no índice, especialmente Petrobras (PETR3; PETR4), além de papéis de mineração, bancos e setores sensíveis ao ambiente doméstico.

Na véspera, o Ibovespa havia fechado em alta de 0,17%, aos 177.649,86 pontos, acumulando ganho de 0,21% na semana. Apesar disso, o índice ainda registrava queda de 5,16% em maio e baixa de 5,23% no segundo trimestre, mesmo com alta acumulada de 10,26% em 2026.

Petrobras (PETR4) cai em meio à alta do petróleo

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) ficaram entre os principais vetores de pressão sobre o Ibovespa hoje. Logo no início do pregão, Petrobras (PETR3) caía 1,41%, enquanto Petrobras (PETR4) recuava 1,51%.

O movimento ocorre em um dia de alta dos preços internacionais do petróleo. O WTI subia 1,98%, a US$ 98,26 por barril, enquanto o Brent avançava 2,62%, a US$ 105,27. A valorização da commodity refletia incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e preocupações com o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

Mesmo com o petróleo em alta, os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) operavam em queda, sinalizando que investidores também avaliavam fatores domésticos, política de preços e percepção de risco para a estatal. Segundo dados da Abicom citados no texto-base, os preços dos combustíveis no Brasil seguem abaixo da paridade internacional, com defasagem de 38% no diesel A S10 e 66% na gasolina A.

A diferença entre preços domésticos e externos permanece no radar do mercado, porque pode afetar margens, importadores, percepção sobre política de preços e expectativas para a geração de caixa da companhia.

Dólar sobe e volta a pressionar R$ 5,02

No câmbio, o dólar comercial abriu em alta de 0,30%, cotado a R$ 5,015 na compra e R$ 5,016 na venda. Ao longo da manhã, a moeda renovou máxima e chegou a subir 0,43%, a R$ 5,022.

O movimento acompanhou a cautela local e a leve valorização global da moeda norte-americana. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, avançava 0,10%, aos 99,36 pontos.

O Banco Central informou a primeira parcial da Ptax com compra a R$ 4,9976 e venda a R$ 4,9982. Mais tarde, a segunda parcial mostrou compra a R$ 5,0145 e venda a R$ 5,0151.

Na véspera, o dólar comercial havia fechado em baixa de 0,06%, vendido a R$ 5,001 e comprado a R$ 5,000, com mínima de R$ 4,984 e máxima de R$ 5,025. O comportamento desta sexta-feira indica retomada de pressão, ainda que moderada, em meio ao ambiente externo incerto e ao desempenho negativo da Bolsa brasileira.

Banco Central vende US$ 1 bilhão em leilões de linha

O Banco Central também realizou nesta sexta-feira dois leilões simultâneos de linha, com venda de dólares com compromisso de recompra, em operação de rolagem para vencimento de 2 de junho. No total, foram vendidos US$ 1 bilhão.

No leilão de linha A, a taxa de corte foi de 4,751000%, com duas propostas aceitas, no valor total de US$ 500 milhões. A liquidação da venda ocorrerá em 2 de junho, e a recompra está prevista para 2 de setembro.

No leilão de linha B, a taxa de corte foi de 4,811000%, com uma proposta aceita, também de US$ 500 milhões. A liquidação da venda será em 2 de junho, e a recompra ocorrerá em 4 de novembro.

Essas operações fazem parte da gestão de liquidez cambial e da rolagem de vencimentos. Embora não representem necessariamente intervenção extraordinária, são acompanhadas pelo mercado porque ajudam a reduzir pressões pontuais sobre o câmbio.

Exterior sobe com expectativa de avanço entre EUA e Irã

Enquanto o Ibovespa hoje operava em queda, o exterior tinha desempenho positivo. Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta. O Nikkei, do Japão, subiu 2,68%, enquanto o Shanghai SE avançou 0,87% e o Hang Seng, de Hong Kong, ganhou 0,86%.

Na Europa, os principais índices também avançavam, com alta de 0,45% no Stoxx 600, 0,68% no DAX, da Alemanha, 0,28% no FTSE 100, do Reino Unido, e 0,30% no CAC 40, da França.

Nos Estados Unidos, investidores reagiam a sinais de avanço diplomático entre EUA e Irã. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse na véspera que havia “alguns sinais positivos” nas negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, alertou que um acordo seria inviável caso Teerã insistisse em controlar permanentemente a navegação pelo Estreito de Ormuz.

O otimismo externo, porém, não foi suficiente para sustentar a Bolsa brasileira, que seguiu pressionada por ações de peso e pelo aumento da volatilidade local.

Petróleo e Ormuz seguem no centro do risco global

O Estreito de Ormuz continua como um dos pontos centrais de preocupação para investidores. A rota é estratégica para o transporte global de petróleo, e qualquer interrupção relevante pode elevar preços da commodity, pressionar inflação e alterar expectativas para juros no mundo.

Segundo o texto-base, investidores lidavam nesta sexta-feira com mensagens contraditórias sobre as negociações de paz. O ministro das Relações Exteriores do Irã se reuniu com o ministro do Interior do Paquistão para discutir propostas para encerrar o conflito iniciado por EUA e Israel.

Apesar de sinais de avanço, ainda persistem divergências sobre o estoque de urânio de Teerã e sobre o controle do Estreito de Ormuz. Essas incertezas mantêm o petróleo em alta e afetam diretamente as expectativas para inflação global.

Na zona do euro, autoridades já falam em pressão estagflacionária causada pela alta dos preços de energia. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que a inflação poderia ganhar impulso mesmo se a crise fosse resolvida rapidamente, devido aos efeitos defasados do choque energético.

Juros futuros operam sem direção única

No Brasil, os juros futuros abriram sem força e com oscilações moderadas. O DI para janeiro de 2027 subia 0,010 ponto percentual, a 14,050%. O DI para janeiro de 2028 operava estável, a 13,815%, enquanto o contrato para janeiro de 2029 avançava 0,005 ponto, a 13,850%.

Nos vencimentos mais longos, o movimento era misto. O DI para janeiro de 2033 recuava 0,010 ponto, a 14,120%, enquanto o DI para janeiro de 2035 caía 0,015 ponto, a 14,130%.

A curva de juros local segue influenciada por fatores externos e domésticos. A alta do petróleo aumenta preocupações inflacionárias globais, enquanto o mercado brasileiro aguarda o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do segundo bimestre de 2026.

A entrevista coletiva dos ministros Bruno Moretti, do Planejamento e Orçamento, e Dario Durigan, da Fazenda, está prevista para as 15h. O documento será acompanhado de perto por investidores em busca de sinais sobre bloqueios, contingenciamentos e cumprimento das metas fiscais.

Vale (VALE3), bancos e varejo oscilam

Além de Petrobras (PETR3; PETR4), outros papéis relevantes também influenciaram o Ibovespa hoje. Vale (VALE3) começou o dia em queda de 0,78%, a R$ 81,98, chegou a virar para alta e depois voltou a ampliar perdas, negociada a R$ 81,91.

O minério de ferro negociado em Dalian fechou em queda de 0,13%, a 792 iuanes, equivalente a US$ 116,41, pressionado por perspectivas de maior oferta e enfraquecimento sazonal da demanda na China.

Entre os bancos, o desempenho era misto. Banco do Brasil (BBAS3) subia 0,10%, Bradesco (BBDC4) operava estável, Itaú Unibanco (ITUB4) caía 0,50% e Santander (SANB11) recuava 0,58%.

No varejo, as ações também tinham comportamento irregular. Azzas 2154 (AZZA3) avançava, enquanto Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Casas Bahia (BHIA3) operavam em baixa no início do pregão.

Azzas 2154 (AZZA3) salta com disputa societária no radar

Entre os destaques positivos, Azzas 2154 (AZZA3) avançava cerca de 5% nesta sexta-feira, na terceira alta consecutiva. Investidores avaliavam possíveis desdobramentos da disputa entre os principais acionistas da companhia.

Segundo o texto-base, o mercado repercutia reportagem sobre um desenho possível para uma cisão societária envolvendo Alexandre Birman e Roberto Jatahy. A estrutura considerada incluiria a listagem de três empresas-espelho, com separação de operações e ativos.

A leitura de analistas é que uma eventual divisão poderia, em tese, destravar valor ao separar negócios e reduzir desalinhamentos estratégicos. Ainda assim, há baixa visibilidade sobre execução, valuation, complexidade tributária, implicações legais e prazos.

O desempenho de Azzas 2154 (AZZA3) mostra que o mercado segue atento a eventos corporativos capazes de alterar estrutura societária, governança e percepção de valor em empresas listadas.

Agenda doméstica inclui Lula e relatório fiscal

Na pauta política e econômica doméstica, investidores acompanham a entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para as 16h, ao programa Sem Censura, da EBC.

Antes disso, às 15h, os ministros Bruno Moretti e Dario Durigan devem apresentar o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do segundo bimestre de 2026. O documento é relevante para a percepção sobre o quadro fiscal, especialmente em um ambiente de juros elevados e maior sensibilidade dos ativos brasileiros.

Também no radar político, o mercado acompanha os desdobramentos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O senador Ciro Nogueira afirmou que, “se for culpado, tem que pagar”, ao comentar o caso.

O noticiário político segue influenciando a percepção de risco local, especialmente diante das articulações para 2026 e da tentativa de instalação de CPIs relacionadas ao Banco Master.

Bolsa brasileira descola do exterior com risco local no radar

O desempenho do Ibovespa hoje mostra um descolamento em relação ao exterior. Enquanto Bolsas globais avançam com expectativa de avanços diplomáticos no Oriente Médio, a Bolsa brasileira cai pressionada por blue chips, dólar em alta e cautela com o cenário fiscal e político.

A pressão sobre Petrobras (PETR3; PETR4), a volatilidade em Vale (VALE3), a fraqueza em parte dos bancos e o aumento do índice de volatilidade local reforçam a cautela dos investidores. O VXBR subia 4,46%, aos 19,91 pontos, renovando máxima do dia.

Para o restante do pregão, o mercado deve seguir atento à trajetória do petróleo, aos sinais sobre as negociações entre EUA e Irã, ao comportamento do dólar e ao relatório fiscal do governo. A combinação desses fatores tende a definir se o Ibovespa conseguirá reduzir perdas ou se continuará pressionado abaixo dos 176 mil pontos.

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