A Polícia Federal investiga se recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e destinados à produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL), foram usados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos. O ex-deputado nega ter recebido dinheiro do fundo ligado ao projeto audiovisual e afirma que sua situação migratória no país impediria esse tipo de repasse.
Eduardo Bolsonaro vive fora do Brasil desde fevereiro do ano passado. Em publicação nas redes sociais, classificou a suspeita como “tosca” e disse ter explicado às autoridades americanas a origem de seus recursos durante seu processo migratório.
“A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria”, declarou.
A apuração busca esclarecer a destinação final dos valores vinculados ao projeto do filme “Dark Horse”. Uma das hipóteses analisadas pelos investigadores é a de que parte dos recursos tenha sido usada para bancar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, e não exclusivamente a produção cinematográfica.
PF apura destino de recursos atribuídos a Vorcaro
A Polícia Federal tenta identificar se os valores repassados por Daniel Vorcaro foram efetivamente aplicados no filme sobre Jair Bolsonaro ou se tiveram outra finalidade. O caso envolve recursos que, segundo a apuração, teriam sido enviados para estruturas financeiras relacionadas ao projeto audiovisual.
Os investigadores também apuram o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas negociações. Em entrevista à GloboNews, Flávio confirmou que recursos pagos por Vorcaro foram enviados a um fundo administrado nos Estados Unidos pelo advogado de Eduardo Bolsonaro. Segundo ele, o aporte chegou a R$ 61 milhões.
A investigação ainda está em andamento, e os citados negam irregularidades. Em casos dessa natureza, os investigados têm direito à defesa e à apresentação de documentos que possam comprovar a origem e a destinação dos recursos.
O ponto central da apuração é verificar se houve desvio de finalidade no uso do dinheiro vinculado ao filme. A PF busca entender o caminho dos recursos, os intermediários envolvidos e a relação entre investidores, produtores e pessoas próximas à família Bolsonaro.
Eduardo diz que apenas cedeu direitos de imagem
Eduardo Bolsonaro afirmou que não exerceu função administrativa no fundo nem ocupou cargo de gestão ou emprego relacionado à estrutura financeira do projeto. Segundo ele, sua participação se limitou à cessão de direitos de imagem.
“Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, escreveu.
O ex-deputado também disse ter apresentado seu advogado ao deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do longa. Segundo Eduardo, o escritório teria experiência em gestão patrimonial e fundos de investimento, e não atuaria apenas em questões migratórias.
Na nota, Eduardo afirmou que o advogado tem mais de 40 anos de experiência, mestrado e doutorado, além de atuação em gestão de patrimônio e fundos de investimento há mais de uma década.
O ex-deputado sustentou ainda que os investimentos foram feitos nos Estados Unidos porque o filme seria uma produção americana, com elenco e estrutura no exterior. Segundo ele, investidores teriam evitado aportar recursos no Brasil por receio de perseguição política.
Produtora e Mário Frias negam dinheiro de Vorcaro
Mário Frias e a produtora GOUP Entertainment negam que o filme “Dark Horse” tenha recebido dinheiro de Daniel Vorcaro. A versão, porém, é confrontada por informações sob análise das autoridades.
De acordo com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a empresa Entre Investimentos teria intermediado repasses ligados ao banqueiro. Segundo as informações mencionadas na apuração, a Entre teria recebido R$ 159 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal e associados a Vorcaro.
Também está no radar uma transferência de US$ 2 milhões para o Havengate Development Fund LP, sediado no Texas. A PF busca apurar se esses recursos guardam relação com o filme, com despesas de pessoas envolvidas no projeto ou com outras finalidades.
A produtora e os citados negam irregularidades. A investigação ainda precisa demonstrar a origem, o percurso e o destino final dos recursos antes de qualquer conclusão sobre eventual ilícito.
Filme “Dark Horse” está no centro da apuração
O filme “Dark Horse” é apresentado como uma produção sobre Jair Bolsonaro. A obra passou a ser analisada pelas autoridades após surgirem suspeitas sobre o financiamento e sobre a possível participação de pessoas próximas ao ex-presidente na articulação dos recursos.
Eduardo Bolsonaro afirma que a família não é dona do filme. Segundo ele, o projeto pertence a mais de uma dezena de investidores, enquanto o escritório de advocacia citado cuidaria da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos.
O ex-deputado também disse que o filme é um produto real, com “grandes estrelas”, e rejeitou a tese de que se trataria de serviço fictício ou estrutura montada para outra finalidade.
A PF, por sua vez, tenta verificar se a estrutura financeira utilizada para viabilizar o projeto audiovisual foi usada integralmente para a produção ou se parte dos valores teve destinação diversa.
O caso ganhou relevância política porque envolve integrantes da família Bolsonaro, um deputado federal aliado, um ex-banqueiro sob investigação e movimentações financeiras internacionais.
Defesa fala em tentativa de atingir reputação
Eduardo Bolsonaro classificou a apuração como tentativa de atingir sua reputação. Na nota, afirmou que a investigação busca “atrelar ilicitude em patrocínio para um filme”.
Ele também argumentou que, à época dos fatos, sua família não teria condições de oferecer vantagem indevida a investidores. O ex-deputado citou a situação jurídica de Jair Bolsonaro, sua permanência nos Estados Unidos e o contexto político enfrentado pelo grupo.
“Tudo não passa de uma tentativa tosca de assassinato de reputação, que tenta atrelar ilicitude em patrocínio para um filme”, afirmou.
A declaração faz parte de uma estratégia de defesa pública adotada por Eduardo para afastar suspeitas sobre recebimento de recursos. Ele sustenta que sua permanência nos Estados Unidos é compatível com sua situação migratória e com a origem declarada de seus recursos às autoridades americanas.
Caso amplia pressão sobre entorno de Bolsonaro
A investigação sobre os recursos ligados ao filme “Dark Horse” amplia a pressão sobre o entorno político de Jair Bolsonaro. A PF apura se dinheiro atribuído a Daniel Vorcaro e supostamente destinado ao projeto audiovisual teve uso diverso do declarado.
O caso também pode gerar desdobramentos sobre eventuais intermediários financeiros, produtores, investidores e agentes ligados à estrutura do fundo nos Estados Unidos.
Até o momento, Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos do fundo, Mário Frias e a GOUP Entertainment negam que o filme tenha recebido dinheiro de Vorcaro, e Flávio Bolsonaro confirmou que valores pagos pelo banqueiro foram enviados a um fundo administrado nos Estados Unidos pelo advogado de Eduardo.
A apuração segue concentrada na rastreabilidade dos recursos e na identificação da destinação final do dinheiro. O desfecho dependerá da análise de documentos financeiros, comunicações, registros bancários e eventuais explicações apresentadas pelos envolvidos às autoridades.









