O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu nesta segunda-feira, 11 de maio, às críticas feitas pelo deputado Ricardo Salles (Novo-SP), que o chamou de “filhinho de papai” durante participação no podcast Iron Talks, exibido na sexta-feira, 8 de maio.
Em vídeo publicado hoje nas redes sociais, Eduardo confirmou ter recebido ajuda financeira do ex-presidente Jair Bolsonaro em um momento que descreveu como de aperto nos Estados Unidos e acusou o ex-ministro do Meio Ambiente de ser “vendido” e de “topar tudo por dinheiro”.
A troca de ataques amplia a crise pública entre nomes ligados à direita e ao bolsonarismo em São Paulo.
Salles critica atuação de Eduardo nos EUA
A crise começou após Salles criticar a permanência e a atuação política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. No Iron Talks, o deputado do Novo disse que o ex-parlamentar teria ido ao exterior para fazer declarações prejudiciais ao país e para atuar contra interesses do Brasil.
Segundo relato publicado pelo Congresso em Foco, Salles afirmou:
“O que eu passei como ministro você não passou nem de longe. Seu papai mandou dinheiro para você ficar nos Estados Unidos, eu não tive essas coisas”.
Ao usar a expressão “filhinho de papai”, Salles buscou associar Eduardo a uma posição de dependência política e financeira em relação ao pai, uma crítica sensível dentro do próprio campo bolsonarista.
Eduardo confirma ajuda do pai
No vídeo de resposta publicado nesta segunda, Eduardo Bolsonaro confirmou o repasse, mas afirmou que ocorreu em um contexto específico.
“O Salles está me acusando de ‘filhinho de papai’ porque o meu pai enviou dinheiro para mim aqui nos Estados Unidos. Eu continuo trabalhando pela liberdade de todos os presos políticos, incluindo ele. Eu sou ‘filhinho de papai’ por causa disso, por causa de um momento de aperto em que meu pai resolveu me ajudar”, disse Eduardo.
Na declaração, o ex-deputado buscou reduzir o impacto político da crítica, tratando a ajuda como um gesto familiar, e afirmou continuar atuando em defesa do que chamou de presos políticos.
Ex-deputado acusa Salles de buscar cargo
Na mesma resposta, Eduardo elevou o tom e passou a questionar a trajetória de Salles após a saída do Ministério do Meio Ambiente, pasta que comandou entre 2019 e 2021.
“O que dizer então da pessoa que, quando saiu do Ministério do Meio Ambiente, pediu um cargo comissionado em um conselho ligado ao Ministério da Infraestrutura? Não dá para acusar o Salles de ser ‘filhinho de papai’, porque ele não é filho de Jair Bolsonaro. O que a gente fala então? Vendido? Topa tudo por dinheiro?”, afirmou.
As acusações foram feitas em tom político no vídeo e, até esta segunda-feira, não foram acompanhadas de documentos ou comprovações adicionais no material divulgado. Por isso, devem ser tratadas como declarações de Eduardo Bolsonaro no contexto da disputa com Salles.
Disputa expõe tensão na direita paulista
O embate ocorre em meio a uma disputa por protagonismo na direita paulista, que reúne diferentes grupos ligados ao bolsonarismo, ao governador Tarcísio de Freitas, ao PL, ao Novo e a lideranças que disputam espaço para Senado, Câmara e estruturas partidárias.
Salles, filiado ao Novo, tem buscado espaço político próprio e feito críticas públicas a lideranças do PL e a nomes próximos de Jair Bolsonaro. Eduardo, por sua vez, mantém atuação vinculada ao núcleo mais próximo do ex-presidente e busca preservar autoridade dentro da base bolsonarista.
Por atingir diretamente um dos principais nomes da família Bolsonaro, as críticas de Salles têm efeito político no eleitorado conservador. Já a resposta de Eduardo tenta enquadrar Salles como movido por interesse pessoal e financeiro.
Reorganização do bolsonarismo e impacto eleitoral
O confronto acontece em um momento de reorganização do bolsonarismo após sucessivas pressões judiciais, disputas partidárias e redefinição de candidaturas. Nesse ambiente, nomes do campo conservador buscam se posicionar para as próximas eleições, e São Paulo, maior colégio eleitoral do país, tem peso central nessa articulação.
A escalada verbal pode dificultar composições futuras dentro da direita paulista. Em eleições majoritárias, especialmente para Senado e governo estadual, a unidade do campo costuma ser decisiva, e divisões internas tendem a fragmentar votos e aumentar o custo de uma eventual reconciliação.
Até o momento, o caso permanece no campo da disputa retórica e política nas redes sociais, sem desdobramentos formais anunciados dentro dos partidos.







