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Eduardo Bolsonaro intensifica ataques e assume liderança no bolsonarismo em meio à crise de Jair

Com condenação iminente de Jair Bolsonaro, filho assume protagonismo e tenta exportar crise institucional para os Estados Unidos

por Gabriel Monteiro
28/07/2025 às 11h57
em Política
Eduardo Bolsonaro Intensifica Ataques E Assume Liderança No Bolsonarismo Em Meio À Crise De Jair Gazeta Mercantil - Política

Eduardo Bolsonaro intensifica ofensiva política e assume papel central no bolsonarismo em crise

Nos bastidores da política brasileira, o nome Eduardo Bolsonaro volta ao centro do debate nacional. O deputado federal, conhecido por sua fidelidade ideológica ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, tem intensificado uma série de movimentações políticas agressivas, principalmente nas redes sociais e em articulações internacionais. Em meio ao agravamento da situação judicial de Jair Bolsonaro e à iminência de uma condenação que pode levá-lo à prisão, Eduardo emerge como peça-chave na tentativa de manter viva a influência da família Bolsonaro sobre o cenário político brasileiro.

As ações recentes de Eduardo Bolsonaro, que incluem apelos ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e ameaças diretas a instituições brasileiras, têm provocado reações intensas tanto no campo político quanto no empresarial. A proximidade com Trump e a tentativa de internacionalizar o embate contra o Supremo Tribunal Federal (STF) indicam uma estratégia arriscada — que pode levar à marginalização definitiva do bolsonarismo institucional.

Leia também: Safra encerra cobertura da Oncoclínicas (ONCO3) em meio à recuperação de dívida de R$ 5,1 bilhões.


Eduardo Bolsonaro e o apelo a Trump

Eduardo Bolsonaro elevou o tom contra as instituições brasileiras ao pedir publicamente que Donald Trump adote a lei Magnitsky para aplicar sanções ao ministro Alexandre de Moraes, responsável por decisões judiciais que afetam diretamente seu pai. A atitude não apenas tensiona ainda mais as relações institucionais no Brasil, mas representa uma tentativa explícita de internacionalizar a crise política interna.

Ao recorrer a Trump, Eduardo Bolsonaro espera mobilizar a base bolsonarista mais radical e intimidar setores do Judiciário e do Congresso. A aproximação com o ex-presidente norte-americano, que sempre manteve laços estreitos com Jair Bolsonaro, reflete um esforço para manter viva a narrativa de que o ex-presidente brasileiro é vítima de perseguição política.


Escalada de ataques e ameaças públicas

Em uma ofensiva coordenada, Eduardo Bolsonaro utilizou vídeos, entrevistas e postagens para atacar diversos alvos: delegados da Polícia Federal, os governadores Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, além dos presidentes do Senado e da Câmara. A retórica agressiva inclui ameaças veladas de perda de visto norte-americano caso não votem pela anistia de Jair Bolsonaro e pelo impeachment de ministros do STF.

Essa estratégia de confronto não é inédita no bolsonarismo, mas ganha nova intensidade em um momento de desespero familiar. A possibilidade concreta de Jair Bolsonaro ser condenado e preso até o final do ano levou Eduardo a adotar uma postura cada vez mais beligerante — não apenas como deputado, mas como herdeiro político direto de seu pai.


A candidatura frustrada e o plano B com os filhos

Jair Bolsonaro, mesmo ciente da provável inelegibilidade imposta pela Justiça Eleitoral, voltou a cogitar manter sua candidatura à Presidência da República em 2026. A estratégia envolveria lançar inicialmente sua candidatura para depois substituí-la por um de seus filhos — Eduardo ou Flávio Bolsonaro — como forma de manter o controle sobre o eleitorado de direita.

Esse movimento remete à tática usada por Lula em 2018, quando foi substituído por Fernando Haddad. embora o plano petista tenha fracassado no curto prazo, ele teve êxito em manter a base mobilizada e garantir a presença política de Lula até sua volta ao poder em 2022. Os bolsonaristas agora tentam repetir a fórmula, mas enfrentam um ambiente político mais hostil e menos receptivo à narrativa de perseguição.


O efeito Trump: um tiro que saiu pela culatra

Eduardo Bolsonaro acreditava que o envolvimento de Donald Trump na crise política brasileira geraria forte comoção e pressionaria o STF e o Congresso a recuar. No entanto, o resultado foi o oposto. A movimentação acabou fortalecendo o presidente Lula, que ganhou apoio no empresariado e no eleitorado moderado. A tentativa de interferência externa também causou desconforto entre os aliados do próprio bolsonarismo, que passaram a evitar associar seus nomes à família Bolsonaro.

Pesquisas indicam que Jair Bolsonaro perdeu mais de sete pontos percentuais em intenção de voto em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Michele Bolsonaro também sofreu desgaste, e Eduardo Bolsonaro já aparece tecnicamente empatado com Lula em simulações de segundo turno. O “efeito Trump”, ao invés de mobilizar a direita, está isolando o bolsonarismo e dificultando acordos com partidos do Centrão.


Eduardo Bolsonaro e a ruptura com a direita tradicional

A retórica agressiva de Eduardo não poupou nem mesmo aliados de perfil conservador. Ao atacar Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, ele evidencia uma ruptura com setores da direita que tentam construir uma alternativa moderada ao bolsonarismo. Com isso, Eduardo se posiciona como líder da ala mais radical, mas perde apoio do establishment político e empresarial.

Tarcísio, apontado como favorito do Centrão, já sinalizou que só aceitará uma candidatura à Presidência com apoio de Jair Bolsonaro — mas dificilmente aceitará estar associado às ações de Eduardo, que minam sua viabilidade eleitoral. A tentativa de empurrar Eduardo como sucessor natural do pai pode, portanto, dividir a direita e enfraquecer ainda mais a oposição ao governo Lula.


A rotina de vigilância e o fim da liberdade de Jair Bolsonaro

Enquanto Eduardo ataca, Jair Bolsonaro vive dias de tensão. A rotina da imprensa em Brasília agora inclui acompanhar os deslocamentos do ex-presidente para verificar se ele cumpre as medidas restritivas impostas pelo STF. Em menos de dois meses, ele pode ser condenado a mais de 30 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A possibilidade de prisão domiciliar, que antes era dada como certa, agora está em risco. A pressão do clã Bolsonaro por uma escalada de Donald Trump e a tentativa de obstruir o julgamento enfraqueceram ainda mais a posição jurídica do ex-presidente. A perspectiva de Jair Bolsonaro passar o Natal na cadeia é cada vez mais concreta, e sua liberdade política e institucional parece se esgotar rapidamente.


Eduardo Bolsonaro como símbolo do bolsonarismo em agonia

A ascensão de Eduardo Bolsonaro ao protagonismo político neste momento revela muito sobre o estágio atual do bolsonarismo. Sem espaço institucional, acuado judicialmente e isolado politicamente, o movimento tenta se manter relevante através do confronto e da polarização extrema.

No entanto, a estratégia pode sair caro. A aposta em ameaças, discursos radicais e alianças internacionais tóxicas pode não apenas inviabilizar a volta de Jair Bolsonaro, como destruir as chances de seus filhos herdarem seu capital político. A história está se reescrevendo diante dos nossos olhos, e Eduardo Bolsonaro, agora mais do que nunca, é o retrato de um movimento que luta contra o tempo, a Justiça e a realidade.

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