Dólar hoje fecha em R$ 5,16, menor valor desde maio de 2024, impulsionado por tarifas de Trump e fluxo de capitais
O dólar hoje encerrou a segunda-feira (23) cotado a R$ 5,1693, registrando o menor fechamento desde 28 de maio de 2024, quando a moeda norte-americana atingiu R$ 5,1539. A queda reflete uma combinação de fatores internos e externos: a nova ofensiva comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elevou de 10% para 15% a tarifa sobre importações, e o fortalecimento do real frente ao dólar, sustentado pelo fluxo de capitais atraído pelo diferencial de juros entre Brasil e EUA.
O movimento de valorização do real ocorre em um contexto de cautela no mercado global, marcado por tensões comerciais e geopolíticas, e demonstra a sensibilidade da moeda americana às medidas de política externa, ao mesmo tempo em que evidencia o papel do Brasil como destino de investimentos estratégicos.
Oscilações do dólar hoje: alta matinal e forte correção
Na abertura do mercado, o dólar hoje registrou máxima de R$ 5,1919 (+0,30%) por volta das 9h26, refletindo operações de realização de lucros. Em seguida, a moeda recuou para R$ 5,1392 (-0,72%) às 11h50, durante o momento de maior força do Ibovespa, que ultrapassou 191 mil pontos.
Segundo Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, “o fluxo de exportadores vendendo dólar ao atingir R$ 5,18 ou R$ 5,17 contribuiu para a queda da moeda, enquanto outras divisas emergentes também se valorizaram frente ao dólar”.
Essa volatilidade intra-dia evidencia que, mesmo diante de sinais de estabilização, o dólar hoje permanece sensível a fluxos de capital, negociações comerciais e movimentações de exportadores, refletindo o comportamento típico de uma moeda global em economias emergentes.
Tarifas de Trump elevam riscos para o câmbio
O presidente Donald Trump anunciou que a tarifa sobre importações de todos os países será elevada para 15%, atingindo o limite máximo permitido pela legislação americana. Essa medida surgiu após a Suprema Corte dos EUA derrubar o programa tarifário anterior, que previa 10% de alíquota.
Especialistas ressaltam que, além de afetar diretamente o comércio internacional, a política de tarifas norte-americana influencia a cotação do dólar hoje, ao gerar incertezas sobre a competitividade de exportadores brasileiros e de outros mercados emergentes, impactando o fluxo de dólares para países exportadores de commodities.
Geopolítica e efeitos nas moedas emergentes
O ambiente internacional também exerce influência sobre o dólar hoje, com atenção para a relação EUA-Irã. O país persa indicou que está disposto a flexibilizar seu programa nuclear em troca do fim das sanções e do reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio.
Tais movimentos geopolíticos afetam o fluxo global de capitais, alteram a percepção de risco e, consequentemente, interferem na valorização ou desvalorização do dólar frente a moedas emergentes, incluindo o real. O mercado global acompanha de perto esses desdobramentos, pois pequenas oscilações podem gerar impactos significativos em bolsas e câmbio.
Boletim Focus: projeções do dólar e da Selic
O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, mostra uma redução nas projeções para o dólar no fim de 2026, de R$ 5,50 para R$ 5,45. A expectativa para a Selic também recuou ligeiramente, de 12,25% para 12,13%.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — atualmente entre 12,13% e 3,50% a 3,75% — tem atraído investimentos, sustentando o real e contribuindo para a queda do dólar hoje. Analistas destacam que o fluxo de recursos estrangeiros tem dado margem para que o Banco Central reduza parcialmente a rolagem de swaps cambiais sem comprometer a liquidez do mercado.
Dólar futuro e operações do Banco Central
Às 17h05, o dólar futuro para março, o contrato mais líquido da B3, cedia 0,21%, negociado a R$ 5,1750. Não houve intervenção direta do Banco Central nesta segunda-feira, embora até a última sexta-feira o órgão tenha rolado 725 mil dos 750 mil contratos de swap com vencimento em 2 de março.
Especialistas avaliam que a política de rolagem parcial permite ao BC absorver fluxos de capital e reduzir volatilidade no dólar hoje, mantendo estabilidade cambial mesmo diante de cenários externos incertos.
Comparativo internacional: iene e euro
No exterior, o dólar apresentou queda de 0,28% frente ao iene japonês, cotado a 154,62, e alta de 0,10% contra o euro, negociado a US$ 1,1792. O índice do dólar, que mede a performance frente a uma cesta de seis moedas, subiu 0,33%, a 97,700.
O desempenho da moeda reflete a combinação de fatores: tarifas americanas, fluxo de capitais global e percepção de risco nos mercados emergentes. A valorização do real frente ao dólar indica que investidores priorizam ativos de maior retorno em economias emergentes, impulsionados pelo diferencial de juros.
Impactos do dólar hoje para empresas e economia
A queda do dólar hoje influencia diretamente setores exportadores e importadores brasileiros. Empresas que dependem de insumos importados podem reduzir custos com o fortalecimento do real, enquanto exportadores se beneficiam de momentos estratégicos para liquidar receita em dólares.
Além disso, a volatilidade cambial impacta a inflação, as expectativas de política monetária e decisões estratégicas de bancos e investidores institucionais. O comportamento do dólar hoje indica oportunidades e riscos simultâneos, exigindo atenção contínua ao mercado.
Estratégias de investidores frente à volatilidade
Investidores adotaram cautela diante do dólar hoje, buscando equilibrar riscos e oportunidades. A diversificação entre renda fixa, bolsa de valores e derivativos permite mitigar impactos de flutuações cambiais, especialmente em um contexto de tarifas globais mais elevadas e tensões geopolíticas.
O diferencial de juros, somado ao fluxo de capital externo, oferece oportunidades para proteção cambial e ajuste de carteiras multimercado, reduzindo a exposição a variações bruscas do dólar hoje.
Perspectivas para o dólar no restante de 2026
O mercado projeta manutenção do real relativamente fortalecido ao longo de 2026, desde que não ocorram choques externos adicionais. O dólar hoje deve permanecer abaixo de patamares históricos recentes, sustentado pelo diferencial de juros e pela política monetária brasileira consistente.
Analistas alertam que novas medidas comerciais nos EUA ou alterações geopolíticas podem reverter essa tendência, reforçando a necessidade de acompanhamento diário da cotação e do cenário global.





