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Dólar cai a R$ 5,15 com fluxo estrangeiro e Ibovespa acima de 191 mil pontos

por Camila Braga
24/02/2026 às 21h19
em Economia
Dólar Cai A R$ 5,15 Com Fluxo Estrangeiro E Ibovespa Acima De 191 Mil Pontos - Gazeta Mercantil

Dólar cai a R$ 5,15 com fluxo estrangeiro e mercado acionário aquecido

O dólar encerrou esta terça-feira (24) em baixa de 0,27%, cotado a R$ 5,1556, influenciado pelo retorno do fluxo de investimentos estrangeiros ao Brasil e pelo comportamento da moeda norte-americana frente a outras divisas emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano. Este fechamento representa o menor nível desde 28 de maio de 2024, quando a moeda encerrou em R$ 5,1539, consolidando uma queda de 6,07% no acumulado do ano.

No mercado futuro, o dólar para março, o contrato mais líquido da B3, recuava 0,32%, negociado a R$ 5,1630 às 17h04. O movimento evidencia a confiança de investidores estrangeiros na economia brasileira e a percepção de menor risco em comparação com outros mercados emergentes.

Leia também: Ibovespa hoje cai com pressão de Petrobras (PETR4), dólar a R$ 5,03 e exterior positivo.


Fluxo de capital estrangeiro e apetite ao risco impulsionam o real

Segundo Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, a desvalorização do dólar é reflexo direto de fatores globais e domésticos. Entre eles, estão as tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, discussões sobre tarifas internacionais e maior apetite ao risco por ativos de economias emergentes.

“O Brasil se consolida como um porto seguro para investidores internacionais, com empresas estruturadas e fundamentos sólidos, sobretudo quando comparado a mercados emergentes como África do Sul, Turquia e México”, explicou Bento.

Leia também: Itaú lança World Legend Mastercard com até 7 pontos por dólar e seguro de US$ 1 milhão.

A entrada de capital externo reforça o real e influencia não apenas o câmbio, mas também a liquidez de ações e títulos de renda fixa, impactando a dinâmica do mercado financeiro brasileiro e a percepção de risco entre investidores institucionais.


Ibovespa acima de 191 mil pontos fortalece o real

A valorização do Ibovespa acima de 191 mil pontos na mesma sessão foi um dos fatores que sustentaram a queda do dólar. O desempenho do principal índice de ações do país reflete ganhos em setores estratégicos, como bancos, commodities e varejo, indicando recuperação de ativos de empresas com fundamentos sólidos.

Leia também: Ibovespa fecha em queda após troca no comando da Petrobras.

O efeito do mercado acionário sobre o câmbio é direto: a entrada de recursos estrangeiros em ações aumenta a oferta de reais, fortalecendo a moeda local e contribuindo para o recuo do dólar.


Comparativo com moedas emergentes reforça confiança no real

Além do comportamento doméstico, o dólar também caiu em relação a moedas de outros países emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano. Esse movimento indica que o real não apenas se fortaleceu internamente, mas também em termos relativos, aumentando a atratividade do Brasil para investidores globais.

Especialistas destacam que economias emergentes com fundamentos robustos e estabilidade institucional tendem a se beneficiar em períodos de maior aversão ao risco global. No caso brasileiro, o equilíbrio fiscal, a política monetária consistente e a resiliência do setor empresarial contribuem para essa percepção positiva.


Fatores geopolíticos e tarifas globais moldam o câmbio

O cenário internacional também exerce influência decisiva sobre a cotação do dólar. Tensões entre EUA e Irã afetam o preço do petróleo e geram volatilidade nos mercados globais. Paralelamente, discussões sobre tarifas comerciais influenciam as expectativas de crescimento econômico e impactam moedas de países emergentes.

Segundo Bento, o Brasil se beneficia desse contexto:

“Enquanto outros emergentes enfrentam riscos políticos e econômicos mais elevados, o Brasil oferece segurança relativa e empresas estruturadas, atraindo capital estrangeiro mesmo em momentos de tensão internacional.”


Impactos no mercado brasileiro e estratégias empresariais

O recuo do dólar para R$ 5,1556 possui efeitos imediatos sobre empresas com exposição cambial. Setores importadores podem se beneficiar da redução de custos, enquanto exportadores precisam planejar estratégias de hedge para manter margens diante da valorização do real.

O movimento também influencia a atuação de fundos de investimento e investidores estrangeiros, que ajustam suas posições conforme a oscilação do câmbio, afetando a liquidez de ações e títulos de renda fixa.

Além disso, o Banco Central acompanha atentamente a evolução da moeda para calibrar políticas de juros e controlar pressões inflacionárias decorrentes da importação de produtos e serviços.


Expectativas para o dólar no curto prazo

O comportamento do dólar seguirá sensível a fatores externos e internos, incluindo:

  • Política monetária dos EUA e possíveis alterações na taxa de juros;

  • Novas tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio;

  • Fluxo de investimentos estrangeiros em mercados emergentes;

  • Desempenho do mercado acionário brasileiro, particularmente do Ibovespa.

Analistas projetam que, enquanto o Brasil mantiver estabilidade fiscal e institucional, o real continuará favorecido por entradas de capital externo, mantendo o dólar em níveis relativamente baixos em relação aos últimos meses.


Análise de impacto setorial e financeiro

A valorização do real impacta diretamente diversos setores da economia brasileira. Para empresas importadoras, os custos de aquisição de produtos em dólar caem, melhorando margens de lucro. Para exportadores, especialmente nos setores de commodities e manufatura, há necessidade de estratégias de hedge mais robustas.

Investidores devem acompanhar também a evolução de fundos cambiais e de renda fixa, cujo desempenho pode ser afetado por oscilações repentinas do dólar. O cenário exige monitoramento constante, dado que fatores externos podem gerar volatilidade elevada mesmo com fundamentos domésticos sólidos.


Oportunidades e riscos para investidores

O recuo do dólar representa oportunidades para:

  • Alocação de recursos em ativos brasileiros com hedge cambial;

  • Compra de ações e BDRs de empresas exportadoras em momento estratégico;

  • Avaliação de fundos internacionais com exposição ao Brasil.

Por outro lado, os riscos incluem volatilidade cambial externa, mudanças inesperadas em políticas econômicas internacionais e possíveis choques nos preços de commodities.

A análise reforça que o Brasil continua atraente para capital estrangeiro, mas exige estratégias de diversificação e atenção ao cenário macroeconômico global.

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